Donos de min

13 Pedaço de memória


Acordei ainda embrulhada pelos braços fortes pardos com o brilho do cabelo castanho em um topete pequeno desfiado sem chamar atenção e perfeito tentei tirar o peso do braço de cima de min arfei com a força tentei rolar para o outro lado em vão não haveria outra escolha se não acorda a bela adormecida mais linda do mundo, antes disso fui puxada para mais perto quase encostando nossas bocas.

_Você se mexe demais _ Disse sorrindo e de olhos fechados pude sentir o seu hálito que mesmo após dormi continuava cheirando menta era incrível o quanto esses garotos não eram normais já acordavam bem cuidados, como não respondi seus olhos mel se abriram encarando os meus assustados, devido à proximidade mesmo estranhado continuamos perto _ Desculpa Doll _Seu jeito tímido aflorou me deixando com mais vergonha pulei da cama escondendo meu corpo como se estivesse nua _ Hey! Calma não fizemos nada de errado_ Riu passando a mão pelos cabelos como um modelo estonteante balancei a cabeça diante da visão daquele garoto com a blusa creme nos cotovelos calça caqui um bocejo foi o bastante para me seduzir _ Tudo bem você está vermelha? _ Claro que estava vermelha desejando da forma como estava era bem possível o rubor nas minhas bochechas.

_Claro _Gargalhei nervosa _ Tenho de ir sabe, para não chegar atrasada_ Ri de novo mesmo não querendo que merda eu estava fazendo não tinha controle sobre minhas ações comecei a tatear a procura da porta sem virar de costas acabei esbarrando na cômoda deixando alguma coisas caírem Pectro correu pegando um retrato antes que se estilhaçasse _Inferno! Sou desastrada demais, me desculpe _ Tomei o retrato de suas mãos para colocar em seu devido lugar me assustei ao perceber que era uma foto nossa quando crianças a garota pelo menos era parecida comigo o mesmo cabelo comprido empurrado para trás com uma tiara grossa de tecido vermelho o vestido de babados curto da mesma cor e claro meus olhos carmins o garoto ao meu lado era um pouco mais alto estava limpando um machucado no meu joelho o sangue era pouco eu não chorava sim ria igual a ele belo e penteado sempre bem cuidado estava em uma cadeira de madeira clara, Pectro estava ajoelhado na minha frente cuidando do pequeno ferimento, atrás a paisagem da nossa vila.

_Nunca vi essa foto _ Já entrei algumas vezes naquele e nunca tinha reparado a imagem.

_Ela não fica ai devo ter esquecido de guardar _ Respondeu nervoso tomando da minhas mãos e colocando onde estava.

_Não gosta da foto? _ Indaguei pelo fato dele escondê-la.

_Claro que gosto só que não quero ninguém além de min a veja ela e uma das poucas coisas que são só minhas _ Realmente entendi quando se faz parte de uma alcateia pensamentos sentimentos valores tudo e compartilhado e compreensível o ciúme com alguns objetos também e possível entender porquê os meninos conseguem me blindar tanto eles treinam isso desde crianças essa era a maldição de ser um lobo ou ter poderes.

_Entendo mais a garota nessa foto sou eu né?

_Claro Doll você tinha seis anos eu sete _ Respondeu sorrindo.

_Não me lembro dessa foto não me lembro de nada da minha infância _ Resmunguei tristonha.

_Se quiser te conto como foi tirada essa foto não tem muita importância mesmo.

_Quero muito! _ Uma fileira de dentes se abriu na esperança de adquirir um pedaço da minha memória.

_Bem, era aniversário da Suzette lembra dela? _ Parei para lembrar de uma feiticeira da idade de Ben loira de olhos castanhos tímida mais boa amiga assenti _ Teve uma grande festa era tarde mas o sol ainda brilhava intensamente, as meninas brincavam de rodinha, os mais velho como Fabian entrando na adolescência brincavam de salada mista e jogo da garrafa para beijar as garotas escondido atrás das casas _ Ri enquanto passava o filme na minha cabeça _ Mas nós dois não, éramos custosos demais para nós prendermos em brincadeiras com regras simplesmente corríamos por todos os cantos não apostando corrida só corríamos para sentir o vento encontrar lugares ficar sozinhos _ Podia sentir as sensações que Pectro falava com atenção para não perder nem um detalhe _ Estávamos correndo por entre as árvores nós afastando cada vez mais gargalhando alto então você tropeçou em uma raiz, sempre desastrada _ Brincou pegando com o polegar e o indicador meu queixo _ Você começou a chorar pensando que tinha rasgado seu vestido favorito fiquei assustado com o sangue que saia do seu joelho e te ver chorando, então te peguei no colo e comecei a resmungar do seu peso você então começou a brigar comigo me chamar de fraco e começar a rir fiquei tão feliz de te ver rindo que passei a fazer de tudo para te fazer rir quando cheguei na vila todos se desesperaram ao te ver no meu colo e o sangue no joelho mais como estávamos rindo se tranquilizaram te coloquei em uma cadeira minha mãe trouxe o kit de primeiro socorros da minha casa, iria te ajudar mas intervir limpei, higienizei, coloquei até um esparadrapo rosa o qual você ficou mostrando para todo mundo depois disso qualquer machucado seu vinha fingindo choro querendo o esparadrapo rosa, um motivo para você se ralar toda.

_Obrigado! _ Pulei no seu pescoço o apertando _ Por sempre cuidar de min.

_Doll eu.

_Não melhor pararmos antes que eu chegue atrasada ou chore, até mais _ Dei um beijo na sua bochecha e outro abraço rápido correndo para minha casa tomei um banho prendendo o cabelo para não molhar sai do chuveiro mal enrolada na toalha me sequei a jogando na cama coloquei uma saia franzida azul claro meio curta uma blusa de mangas branca uma sapatilha agarrei a mochila pela alça me apressando, peguei um suco de caixinha na geladeira fui para a garagem onde estava meu carro olhei para trás antes de entrar vi todos de preto alguns de terno bem engomados prontos para enterro me adiantei não querendo ter aquela visão coloquei o carro na estrada apoiei a cabeça com uma das mãos e segurei o volante com a outra vendo as enormes árvores passarem me lembrei do vulto de Rosália e isso quase me fez bater o carro parei no acostamento joguei a cabeça contra o volante tentando restaurar minha concentração e continuar seguindo para o colégio sem entender a minha vida.