Dois Lados

27 Capítulo 26


– Você está bem? – Acordei com Walt segurando meu braço e pondo uma toalha na minha testa.

– O que? Hm... – eu demorei um pouco para entender o que ele estava fazendo. – Pra que isso tudo? Eu só estava dormindo!

– Você estava suando demais e se mexeu a noite toda, não consegui dormir direito. – disse ele rindo.

– Ah... Me desculpe, eu... – comecei a lembrar do meu sonho totalmente sem sentido. Como sempre.

– Tudo bem, já estou me sentindo inútil demais. Então resolvi acordar pra tentar ajudar em alguma coisa. – disse Walt se afastando um pouco.

– O que? Inútil?

– Sim! Inútil! Primeiro não pude fazer nada para salvar Kate. Digo, eu poderia ter a sua coragem, ou os poderes de Emma, ou a força do Josh, mas não. Sou apenas... mais um para atrapalhar vocês. Além do mais, nunca teria chance de...

– Walt! Pare de se colocar pra baixo. Você não teve culpa de nada! Eles te prenderam! E você é forte sim. Mas, aqui dentro. – pus a mão em seu peito. – Do que adianta uma força física, quando não se tem um coração forte?

– Para, Victoria! Para! Ok? Não é isso, não é nada disso! Para com essas coisas sentimentais! – disse ele aumentando o tom da voz. – O problema é que...

– Qual é o problema? – perguntei. Já estava ficando irritada com o jeito que ele estava falando comigo.

– O problema é que eu te amo. E eu não posso fazer nada pra te proteger! Nada! É isso! – ele passou a mão na cabeça. – Do que adianta um “coração forte”, – falou com um tom irônico. – quando a qualquer momento você pode ser atacada por um feiticeiro... psicopata, ou sei lá, e eu não vou poder fazer nada, só assistir você ser salva por eles!

Eu não sabia o que dizer. Ele estava surtando. Ele me amava. Ele ainda me amava. Emma e Josh haviam entrado e escutado tudo.

Josh ficou estático e Emma pareceu, pela primeira vez, magoada. Ela estava de olhos arregalados e lágrimas começaram a se formar em seus olhos. Emma nunca deixava transparecer nenhum sentimento. Muito menos quando estava triste.

Então, rapidamente ela voltou a sua velha expressão de frieza e saiu da cabana.

Walt se virou e percebeu que tinha falado aquilo na frente de Emma e Josh. Que tinha feito a maior besteira da sua vida.

– O. Que. Você. Disse? – falou Josh fuzilando Walt com o olhar.

Walt apenas balançou a cabeça e saiu atrás de Emma. Pelo menos foi o que eu pensei.

– Josh... Não se preocupe. – segurei seu rosto.

– Eu não estou preocupado. É só que... Não gosto de ver outros caras se declarando pra você assim.

– Hm, alguém está com ciúmes! – eu ri.

– Não estou com ciúmes. – ele franziu a testa.

– Mas é claro que está. Agora deixa de ser estressadinho e me diz. O que você e Emma encontraram?

– Uh... Na verdade não muito. Ela disse que esse era um mapa muito raro, perdido há 198 anos. Dois anos depois da maldição. Ele leva para o caminho mais fácil da Cidade Subterrânea.

– Então, quer dizer que temos que ir pela Cidade, salvar os próximos sacrifícios, e ir para a cripta?

– Sim. Desse jeito fica bem mais fácil. Digo, é um só caminho. Mas... há um problema... – disse Josh segurando minha mão.

– Que problema?

– A passagem está dentro da caverna... Aquela caverna. E você, não pode entrar nela...

– Não, Josh! Tem que haver outro jeito! Afinal, vamos rápido, não é? Temos o mapa, sabemos onde entrar, então podemos ir logo! Dá tempo!

– Não, Vic, não é seguro. Não queremos chamar a atenção de mais feiticeiros. Você tem que estar protegida. Vamos ter que pensar um jeito. Ok?

– Não. Nós vamos. Não podemos ficar aqui nem mais um segundo. Vou falar com Walt.

– Não! É melhor não...

– Josh! Você tem que deixar esse ciúme de lado. Precisamos de todos juntos. Vamos pensar em algum plano.

