Dois Lados
29 Capítulo 28
Michael falou por uns dez minutos, todos ficamos em silêncio. Emma ficou chocada pelo fato de ele realmente ter conseguido deixar de ser um feiticeiro, ele não havia explicado como, mas disse que há uma maneira, mas ele deve dar algo em troca. No caso, Kate.
Ele convenceu Emma a conjurar uma mesa, e ela o fez. Logo, ele colocou a caixinha de madeira que segurava em cima dela, e disse as mesmas palavras que Scott disse ao cortar a garganta de Kate. Isso me fez estremecer.
A caixinha se abriu e aos poucos formou um mapa. Mais um mapa sem sentido.
Primeiro foi o das Páginas Negras do livro que Emma tinha, depois o mapa que Mary me deu e agora este.
– O que significa isso? – perguntei.
– Um mapa da Cidade Subterrânea. Partiremos hoje.
– Não pode ser. Eu tenho o mapa. – retrucou Emma. Ela pegou o mapa que havia colado com fita adesiva e o colocou em cima da mesa.
– Isso. – Michael sussurrou. – Isto era o que faltava. Sabia que você o tinha.
– Ok, agora pode nos explicar isso? – ela perguntou.
O mapa era feito de madeira, era estranho, mas parecia muito real. Todas as curvas, as ruas, as casas, as salas, tudo parecia mais claro. Ele pegou o mapa da papel de Emma e o colocou em algo que parecia uma sala enorme no centro. E nesse momento o papel de dissolveu e formou mais um caminho como um buraco no chão da sala.
– Vamos, temos que ir agora! – disse ele.
Nós paramos por alguns minutos, mas ele saiu as pressas da cabana, então resolvemos segui-lo.
Andamos por umas duas horas pelas florestas de Atlanta, e então chegamos em um campo aberto.
– Onde estamos? – perguntou Walt.
– Alabama. – respondeu Michael.
Não víamos nada apenas campo, e uma estrada.
– Ali. Vamos. – disse ele. Ele apontou para uma casinha que tinha na beira da estrada.
– Pensei que tivesse um plano e um lugar para ficarmos. – disse Josh, cansado.
– Bem, na verdade tenho um plano sim, mas não um lugar para ficarmos. Mas temos que nos virar, vamos ver o que conseguimos aqui.
Chegando mais perto, percebi que aquilo não era uma casinha era um casarão de dois andares, com uma pintura suja e mal acabada. Na frente havia uma placa velha de madeira, escrito “Pensão da Srta. Jenkins”.
– Acho que já achei um lugar. – disse Michael olhando para todos nós.
Emma foi na frente com Walt e Michael, depois eu e Josh seguimos eles.
– Ainda não confio nesse cara. – disse Josh baixinho. – Não fique perto dele.
– Josh, não tem com o que se preocupar. – eu parei e olhei nos olhos dele. – Eu o conheço. – eu pus a mão no seu rosto.
– Talvez não. – ele segurou minha mão. – Vamos.
A entrada era um salão não muito grande, havia um balcão de mármore com um telefone e uns papéis e agendas espalhados. Ao lado do balcão havia um pequeno corredor que dava pra escada, provavelmente dos quartos. Do outro lado, tinha um outro corredor que dava para uma cozinha e provavelmente um local para comer.
– Bom dia! – uma senhora de uns 80 anos saiu de trás do balcão jogando mais papéis. Ela tinha cabelos brancos e olhos azuis e puros, usava um vestido florido e um casaco de lã rosa. Ela pôs os óculos no rosto e nos observou. – O que desejam? Um quarto? Refeição?
– Hm... Bom dia. – Emma se pronunciou. – Estamos procurando um quarto... Na verdade, — ela olhou para nós e virou-se para a senhora. – três quartos.
– Ah, que ótimo! Claro, claro. Vamos lá em cima! Não recebo muitos hospedeiros aqui, então podem escolher o quarto que quiserem! – ela pegou uma argola com umas doze chaves enferrujadas e nos guiou até a escada.
– Então, você é a Srta. Jenkins? – perguntou Walt.
– Ah não, querido. – ela sorriu. – Era a minha mãe. Ela criou esta pensão há muitos anos, então resolvi cuidar dos negócios depois que ela desapareceu. – ela, ainda sorrindo, procurou a chave que tinha o número 1. – Meu nome é Tessa Jenkins. Mas podem me chamar como quiserem!
Ela nos guiou para o quarto um.
Era um quarto grande com uma cama de casal, uma cômoda antiga, uma cabeceira com uma gaveta e um abajur, e um banheiro não muito grande.
– Eu e Victoria podemos ficar com este. – disse Josh entrando no quarto. – Não acha bom, Vic? – ele sorriu maliciosamente.
– Sim, é perfeito. – eu ri.
– Ótimo! – Tessa sorriu e nos entregou a chave do quarto.
Depois de uns minutos todos já estavam instalados em seus quartos. Emma e Walt haviam arranjado um quarto na frente do meu, com duas camas de solteiro, porque Emma não queria dormir com ele. E Michael ficou com o quarto 8, parecido com o meu, no final do corredor.
– Muito bem, queridos. Água quente à noite e pela manhã até 11h. Café da manhã das 6h às 10h, almoço de 12h às 14h, e o jantar de 17h às 20h. Sintam-se a vontade! – disse Tessa sorrindo simpaticamente.
Eu estava cansada demais. Apenas tomei um banho, vesti uma camiseta e um short confortável e me deitei. Poucos minutos depois Josh se juntou a mim.
– Não era bem assim que eu imaginava nossa noite. – ele riu.
– Bem, nem eu. – respondi. – Talvez amanhã... – eu bocejei e fechei os olhos.
– Você acha esse cara realmente confiável? – eu abri os olhos. – Digo, Emma nos disse que a Cidade Subterrânea estava perto, e de repente viemos parar no Alabama, no meio do nada! – ele se virou para mim.
– Eu não sei. Mas... O que mais nós temos? Quero dizer, tínhamos o mapa de Emma, mas não dava em nada, o mapa de Mary, mas também não dava em nada, tínhamos que sair de lá, antes que mais alguém... se machucasse. – falei com tristeza.
– Tem razão. Mas, devemos ter cuidado. Ele não me parece o melhor cara para seguimos para uma cidade fora do mapa. – ele pôs a mão no meu rosto e beijou minha testa. – Agora vá descansar. – ele deu um sorriso brilhante que há tempos não via. Parecia que depois daquele lugar ter ficado pra trás, Josh estava mais feliz. Na verdade, acho que todos nós estávamos. Aquele lugar nos deixava mais amargos a cada dia. Não podíamos ficar lá.
– Ok. – eu sorri de volta e dormi.
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