Domando o Destino

9 Capítulo 8 – Convencendo Gabrielle.


Capítulo 8 – Convencendo Gabrielle

Gabrielle e Kara esconderam o corpo de Xena em uma caverna perto do acampamento dos soldados, em um lugar onde ninguém o encontraria. Então foram até a casa de chá, e, de longe observaram, passaram um longo tempo lá, até que a Gabrielle do passado chegasse e encontrasse Xena. As duas guerreiras observaram até que tiveram certeza que tudo corria bem, e, quando Gabrielle deixou a casa de chá para cumprir seu dever, Gabrielle e Kara saíram de seu esconderijo e voltaram correndo até onde estava o corpo de Xena. Como a Gabrielle do passado não sabia bem aonde ia, Kara e a Gabrielle do futuro chegaram antes.

— Esconda-se Gabrielle, eu preciso falar com a outra você, mas ela não pode te ver. NÃO saia daí de modo algum.

A barda assentiu com a cabeça. Kara ficou perto da trilha até ver que Gabrielle se aproximava de cavalo, então foi até o meio da trilha. A chuva castigava o corpo das duas. Viu a diferença entre a Gabrielle que conhecia e esta. Esta era mais jovem, o corpo estava menos magro e mais musculoso. Percebeu que, depois que Xena morrera, Gabrielle tinha dificuldades para comer e dormir. Sentiu pena, mas logo voltou sua cabeça a sua missão.

— O que quer? Estou ocupada menina – disse Gabrielle.

— Eu sei o que você quer, e eu posso te dar! Estou com o corpo de Xena.

Gabrielle tirou a espada da bainha e apontou para o pescoço de Kara. A morena levantou as mãos mostrando-se desarmada.

— Eu não quero encrenca Gabrielle, quero ajudar! Por favor, venha comigo!

— Como sabe meu nome?

— Eu... Sou uma amiga de Xena, devo muito a ela! Ela salvou minha melhor amiga, há muito tempo atrás. – disse sem pensar.

A Gabrielle do futuro ouviu isso e sorriu, pensou na ironia, a Gabrielle do passado mal sabia que era DELA de quem Kara falava.

— Se for uma armadilha garota, eu juro que...

— Faça o que quiser se for uma armadilha, agora eu só preciso que você venha comigo!

Gabrielle desceu do cavalo e a seguiu com a espada em mãos, pronta para se defender se algo desse errado, mas no fim, a garota estranha provou-se verdadeira. Entraram numa caverna e lá estava o corpo de Xena envolto em um pano.

— Quem é você? Porque você tem o corpo de Xena?

— Olha, você saberá disso um dia, agora, só importa que você faça o que eu estou te pedindo Gabrielle... Eu preciso que você NÃO queime o corpo de Xena.

— É o único jeito de trazê-la de volta, o que você esta planejando? – disse desconfiada.

— Nada! Se eu não quisesse que ela ressuscitasse, eu sumiria com o corpo dela, e obviamente não o entregaria a você! Escute-me, Gabrielle, Xena acha que se ela voltar à vida as 40 mil almas que ela está tentando salvar serão perdidas. Mas isso não é verdade. Você não vai conseguir enfiar isso na cabeça dura dela lá no monte Fuji, e ela não vai deixar você jogar as cinzas na fonte... Vamos Gabrielle, você a conhece, sabe que digo a verdade!

— Parece verdade, mas como você sabe disso?

— Eu... Consigo ver o futuro! Ok? Se você queimar o corpo dela e ela não deixar você jogar as cinzas na fonte, não tem volta. Por isso eu te dou uma alternativa. – Kara retirou uma bolsa que estava presa em seu cinto e entregou a Gabrielle. A barda abriu e viu a ambrosia dentro. Ela arregalou os olhos.

— Viu? Você não queima o corpo dela. Assim que a alma dela desvanecer, você dá a ambrosia na boca dela, entende?

— Entendo o plano, mas... Por que você está fazendo isso?

— Pare de fazer perguntas! Pelos deuses! Não temos muito tempo Gabrielle, precisamos esconder o corpo dela em algum lugar perto do monte Fuji. Não a deixe desconfiar de nada, você precisa levar uma urna com cinzas, de algum animal talvez.

— Tudo bem... Vamos

Tendo convencido a Gabrielle do passado, ela e Kara partiram com o corpo de Xena no cavalo, para encontrar um esconderijo. A barda do futuro as seguiu, escondida de longe, apenas para se certificar que tudo correria bem.

— O corpo está escondido, você tem a ambrosia e as cinzas do animal, agora é à hora de dizer adeus Gabrielle... Ou melhor, dizendo, até logo.

— Espere! Você não me disse seu nome! – a barda perguntou.

— Meu nome é Kara. – disse, pensando que não haveria problema em dizer.

— Como eu poderei te encontrar para te agradecer?

— Não se preocupe Gabrielle, você vai me ver novamente, e, quando isso acontecer, saberá exatamente quem eu sou – disse sorrindo e partiu.

Kara se juntou a Gabrielle em seu esconderijo e viu a sucessão dos fatos. Gabrielle foi até o topo do monte Fuji e encontrou Xena caída no chão. Gabrielle reviu todo o passado que já conhecia, era tão estranho ver a si mesma dando água na boca de Xena, e vendo-a ressurgir e lutar contra o maligno Youdoshi. Assistiu toda a cena de longe, esperando o por do sol. Chorou novamente quando viu Xena partir. Até ai, ela já conhecia a historia de cor. Repassava as cenas de seus últimos momentos juntas várias vezes em sua cabeça... Eternamente se condenando por tê-la deixado partir.

Viu também quando Gabrielle correu a toda velocidade até onde Kara escondera o corpo, viu ela mesma entre lágrimas, dando a ambrosia na boca de sua alma gêmea. Esperou agonizando cada segundo enquanto Xena não voltava. E viu feliz quando Xena abriu os olhos e respirou novamente, não entendendo o que houve. Então escutou atentamente o diálogo que se seguiu.

— Mas... Gabrielle... Como? – perguntou Xena perdida.

— Xena – abraçou a amiga entre lágrimas – uma estranha, ela me disse exatamente o que aconteceria, disse que você não me deixaria te trazer de volta, então ela me deu ambrosia e não deixou que eu queimasse seu corpo! Eu acho que era uma vidente...

— Mas Gabrielle, as almas...

— Xena, você já morreu, as almas foram livres, agora você ganhou uma nova vida! Você tem mais um milhão de almas para salvar... Um milhão de pessoas para manter vivas... Vilas para resgatar... Você não entende que faz um bem maior, viva?

— Sim Gabrielle... Entendo... Eu não queria deixá-la, sabe disso, não sabe?

— Sei! – Gabrielle se jogou em cima da amiga.

— Ai! Gabby, morrer é muito dolorido, por favor, não faz isso!

— Desculpe Xena! É que... Estou tão feliz! O destino nos deu uma segunda chance, vamos aproveitar!

— Segunda? Tá mais para uma quarta chance, eu já morri antes.

— Nem me lembra! Você jurou que não ia morrer de novo – disse emburrada

— Desculpa! Foi sem querer.

Ao notar do que estavam falando e COMO estavam falando as duas caíram na risada.

Kara e Gabrielle também riram, e fecharam os olhos de mãos dadas, para retornar ao presente.