Notas iniciais
Obrigada pelos comentários! :D

Shin mal saíra da casa e já olhava o celular, aguardando sua ligação ou contato. Ele logo teria que pegar um voo para o Rio Grande do Sul, portanto tinha que se apressar. Sim, era esse o motivo de sua ansiedade. Só podia ser isso.

Antes de sair da casa o menino, Tomás, disse que lhe faria um pedido de amizade em uma rede social. Ele tinha gostado do garoto. Não sabia por que, mas sentiu um carinho genuíno ao abraça-lo, apesar de se sentir tão desconfortável como nunca.

Seu celular tocou e ele sentiu o coração acelerar. A quem ele queria enganar? Só de pensar em ouvir a voz dela novamente era o suficiente para causar-lhe arrepios. Mas, infelizmente ela não o agraciara com uma ligação. Ele leu o torpedo com o endereço de uma lanchonete e logo deu instruções ao motorista da Parker TV para que o direcionasse até onde ela havia marcado o encontro.

Enquanto o carro percorria o curto caminho até a lanchonete, Shin pensava no pequeno menino de olhos puxados. “Filho dela e do Chang.” Esse pensamento o deixava com uma estranha sensação de vazio. E com raiva. Oh, muita raiva. Raiva de ter vindo ao Brasil, de tê-la conhecido. E principalmente de ter trago o Chang junto.

Chegando ao local combinado, ele se sentiu desconfortável. Havia muitas pessoas ali, seria difícil passar despercebido. Vestiu um casaco e colocou óculos escuros, sentando-se em uma mesa um pouco afastada. Ninguém parecia tê-lo notado. “Um problema a menos.” Pediu um suco de laranja e esperou.

Ela chegou poucos minutos depois, devia ter vindo a pé mesmo pois estava com a mesma roupa de antes. “Ainda não aprendeu a dirigir, Lara?” Enquanto ela se aproximava, ele tentava imaginar o que ela poderia querer conversar com ele. Ela andou lentamente em direção a ele, como um animal acuado. “Só falta agora ela querer me fazer sentir culpado! Não fui eu a vítima da história?”

­— Obrigada por ter vindo me encontrar, Shin.

“Precisa falar tão alto?” — pensou ele enquanto tentava silencia-la. Se alguém os visse juntos não seria nada bom. Afinal, ela era irmã de um dos candidatos a ser o novo Jonas Marra.

Ela perguntou se podia se sentar e continuou com aquele olhar que fazia seu coração se partir em dois. Ele estava bravo com ela por fazer isso com ele.

— Eu não sabia que era sua família, senão não teria vindo. — disse rudemente. Ela falava calmamente com ele, tentando não demonstrar que aquilo a havia magoado. Visivelmente sem graça, ela tentou ter uma conversa civilizada. Mas ele queria que aquilo acabasse logo e que ela fosse direto ao ponto.

— Bom, eu acho que você entendeu tudo, né? — disse ela e ele aos poucos ia derretendo por dentro. “Ela quer falar do filho” — Eu vi como você ficou mexido quando conheceu o Tomás.

Eles conversaram um pouco sobre o garoto e Shin não pode evitar sorrir ao se lembrar do ‘mini Shin’. Lara mencionou então que o filho nunca havia visto nenhuma foto do pai, e começou a compreender o que se passava ali.

— Lara, o Chang e eu somos brigados de morte. — disse ele pausadamente. — Esse foi um dos motivos da minha mudança pro Brasil. Se você tá esperando que eu seja uma ponte entre vocês, esquece!

— Não! Isso é tudo o que eu não quero! — disse Lara com ênfase — Por mim, o Chang não vai nem saber da existência do Tomás. Só se você contar!

Ele garantiu a ela que tinha cortado relações com o irmão e que por ele, Chang nunca saberia que tem um filho. Ela reforçou que não tinha nenhum interesse em rever o pai de Tomás, deixando-o um pouco aliviado. Mas ainda assim, falar de seu irmão era doloroso.

— Fica tranquila que eu não vou falar nada. Eu não quero saber de nada relacionado ao Chang. — disse ele pontuando cada palavra.

Ela digeriu a frase lentamente, e ele já se levantava quando disse:

— Agora me desculpe, eu tenho uma outra entrevista pra fazer. De uma outra candidata. A gente se fala. “Shin, por que você foi falar isso? Você não precisava falar com ela outra vez. Não queria falar com ela outra vez... ou será que queria?”