Doll Play

1 Capítulo único


Notas iniciais
Hey minna o/

Essa é uma fic Sasosaku (SasoriXSakura) que me veio num momento dramático u.u kkk

Como foi avisado, eu postei-a no Animespirit, caso vejam uma com a mesma capa e mesmo nome, é minha.

Porém, sem mais delongas, o capítulo.

A luta exaustiva contra o ruivo acabou que por deixar Sakura sem forças. O veneno circulava cada vez mais rápido por seu corpo entorpecendo-a, e forçando-a a cair de joelhos no chão.

Sasori se aproximava da garota, com um sorriso vencedor. Os cortes e marcas nem pareciam surtir efeito no corpo duro, que uma vez já fora feito de carne e ossos. Caminhando com dificuldade, o ruivo avalia sua presa e aplica um pouco de um líquido espesso e de cor escura em seu braço. Sakura tenta se manifestar, porém o efeito da droga era imediato. Sem nem mais conseguir mexer um músculo, ela respira com pesar, esperando o pior.

-Calma, é só um dopante. Não vou te matar, não ainda. Você daria uma ótima marionete para mim juntamente com a Chiyo-baa. –Suspirou o ruivo olhando fixamente para os olhos esmeraldas da garota.

Após isso, ele foi até a mulher mais idosa que se encontrava caída no chão de pedras ásperas e quebradiças.

-Agora é sua hora Chiyo-baa, se bem que já deveria ter ido há muito tempo. –Observou Sasori, abaixando-se para injetar a droga no corpo da mulher.

Não ouve resposta. Impaciente, o ruivo apenas pegou os dois corpos e seguiu até a parte de fora da caverna.

O som dos pássaros era ouvido a quilômetros, tirando isso e o barulho do vento batendo suavemente nas árvores, o silêncio era absoluto.

Por que não fizera o procedimento ali mesmo naquela caverna a céu aberto? Simplesmente não havia ferramentas suficientes para termina-lo. Pior do que esperar para chegar a um local adequado, era fazer um trabalho malfeito, afinal, sua arte fora feita para ser apreciada por gerações e gerações. Do que adianta acabar uma obra que logo se depreciará em pouco tempo.

Esse era seu lema. A arte é bela, e o belo é eterno. Diferentemente de seu parceiro loiro e irritado, Sasori apreciava a eternidade. Tanto que se tornou uma marionete, para se conservar para todo o sempre. E mesmo depois que morresse, ele continuaria ali, da mesma forma. A única coisa que não suportava era ter que esperar. Já sofrera muito com isto. Quando seus pais saíram para uma missão e pediram para o garotinho esperar por eles. Passaram-se horas, dias, e até meses, e nada de seu pai ou mãe voltar e acabar com aquele tempo de espera.

Enfim chegou a um pequeno casebre de madeira, escondido onde ninguém poderia acha-lo. Abriu a porta e depositou os corpos imóveis em uma maca de ferro, cercada por instrumentos letais apenas ao toque.

Olhou mais uma vez a garota de olhos esverdeados. Uma pele tão lisa e branca como porcelana, cabelos róseos de uma cor intensa que nem as flores de cerejeira, de quem leva o nome, e aqueles orbes verdes como esmeraldas. Poderia ele transformar uma garota tão bela em um boneco sem vida ou alma?

Hesitou por longos segundos e por fim suspirou. Balançou a cabeça na tentativa de espantar àqueles pensamentos de sua mente em vão. Pousou os olhos no corpo inerte de um branco maculado, de tal beleza pura e efêmera. Sem tardar, Sasori foi até ela e depositou um beijo em seus lábios frios e sem vida.

Não é o suficiente. Pensou

Talvez devesse por vida nela, e foi o que fez.

Trabalhando o mais rápido possível, o ruivo executou o necessário e implantou o coração ainda pulsante no peito dela.

Impaciente como sempre, Sasori não aguentava esperar e perambulava pelo esconderijo como forma de matar o tempo. E de repente, Sakura se põe sentada, observando o local desconhecido atônita.

Sem conseguir pronunciar uma palavra, sua boca se mexe em busca do som que pudesse ser ouvido. Desajeitada coloca um pé depois do outro no chão gélido de madeira nobre, caminhando lentamente e procurando amparo nos objetos ao seu redor, ela se depara com o ruivo fitando intensamente seus orbes verdes-esmeralda.

-Q-quem é você? –Ela conseguiu balbuciar após um tempo.

Para surpresa dele, a garota havia se esquecido de tudo, e aparentemente, parte das habilidades cognitivas também se esvaiu.

Sasori esboça um sorriso de canto em sua boca.

-Eu esperava que não fosse dar certo. –Abaixou a cabeça e abraçou o corpo da garota que se mexia com dificuldade.

-Me desculpe... Mas eu te conheço? –Sakura o afastou e disse com um olhar sério.

-São tantas coisas... –O ruivo começou a animar-se. –Meu nome é Sasori. –De algum jeito, ele sabia que não poderia contar a verdade a ela. O que aconteceria se descobrisse que ele a sequestrou para fazer dela um “brinquedo” para sua coleção?

-Sasori huh... –Fitou os olhos do ruivo. –Que nome bonito. –Sorriu de modo terno.

-Obrigado... –Cada vez mais, ele sentia que algo crescia em seu peito. Algo inexplicável que mexia com seu interior. Um sentimento caloroso e afetuoso. Se bem que se lembrava de ter sentido uma coisa parecida antes.

-Onde estamos? –Perguntou ela.

-Digamos que uma base secreta. –Riu. –Vamos. –Puxou-a pelos pulsos.

-Espere um pouco. –Tentou soltar-se.

Sasori parou por um instante e disse num tom baixo e quase triste.

-Por favor... Não me faça esperar...

