Dolertãlis
1 Inofensiva
Notas iniciais
Acordei naquela tarde, mas gostaria de não ter acordado. Se eu tivesse opções teria dormido para sempre. Poderia me suicidar se esse fosse o caso, mas eu iria para o inferno. Não matar. Diz o quinto mandamento segundo Jesus Cristo. E isso inclui não matar a si mesmo.
Estamos presos dentro de casa a mais de uma semana, eu, minha mãe e a família Winderton, nossos vizinhos. O mundo está numa epidemia. Pessoas estão se matando por suprimentos e principalmente por água potável, seja a gota que for. Nossas portas e janelas estão lacradas, até os tubos de ventilação, tudo para impedir o tal vírus mortal que circula o mundo e contagia milhares todos os dias.
Eu só soube dessa tal doença depois que a professora pediu que assistíssemos os telejornais naquela semana e fizéssemos uma redação comentando sobre alguma reportagem que tivéssemos achado interessante. Isso foi a um ano atrás. Não era nada grave até então, era apenas uma pequena doença descoberta por um médico durante um check-up na China, batizada de Dolertãlis. Outros países também relataram ter vários pacientes com os mesmo sintomas desta doença.
A Colômbia foi o primeiro país a instruir médicos para pesquisar uma cura para a doença, mas sem maiores investimentos, demoraria muito tempo.
Continuamos vivendo normalmente, sem medo nenhum, afinal, era apenas uma pequena doença. Mas começou a se tornar mais popular, e com o tempo começou a passar mais informações dela na TV e várias procuras eram feitas sobre ela na internet. Pesquisas indicavam que já era mais infecciosa que a tuberculose e o HVI, tendo mais de 11 milhões de pessoas contaminadas.
As coisas começaram a ficar sérias quando aconteceu a primeira morte na China devido a essa doença, no outro dia já havia mais de mil mortos na China.
Pesquisas relataram que essa doença era um fungo nano-vírus que é um robô microscópico com a habilidade de replicar a si mesmo. Esse fungo foi liberado acidentalmente de um laboratório, e médicos procuravam terminar essa doença produzindo um "kill-code" de modo a desativar o vírus. Vendo a gravidade da situação, vários outros países decidiram ajudar na pesquisa em busca da cura, mas é muito difícil analisá-la em laboratório.
– Papai, a gente tem isso também? — perguntou meu irmão ao meu pai. Ele tem apenas 3 anos e estava sentado na sala junto com mamãe, papai e eu assistindo as mais novas informações sobre a doença.
– Não, meu querido. Essa doença ainda nem chegou na América do Norte, que é onde vivemos, não precisamos nos preocupar agora. — respondeu papai calmamente para meu irmão que dá um sorriso e volta a brincar de carrinho.
Não acho que papai estava falando sério quando disse aquilo ao Calvin, as coisas estavam ficando sérias naquela época, e a América do Sul já tinha sido contaminada, pouco custava para essa doença chegar no Canadá. Já haviam mais de 3 bilhões de pessoas infectadas e mais de 770 mil mortas. O que mais me passava segurança era que o Canadá era um país desenvolvido, logo desenvolveriam curas e nos livraríamos desta doença, engano meu.
Em agosto de 2015 a Índia foi o primeiro país a tentar limitar a propagação do Dolertãlis limitando a entrada e a saída do país. Vários países banem o movimento de gado e distribuem máscaras para todas as pessoas do país.
– Ai meu Deus" — grita minha mãe da sala. Saio correndo para ver o que aconteceu, a encontro com os olhos esbugalhados olhando para a televisão, a angústia é visível em seus olhos e eu sigo na direção para onde eles olham tão aterrorizados.
"Primeira pessoa com sintomas da doença Dolertãlis é examinada no Canadá"
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