Dona
2 Pode entrar
Notas iniciais
— Marta... O que vo-você está fazendo...aqui?
— Primeiro, Zé Alfredo, pare de olhar para o meu decote. Aqui não tem nada do que você nunca tenha visto. E depois, eu ouvi alguém chegando e me assustei. Quis saber quem era. Se eu soubesse que era você, nem tinha me dado o trabalho. Boa noite, comendador. – falou, virando as costas.
— Marta, volte. Eu sei muito bem que não foi pra isso que você veio aqui. Desembuche logo.
— Ai, José Alfredo, você sempre pretensios...
— Eu estava com saudades de você.
— Você estava o quê?
— É, Marta... Saudades... Nunca ouviu falar? – falou enquanto ajeitava sua cama, que estava, aos seus olhos, bagunçada. – Faz quanto tempo que a gente não se ver? Nem na empresa você não apareceu mais.
— Qual diferença faz pra você me ver ou não?
— Eu me sinto mais seguro.
— [gargalhadas] Boa noite, Zé. – disse Marta, caminhando para seu quarto.
Ela também se sentia mais segura ao ver ele e sabia disso. Pensou um pouco sobre o que acontecera e adormeceu.
Uma semana depois...
O dia amanheceu ensolarado e os netos foram acordar a avó. Todos os sábados eram assim.
— Vovó, para onde nós vamos hoje? – perguntou a menina.
— Petrópolis! Perguntem à mãe de vocês se ela vai querer ir. Vou tomar meu banho e já desço. – disse a Imperatriz, depositando um beijo na cabeça dos netos.
No café da manhã...
— Mãe, a vovó falou que vamos para Petrópolis hoje. Você vai querer ir?
— Ei, e eu? Não sou convidado não? – perguntou Lucas.
— Claro que sim, meu filho. – disse a Imperatriz, descendo as escadas – Todos vocês. Que tal irmos passar o final de semana em Petrópolis?
— Eu topo! – Clara logo se empolgou
— Minha família também, D. Marta! – Lucas também gostou da ideia.
— Eu e Amanda não poderemos ir, temos um compromisso esta noite. Mas adoraríamos. – José Pedro era o único que não iria.
— Então, pronto. Se ajeitem logo porque quero almoçar já em Petrópolis.
Entardecer...
— Ôh, Claraíde, cadê minha família, hein?
— Ah, seu Zé... José Pedro e Amanda saíram ainda pouco sem hora pra voltar, e os outros subiram para Petrópolis.
— Mas sem me chamar? Que beleza de família, hein...
A verdade é que nem os filhos não davam mais atenção para o pai. Ele deixara sua amante a frente de tudo e de todos. Ultimamente, a mãe e os filhos eram melhores amigos.
Petrópolis...
As crianças já haviam dormido. Marta deu a sugestão de que tomassem um vinho na beira da piscina. Todos aceitaram.
Depois de muitas taças de vinho e boas gargalhadas, se recolheram.
Em seu quarto, Marta lembrou do que viveu com Zé naquela casa. Do quanto foram felizes. Suas lembranças foram interrompidas por alguém na porta.
— Pode entrar.
José Alfredo abriu a porta e a Imperatriz não acreditou no que viu: com certeza era uma assombração. Marta sonhou tantas vezes com o Comendador abrindo a porta daquele quarto dizendo que ainda a ama, que ela é a mulher da vida dele, dando-lhe um beijo em seguida. Sim, ele abriu a porta. Mas provavelmente para chamá-la atenção por ter trazido os filhos para Petrópolis sem avisá-lo. Ou porque tinha dispensado Claraíde para passar o Domingo com sua família. Aí vinha uma grande discussão... Por que tinha que ser sempre assim?
— Posso mesmo, Marta?
— Zé?
— Sim, sou eu. Posso entrar ou não?
— Já ta aqui dentro, né!? Anda, Zé... Fala logo o que veio fazer aqui.
— Ainda não entendeu que estou com saudades?
— Oi?
— Marta, nós precisamos conversar.
— Tudo bem. Senta logo aí. – a aristocrata não sabia do que se tratava, mas também estava com muitas saudades e sabia que um dia precisariam ter uma conversa definitiva.
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