Dois Mundos, Duas Sacadas.

11 Capítulo 11 - Quem precisa de esposa?


Notas iniciais
Oi gente! Como estão? :D
Bem, tenho uns avisos rápidos para dar:

1º: a fic vai usar alguns link, e estão todos nas notas finais. (duas músicas e imagem)

2º: POV's Ichigo! :D

3º: capítulo grande, então preparem-se haaha *-*'

Já fazia umas duas horas que eu estava na casa da Rukia conversando com a Vick, ela falou bastante da Rukia. Descobri que ela odiava amarelo e que quando era pequena ela tinha rolado escadaria à baixo. Devia ser por isso que ela tinha transtorno bipolar.

– Eu vou indo, tenho inglês as 16:00 – Vick me disse, não escondendo a felicidade. – Tchau, Kia! – Olhei para trás e ela estava saindo de cima da cama e se sentou do meu lado.

– Tchau, Vick. Nos falamos mais tarde, então? – Ela perguntou, eu nem prestei atenção no que a Vick falou, eu só fitei a baixinha do meu lado, eu não havia percebido que ela usava um shorts vermelho...meio curto demais e uma camiseta branca do Eve 6. Os cabelos estavam soltos. Nunca a tinha visto daquele ângulo, e nem com aquele shorts.

– Tchau Ichigo! –Vick se despediu de mim, reparando que eu estava fortemente corado.

– Tchau. Até. – Sorri e logo depois ela saiu. Rukia se curvou até o computador e o desligou. Fechou o notebook e levantou do chão com o notebook nos braços.

– Por que está corado, morango? – Ela me perguntou, guardando o notebook dentro do guarda-roupa.

– Não estou corado. – Retruquei.

– Seu rosto não diz isso. – Ela retrucou sentando-se encostada na cama ao meu lado. Me fitava inexpressiva, odiava quando fazia isso.

– Anã irritante. – Virei meu rosto para o outro lado, ouvi ela rir baixinho e dar um suspiro longo.

– Pensando no Kaienzinho-kun? – Falei com ironia e a fitei, ela olhava para os pés, pensativa.

– Não zoa dele. E sim estou pensando nele. – Ela ainda fitava os pés. Precisava ser tão sincera? Eu estava apenas brincando. Aquele desgraçado que trocava de garota como se fossem apenas brinquedos, e depois as jogava fora. Ela não compreendia que ele não valia nada. Aceitava as indiretas dele tranquilamente e ainda dizia que estava ‘virando’ amiga dele. Só rindo.

– Ele...mechamouparasair. –Percebi seu rosto corar fortemente.

– Como? – Me aproximei dela, o suficiente para nossos braços se encostarem. Acredite, não tínhamos muito contato físico.

– O Kaien! Ele me chamou para sair! Amanhã à noite. Mas ainda não confirmei...

– Não confirma. – Falei decidido, provavelmente eu estava com o cenho franzido. Ela me fitou com as sobrancelhas erguidas. – Não me olha assim. Você sabe muito bem que esse cara só quer se aproveitar de você. Você já viu muitos exemplos disso, a Hinamori, Nell, Rangiku...e bem, o resto da escola.

Ficamos nos fitando seriamente por alguns segundos. Depois disso ela abriu um sorriso (lindo diga-se de passagem) e voltou a fitar os pés. Ela ficava mais simpática quando estava preocupada com alguma coisa.

– Até você? – Aquela anã me perguntou com um sorriso perverso no rosto. Eu não respondi nada, ela riu. – Vou ter que concordar com seu pai, eu arranjei um amigo gay.

– Pronto, mais uma... – Bufei, jogando a cabeça pra trás. Tinha coisas que ela falava que eu simplesmente ignorava.

– Mas você fica sempre tão preocupado comigo, quando eu digo algo sobre o Kaien, e começa a falar um monte de sermões. Age como se fosse uma das garotas que ele jogou fora.

– Eu falo isso para o seu bem. Você é minha amiga, não quero que você se iluda, e muito menos se magoe com aquele traste.

