Dois Mundos
14 14- Bem vindos à Hogwarts
Notas iniciais
Lembro me sentir um pressão atrás do umbigo. Como se um gancho puxasse-me. A viagem não durou mais de cinco segundos. Eu via os rostos disformes dos meninos e então PONG. Eu me vi caída dentro de um lago, no meio da noite. Pedro e Douglas estavam ao meu lado, se debatendo.
–Aonde estamos? –Perguntou Pedro olhando em volta.
–Eu acho que em Hogwarts. –Eu disse apontando o castelo atrás deles.
Pedro virou-se e arquejou, Douglas não fez muito melhor. O castelo era imenso, apesar de não poder identificar muita coisa de tão longe. Dava para ver muitas torres e janelas. Além disso, não era muito possível.
Eu olhei em volta, procurando a beira, mas não pude ver muito longe. Douglas tentou produzir fogo, mas ele estava completamente encharcado.
–Deixe-me ajudar. –Pedro encostou nele e Douglas ficou seco instantaneamente.
Meu primo acendeu uma chama na mão.
–Obrigado. –E lançou uma bola incandescente de fogo para todos os lados. Mas não adiantava muito.
–Minha vez de tentar. –Eu disse.
Concentrei-me no sol, na luz, em tudo que brilhava. Instantaneamente, eu comecei a brilhar. De repente todo o lago estava claro e eu pude ver uma margem, com uma cabana a pouco mais de 50 metros.
Pedro concentrou-se e a agua começou a nos mover em direção à margem.
Nós subimos pelas pedras e olhamos o local. Era uma cabana onde se guardavam as canoas. Na frente da porta, um caminho de pedra levava até o castelo. Só que era uma subida grande.
–Nós vamos entrar? –Perguntei depois de alguns minutos subindo, eu já estava sem fôlego.
Douglas parou como se fosse a primeira vez que pensava na possibilidade.
–Vamos chamar muita atenção. Três adolescentes entrando escondidos em um castelo, no meio da noite. Coisa bizarra. –Disse Pedro, e eu concordei.
–Vamos acampar em algum lugar seguro então. –Douglas disse.
Eu olhei em volta.
–Não conhecemos nada daqui, e Bruna está ai dentro, ela talvez nos ajude.
Eles consideraram a ideia. Voltamos a subir.
Eu estava pensando em como me comunicaria com Bruna. Ela provavelmente estava dormindo... Dormir! Claro, eu tinha que dormir, viajar com meu ba até ela e pedir ajuda. Falei a ideia para eles. Eles concordaram, era o único plano.
Nós fomos para o gramado do castelo. Era um lugar belo, com um jardim bem legal.
Pedro sentou-se escorado na parede, eu deitei-me com a cabeça em seu colo. Douglas estava de guarda. Pedro alisou meus cabelos enquanto eu pegava no sono. Eu estava bem cansada, então dormir não foi a coisa mais difícil do dia.
Eu sonhei imediatamente. Meu ba flutuou imediatamente para o Duat. Eu queria ir para dentro do castelo, atrás de Bruna, mas era meio difícil controlar aquilo. Concentrei-me na minha irmã, eu sabia que tinha que encontra-la, e meu ba chegou até ela.
Não exatamente nela, mas em seu sonho. Coisa bizarra, eu sei. Mas eu incrivelmente invadi seus sonhos. Ela estava vestida com um uniforme preto, segurando uma varinha. Ela olhava para o vale do acampamento ao lado de Peleu, o dragão segurança. Não havia nada de diferente, ela apenas estava lá, parada. Então Carter subiu correndo a colina (cada vez ficava mais bizarro). Ele estava suado e ofegante, levantou as mãos em sinal de rendição. Antes de ele falar alguma coisa, minha irmã apontou a varinha para a garganta dele. O garoto estava nervoso, mas fez uma cara de susto ao olhar atrás dela.
–Bruna! –Eu gritei.
Minha irmã virou-se rápido e deu um gritinho esganiçado.
–Você precisa me ajudar. Agora, nesse exato momento, eu, o Douglas e o Pedro estamos do lado de fora do castelo. Você tem que dar um jeito de nos colocar para dentro. O mais rápido possível.
–Você é uma galinha! –Ela disse fascinada.
–É, bem, esse é meu ba. Você precisa nos ajudar, para podermos ajudar você. –Eu disse.
Um buraco abriu-se de baixo dos pés dela e ela caiu. Ficando apenas Carter e eu na colina.
–Você foi tentar uma anistia mesmo sabendo que não pode lutar na guerra? –Ele perguntou levantando a sobrancelha.
