Dois mundos uma só pessoa
3 O primeiro dia
Eram 7:30 da manhã e ouve-se um despertador, era como um dia normal para nós. Levanto-me, visto-me e começo a preparar o pequeno-almoço, duas torradas e um copo de sumo de laranja. Ouve-se outra vez o despertador, eram 8:00, agora era a vez da minha irmã se levantar.
–Acorda dorminhoca, está na hora de acordar, já são 8:05. O comer já está na mesa e eu tenho de ir trabalhar.
–Hmmmmmm, Hmmmmmm, vou já.- Levantou-se e foi para a casa de banho, demorou cerca de meia hora a preparar-se três vezes mais tempo do que eu.- Pronto já aqui estou. O que…Já são 8:35?- bebeu o sumo rapidamente e com uma torrada na boca e outra na mão disse enquanto se calçava- Bom trabalho Hinata, força.- E saiu a correr.
– Certo, boa escola para ti também Minami.- E agora foi a minha vez de comer o mais rápido que pude para ir trabalhar, como o trabalho é a cinco minutos da minha casa tive tempo de arrumar a cozinha e deixar o almoço e alguma coisa para o jantar antes de sair pois não sabia a que horas deveria voltar.
Agarrei na minha scooter e fui até ao trabalho, mal cheguei encontrei o chefe á porta a andar de um lado para o outro. Cheguei perto dele e perguntei
–Chefe, o que se passa? Precisa de alguma coisa, que aconteceu?
–Bem, estava a ver que nunca mais chegavas, o que se passa é que a sauna já abriu á bastante tempo e só agora é que chegas? Poderíamos ter perdido ali uma ‘mina de ouro’. Vai vestir a tua farda e vai fazer as entregas. Estás a olhar para a onde? Despacha-te- Disse furioso.
–Mas chefe só agora são 9:00H eu não cheguei atrasada. A sauna é que deve de abrir cedo.- Respondi.
– Eu não quero ouvir desculpas. O que ainda estas aqui a fazer? Vai-te vestir rápido. – Voltou a referir.
Eu entrei no vestuário feminino para me vestir, estavam lá duas ou três raparigas a trocarem-se e quando me viram começaram a gritar e a mandar-me com coisas á cabeça, bem, eu não sabia o que aquelas raparigas tinham, estavam impossíveis, até que me lembrei que me podiam estar a confundir com um rapaz. Entrei modo atordoada por ter levado com tantas coisas na cabeça, e comecei a despir-me, ai sim, elas ainda gritaram mais alto até eu dizer:
– Mas o que é que se passa com vocês podem explicar-me?
–É difícil de entender? Não vês que este é o vestuário feminino?- responderam-me elas bastante indignadas.
–Sim, eu consigo ver isso, não sou cega. Eu também sou uma rapariga para vossa informação.- Elas ficaram bastante surpresas com o que eu disse.
–Sim claro, notasse que és uma rapariga- retorquiu uma delas ironicamente, enquanto elas comentavam eu tirei a camisola e só ai elas entenderam que eu era uma rapariga.- Tu…Tu és mesmo uma rapariga… desculpa, é que pareces um rapaz.
–Sim, eu sei disso, já aconteceu varias vezes e duvido que esta seja a ultima, já estou habituada, mas daqui para a frente evitem continuar a mandar-me com coisas á cabeça, pode ser?- questionei-as eu com um sorriso no rosto.
–Claro que nós não voltaremos a fazer isto, apenas o fizemos porque pensava-mos que eras um rapaz. – Olha para o relógio e volta a dizer- Olha para as horas, temos de nos despachar porque se não o chefe ainda nos despede.- Eu vesti-me rapidamente e fui logo fazer as entregas antes que o chefe se chateasse ainda mais.
Primeiro fui á sauna, bem havia bastantes entregas para elas, aquelas mulheres deveriam ter cá um estomago, credo o pior mesmo é as pessoas confundirem-me com rapaz, aconteceu novamente na sauna. Entrei lá dentro e disse:
– Aqui está o que pediram- Pus a comida em cima dos bancos que estavam lá no meio e voltei a ouvir as mulheres todas a gritarem e a esconderem-se.
