O domingo chegou e eu acordei feliz. Olhei pela janela e vi a minha cidade num dia lindo de sol. Minha casa. Senti que ali era meu lugar. Eu conhecia cada canto, cada rua. Tudo tinha uma lembrança.
Caminhei até o espelho e encarei-me. Eu estou tão diferente. Na busca de esquecer os momentos ruins, eu me transformei. Isso estava errado. Eu preciso achar um meio termo. Hoje vou ver o homem que eu amo, e ele se apaixonou por mim quando eu ainda era uma menina e ainda era eu mesma em todos os sentidos. Eu amo a nova mulher que tornei-me, mas sinto falta da minha menina.

Vesti uma roupa qualquer e desci ao saguão do hotel. Logo em frente havia uma farmácia. Fui até lá e procurei por uma tinta de cabelo que ficasse muito parecida com meu tom natural. Liguei para minha mãe e pedi que fosse ao hotel. Ela, mais do que ninguém, me ajudaria a achar este meio termo.

– Você quer tirar o loiro do cabelo, meu bem?

–Quero mãe. Eu mudei muito esses anos e acho que me perdi. Quero me reencontrar, achar o meio termo entre a menina que eu era e a mulher que me tornei.

Ela sorriu e me abraçou.

– Então vamos ter um dia completo de meninas!!

Pintamos meu cabelo e eu fiquei muito feliz quando olhei no espelho. O tom castanho havia voltado e realçava o chocolate de meus olhos. Fomos ao shopping almoçar no McDonald’s e me senti como aquela menina do interior, mas agora conversando coisas adultas com minha mãe. Era meu meio termo. Entramos numa loja de roupas que amo para achar a roupa perfeita para meu encontro.

– Ah mãe, não quero um vestido. É muito menininha.

– Hum...

– Também não quero saia, é muito mulherão.

– Uhum...

– Oh mãe, fala comigo!

– To pensando, filha! Olha, achei esse look aqui.

Ela trouxe tudo: um short jeans preto curtinho e desfiadinho, uma bota preta que ia até acima do joelho, uma camisetinha branca compridinha com uma linda leoa na frente e uma jaqueta de couro preta. Entrei no provador e vesti. Era uma mistura de mulher fatal com a menina rebelde. Eu me senti... livre.

Voltamos para o hotel. Ela deixou meus cachos castanhos impecáveis, soltos, até a cintura. Joguei de lado e ficou com um topete estilo anos 80, meu preferido. Fizemos uma maquiagem leve, com um delineado pin-up e boca vermelha.

– Filha, acho que juntamos tudo que há de melhor em você. Está divina.

– Eu sabia que tudo o que eu precisava era um pouco de colo de mãe.

Meu celular vibrou com uma mensagem:

*Minha gata, estou chegando. Te espero no hall do hotel.

Meu coração disparou e comecei a esquentar.

– Hum, o Cadú tá chegando né.

– Como você sabe mãe?

– Sempre que ele está perto de você, suas bochechas ficam vermelhas iguais a quando você tem febre. – Ela estava rindo. Bom, eu realmente fervia perto dele.

Eu enganchei meu braço nela e descemos. Quando chegamos ao hall eu o vi. Ele estava um ARRASO! Eu só o tinha visto vestido assim uma vez. Ele estava rebelde, com os cabelos despenteados, uma camiseta preta no tamanho perfeito, uma calça jeans bem escura e agarrada naquelas partes mais gostosas dele e uma bota preta que deixava a barra da calça bagunçada. Travei com a vista e ele sorriu imensamente.

– Flora, radiante como sempre. – Pegou e beijou a mão de minha mãe.

– Eu sei que ama minha filha rapaz, e espero que agora tenha virado homem o suficiente pra ela. – Ela disse isso sorrindo como só ela pode fazer. Deu um beijo em minha bochecha e foi embora.

Ele ficou parado em minha frente, olhando cada pedaço do meu ser. Instintivamente, coloquei as mãos para trás e abaixei a cabeça.

– Nem em meus sonhos mais loucos você estava mais gostosa do que hoje mulher. – A voz dele estava rouca e ele me puxou até grudar nossos corpos. Ele ergueu meu queixo e nossos olhos se encontraram. Fui absorvida por aquele mel intenso de seus olhos. Não dissemos nada. Apenas nos perdemos na profundidade daquele olhar, como se nossas almas entrassem em sincronia.

Ele me soltou e me puxou pela mão. Mal pude acreditar quando a vi estacionada em frente ao hotel, linda. Era uma BMW imponente, na cor grafite. Realmente o gosto dele por motos era impecável. Soltei um suspiro. Era como se estivéssemos sintonizados mesmo antes de nos vermos. Ele estava perfeito para mim e eu estava perfeita para ele. Ele me olhou com o meu sorriso malandro e eu sabia que ele pensava a mesma coisa. Soltei sua mão e fui até a moto. Há tampos eu queria tocá-la, desde quando a vi numa exposição. Passei a mão por toda sua extensão e era como acariciar um felino. O metal, o couro do banco...

– É a visão mais sexy de toda a minha vida.

Virei e o vi me observando de longe. Eu estava parada ao lado da moto, com a mão direita pousada em cima do banco. Ele me olhava de um jeito que não sei descrever. Era admiração, luxúria, amor, espanto e muitas outras coisas. Eu ri para mim e minha leoa linda despertou. Só ele fazia isso com ela. Fui até a rabeta, passei a perna direita bem devagar por cima e sentei. Ali, com as pernas abertas e todo aquele motor embaixo de mim eu me senti realmente divina e excitada.

