Dois tons de amor.
8 Destino Parte 2
I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave, I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone These wounds won't seem to heal
This pain is just too real There's just too much that time cannot erase
Foi assim meu encontro com ela dor, angustia e desespero por perder a pessoa que eu mais amei na minha vida. Levantei a cabeça da pia empurrei a cadeira até a cama e olhei bem para o estrago que tinha feito no quarto, mamãe batia desesperada na porta.
— Elliot me deixe entrar.
— Vai embora.
— Filho, o que houve?
— A vida mamãe, a vida.
Voltei pro banheiro, enchi a banheira de água peguei alguns remédios e os tomei, o que eu pensei, sinceramente?
Que não valia a pena viver desse jeito.
Agora vão me esfregar na cara aquela baboseira que disse sobre recomeçar?
Ótimo, podem começar a falar.
Vamos lá estou ouvindo vocês.
Mas devo falar que eu não estou nem ai pra vocês, para a suas opiniões de merda.
Segurei nas barras que tinham em volta da banheira me ergui à vida passava como um borrão diante dos meus olhos, com um sorriso amargo, triste e sínico nos lábios, eu mergulhei, em um sono profundo, no começo era angustiante, senti a água invadir meu pulmão, senti a pressão sobre a cabeça, meus braços buscavam por algo a que se agarrar, senti medo, senti alivio, senti paz que há tempos não sentia, senti o coração desacelerar, é o mundo parar, naquela tela grande revivi as melhores cenas da minha vida, os momentos que contavam a minha história, revivi momentos de amor com meus pais, de felicidade quando Marcos nasceu, revivi a alegria de criança brincando no quintal de casa, revivi momento de intensidade com Anne, olhares, toques, sorrisos, sussurros, momentos de amor totalmente físico, momentos em que nossos corpos se encaixavam perfeitamente, momentos quem perdi o fôlego por estar nos braços dela. Escutei então um estrondo, a porta do banheiro se abrindo batendo na parede, senti um braço me agarrar, ele gritava comigo, batia em meu rosto, enquanto me tirava da banheira, senti meu corpo ser posto contra o piso frio do banheiro, senti uma pressão sobre meu peito, senti o gosto da água invadindo minha garganta e eu cuspindo ela pra fora, minha visão ficou turva e antes de desmaiar eu vi Anne sorrindo pra mim em um jardim.
Quando acordei estava deitado na minha cama o quarto ainda estava uma bagunça, Marcos estava sentado em uma poltrona ao lado da minha cama, estava de shorts chinelos e uma regata, as pernas cruzadas e a mão apoiando a cabeça que pendia ao lado, ao me ver acordado ele levantou uma sobrancelha e me fitou duramente.
— Está ficando louco Elliot?
— Porque me tirou de lá?
— Por quê? Pelo amor de Deus depois de tudo que a nossa família passou você ainda é egoísta e mesquinho, pensa somente em si mesmo, não pensa em seus atos, nas consequências que eles trazem não só para você, mas para outras pessoas. No que estava pensando? Me diga? — Abri a boca para falar. — Não se cale eu digo no que estava pensando. Estava pensando como dói as coisas que aconteceram com você, em como é difícil e duro acertei? — Me mantive calado era exatamente isso. — Agora se põe no lugar da sua mãe, do seu pai, no meu lugar, em como esperamos por dez malditos anos você se levantar daquela porra de cama e seguir em frente, e quando isso acontece o que você faz, tenta se matar, você e um imbecil Elliot, um imbecil Supere a perda da Anne siga em frente, pare de remoer o passado aceite que você perdeu e outra pessoa ganhou.
— Me desculpe.
— Desculpas, não resolve a situação.
— Eu sei que errei ok, sei que não deveria agir assim.
— Então porque age?
— Porque dói, Anne foi a minha vida por um longo tempo.
— Mas não e mais Elliot, eu te dei o endereço pra você conhecer a menina sua filha, não pra ir ver Anne.
— Eu precisava tentar, eu precisava não espero que você entenda, mas eu tinha que constatar por mim mesmo que acabou.
— É precisava tentar por fim na sua vida?
— Não vai me deixar esquecer disso não é? Desse meu erro estúpido?
— Não mesmo, eu te amo Elliot você é meu irmão, mas isso que fez foi errado.