– HHAAAAAAAA!!! O que um rapaz está aqui a fazer, devia de vir uma rapariga. Vai-te embora seu pervertido. Sai- Disse uma senhora mais velha que ali estava.
– Eu sou uma rapariga. -Tirei o capacete mas mesmo assim não acreditaram em mim e empurraram-me para fora da sauna. Eu tinha de voltar a entrar porque não me tinham pagado.- Eu preciso que me paguem.- Pegaram no dinheiro e a mandaram-no contra mim, o lado negativo é que eu fiquei com algumas nódoas negras mas o positivo foi que a gorjeta acabou por ser bastante grande.
Quando cheguei á loja era quase 13:30 havia mais uma entrega, era a uma vivenda. Ainda era longe demorei cerca de meia hora a chegar lá. Bati á porta e disseram.
– Quem é?
– Tenho a refeição que encomendou.- Respondi.
–Certo, pode entrar a porta está aberta. – Disse ele. Entrei e ele estava sem camisola e de costas, evitei olhar para ele, eu estava cheia de vergonha.
– Podes deixar em cima dessa mesa. – E assim o fiz, ele virou-se e voltou a falar bastante alto. – TU… O QUE É QUE TU FAZES AQUI? Já não te bastou o que fizeste ontem, deixa-me adivinhar fizeste isto para vir buscar a recompensa, estou certo?
–Oque? Ontem?- olhei para a cara dele e apercebi-me logo que tinha sido aquele rapaz irritante que tinha visto ontem e que me tinha acusado de ser cúmplice daquele homem que lhe tentou roubar a namorada. – Que mal é que eu fiz? Apenas paga-me e eu vou-me embora.
– Oque? Pagar-te? O que eu te devo pagar?- Perguntou bastante indignado.
– Sei lá...talvez a comida que trousse, é melhor ser rápido se não te importas é que eu ainda tenho muitas coisas a fazer. Desculpa a minha má educação nem perguntei pela tua namorada, como ela está?- Respondi eu para ver se me deixava em paz e parava de me chatear.
–Há, em 1º lugar ela não é minha namorada. Em 2º lugar ela está bem obrigado por perguntares e em 3º lugar está aqui o dinheiro- Dizia enquanto ia buscar o dinheiro á carteira e entregava-mo.
Quando acabei as entregas eram 16:00 e já não valia a pena ir para a escola, as aulas acabariam as 17:30 e acabaria por demorar uma hora a chegar lá por isso chagava uma meia hora antes de terminarem a aula e acabaria por não apanhar nada do que diziam, por isso decidi ir para casa. Ao chegar perto da porta vi três homens de volta da minha irmã, cheguei ao pé deles e disse:
– O que se passa aqui?
– Mas quem raio és tu? Qual é a tua relação com esta família?- Questionaram-me.
– Vocês não têm nada a ver com a minha relação com esta família, eu cá tenho as minhas razões, digam-me o que querem.- Voltei a insistir.
– Muito bem. Eu passo a explicar, esta miúda é filha do homem que fugiu com uma enorme divida, e nós estamos aqui para que nos pague essa divida.- Responderam-me eles
–Mas acham isso justo, três homens a exigir a uma rapariga de 16 anos indefesa uma quantia exorbitante de dinheiro. Isso é desumano.- Entretanto estava lá a passar o rapaz a quem eu tinha entregado a comida, passou ali com o carro e acabou por ouvir os gritos. Encostou o carro e foi ver o que se passava. – Podem ir embora se não se importam.
Os três homens fartos pois queriam o dinheiro começaram aos murros tentando bater na minha irmã, eu pus-me á frente e acabei por apanhar por ela, o rapaz ao ver aquilo foi a correr e tentar ajudar-nos, e começamos todos á luta enquanto eu mandava a minha irmã para casa.
Quando tudo acabou ele estava bastante mal e eu também, a minha irmã sai de casa e ajudou-me a leva-lo para dentro.
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