Olhei para ele com vontade de comê-lo ali.

– Falta alguém no meio das minhas pernas.

Ele grunhiu rouco e baixo e veio até mim. Segurou meu rosto com as mãos.

– A partir de hoje você vai ser minha e de mais ninguém. – Deu-me um beijo cheio de necessidade. Montou na moto e partimos.

Ali, agarrada em sua cintura, com ele voando pelas ruas, eu me senti “A Mulher”. Senti que estava no lugar que eu sempre havia sonhado. Chegamos a um clube e entramos com a moto. Percebi que estava fechado ou reservado para nós, pois nada estava funcionando, estava tudo apagado, até que chegamos a um jardim maravilhoso. Havia algumas árvores e muitas flores, parreiras, trepadeiras em imensas treliças de madeira. Com certeza havia sido todo planejado por um paisagista muito bom. O cheiro era sem igual. Ele parou a moto ali. Era bem no fim do clube, onde ele encontrava com o começo de uma mata. Assim que desci eu pude ver uma tenda romântica armada no centro do jardim, com um colchão e muitas almofadas. Algo me lembrava às tendas árabes. Ao lado havia carrinhos que suponho terem algo para comer e um balde com gelo, uma garrafa da minha vodca e um uísque. Era encantador. Olhei para ele de boca aberta.

– Venha, minha garota. Hoje a noite é nossa.

Fomos até a cama e me sentei. Ele foi até as bebidas e serviu uma dose para cada. Ele se atrapalhou para pegar o gelo. Ele estava nervoso. Senti uma pontada de culpa por estar o pressionando. Sabia que aquele nervosismo era culpa minha. Ele sentou ao meu lado, entregou minha bebida e suspirou profundamente.

– Você está nervoso... – Passei a mão em seu rosto e ele me olhou. – Fique calmo... Perdão por te deixar tenso.

Ele sorriu, um pouco tímido. Deixou a bebida de lado, tirou a minha da minha mão. Puxou-me mais pra perto e me beijou. Um beijo profundo, mas lento e cheio de sentimento. Depois esticou a mão até a jaqueta dele e puxou para perto. Arrumou-se, sentando de frente pra mim. Pegou minhas mãos e abaixou a cabeça.

– Bianca. Eu não sei muito bem como fazer isso e estou morrendo de medo da sua reação. Mas todos esses anos longe de você eu busquei outras pessoas, mas nunca encontrei. Ninguém faz meu sangue ferver como você. Eu preciso de você. Eu amo tudo em você. – Ergueu o rosto para olhar dentro dos meus olhos. – Eu amo seu cabelo tão selvagem quanto a sua alma e ainda mais lindo em sua cor natural. Eu amo seus olhos cor de chocolate e tão intensos que conseguem ver dentro da minha alma e baixar minha guarda. Amo essa sua boca linda e suja. Amo sua inteligência perspicaz. Amo seu atrevimento, sua ousadia. Amo seu lado envergonhado que não tem ideia de quanto você é gostosa. Amo seu riso de garota, minha garota. Amo seu corpo e suas curvas que fazem um cara se perder. Eu amo você minha garota e a quero para sempre. Não vi forma melhor de ter isso senão assim. – Ele pegou uma caixinha de veludo preta dentro da jaqueta e meus olhos arregalaram. – Minha garota, eu quero dormir e acordar contigo todos os dias. Casa comigo?

Eu fiquei alguns segundos muda e estática, com a boca aberta e olhos arregalados. Meu corpo parecia gelatina. Num impulso, eu o agarrei e joguei na cama beijando. Só podia ser sonho, aquele deus me pedindo em casamento e de uma forma tão romântica. Sentei em cima dele e peguei seu rosto entre minhas mãos. Fui com o rosto bem pertinho e olhei em seus olhos.

– É claro que eu aceito. Eu não tenho como viver se não for em sua órbita, meu sol.

Ele abriu o sorriso mais lindo que eu já vi na vida e me beijou desesperadamente. Eu precisei sair do beijo pra respirar. Ainda sentada nele, peguei a caixinha de sua mão e abri. Dentro estava um lindo anel que só podia ter sido feito por encomenda. Era um sol dourado maravilhoso com um brilhante no centro. Ele pegou da minha mão e colocou em minha mão esquerda. Alguns raios eram maiores e subiam e desciam, envolvendo o dedo. Uma obra de arte.

– Eu sei que aqui no Brasil o normal seria uma aliança, mas achei mais nossa cara esse anel de noivado.

– É maravilhoso Cadú. Eu estou abismada. Mas, é injusto! Só eu vou usar algo de compromisso? E você? – Eu disse com bico e cara de criança birrenta.

Ele sorriu malandro e ergueu a camiseta. Ao lado de seu tronco, em sua costela estava uma tatuagem recente em letras rebuscadas escrito “My Girl”. Eu não pude conter as lágrimas e beijei a tatuagem. Eu o abracei e ficamos assim um tempo. Era tudo perfeito demais. Era muito mais do que eu merecia. Era meu conto de fadas rebelde.

Ali eu percebi que eu havia encontrado o meu eixo e que finalmente havia tomado as rédeas da minha vida e me tornado Dona de Mim.

FIM

Da primeira parte :D

Notas finais
Pronto meus amores! A primeira fase desse casal lindo está finalizada.Gostaram de tudo?Eu amei o pedido!!!!!Quem quer a segunda parte? Um casamento?Obrigada por todo apoio e entusiasmo de vocês! Comecei a escrever a fic como um passatempo e acabou tornando-se uma paixão.Grande beijo e até logo logo!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!