Aqui estou eu, perdida no meu mundo e igualmente perdida no mundo em que eu habito. Estou agora sentada numa rocha á beira de um rio onde só oiço o belo cantar dos pássaros e os meus próprios pensamentos. Irei descrever-te o que vejo ao meu redor: é fim de tarde e o céu está como convidando-me a dormir aqui, mesmo sem saber os perigos que aqui possa haver, sem mesmo saber onde me encontro; tudo á minha volta é verde, com muita relva, árvores, ao fundo está uma pequena cabana de madeira velha. A água que corre neste rio é limpída e fresca, e a sua nascente fica a uns metros daqui, sendo ainda mais fresca e cristalina. Estou igualmente perdida dentro de mim, no meu próprio mundo, perdida dentro do mundo que criei... Sinto-me sozinha e abandonado, mas aqui só, sem ninguem, só acompanhada pelos meus pensamentos e pela minha pessoa, tudo é estranho para mim, só aqui, nesta rocha é que me sinto capaz de enfrentar o mundo, este e aquele que criei. Estou a habituar-me cada vez mais a esta sensação de solidão e angústia, a ter todo este mundo para mim, todo este espaço e não ter ninguem com quem o partilhar.Tudo isto é demasiado monótono e silencioso para mim. Cheguei a velha cabana de madeira e cada porta que abro é um novo mundo, quartos muito diferentes ou podem ter acontecido muitas historias de amor, algumas talvez até muito belas, mas que se calhar acabaram tao e qual como estou agora, sozinha e abandonada. Mas... Porque? Porque eu? Porque tenho de ser eu aqui sozinha sem nínguem que me apoie? Até o proprio mundo que eu criei parece estar contra mim. Vou ter de refazer o meu mundo, adaptando-o a este mundo exterior e a estas condiçoes de solidão. Cada vez penso mais que, por vezes, as maiors dores psicológicas têm de ser suportadas sozinhas, enquanto as dores fisícas toda a gente nota e todos querem ajudar...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.