Embora ainda fosse tarde, o céu estava escurecido por nuvens de tempestades, como poucos dias haviam se visto. Em sua frente, as densas árvores da alameda formavam tal qual um túnel, e poucas casas se viam ao redor. Seria, em um dia ideal, um local ideal para o descanso da mente, e o repouso da alma. Mas aquele estava longe de ser um dia ideal. Os ventos sopravam com força, como se quisessem testar a resistência das árvores... e certamente após a tempestade, diversas teriam caído. Tal qual as árvores, a mente de um detetive era constantemente testada. A pouco tempo havia entrado na polícia, depois de servir durante quase 4 anos no exército, e de ter presenciado, nesse meio tempo, coisas que nenhum homem jamais deveria testemunhar. Certamente, havia coisas muito piores que a morte, que levam o homem a insanidade, a morte da mente.
E era a uma morte, que ele teria que investigar. Testar novamente, sua sanidade. Sabia que, não importava o quão preparado estivesse, jamais era o suficiente, e embora não tivesse mais o espanto das primeiras horas, era natural que de seu inconsciente florescesse uma incerteza e repulsa às obscuras práticas da natureza humana. Já haviam se passado das 16:00 horas, mas o dia bem parecia que estava por terminar naquele instante, quando chegará ao seu destino.
Em frente aos grandes portões de ferro se encontrava um homem nos seus 40 anos, que pouco aparentava sua idade, devido a sua estatura e porte físico. Seu nome era Nathan, e era o detetive ao qual eu tinha sido escalado em conjunto para esse caso. Embora sua idade avançada, seu porte atlético lembra o fato de que ainda era um dos investigadores que eram considerados de linha na corporação de polícia local, e mesmo um dos melhores do estado. Wilfred, seu assistente, em comparação, tinha pouca experiência, e pouco mais sabia do que o essencial. Talvez fosse para o melhor, pensava Wilfred.

...

O céu estava escurecido com nuvens pesadas, que ameaçavam fortes tempestades. Mesmo assim, dentro da antiga mansão, que se encontravam frente a frente, fora descoberto as cenas de um crime. O policial, que havia primeiro descoberto o corpo, se encontrava em frente a casa, sentado na escada que dava a entrada, em estado de choque. Havia sido chamado por alguns vizinhos, que afirmavam que haviam ouvido barulhos estranhos, espectrais, provindos da mansão abandonada. Esperando que fosse encontrar, provavelmente, apenas algo rotineiro, obviamente o pobre homem teve um imenso choque ao se deparar com o que vira. Mas o que seria tão forte para levar um homem a loucura?

De repente, Wilfred se recordou dos tempos da guerra. Dos soldados, em choque, em meio ao fogo inimigo. Do sangue de seu amigo de infância em suas mãos, enquanto tentava parar o ferimento causado por um fragmento de granada inimiga. Lembrou-se do desespero e da dor. Mas permaneceu calado. Seus passos sólidos demonstravam a firmeza de sua resolução. Nathan, pelo contrário, questionou ao guarda pelo que vira. Obteve de resposta pouco mais do que grunhidos ininteligíveis. O que fora que havia visto, havia sido demais para a sua mente.

Ao adentrar a porta, ambos os detetives nítidamente sentiram do ar, o cheiro de algo que era desconhecido, que lembrava o cheiro do sangue, mas de algo também estranho – Como de algum tipo de tempero ou erva do campo. Do outro guarda que acompanhava aquele que havia adentrado, obtiveram de resposta que, o que quer que havia causado aquela reação no policial que estava em choque, estava no porão daquele lugar. Enquanto andavam, pelos corredores, uma sensação de que entravam em algo alinígena a sua compreensão saltavam sobre os seus sensos. O silêncio perturbador, mas enquanto tinham a sensação de que eram observados, saltava-lhes as mentes. Suas armas em mãos, demonstravam que eles estavam cientes do perigo. Mas era esse algo real? Os policias que se encontravam em frente a casa haviam revistado ela, e apesar de um deles estar em estado de choque, claramente não havia nenhuma evidência de haver alguém ali. Ainda assim, poucas vezes haviam sentido a sensação de perigo no ar como naquele instante.

Logo, se encontraram em frente a uma porta, que aparentava dar a uma escada, segundo havia sido descrito pelo policial. Logo, começaram a descer o seu caminho. Como se cada segundo demorasse para passar, o caminho daquela escada nunca parecia terminar. Seus degraus, de pedra, denunciavam certo parecer de idade, que demonstrava o quão antiga aquela propriedade aparentava. No silêncio daquele local, os sentidos estavam mais aguçados que nunca, e qualquer barulho parecia fazer-lhes saltar às armas. Aquele local, legitimamente, tinha algo que dava a ele um ambiente ameaçador.
Finalmente, chegaram ao andar que queriam. A longa escada tinha dado lugar a uma sala de pedra, com um portão de ferro, entreaberto, e escrições em latim em seus umbrais. No topo deste, um candelabro de ferro antigo, com diversas velas, algumas acesas, denunciam o seu uso recente. Com suas lanternas na mão, e wilfred com seu revolver em outra, adentram aquele local, que cheira a humidade, sangue, e outros odores indecifráveis. Certamente, se ali fora o que eles achavam, uma cripta, havia sinais de que passaram por ali pessoas recentemente, e denotavam não apenas pelos odores, mas por alguns objetos atirados ao chão. Enquanto alguns se mostram simples vasilhames, outros se mostram ferramentas estranhas, para usos que nenhum dos dois ousa compreender. Enfim, ao continuar seu caminho, por um corredor de pedra estreita, se encontram em uma sala, aonde no centro, do teto, emana uma única luz da superfície.

No centro do círculo de luz pálida, um homem, com uma espécie de vaso, fixada na cabeça, jaz morto, sentado em uma sólida cadeira, feita do mais fino verniz. Seu corpo, parece ter diversos músculos contraídos, como se tivesse lutado, mas mesmo assim, seus punhos não aparentam ter marcas de amarras ou de mãos de qualquer tipo, e na madeira da cadeira, percebem-se claras marcas de unhas. Enquanto Wilfred olhava a esses detalhes, Nathan percebeu, que em seu redor, diversos olhos o olhavam. Mas não o olhos daqueles que viviam. Ao redor, daquele salão de pedra circular, se encontravam diversas mesas, com pouco menos de um metro de altura, e sobre elas, objetos tais quais candêlabros, porém neles, ao invés de velas... olhos. Diversos olhos. Todos direcionados ao centro. Como a observar ao espetáculo. No centro, o homem, que havia morrido, se colocava como um bizarro sacrifício. Dentro do jarro, um líquido negro e viscoso, tal como óleo de máquina, fora colocado até a borda.

E atrás do homem, outra cadeira se encontrava, com as mesmas características. Sobre ela, se encontrava algo tal qual uma urna se encontrava. Ao abrir ela, para a surpresa de Wilfred, algo como uma estátatua... se é que poderia ser chamada disso. Uma criatura estranha, cujo a aparência as mais insanas mentes seriam incapazes de conceber. Encravada na urna, diversos símbolos incomprensíveis demonstravam apenas a ininteligível natureza do evento que se passará naquele local.

Nathan e Wilfred sabiam, que tudo aquilo que presenciaram, era algo provavelmente relacionado a alguma espécie de culto. Ainda assim, tudo o que viram, ficaria gravado em suas mentes por dias, sem encontrar nenhuma explicação definitiva.