Dolovan Breus
10 Mamma
Notas iniciais
MAMMA
Mamma estava na mesma posição havia cerca de duas horas. Aliviada por terem deixado a Rússia, vestia uma camisa regata branca e bermudas jeans, os cachos negros estavam presos em um rabo de cavalo alto. As unhas haviam sido recém pintadas de branco. Os olhos acinzentados estavam fixos em um ponto no horizonte, esboçando preocupação. Os lábios pintados de vermelho estavam comprimidos, e ela sentia um aperto incomum no coração. Não voltou-se ao ouvir os passos mansos – mas decididos – se aproximando. Nem mesmo quando quem dava os passos parou logo atrás dela.
– Mamma. – Dolovan Breus disse, devagar. – Está aí há mais de duas horas.
Ela não respondeu ou voltou-se para olhar para ele. Apertou as barras da sacada com mais força, de modo que os nós de seus dedos embranqueceram. Imaginou-o comprimindo os lábios e suspirando.
– Você está bem? – ele perguntou, por fim. Ela não respondeu de imediato. Olhou para o chão e deu de ombros. Ele segurou o seu rosto, fazendo-a voltar-se para ele, e repetiu a pergunta.
– Eu não sei. – ela murmurou, evitando os olhos dele.
– Como assim?
– Eu sei lá – ela tentou se desvencilhar dele, sem sucesso. – Desde que aquela caçadora congelou tudo eu não venho me sentindo tão... Bem.
– Não se preocupe, vamos nos vingar dela.
– Não nesse sentido. – ela mordeu o lábio inferior. Ele ergueu uma sobrancelha e ela suspirou. – Eu não sei, Breus. Acho que ela fez alguma coisa comigo, e eu não sei o que é.
Ele afastou um cacho escuro de seus olhos e acariciou o seu rosto, uma ruga de preocupação surgiu entre as suas sobrancelhas. Notou que ela respirava pesadamente, e que estava fria. Curvou-se e a beijou delicadamente, trazendo-a para perto de si.
– Vamos descobrir o que é. – sussurrou, após se afastar – Eu prometo.
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