Dominadores
1 Prólogo
As luzes da cidade se acenderam, iluminando as ruas de Edimburgo. A quarto de Samuel era grande e luxuoso, sua cama de casal estava sempre coberta por uma colcha bordô que combinava com as cortinas, sua mãe arrumava a casa todo dia, ajeitando cada detalhe. Deitado na cama, Sam chutou involuntariamente o edredom pesado que o cobria até cair no chão, suava sem parar e girava na cama, estava tendo um pesadelo dos piores. Estava sonhando com ela, e por um momento parou de tremer.
O mar calmo molhava os pés do casal na beira da praia, o menino sorria sem parar enquanto acariciava o cabelo vermelho da menina um pouco mais baixa que ele.
Embora os olhos azuis do garoto brilharem de felicidade, os da garota eram inexpressivos enquanto fitavam o mar, ele passou a mão por cima dos ombros dela, a envolvendo num abraço quase forçado. O casal era irreconhecível, ambos não tinham boca nem nariz, mas Sam conhecia aquele maxilar, o reconheceria em qualquer lugar, o garoto suspirou...
O sonho de Sam começou a se obscurecer, e ele voltou a tremer na cama.
A garota se soltou lentamente dos braços calorosos que a cercavam e começou a correr para o mar, incessante, adentrou ele como se tivesse um chamado, como se precisasse estar ali, como se alguém a quisesse ali. O garoto na beira da praia ganhou uma boca e um nariz, e agora Sam pode ver... Era ele mesmo.
Na porta do quarto de Samuel, um homem e uma mulher o fitavam, vendo o garoto se debater e suar.
Sam saiu correndo para o mar, em busca da garota, ele mergulhou fundo e nadou o mais rápido que pode, cada vez mais fundo, os pés já não tocavam mais o chão quando ele avistou uma silhueta feminina logo a frente. O Sam do sonhogritou um nome, mas o Sam que assistia tudo de fora não conseguia distinguir o que ele dizia, tudo se resumia a um ruído, um ruídohorrívele aterrorizante. Ele agarrou a garota contra si, e agora ela também tinha ganhado uma boca e um nariz, era Alex.
O homem e a mulher saíram do quarto, fechando a porta em silêncio.
Os olhos verdes encararam o Sam do sonho desesperadamente, ela falou alguma coisa que ele não entendia, balançava a cabeça sem parar quando tudo pareceu parar, os braços dele penderam ao lado do corpo, e o resto se resumiu a ela, submergindo cada vez mais, para a escuridão
Sam se sentou abruptamentena cama, levando a mão até a testa. Estava quase amanhecendo, o peito dele subia e descia apressadamente com a respiração ofegante, mais um das séries de pesadelosque ele estava tendo, mais uma noite de sono interrompida, mais uma vez, a água, mais um sonho que envolvia Alex.
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