–Algo assim. Creio que não posso falar muito.
Fui puxada pelo Duat novamente e agora eu estava pairando sobre o castelo. Lá em baixo, eu vi três adolescentes escorados na parede externa. Um deles estava com a mão em chamas e olhava atentamente para a floresta, do outro lado. Pedro dormia encostado na parede, enquanto eu, eu era um fiasco dormindo. Estava jogada em cima dele.
Meu ba desceu até meu corpo e eu acordei.
–Pedi ajuda, mas não sei se ela vai vir.
Douglas tomou um susto e acabou tocando fogo nas roupas.
–Espero que ela venha. Não quero ficar muito tempo aqui na rua. Aquela floresta me da arrepios. –Ele disse.
Eu olhei para o relógio.
–Eu acho que temos bastante tempo para conversar. Faz tempo que não conversamos. –Eu falei.
Ele olhou para mim, e juro que vi fogo em suas íris. Seus cabelos castanhos haviam crescido desde que chegamos ao acampamento na primeira vez. E ele estava mais forte também.
–Você gosta mesmo da Caroline, né? –Perguntei diretamente.
–Sim. Ela é perfeita pra mim, eu acho. Eu nunca a colocaria em uma situação perigosa como essa. E eu não contei sobre meus outros poderes... –Ele se interrompeu, e percebi que ele estava me escondendo coisas.
–Quais poderes? A mão de ferro? O fogo? Consertar as coisas facilmente?
Ele desviou o olhar.
–Isso ela sabe.
–Então quais poderes que ela não sabe, e que olha só, eu também não sei? –Eu disse tentando parecer séria.
–Não sei se posso falar. Sei lá, é confuso ainda. –Ele disse.
Eu puxei o canivete do bolso e apontei para ele.
–Douglas, tu vai me falar agora quais são esses poderes. Se não, eu vou enfiar esse canivete na tua garganta, e vou fazer tu se recuperar lentamente. –Falei em tom ameaçador.
Por sorte, ele sabia que eu não estava brincando, e começou a falar.
–Eu venho desenvolvendo poderes meio diferentes. Ontem de noite, por exemplo, no meu quarto, eu estava jogando, e então eu me senti dentro do videogame. Tipo, eu entrei, eu era o cara com a arma lutando com todo mundo. Comunicando-me pelo rádio. E quando percebi, voltei á realidade. Eu achei aquilo muito tri. Peguei a câmera e coloquei do meu lado, filmando. E fiz de novo. Concentrei-me e entrei na tela. Era igual ao jogo normal, só que comigo na tela. Quando voltei à realidade e vi o filme. Bem, fiquei chocado. Eu juro que fui absorvido pela tela. Em um momento estava ali, depois eu desapareci, e voltei uns minutos depois. –Ele parou esperando eu absorver a informação.
–Cara, isso é muito legal! –Eu disse. –Quantas vezes já aconteceram?
–Três. Eu estava no notebook, usando o Facebook, e então, eu invadi a tela. Fiquei lá, passeando pelas páginas. E depois quando eu estava na sua página. E pensei que gostaria de ver as fotos do seu computador. Desculpe, mas invadi seu computador sem querer. –Ele disse virando o rosto.
Eu não acreditei no que ouvia. Não estava brava por ele ver meus arquivos ou fotos. Nenhum problema, mas ele conseguia entrar em computadores alheios pelo seu. Investigar qualquer coisa. Milhões de ideias começaram a aparecer na minha mente.
–Dog –Esse é um apelido carinhoso que eu fiz para ele. Meu primo não se importa. –Você tem ideia do que isso significa? Você poderia copiar as provas. Nós poderíamos gabaritar todas as avalições, e ninguém nunca descobriria.
–Com milhares de coisas uteis para fazer, e você pensa em provas? –Ele perguntou incrédulo.
Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu. Uma luz tênue brilhou de uma vela. Uma senhora idosa já, vestindo um robe vermelho, e com uma touca de dormir por cima dos cabelos brancos, estava parada na porta.
–Imagino que vocês sejam Douglas e Luiza, os parentes de Bruna. Venham, não podem ficar ai na rua. –Ela olhou desajeitada para Pedro, dormindo todo torto na parede. –E tragam ele também.
Eu acordei Pedro e pegamos nossas coisas.
–Sigam-me por favor. –Disse a senhora. –Eu sou a professora McGonagall. Ensino transfiguração.
Nós entramos pelo hall atrás dela. O lugar era imenso, várias escadas e portas levavam a lugares distintos.
–Uau, isso é enorme. –Eu disse olhando para cima.
Ela riu.
–Bem vindos à Hogwarts.
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