Eu saí da cabana ainda era manhã cedo, pensei que tinha dormido por tantas horas, meu sonho foi tão longo, mas dormi apenas por 4 horas.

A manhã estava fria e confortável. Encontrei Emma sentada na pedra da clareira, então fui até lá.

– Emma! Onde está o Walt? Josh me contou tudo, temos que pensar...

– Não sei. – respondeu ela com frieza.

– Emma... Está tudo bem?

– Claro. Por que não? Vamos voltar. Resolvemos isso amanhã. Eu posso fazer um café da manhã pra vocês...

– Não, Emma. Não temos tempo. E eu sei que você não está bem. Mesmo nos conhecendo por poucos meses eu sei que você tenta esconder qualquer coisa atrás dessa sua frieza toda. Mas, eu vou te deixar pensar, se quiser falar... Estou aqui.

Me levantei e adentrei na floresta para procurar Walt.

– Walt? Walt?! – gritei por uns dois minutos, até me dar conta de que essa não era uma boa ideia. Não queria chamar atenção de ninguém que pudesse estar me procurando.

Andei por partes da floresta que nunca tinha entrado e não o encontrei. Talvez já tivessem passado horas, então resolvi voltar para checar se ele havia chegado lá.

Já era quase de tarde, o clima parecia esfriar cada vez mais, uma névoa gelada cobria o chão até os meus tornozelos, era assustador. Então resolvi ir mais rápido.

De repente, algo chegou por trás e pôs a mão na minha boca. Tentei gritar e me debater, mas de alguma forma, aquela pessoa, que parecia um homem me imobilizou de uma forma assustadora. Tentei procurar saídas, algo próximo que eu reconhecesse. Rezei para que Josh, Emma ou Walt me encontrassem, mas ninguém estava por perto. E então o medo me tomou.

– Não, grite, por favor. – disse uma voz densa no meu ouvido. Ele me levou para fora da clareira e me pôs próxima a uma árvore larga.

– Quem é você? – disse eu tentando sustentar o mínimo de coragem que ainda restava. O homem estava com uma máscara velha preta apenas com os buracos dos olhos, que visivelmente eram castanho claro.

Ele tirou a máscara e deu um suspiro como se o sufocasse. Michael. Era o pai de Kate.

– Sr. Trumman? – falei ofegante. Um alívio correu pelo meu corpo, minha cabeça latejava, mas uma ponta de medo ainda me tomava.

– Sim. Pode me chamar de Michael. Eu soube o que houve... – ele deu uma pausa.

Ele sabia de Kate. Mas como?

– Mas, preciso lhe ajudar. Você precisa derrotar aquele... miserável, filho da mãe! – sua voz ficou mais grave. – Ele prometeu que só a faria de Missionária, apenas. Mas não, que a mataria! Você precisa derrotar essa espécie de assassinos, Victoria.

– Mas, por que... Como você sabe disso tudo? – Eu não sabia se corria ou se ficava para ouvir o resto da história. Nunca estive tão confusa.

– Isso não importa agora. O que importa é que você tem que usar a Varinha. E sair daqui. Outros feiticeiros já lhe rastrearam. Você entende a importância disto? – ele parecia confuso e nervoso também, como se estivesse com pressa.

– Varinha? Que Varinha? – o medo me tomou novamente. Eu fui rastreada por mais feiticeiros. Mais assassinos que logo viriam atrás de mim, brincar com minha vida, com as pessoas que eu amo, e depois me matar. Ele tinha razão eu tinha que derrotá-los.

– Você não sabe da Varinha? – ele pareceu atordoado. Começou a andar de um lado a outro passando a mão na cabeça.

– Pare! Que Varinha é essa? O que ela tem de tão importante.

– Emma não a explicou. – murmurou para ele mesmo. – A Varinha é o único jeito de você derrotar os feiticeiros, Victoria.

– Mas... E o Poder?

– Ah, você ainda não sabe da metade da história, minha querida. – ele se aproximou. – Mas é melhor andarmos se você não quer ser morta. Vamos checar se seus amigos estão vivos.

Notas finais
Próximo capítulo, vai haver um P.O.V (Point Of View) da Mary Anderson. Onde ela vai narrar parte da história, do Outro Lado, onde ela vive. Espero que gostem :*