Domingo, Café e Cigarros
1 Parte 1, 2, 3 e 4
Notas iniciais
2. Algumas partes são uma cópia fiel do livro. Já estou avisando, portanto, não venha me xingar ou dizer que eu estou plagiando. Aqui os créditos.
3. Curta, direta e provavelmente entediante. Não gosta, não leia.
4. A fic tem 24 partes. Não são grandes, portanto, vou postar quatro de cada vez.
4. Essas notas dão a entender que eu sou mó chata, né? |: Mas eu sou gente boa, juro. q
Parte 1
Acordo, estou na sala. Vejo minha imagem refletida na televisão desligada. Horrível, patético.
Passo minhas mãos nos cabelos e levanto da poltrona.
Olho ao redor. Bagunça.
Abro o armário. Vazio.
Pilha de louça suja em cima da pia e restos de comida em cima da mesa.
É só um dia igual.
A campainha toca. Ando até a porta e a abro. É ela. É Rachel.
Me empurra na parede e me beija. Morde minha boca com força. O sangue escorre lentamente.
- Eu te odeio, Pierre. – dá um tapa forte em meu rosto. – Você não consegue ficar com uma pessoa só? Já ouviu falar de monogamia? Porque me traiu?
Ela descobriu!
- Você não se importa com nada nem com ninguém.
Está certa. Não me importo.
- Estou esperando uma explicação. Não falou uma palavra sequer até agora.
Silêncio.
-Eu sabia... – balança a cabeça negativamente e sai da casa.
Troco de roupa e saio também. Mas não para ir atrás dela. Ela vai voltar.
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Pessoas têm defeitos. Eu tenho defeitos. Um deles é simplesmente não me importar.
Não me importo com o dia de amanhã, não lembro do dia de ontem, porque já passou. Vivo apenas o presente. Não tenho um tostão no bolso. Não me importo. Minha vida é intensa, ou costumava ser. De uns dias pra cá, ando cansado. Sem vontade. Sem vontade de que? Não sei. Não me importo.
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Parte 2.
Caminho sem rumo pelas ruas. Passo pela quitanda.
-Bom dia, Pierre. – seu Bruce acena. – Cafézinho?
O velho me serve café puro. Preto. Café.
-Obrigado. – tomo o café e continuo á andar.
Um pombo cisca no chão. Rato com asas agindo como galinha. Odeio pombos. Símbolo da paz. Nunca estou em paz.
Sei até onde meus passos me levam. Motel. Tiro o telefone do bolso. Não resisto. Ligo para ela.
“Alô? Pierre?” – Anne!
Chamo-a para vir ao meu encontro. Ela diz que logo virá
Falo com o dono do motel. Ele me arranja um quarto.
Quarto sujo como todos os outros. Cama bagunçada. Uma tv quebrada.
Anne Chega.
Gemidos altos, corpos suados, costas arranhadas. Satisfação, deleite.
Sento na cama e acendo um cigarro. Anne diz que me ama. Não respondo. Não a amo.
Primeira tragada.
Olho meu reflexo novamente na tela preta e quebrada da tv. A garota dos cabelos vermelhos ao meu lado levanta, veste suas roupas e calça seu sapato alto.
Segunda tragada.
-Tenho que ir, amor. Nos vemos logo. – joga beijinhos no ar e sai.
Terceira tragada.
-
Sempre fui assim. Não sou homem de uma mulher só. Quando era pequeno, tinha sempre mais de uma namorada. Minha mãe costumava dizer que ia me dar mal por causa disso. Mentira. Estou muito bem, obrigado. Tenho sempre várias. Nunca amo nenhuma delas.
O café não tem nada a ver com amor. Café desce rasgando e te deixa ligado.
Amor não.
O amor é como leite de caixa. Tem prazo de validade curto e azeda muito rápido.
E longa vida tem conservante. Uma mentira embalada.
Só parece seguro porque está em uma caixinha.
Depois que abre é igual a qualquer outro.
Sabe quando você quer muito uma coisa? Fica batalhando até conseguir... Mas muitas vezes, quando consegue, percebe que nem queria tanto assim. Isso define minha relação com Rachel. Passei meses querendo. Quando finalmente a consegui, não me interessa tanto.
Bruce é o dono da quitanda, e nem é o primeiro. Seu pai era Bruce também. Eu lembro.
Hoje o velho está jogado num asilo. Falaram que ele estava caducando. Tinha dado nome pros repolhos e se recusava a vendê-los. Dizia que eram seus únicos amigos. Velho zoado. Ganhou o apelido de ‘seu repolho’
Agora o filho dele é Bruce também. Vai apodrecer que nem o pai... Amigo de legumes. Já até presenciei ele conversando com repolhos também. Tal pai, tal filho.
Não tenho pena. Quem tem pena do desgraçado, vai pro lugar dele.
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Parte 3
Visto minha roupa, dou uma última tragada no cigarro já pequeno e o apago.
Saio do motel e volto para casa.
Tédio. Ligo a televisão à procura de algo bom para assistir. Nada.
Três canais apenas. Dois chiando. Resta um. Nele, passa um filme. O ator é péssimo. Irritante.
Desligo a TV. Vou até o banheiro. Tomo banho, escovo os dentes e faço a barba.
- Hm. Apresentável. – falo ao olhar minha imagem no espelho embaçado.
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Já é noite. O telefone toca.
É Julianna. Pergunta se quero sair.
Não.
Pergunta se quero que ela venha até aqui.
Não.
- Então, o que você quer?
Falo o que quero e saio de casa.
Logo me vejo em frente ao motel que havia estado com Anne mais cedo.
-
Desejos. Sou cheio deles. Pessoas são cheias deles.
O amor não existe. O sexo satisfaz. É só isso que sei. É só o que preciso saber.
Sou um cara normal. Vivo o dia. Mesmo que viva em uma puta de uma rotina incansável. Ou cansável, dependendo do ponto de vista.
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Parte 4
A mesma coisa acontece no motel. Mulher diferente, mas no fundo, igual às outras.
Não tenho saco pra mulher assim. Sorriso branco, rosto bonito, peito grande, corpo gostoso, TPM, dívida, reclamação, dúvida. Não tenho saco. Apenas, aturo.
Minha vida não tem aventura. Sempre volto pra casa.
Coloco um cd pra tocar e sento no sofá. Reflexo na tv desligada novamente.
Minha barriga faz um barulho alto. Fome.
Pego o telefone. Disco um número. Peço uma pizza de qualquer coisa. O inútil do outro lado da linha, diz que vai demorar meia hora.
Não tenho nada pra fazer. É domingo. Tédio de novo.
Acendo um cigarro.
Ligo para Jeff. Amigo. Vontade de jogar baralho.
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\"O intervalo é a hora em que você vive.
E quando você vive, geralmente desiste.
É por isso que nunca te deixam parar.
Até nos filmes, os intervalos são entupidos.
Cheios de produtos pra comprar,
coisas para engolir,
gente para querer,
musica bonita. Felicidade.
O intervalo é a hora em que você sabe.
E quando sabe, geralmente pára.
É por isso que nunca respirou,
só colocou o ar para dentro e para fora\".
[...]
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