Dolovan Breus
18 Sal
Notas iniciais
Sal Morris mudou de ideia algumas vezes antes de decidir, definitivamente, que deveria ver Frost. As palavras da caçadora ainda ecoavam em sua mente. "Ame, e deixe-se ser amada". O que ela queria dizer? Será... Será que ela não deixava que Jack se aproximasse e por isso ele não o fazia? Fora realmente surpreendente para ela descobrir que Elsa nada queria com o vampiro. Quer dizer, eles pareciam o par perfeito. E apesar de ela ter-lhe dito que Jack não a amava desse jeito, era difícil para Sal conceber essa ideia. E todos os olhares? E o modo como a defendia? Aquilo, pelo menos para Sal, não parecia ser algo que alguém que busca apenas a amizade faria. Mas, de uma maneira ou de outra, amigos ou mais que isso, ela sentia-se na necessidade de ver como ele estava. Estava temerosa, porque a última vez que falara com Frost... Bem. Ela deixara que tudo o que estivera guardando, angustiada, saísse, e talvez tivesse sido um pouco agressiva. Mesmo com Elsa a tranquilizando, ela não sabia bem como o vampiro sentia-se em relação a ela naquele momento. Suspirou e ficou sentada diante da porta do quarto onde ele estava por alguns instantes. O que haveria acontecido entre Elsa e Frost? Não, não importava. Não era para isso que ela estava ali. Criou coragem e abriu a porta. Frost estava sentado na cama, brincando com um pingente de madeira. Sal lhe dera aquele pingente. Ao ouvir a porta sendo aberta, ergueu o olhar. A impassibilidade com a qual encarou Sal quando ela entrou fez com que a garota se assustasse. Talvez tivesse sido uma má ideia, afinal.
– Elsa falou com você? — ele rompeu o silêncio desconfortável, olhando fixamente para ela.
– Sim. Eu... Achei que devia vir aqui. Não sei, ver se estava melhor, dizer que aceito suas desculpas... E pedir desculpas também. — ela esfregou as mãos e se sentou na cadeira de madeira que havia ao lado da cama. Afastou uma madeixa loira dos olhos e o encarou.
– Eu não estava pensando aquele dia... Não falei com você desde então, mas queria pedir desculpas... Talvez eu tenha sido um pouco agressiva. Eu só... Eu sei lá, Frost. Pela primeira vez, não sei bem o que dizer.
Ele sorriu de canto.
– Realmente, há uma primeira vez para tudo, mas não achei que viveria para ver isso. Sal Morris não sabe o que dizer!
A vampira riu e mordeu o lábio inferior, esfregando as mãos nos joelhos.
– Você... Está bem? Quer dizer, está se sentindo melhor?
Ele assentiu, e ambos ficaram em silêncio por alguns instantes. Apenas contemplando um ao outro. Porque às vezes, isso é apenas o que o amor é. O conforto que se sente ao contemplar, a paz, o silêncio que vale mais que mil palavras. E em questão de segundos, toda a distância quilométrica que havia entre eles desapareceu, e seus lábios se tocaram, e era só aquilo. Sem Breus, sem vampiros, sem feridas, apenas uma verdade: seus lábios se tocando, e dizendo o que nenhum dos dois jamais teve coragem de dizer.
– Eu te amo, Sal Morris. — ele sussurrou — E me arrependo por todas as lágrimas que fiz você derrubar. Não só aquele dia, mas sempre.
– Oh, Frost.
Ela comprimiu os lábios e sorriu delicadamente. Foi quando a porta se abriu e Elsa entrou. Deteve-se, surpresa, e mordeu o lábio inferior.
– Interrompi alguma coisa? — disse.
– Não! — os dois vampiros responderam, em uníssono.
– Ah.

Ah.
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