Ele disse batendo a porta do quarto, mamãe veio me ver, mas mal falou comigo, passei o restante da noite trancado dentro do quarto, recusei minha janta e acabei dormindo até o outro dia.
Na manhã seguinte tive uma surpresa qual me fez sorrir quando abri meus olhos. Aos pês da minha cama estava Amélia, com seu sorriso doce ela mexia em meus pês.
— Bom dia dorminhoco, bela decoração do seu quarto, você mesmo que o decorou?
— Bom dia eu dei apenas um toque sutil. Coloquei os braços atrás da cabeça. — pensei que nunca mais fosse te ver.
— Só porque não aceitei vim com você?
— Sinceramente. Sim.
— Elliot mal me conhece mesmo não é?
***
Algumas semanas se passaram eu consegui prestar um vestibular e entrar para uma universidade de medicina como eu queria, como era meu plano antes do acidente, papai detestou a ideia achava que eu tinha mudado de odeia e que eu fosse ser um advogado, ele já via o escritório com nós três no comando, mas aquilo não era para mim, aquilo não era quem eu era, embora minha vida tivesse mudado, o meu rumo não era isso que eu queria há dez anos atrás e era isso que eu queria agora, é era isso que eu iria fazer.
Meu primeiro da de aula foi tenso, eu não parava sossegado um minuto e quando deu a hora de ir pra faculdade sai com um sorriso no rosto. Minha sala era enorme estava cheia meus professores pareciam bacanas e eu descobri que toda aquela simpatia que eu tinha antes do acidente ainda estava em mim, às pessoas conversam comigo, eram minhas amigas não via nos olhares deles aqueles que eu via em muita gente eu era um cadeirante, mas ali era como se eu não fosse nada apenas um cara normal indo pra faculdade.
Na segunda semana de aula eu já tinha trabalhos para entregar e como a biblioteca da faculdade era enorme decidi pesquisar nos livros ao invés de ter só internet como base nos trabalhos acadêmicos assim que entrei eu a vi sentada em uma mesa sozinha, parecia atenta ao livro grosso que repousava na sua frente, ela brincava com uma mexa do seu cabelo ruivo enquanto estourava uma bola de chiclete, me aproximei de vagar e a olhei.
— Olá. — disse ao me aproximar.
— Elliot que susto, o que faz aqui?
— Achei que sabia que essa era a faculdade que me inscrevi.
— Não você só disse que estava fazendo medicina, não me falou qual era.
— E qual é o seu curso? Não me disse que fazia faculdade.
— Quando terminei a facul de fisio fui logo trabalhar no hospital, e dai quis fazer uma especialização e cá estou.
— Qual é a especialização que está fazendo?
— Bem quis me especializar em Ortopedia e Traumatologia, sabe por causa de um paciente meu teimoso que sofreu um acidente e bem quero muito que ele volte a andar.
Abri um sorriso de orelha a orelha, ficamos mais algum tempo conversando quando ela olha para relógio e se despede a aula dela iria começar em alguns minutos, fui para a minha sala. Quando a aula acabou sai quase que correndo para a porta da faculdade precisava achar ela naquele amontoado de gente, assim que a vi cheguei perto dela, ela sorriu e me apresentou para as suas amigas. Conversamos alguns minutos e elas se despediram.
— Elliot eu preciso ir também pego dois ônibus para ir pra casa, se eu perder esse só daqui uma hora ele passa.
— Eu te levo.
— Não, não precisa.
— Por favor.
— Elliot eu morro longe.
— Não faz mal.
— Tudo bem, mas não se acostume com isso.
— Acostumar com o que?
— Não se faça de bobo Elliot.
Atravessamos a rua e fomos para o estacionamento que ficava em frente da faculdade entramos no carro ela me explicava onde era sua casa, durante o caminho a conversa fluía agradável, assim que chegamos a casa dela eu estacionei de frente.
— Mora sozinha?
— Sim.
— E seus pais?
— Morrerão quando era pequena dai vive de orfanato em orfanato, e bem aqui estou.
— Sinto muito.
— Não sinta, sempre digo que algumas coisas acontecem pra nos fortalecer.
— Que bom que pensa assim.
— Mas é verdade Elliot, sofrimento significa evolução.
