Dominante
1 Único.
Deitava minha cabeça quente e incomoda no travesseiro. A viagem fora longa e cansativa, minha ida ao interior era como um refugio para esconder-me dos dias estressantes da grande metrópole. Como havia chegado tarde da noite na casa de meu pai deitava para dormir na sala onde um colchão ao piso gelado me esperava, claro. Os outros cômodos estavam cheios de parentes e não importava-me de deitar ao chão, gostava de ficar sozinho e assistir televisão até pegar no sono. Aquela noite no interior estava mais quieta que o comum, sozinho e cansado esperava o sono chegar. Meus olhos pesavam a cada piscadela que dava para a televisão o opaco ambiente me levava a um transe, em pouco tempo já havia pegado no sono.
Entretanto algo me despertava de minha sonolência, acordei assustado como se alguém me segurasse firmemente contra a maciez do colchão. Não conseguia controlar meus movimentos, minha cabeça fora violentamente pressionada para baixo com tamanho impacto que me fazia gritar em um susto aterrador. Porem meu grito não ecoava pela casa, minha voz não saia de minha garganta o que estava acontecendo? Olhava para os lados, mas meu corpo estava paralisado. Tentava mais uma vez gritar, mas o desespero era maior que tudo. Conseguia apenas mexer os olhos dava uma olhada em minha volta, e nada. Não havia ninguém me segurando, por que aquela sensação tenebrosa em meu corpo?
Suplicava para chamar alguém de minha família para me ajudar. — Socorro, pai! — Murmurava em êxtase. No entanto meu esforço em tentar acordar alguém era totalmente inútil, realmente estava sem voz. O silencio da sala era quebrado por um sussurro, um eco que vinha em minha mente, começava neste exato segundo uma briga com meu corpo. Fazia tanto esforço para tentar me mexer que até chegava a doer. Sentia que estava chutando algo quando conseguia movimentar lentamente minhas pernas era uma coisa solida, mas o que meu Deus? Não conseguia enxergar pelo fato de ainda estar imóvel.
Minha visão estava começando a embaçar, tudo era amedrontador. Tentava levantar meu braço e com tamanho estímulo ele se movimentava para cima, os meus berros abafados me torturavam por saber que ninguém estava me escutando. Meus movimentos estavam aos poucos voltando e por fim visualizei o que poderia estar ocasionando aquele domínio em meu corpo.
Um alguém parado em meio ao obscuro lugar. Estremecia em um ritmo devastador, o que era aquela coisa? Dava um passo em meio ao breu e aproximava-se de mim. Conseguia ver sua face, era de um gato de olhos negros que miou em meus ouvidos. Meus olhos quase saltaram em cima daquela coisa de capuz preto. E no meticuloso momento conseguia os movimentos de meu corpo de volta, e com um grito de pânico acordava a casa inteira.
A luz fora acesa, a aparição sumia junto com a tentativa de dominação de meu corpo. E as histórias demoníacas de minha avó que eu não acreditava sobre o lugar que meu pai morava, eram realmente reais.
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