– Mas mesmo assim, eu sinto que ele não está mentindo para mim! Ichigo...

– Você quer?

– Ele?

– Não, sair com ele...

– Ah, de certa forma... É, quero sim.

– Então saia, mas quando ele te jogar fora com as outras, eu vou dizer na sua cara que você é uma trouxa.

– Isso não vai acontecer! AAAH O QUE EU FAÇO? – Ela encostou a cabeça no meu braço.

– Vai colocar uma roupa que não mostre tanto as suas coxas, e vamos para o Ishida! – Falei implicando com ela, a irritar era um plano bom para descontrair.

– Como assim? Você está insinuando que... – Ela tirou a cabeça do meu braço e me fitou com os olhos em brasa.

– Não estou insinuando nada! Só estou de avisando, se você for assim para a casa do Ishida, o Hisagi e o Renji não vão se controlar. Eu conheço meus amigos. – Eu tinha a assustado, ela não disse nada e foi para o armário, pegou uma calça jeans e um casaco vermelho simples de lã.

– Vai se trocar! – Ela mandou. – Eu não posso nem me vestir do jeito que eu quero nessa cidade! – Ela saiu resmungando do quarto.

Voltei para o meu quarto e coloquei um jeans escuro, uma camiseta cinza sem estampa e uma blusa de flanela por cima. Coloquei meu all star e pronto. Desci as escadas até a sala, peguei um bloquinho de notas em cima do balcão e anotei:

Velho,

Fui até a casa do Ishida com a Rukia.
Qualquer coisa me liga, estou com o celular.

Tchau, Ichigo.

Sai de casa e a encontrei em frente ao meu portão.

– Você demora mais que uma mulher para se trocar! Vamos logo!

– Para de reclamar. – Começamos a caminhar. Ficamos alguns minutos sem trocar nenhuma palavra. Aquilo me incomodava, mas não ia ser eu que iria quebrar o silêncio.

– O que você achou da Vick? – Ela me perguntou, sem me fitar.

– Ah, ela é legal. – Respondi indiferente. – Fala bastante, também.

– É, Vick não sabe controlar a língua. – Falou com um raiva na voz.

– Só por que ela falou que um dia você já foi para a escola...

– Não precisa me lembrar disso. – Ela me interrompeu, com uma veia saltando na testa. – Ela só falou aquilo para puxar assunto com você.

– Eu sei disso. Mas por que...ela quis me conhecer assim... do nada?

Depois que eu falei isso eu a olhei e fiquei curioso. Ela estava corada e olhava para frente, me evitando.

– Eu comentei de você, apenas isso. Falei que você era um amigo meu e tal... por quê? – Ela me encarou, ainda estava um pouco corada, mas nem dava para reparar.

– Calma. Eu só fiz uma pergunta. Não precisava ir atacando de uma vez. – Me defendi, implicando com ela, que apenas bufou.

– Você consegue ser insuportável, Kurosaki.

– Não mais que você.

Ela me deu um soco no braço. Ela ia me deixar um buraco no braço de tanto que ela me batia. E o pior era que era sempre no mesmo braço.

– Rukia! Você tem mão pesada. – Esfreguei o braço que provavelmente já estava roxo. – Daqui a pouco nem vou mais sentir meu braço, se você continuar assim!

– Para de ser exagerado! Só foi um tapinha, seu fresco.

– Tapinha?! — Falei indignado. Aquilo foi tudo, menos um tapinha.

Rukia me olhou, séria. Eu retribui o olhar só que eu estava morrendo de raiva daquela anã.

– Que é? – Perguntei ficando incomodado com aquilo.

– Vou concordar com o seu pai. Eu tenho um amigo gay.

Meu sangue subiu, eu já nem me importava quando meu pai me chamava de gay, ele fala isso todos os dias. Mas ela? Não, isso eu não admitia. Eu não precisei dizer nada quando a fitei. A vi estremecer quando a olhei com ódio.