-Não se preocupe, não é como se eu fosse embora. –Riu sem saber que aquelas palavras afetaram profundamente o ruivo.

-Não demore... –Recompôs-se. Teria que deixa-la ir por um tempo, afinal, não poderia ficar grudado nela em todos os momentos.

Assim que a garota voltou, estava trajada na sua roupa habitual.

-Agora podemos ir. –Seus dentes brancos foram postos a mostra.

[...]

Com o passar do tempo, Sasori até tinha se esquecido dos compromissos com a Akatsuki. Decidiu viver o resto da vida com a garota que há pouco tempo chegara ali. Ficariam em sua singela casa e sobreviveriam com o que desse. Sim, era isso que ele queria pros dois.

A felicidade estampada no rosto da garota era notável. Com certeza, se sua “eu” de antes conhecesse esse rapaz carinhoso e atencioso não iria brigar com ele, muito menos odiá-lo. Talvez, se Sasori não fosse um criminoso, ela poderia tentar esquecer o amor unilateral pelo antigo colega de equipe e se concentrar numa pessoa que ela passaria a amar...

Sasori...

Era tudo perfeito não?

Se pudessem, compartilhariam todos os segundos juntos, se abraçariam ao pôr-do-sol e assim ficariam até o amanhecer.

Mas afinal... O que era esse sentimento incômodo em meu peito?

-Sakura, preciso lhe contar uma coisa. –O ruivo dirigiu-se a garota sentada no batente da janela.

O luar banhava sua pele clara e realçava seus cabelos rosados. O vento calmo balançava algumas folhas que voavam pelo céu estrelado.

-Diga. –Virou-se para ele.

-E se... Você não fosse quem eu disse que você realmente era? –Balbuciou, desviando o olhar o máximo possível.

Ela apenas ficou em silêncio.

-Sabe Sakura... –Ele sentou-se ao lado dela. –Antigamente éramos inimigos... –Deu um sorriso distante.

-Nem consigo imaginar isso... Você é uma pessoa tão gentil...

-Eu era de uma organização criminosa, e você era uma das pessoas que fazia de tudo para acabar com nossa vida. Matei pessoas apenas por meus objetivos egoístas, visando que pudesse ser lembrado por anos e anos a fio... E então, um dia, nós nos encontramos. Foi uma luta difícil, por pouco não morri. Por fim, te trouxe até aqui, e por algum motivo, não se lembrava de nada que acontecera antes de ser mais um de meus experimentos...

-Então quer dizer que... –Hesitou. –Não Sasori, você não conseguiria fazer mal a alguém.

-Não era o caso, até eu conhecer você... –Seu rosto tomou uma expressão triste. –Por que Sakura... Eu...

O ruivo não sabia o que dizer. Com certeza nutria um forte sentimento pela garota, mas afinal, o que era aquilo?

-Shh, não diga mais nada. –Prendeu-o num abraço apertado.

Sasori não ouviu mais nada, somente sentiu as lágrimas de Sakura baterem em seu ombro. Ele não sabia que as marionetes seriam capazes de coisas assim. Talvez ela fosse realmente um caso especial...

Mas, no mesmo instante, ele parou de sentir qualquer reação da garota.

-Sakura... –Observou o corpo inerte dela. –Sakura! –Gritou, tentando por todos os sentimentos nas palavras que nunca chegariam aos ouvidos da garota. –O que aconteceu?

Era tarde demais, não havia sinal de pulsação em seu peito. Ele não podia ter feito algo de errado, sua arte era suprema, sem falhas. De seus olhos corria um filete de água. Era isso! Sua arte nunca houvera falhado porque não havia sentimento maior que o orgulho colocado nela, e dessa vez, fora algo muito melhor do que o puro orgulho. Percebeu que agora, sentia-se verdadeiramente humano. Que irônico.

Será que aquilo era “amor”? Sim, amor, aquilo que machucava, porém era a cura para muitas feridas. Algo a mais do que sentia com seus pais. Agora não era simplesmente amar uma pessoa da família, era amar uma garota que conheceu com todo o coração. Modificar-se quando perto dela, sentir um estranho vazio no peito e uma saudade insuportável quando estava longe dela... Isso é amar...

Por que ele tinha tal coisa se era um boneco sem alma ou sentimentos? Sakura realmente o mudara muito, e por ela, ele mudaria mais ainda...

O coração dela já não pulsava. Sasori faria qualquer coisa pela vida da garota, mesmo se isso significasse sacrificar a própria para mantê-la viva. Era essa a intensão. Ele olhou para seu peito e teve a ideia...

[...]

-Sasori! –A garota levantou rapidamente do chão em que estava caída.

Sem obter resposta, ela rondou a casa inteira até achar o corpo dele jogado num dos cantos.

No peito do ruivo, havia uma pequena abertura circular. Ela lembrava-se que uma vez, ele tinha dito a ela que era isso que os mantinha vivos. Mas, se aquilo estava vazio então significava que...

Sakura correu até ele e abraçou o corpo frio. Entre seus soluços e lágrimas, percebeu um papel amassado e úmido em cima de uma das mesinhas.

“Sakura me desculpe. Eu sei que irá se culpar por tudo, mas não o faça. Sua vida é mais importante que a minha, então dei prioridade a ti. Não se preocupe, eu sempre estarei junto contigo, não importa o que faça. Até porque, agora somos como um só...”.

-Seu idiota! Idiota! –Ela amassou a folha, ainda chorando pelo acontecido.

O vazio que sentia em seu peito é justificado. O sentimento caloroso fora substituído pela mais dolorosa tristeza que se podia imaginar...

-Por que fez isso? Eu te amava...

E num piscar de olhos, a brincadeira de bonecos acabou numa tragédia.

Notas finais
Então, gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.