Notas iniciais
Mais um capítulo da Elsa. Noel vai aparecer um pouco mais do que o costume, e vão ver como ele é um fofo.

ELSA

Manteve o rosto colado no vidro durante todo o percurso. Mesmo que o brilho das nuvens e o céu exageradamente azulado danificassem a sua visão, não desviou o olhar. As mãos sobre os joelhos, os dedos tamborilando o osso. Não se voltara nem para ver quem havia se sentado ao seu lado. Estava preocupada. Com muitas coisas. Podia fazer uma grande lista, se quisesse.

1 – Sua irmã estava capturada, e nada garantia que essa invasão a traria de volta.

2 – Havia o pedido louco que Lawrence lhe havia feito.

3 – Sal sabia da sua magia, e os outros não podiam saber.

4 – Tinha medo de falhar.

De todas as preocupações mínimas, aquelas quatro eram as maiores. E não lhe saiam da cabeça. Obrigou-se a relaxar por um instante que fosse. Manter a cabeça quente não iria resultar em nada. Parou para pensar no seu destino. Dubai era uma cidade moderna e refinada, e abrigada o hotel sete estrelas mais badalado do mundo. Havia sido cenário de vários dos filmes que costumava assistir à noite, embalada nos braços de seu pai... Seu pai. Balançou a cabeça negativamente, tentando afastar o pensamento, e voltou-se. Ao seu lado, Noel embaralhava algumas cartas monotonamente. Ela observou os movimentos rápidos e desinteressados de sua mão, o olhar do senhor estava perdido. Assustou-se quando ele a fitou.

– O que a interessa nas cartas? – sorriu. Ela retribuiu o sorriso.

– Não sei. Você parece tão ágil com elas. É... Quase que harmonioso. – ela disse. Era bom ter uma conversa relativamente comum, com todas as preocupações. E Noel era um homem muito bom. Ele assentiu em concordância.

– Foram as cartas que me levaram a querer da mágica o meu objetivo de vida. O meu pai jogava, sabe? E costumava embaralhar as cartas rapidamente. – o senhor explicou. Ele as estendeu. – Escolha uma. Mentalize e se lembre de qual é.

Ela olhou as cartas devagar e assentiu. Um Ás de Copas. Assentiu e ele as embaralhou novamente, fazendo a carta escolhida por ela desaparecer entre as outras.

– Algo não te incomoda no sapato? – ele perguntou, casualmente. Elsa ergueu uma sobrancelha e tirou o tênis, encontrando dentro dele o Ás de Copas que escolhera. Sorriu, estupefata.

– Como é que o senhor faz isso?

– Um bom mágico nunca revela os seus truques – ele piscou. Ambos riram. – Parece preocupada, jovem. Preocupação dá rugas.

Ela riu e suspirou.

– É muita coisa para se pensar, sabe. Não consigo evitar. – disse, devagar.

– Sei bem do que está falando. – disse ele, a voz soando cansada, todavia gentil – Mas às vezes você precisa simplesmente seguir, não importa o quão horrível tudo pareça. Você tem sido muito mais gentil com a Sal.

– Ah, sim. Ela não é tão ruim.

– Ela é uma boa pessoa, sabe? Só é insegura.

– Insegura? – Elsa riu – Ela me parece bastante segura.

– É uma espécie de armadura que ela usa para encobrir a si mesma. É muito raro que se abra de verdade com alguém. Ela o fez com Jack, e bem. É por isso que está assim.

Elsa relanceou a vampira, o olhar distante e melancólico focado nos próprios pés. Sentiu um aperto no peito ao lembrar-se de como a rejeitara por ela ter algo com Frost. Suspirou.

– Ela vai ficar bem. É muito forte, apesar de tudo. – Noel a tranquilizou, repousando uma mão sobre o seu ombro. Após um minuto de silêncio, ela disse:

– Eu não te conhecia antes disso tudo. Mas você é gentil como se fosse o meu avô. Por quê? Quer dizer, eu não sou uma pessoa muito legal.

– Eu sou o Papai Noel, não é? Sou gentil com todas as crianças – ambos riram. – Fico feliz que se sinta assim, Elsa. E eu não acho que não seja uma pessoa legal.

O avião aterrissou com leveza, e o grupo desembarcou. O hangar onde estavam era gigantesco e moderno, e um homem com traços indianos os aguardava.

– Autorização? – ele pediu, com um sotaque bem saliente. Sal estendeu a papelada. Ele agradeceu com um sorriso. – Sejam bem-vindos a Dubai.

Então, sabendo o que os esperava, o grupo seguiu. Início da operação Dubai.

Notas finais
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