Dona
8 Por onde andei?
Notas iniciais
— Jura que ta interrompendo minha noite de sono pra isso?! Por favor, né, Comendador.
— Não, não é pra isso. – se arrastou no sofá até chegar bem próximo dela.
Respirações descompassadas. A mulher sentiu seu corpo estremecer quando o marido pousou sua mão em seu rosto.
— Nós estamos em Genebra, Marta, e não há outro lugar no mundo melhor do que esse pra eu te dizer que te amo, que nunca deixei de te amar. – partiu para beijá-la, quando ela virou o rosto.
— Não podemos, Zé. Eu quero o divórcio.
— O divórcio, Marta????
— Sim, Zé. Não foi o que você sempre quis? Agora eu resolvi lhe dar. – a Imperatriz se levantou.
— Não, Marta. Eu só fingia querer. Você está louca? Não me diga que isso tudo é por causa de Cristina! – ele ia atrás da mulher, que estava de costas, olhando a cidade pela janela.
— Cristina, Zé? Pelo amor de Deus, que ideia! Eu gostei dela, realmente é uma menina valiosa. Eu sei que você engravidou a mãe dela antes de nos conhecermos, sei que não foi traição – saindo de perto dele, foi andando em direção a cozinha – agora a Isis e outras dezenas de mulheres foi. E é! Eu não quero mais isso pra mim, Zé. O meu amor por você não é maior do que o meu bom senso, eu não quero mais ser humilhada! Eu cansei. Cansei assim como você se cansou de mim.
— Mas eu não cansei de você, Marta.
— Claro que não, né? Teve esse tempo todo pra descansar com outras mulheres, pra depois voltar pra abestada aqui.
— Marta, você me traiu...
— José Alfredo, não vou ficar aqui ouvindo suas desculpas esfarrapadas. Nada desculpa uma traição, quer ver várias. Boa noite, até amanhã. – seguiu em direção ao quarto.
— Marta, volte. Eu preciso te explicar o que aconteceu aquele dia no Vicente. – a mulher continuou andando, fingindo não estar ouvindo – Marta!!! – ele correu e a puxou pelo braço, fazendo com que ficassem frente a frente, as bocas se aproximaram. Marta apenas fechou os olhos e esperou para ver o que aconteceria. José Alfredo a encostou na parede, e com ferocidade, atacou seus lábios. Maria Marta começa a abrir a blusa do Comendador quando se dá conta do que está fazendo, e, em um curto momento de lucidez, empurrou José Alfredo. – Shit, Maria Marta! O que aconteceu? Eu quero, você quer. Por que você tem tanto medo? Não há nada para nos impedir.
— A não ser aquela ninfeta no Brasil, não é mesmo?
— Marta, você quer que eu desenhe que não tenho mais nada com a Isis?
— Eu acreditei nisso da outra vez e o que aconteceu mesmo, hein?
— Não passou de um mal entendido, Maria Marta! Sente que eu vou lhe explicar.
— Eu não quero ouvir. – a mulher pensou em voltar para o quarto, quando Zé a puxou.
— Mas vai. Querendo ou não, vai.
— Zé, ta tarde!
— Não interessa! Sente logo! – a madame, sem saída, sentou e assentiu com a cabeça para que o homem começasse a falar – Marta, preste bem atenção no que eu vou lhe falar: nunca fui um homem fino, nem educado. Não vim de berço, como você. Mas eu construí um reino, e, escolhi a melhor mulher para ser a minha rainha: você. Que, aliás, me deu três herdeiros! Maria Marta Medeiros de Mendonça e Albuquerque, não duvide nem por um segundo do meu amor. – a mulher estava emocionada, José Alfredo acariciou seu rosto, e ela, botou sua mão sob a dele e as desceu até o peito. Quando abriu a boca para falar, José Alfredo pediu que ficasse calada – No dia que fomos almoçar no Vicente, Marta, esqueci totalmente de que Isis trabalhava lá. A ultima vez que tínhamos nos encontrado foi antes de você entrar no meu quarto, aquela noite... Você sabe: eu terminei com ela pelo celular! Você leu nossas mensagens. Mas eu não sei o que aconteceu, por que ela me chamou de amor. Não sei se foi o costume, ou de propósito... Não sei se ela te viu lá ou pensava que eu estava sozinho. Não sei! Eu fui atrás de você e você já tinha saído. Sumiu, evaporou! Depois de muito tempo eu já vim descobrir que você estava na Suíça. Quando eu descobri, falei pros meninos que vinha atrás de você, e eles não deixaram.
— Eu pedi para não ser incomodada. – a Imperatriz estava atenta na conversa, e sabia que o marido estava sendo sincero.
— Então... E depois você já mandou um e-mail falando sobre a filial de Genebra. MARTA, COMO VOCÊ PODE ME PROVOCAR DESSE JEITO? – a mulher deu um leve riso.
— Foi difícil pra mim também, Zé Alfredo. – ela fez carinho na mão dele, que ainda estava abaixo da dela, em sua coxa.
— Eu hesitei muito em não procurar você, mas como bom orgulhoso que sou...
— Como boa orgulhosa que sou, também não tive coragem de falar com você.
Marido e mulher trocaram sorrisos.
— Viu no que deu casar com alguém mais orgulhosa ainda? Passamos 9 meses sem nos falar. Olha só o tempo que perdemos!
— Mas você ainda quer perder mais tempo? – o olhar de Marta era malicioso
— Mas nem que a vaca tussa! – o comendador então beijou a Imperatriz, a deitando no sofá.
Entre um beijo e outro, trocaram juras de amor. Ali mesmo, no sofá da sala de um pequeno luxuoso apartamento em Genebra, se amaram. Com a família nos quartos, e o mundo lá fora, para o Imperador e sua Imperatriz só importava eles e o amor que um sentia pelo outro.
Depois de muito se amarem, os dois se satisfazem juntos e Marta deita sob o peito de José Alfredo e o mesmo começa a fazer cafuné na esposa.
— Por onde andei, enquanto você me procurava? – começa a cantar José Alfredo, sendo seguido por Marta.
— E o que eu te dei? Foi muito pouco ou quase nada.
— E o que eu deixei?
— Algumas roupas penduradas.
— Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava? – Marta, emocionada, levanta a cabeça, olha para o marido e lhe dá um selinho.
— Eu te amo, seu nordestino turrão.
— Eu também te amo, paulista quatrocentona. – a mulher ri
— Seu bode velho!
— Fresca! – e a beija, um beijo delicado, apaixonado. O casal não tinha mais pressa.
— Nem parece que é você, Zé.
— Pois aproveite, que é só um momento fraco, amanhã volto a ser um jagunço, como você diz.
— Ah, Comendador, você não me engana! Enquanto estiver comigo, só nós dois, você vai sempre ser assim.
— E eu amo ser assim com você, Maria Marta Medeiros.
— De Mendonça e Albuquerque! – os dois riem, e, assim, adormecem: felizes.
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