Ela retirou o sinto e me encarou, ela sorriu.
— Te convidaria para entrar, mas está tarde.
— Nossa que dispensa direta. — eu sorri.
— Não, não estou te dispensando.
— Então...
— Ah Elliot!
— Eu estou brincando com você, relaxa.
— Não acredito nisso. — ela disse sorrindo enquanto me encarava. — Muito obrigada pela carona.
— Disponha.
Ela chegou perto colocou a mão em meu rosto e beijou minha bochecha ela sorria, segurei sua mão, ela suspirou, toquei seu rosto, ela fechou os olhos, cheguei mais perto, ela mordia os lábios, tirei uma mexa de cabelo de seu rosto e prendi atrás da sua orelha e me aproximei mais, senti sua respiração ofegante, ela cheirava a rosas e noite, ela abriu os olhos e eu sorri, meus dedos tocavam seu ombro nu desciam pelo braço meus olhos acompanhavam meus dedos até que toquei sua cintura é a trouxe para mim, seus lábios eram macios tinham gosto de morango, ela abriu a boca timidamente e se entregou completamente ao momento senti ela sorrir quando se desprendeu de mim.
— Boa noite Elliot.
— Boa noite Amélia.
Ela desceu do carro deu a volta, se abaixou na minha janela e sorriu, dei partida no carro e fui embora. Assim que cheguei em casa fui direto pro meu quarto deitei na cama e pensei nela.
Na manhã seguinte me levantei mais cedo, fiquei chateado por não ver Amélia no meu quarto, ela vinha todas as manhãs bem cedo e depois ia para o hospital, o que mais eu gostava das visitas dela eram as conversas que nós tínhamos, suspirei e entrei no banheiro, tomei uma ducha rápida vesti um terno com a ajuda do meu irmão me sentei na cadeira e me encarei no espelho, Marcos saiu do quarto me deixou sozinho.
— Então rapaz. — disse pra mim mesmo. — Pronto pra enfrentar a vida? Pronto pra ter mil e uma dificuldades por sua condição e seguir em frente com o que mais quer nesse mundo? — sorri ao balançar a cabeça, hoje era um dia que eu esperava por tempos era minha primeira entrevista depois de meses esperando esse estágio.
Tome meu café como todos os dias, mamãe me desejou sorte ao sair, papai contrariado também Marcos me deu um agrade abraço e disse que a gente iria comemorar mais tarde meu novo emprego, sorri, peguei as chaves do carro uma pasta e fui de encontro com meu destino. Chegando no hospital estacionei o carro e desci com o coração agitado passei pelas portas automáticas me apresentei na recepção a enfermeira sorriu com gosto e me encaminhou a sala onde eu faria a entrevista.
— Senhor chegou o último candidato da entrevista. — Ela entrou na frente me anunciando.
— Mande — o entrar glória, ande. — escutei ele dizer impaciente.
— Sim senhor. — Ela saiu. — Elliot pode entrar, boa sorte.
— Obrigada.
— De nada.
Assim que entrei escutei Glória fechar a porta atrás de mim, comecei a suar frio, eu já havia passado por algumas entrevista de emprego era ridículo me sentir assim, mas alguma coisa naquela sala me deixava apreensivo, talvez fosse aquela janela enorme, ou aquela cadeira, ou o homem que me fitava intensamente sentado nela, me aproximei, coloquei meu melhor sorriso no rosto e me apresentei.
— Prazer sou Elliot Rans.
— Prazer Elliot. — ele se levantou e apertou minha mão. — seus professores recomendaram muito você, deve ser um excelente aluno.
— Eu me esforço no que posso.
— Ótimo saber disso. — ele disse se sentando.
Conversamos um pouco sobre medicina, ele perguntou qual área eu queria seguir e me perguntou se eu estaria pronto para lidar com qualquer tipo de pessoa. Também me perguntou sobre meu acidente, coisa que me deixou um tanto que surpreso, ao final da entrevista estava relaxado e sem medo.
— Meus parabéns Elliot, a vaga e sua.
— Obrigado senhor.
— Não precisa me chamar de senhor.
— Desculpe, mas não sei seu nome.
— Não me apresentei para você?
— Não.
— Desculpe, deve ser o cansaço meu nome é Alberto, Alberto Mastrovanni.
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