– Você sabe que eu estava brincando né, Ichii? – Ela se pendurou no meu braço, eu apenas a fitei pelo canto do olho e a ignorei. – Né?

– Pode me soltar, Kuchiki? – A fitei com o cenho franzido.

– Me responde! – Ela insistiu ainda pendurada no meu braço. Nós caminhávamos devagar, faltava pouco para chegarmos na casa do Ishida.

– Responder o quê?

Ela me fuzilou com os olhos e soltou meu braço com violência.

– Insuportável! – Ela falou cruzando os braços e olhando para frente.

– Irritante! – Retruquei ficando na mesma posição que ela.

– Gigante!

– Projeto de garota!

– Abominável monstro das neves!

– Um dos sete anões!

– Morango!

– Chegamos! – Acabei com a brincadeira parando em frente ao prédio de 3 andares onde Ishida morava.

– Ahm? – Ela me olhou com cara de interrogação.

– Chegamos. Casa. Ishida. – Falei pausadamente

- Ah, nossa foi rápido. – Ela disse com o tom de voz diferente, era sempre assim. Brigávamos mas depois agíamos como se nada tivesse acontecido. Sim éramos estranhos.

Abri o portão de metal para ela e depois entramos no prédio. Subimos as escadas até o último andar e toquei a campainha.

– IKAKKU ABRE A PORTA! – Ouvi o grito do Ishida.

– POR QUE EU? – Ouvi a voz de Ikkaku respondendo.

– VAI LOGO!

Depois de alguns segundos Ikkaku abriu a porta para nós.

– Ah! São vocês... – Ele falou indiferente, virou as costas e voltou a entrar no apartamento.

– Também estamos felizes em revê-lo, Ikkaku.

Eu e Rukia tiramos os sapatos e entramos no apartamento. Fomos até o quarto, e como sempre estava abafado, Hisagi e Renji estavam jogando “The King of fighters”.
Hitsugaya assistia algo na TV. Ikkaku usava o PC, Sado jogava em um DS e Hanatarou lia um mangá.

– Cadê o Ishida? – Rukia perguntou vendo o jogo que Hisagi e Renji jogavam. Os dois mal chegavam a piscar.

– No banheiro, ele vai sair com a Orihime... – Renji falou sem tirar os olhos da tela.

– Sério? – Eu e Rukia perguntamos em uníssono.

– Uhum – Os dois responderam juntos, sem nem notar nosso tom de surpresa.

– Renji! Larga de ser idiota! O ataque especial tem que aperta R1 e R2 ao mesmo tempo! Você vai perder desse jeito. – Rukia disse indignada com a falta de capacidade de Renji.

– EU SEI, RUKIA! – Ele gritou.

– ENTÃO FAÇA ISSO! – Ela gritou de volta.

– PERDI! POR SUA CAUSA! – Renji largou o controle no chão e levantou estressado.

– Perdeu por que você é um incapaz.

Deixei Hisagi jogando com Rukia... sério, desde quando uma garota jogava daquele jeito?!

No King of fighters ela só perdia pro Hitsugaya! Isso era frustante para todos nós.

Fui para a sala e caminhei até um armário que poucos usavam. Tirei de lá o amplificador, e a bolsa da minha guitarra.

– Fiquei com saudades de você. – Conversei com minha esposa enquanto tirava ela da capa cuidadosamente. Ela era preta, cheia de listras verticais em prata, nas casas havia o nome do melhor guitarrista do mundo, Synyster Gates, e a caveira do Avenged também entre as casas.

Liguei os cabos nela, regulei o volume e comecei a tocar o solo de uma música, e comecei a cantar a música entre as notas. Nunca cantei muito bem, então eu só murmurava para não me perder.

(Dancing Dead – Avenged Sevenfold.)

Dead men, they celebrate

As the final chapter, fades away

Cause they can't hide

We can see their flesh is rotten

Homens mortos, eles celebram,

Como o final de um capítulo, desaparece,

Porque eles não podem esconder

Nós podemos ver suas carnes podres!

The band plays a hopeful tune

The champagne is poured

As they socialize, the look in their eyes

Hide in the light

A banda toca uma música esperançosa

O champagne é vertido

Como eles se socializam, o olhar em seus olhos

Escondidos na luz!

Everything is paid for tonight

While at the party of the dead dancin in their graves.

The drinks here are free, so relax.

Enjoy the sight of all the dead dancin in their graves

Tudo está pago por essa noite

Enquanto a festa dos dançarinos mortos em suas lápides.

As bebidas aqui são de graça, então relaxe.

Aproveite a visão dos dançarinos mortos em suas lápides.

Assim que eu terminei de tocar, levantei o olhar e vi Rukia sentada no chão me fitando.
Ela tinha a face um pouco abobalhada, acho que nesse tempo todo que nós nos conhecemos, eu não tinha dito que eu tocava.
O resto dos garotos também estavam na sala, mas não tinham a mesma cara de susto que Rukia. Pareciam que se divertiam com a situação.

– Você melhorou bastante, Ichigo. – Toushiro falou de pé ao lado do sofá, assenti com ele e me voltei a Hanatarou que estava sentado no sofá ao meu lado.

– Realmente, eu lembro quando você começou e não sabia fazer nenhuma pestana. – Hanatarou falou com os olhos brilhando. Eu ri da maneira que ele havia falado, como se tivesse orgulho de mim.

Olhei para o chão e Rukia ainda me fitava, sem dizer nada.

– Toca outra ai, Ichigo. – O Black Power estava sentado ao lado da Rukia, porém ele estava animado e não olhando sem expressão, como se estivesse em outro mundo.

– Não, eu não lembro de nenhuma agora... – Eu realmente não tinha mais nenhuma música em mente, essa era única que eu tinha lembrado.

– Ichigo... – Por fim ela falou, parecendo que havia acordando de um transe. – Toca outra!

– Ahm... – Murmurei meio constrangido. Ela me fitava de um jeito que eu nunca havia visto, ou reparado. Mexi no bolso da capa da minha esposa e peguei uma folha dobrada e surrada. Devo ter lido e relido umas três vezes, pensando seriamente se devia tocar ou não.

– Tudo bem... – Sorri, ou pelo menos tentei. Arrumei o papel na minha perna e arrumei minha esposa no colo. Endireitei meus dedos no braço para começar o solo, e comecei a tocar. Fechei os olhos, e nem precisei ler o papel, a cifra e a letra vieram na minha mente de uma vez só.

(If you only knew – Shinedown.)


If you only knew,
I'm hanging by a thread, the web I spin for you.
If you only knew
I'd sacrifice my beating heart before I lose you.
I still hold onto the letters you returned.
I swear I've lived and learned

Se você apenas soubesse,
Eu estou suspenso por um fio, a teia gira por você.

Se você soubesse,

Eu sacrificaria minhas batidas do coração, antes de perder você.

Eu continuo segurando as cartas devolvidas por você

Juro que vivi e aprendi

It's 4:03 and I can't sleep without you next to me.

Toss and turn like the sea.

If I drown tonight, bring me back to life.

Breathe your breath in me,

The only thing that I still believe in is you.

If you only knew.

São 4:03 e não consigo dormir sem você perto de mim.

Agitado e revolto como o mar.

Se eu me afogar essa noite, me traga de volta para a vida

Respire seu ar em mim,

A única coisa que eu ainda acredito é em você.

Se você apenas soubesse.

Acabei a música e abri os olhos. Minha garganta estava seca, fazia séculos que eu não cantava mais alto que meus murmúrios.

– Que banda é essa? – Hisagi me perguntou jogado no sofá.

– Shinedown... – Tirei a guitarra do colo e peguei os papéis jogados dentro do bolso da capa. Tinha um monte de músicas que eu tinha me esquecido que existia lá dentro e outras que eu nem havia tocado ainda.

– Vamos voltar a jogar, Rukia? Hoje eu tenho que te vencer de qualquer jeito! – Renji a chamou já no batente do quarto. Ele não aceitava perder para um garota... bem a maioria de nós não gostava, mas Renji era do tipo orgulhoso que gostava de sofrer.

– E você acha mesmo que eu vou perder... para você? – Ela olhou para ele ainda sentada no chão. – Vai treinando e depois eu jogo contigo.


– Hisagi? – Ele chamou.


– Não, eu tenho que ir para casa. – Mas ele continuou no sofá.


– Toushiro?


– Vou voltar para a ler meu mangá. – Caminhou de volta pro quarto, sem nem dar atenção.


– Hanatarou?

– Vou fazer algo para a gente comer. – O baixinho saiu saltitando até a cozinha.

– Sado?

– Não. – Ele fez o mesmo que Hitsugaya, passou por ele, praticamente o igorando.

– Ikakku?

– Tenho coisa melhor para fazer.

– Ichigo? – Renji me olhou suplicante, ou era eu, ou mais ninguém.

– Sinto muito, amiguinho.

– Obrigado, eu não me importo mesmo jogar sozinho. – Ele entrou no quarto irritado. Depois Ikakku o seguiu até o quarto enquanto Hisagi colocava o tênis para ir embora.

– To indo. – Hisagi disse terminando de endireitar as roupas.

– Onde vai? Está mais arrumado... – Perguntei reparando na roupa dele. Estava com uma calça meio justa, o all star imundo dele, e uma blusa pólo azul marinho.

– Não posso ficar estacionado, enquanto a professora Yoruichi ainda se decide casar comigo. – Ele falou com um sorriso malicioso nos lábios.

– Quem é a criatura que aceitou sair contigo? – Rukia perguntou com um ar divertido.

– Momo Hinamori, do 1º.

– Ah! Sei quem é, manda um pêsames para ela por mim? – A baixinha falou sorrindo simpática pra ele.

– Rukia, vai dormir. – Hisagi ignorou Rukia, se despediu de mim e saiu do apartamento.

– Coitado, você tira toda a auto-confiança dele, fazendo isso.

– Que nada! Ele supera rapinho. – Ela levantou do chão e sentou do meu lado. Olhava a minha esposa com atenção.

– É linda, não? – Perguntei para Rukia, também fitando a guitarra.

– Sim... – Ela hesitou alguns instantes, depois desviou o olhar da guitarra para mim. – Por que não me disse que você tocava? E que cantava?!

– Esqueci... e eu não canto bem. Definitivamente.

– Modesto.

– Não... – Eu hesitei. Se eu falasse o que me vinha na mente, iríamos ter uma daquelas discussões bestas, de novo. Dei de ombros, e ela nem pareceu se importar.

Tinha dias que Rukia me deixava meio zonzo. E particularmente, eu me sentia um idiota por isso. Eu poderia ficar fitando a cor inconstante de seus olhos a tarde inteira e eu não iria me cansar.

– Posso te fazer uma pergunta? – Ela me perguntou, ainda olhando pra frente. Nem pareceu notar que eu a fitava.

– Pode, só não sei se vou responder. – Tirei a guitarra do colo e a guardei com cuidando.

– Você... – Rukia hesitou, ela fitava o chão.

– Eu...

– Não me interrompe! – Ela tinha as bochechas coradas – Você se esqueceu? – Rukia fitou meus olhos e eu fiz o mesmo, eu me perdia ali. Eu já disse que eu poderia ficar fitando seus olhos a tarde inteira?

– Esquecer de quê? – Enfim perguntei. Ela desviou e fitava o teto.

– É, você esqueceu. – Vi um sorriso forçado em seus lábios, algo estava errado ali.

Tentei forçar a minha mente para lembrar. Devo ter ficado uns bons 5 minutos tentando lembrar do que ela falava. E como um balde de água fria, lembrei até dos pequenos detalhes.
No dia em que ela foi resgatar o velho coelho no meu quarto, e bem, quase nos beijamos se não fosse por causa do meu pai.

Mas por que ela queria voltar àquele assunto?

Ela mesma havia me pedido para nós esquecermos. Eu tinha esquecido, mesmo. Mas parecia que desta vez eu não ia esquecer tão fácil, eu lembrava da cena a cada segundo, como se ela tatuasse aquilo na minha mente.

Eu provavelmente estava corado, sentia meu rosto arder.

– Você que me pediu para esquecer, eu apenas obedeci. – Ela ainda fitava o teto, aquilo estava me irritando. Eu queria que ela se virasse para mim, eu precisava ver seus olhos, como eu saberia se estava falando a verdade?

Bem dizer que Rukia mente bem, mas ela não me engana. Já a conhecia o bastante para reparar nisso.

– Eu sei... não devia ter tocado nesse assunto de novo.
– É, não devia.
Ficamos mais alguns sufocantes minutos em silêncio. Eu detestava aquilo, o silêncio só piorava a situação. Como eu dissera, eu não conseguia mais não pensar

– E você, esqueceu? – Perguntei com medo da resposta.

– Não. – Ela me respondeu rapidamente, sem me fitar – Enfim. Não vamos deixar aquele pequeno incidente abalar nossa amizade. Juro que não toco mais no assunto! – Rukia finalmente olhou para mim, tinha um sorriso sincero nos lábios. – Não quero perder a sua amizade por nada laranja, você tem sido muito importante pra mim. – Percebi que as maças do rosto dela ficaram mais rosadas, provavelmente as minhas também estavam.

– Também não quero perder a sua amizade, anã. – Falei abrindo um sorriso.

– Talvez, você seja a grande razão para eu não ter voltado para Tóquio. Claro, agora tem a Matsumoto, a Soifon, os garotos... – Ela suspirou aliviada. – Eu sinto saudades do povo de lá, da Vick, Ulquiorra, Nell, meus tios, da minha escola,até do Kyo!

– Quem é Kyo? – Perguntei, tentando manter uma voz indiferente na voz, mas acho que não deu certo.

– Um ex-namorado meu, ele vivia pegando no meu pé, falando que ainda não tinha me esquecido e aquele drama todo de homem quando não aceita o término do namoro.

– Entendi.

– Mas então, eu estou até com saudades do meu “antigo” pai... Antes ele não sorria tanto.

– Espera. Desde quando o seu pai sorri? Sempre vi o Byakuya com aquela cara de “Oi, seu verme, saia do meu quintal”– A interrompi.

– Em casa, quando está nós três, ele não é assim. É como se fosse outra pessoa, mas com os outros... ele tem aquele jeito. Nem eu que moro com ele, sei o por quê dos sorrisos.

– Estranho...

– Nem fala. Mas eu estou me acostumando...é bem engraçado.

– NÃO! NÃO! PERDI PRO VIDEO GAME?! – Escutamos o grito do Renji e um controle batendo no chão.

Mais um controle do Ishida quebrado. Renji está morto, pensei.

– Acho que ele perdeu. – Rukia falou rindo.

– Também suspeito. – Falei rindo junto com ela.

– Vou acabar com o dia do Renji e fazer ele perder de novo. – Ela levantou do sofá em um pulo. – Não quer ver a minha vitória pela centésima vez desse mês de novo?

– Ah, me deixa aqui, quero ficar mais um pouco com minha esposa... – Gemi, não queria ver o Renji chorando de novo.

– Que esposa o quê! Vamos! – Aquela anã, me puxou pelo braço até o quarto.

E se ela deixou o Renji vencer? Bom se fosse.

Notas finais
Bem, vamos aos links!

(primeira e segunda música)

Dancing Dead - A7X: http://migre.me/3LS2h

If you only knew - Shinedown: http://migre.me/3LS9q

(guitarra do Ichigo)
Synyster Gates do Avenged Sevenfold: http://migre.me/3LSeX

Sim, sou fã de carteirinha do Avenged OISAISIAISAOI'
Espero que tenham gostado *-*

Obrigada :D