Dois Lados
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Depois eu aviso de quando em quando eu vou postar!
Bjs, obrigada a quem leu :)
Eu soltei a carta que logo Walt apanhou. Eu não queria que ele visse aquilo, mas eu estava muito chocada para impedi-lo.
– O que houve? O que é que tem? Você tem medo de serviço de lavagem de roupa? – perguntou Kate olhando para a... “Foto”.
– O que? – eu peguei a “foto” da mão dela. – Você não está vendo? – eu mostrei para eles.
– Vendo o que? – Walt perguntou.
Sem que eu pudesse falar nada, apontei para a mão de Walt. Ele olhou o papel e leu atentamente.
– “... Foi cancelada” – ele franziu a testa – Sua assinatura da Upgrade Magazine foi cancelada.
Como assim? Eu não entendia. A foto... A mensagem... O que era tudo aquilo? falei pra mim mesma. Sentei na poltrona e respirei fundo.
Eu peguei a carta e a foto, e tudo era realmente o que eles estavam dizendo. Uma carta de cancelamento, e uma foto de uma propaganda que vinha em todas as correspondências, da lavanderia.
– O que você viu? – perguntou Kate, colocando a mão no meu ombro.
– Nada... Eu só... – coloquei as coisas no envelope e guardei na gaveta da cabeceira do meu quarto.
Walt havia sentado no sofá e estava limpando o tênis com um pano que Kate havia arranjado. E ela estava sentada ao lado dele.
– Alguém quer chá gelado? – eu ofereci. Eles assentiram e Kate foi me ajudar.
Nada naquele dia tinha feito sentido. Nada. Mary foi morta, aquela foto, aquela mensagem. Será que era de Mary? Não, não pode ser. Ela morreu. Acho que estou apenas muito agitada pelo que aconteceu.
– Mãe! – anunciei, pulando do sofá onde comia uma tigela de cereal.
– Oi, filha! – ela havia chegado cheia de sacolas com comida e alguns papéis. Eu fui a ajudar.
– Então? O que teve na escola hoje? – ela sorria para mim. Eu não sorria mais, eu apenas olhava para ela.
– Mary Anderson... – eu não consegui continuar.
– Meu Deus... O que aconteceu? Ela... – minha mãe me abraçou. – eu vou ligar para a Tammy, ela deve estar preocupada. – Tammy era a mãe de Mary e Walt elas eram melhores amigas desde a escola, por isso nossas famílias eram tão unidas.
– Não... Mãe, acho que ela ainda não sabe...
Minha mãe desligou o telefone e o colocou no gancho. Ela começou a tirar as coisas da sacola e a guardá-las com rapidez. Minha mãe costumava fazer isso quando estava triste. Não dizia uma palavra e fazia as coisas, muito rápido. Então, resolvi deixá-la sozinha e fui pro meu quarto.
Eu deitei na cama e olhei a hora ainda eram 7h da noite, Walt e Kate tinham ido pegar suas coisas para dormir na minha casa.
E então, eu caí em mim. Mary Anderson morreu. Minha melhor amiga... Quando éramos crianças. Mesmo depois de ela ter se mudado para cá, Walt continuava sendo meu amigo, mas ela se distanciou de mim. Mas, se qualquer forma, ela foi minha amiga, e eu nunca faria nada para machucá-la. Mas agora, tudo acabou.
Me lembro de uma vez, quando eu e ela estávamos debaixo da árvore na fazenda dos pais dela, e ela me contou seu sonho, de como seria seu casamento. Ela sonhava em se casar ali debaixo daquela árvore. Ela costumava descrever seu vestido, todas as vezes que íamos lá. E todas as vezes ela mudava alguma coisa.
Costumávamos brincar de boneca na casa de árvore da minha casa, mas como Walt não gostava disso, ele ficava de fora. Nunca gostei muito disso, mas a Mary adorava. Porque era como uma vingança de todas as vezes que ele roubou a sua sobremesa.
Eu lembro que uma vez, Walt me pediu em casamento. Tínhamos sete anos, e Mary estava escondida assistindo tudo. Eu, não aceitei, mas achei muito fofo, de todo jeito ele me deu o anel de plástico que havia roubado das coisas de Mary.
– Vic? – era a minha mãe, me arrancou do meu profundo devaneio que me fez chorar. Eu me levantei e sentei na cama. Eu não conseguia parar de chorar. De qualquer jeito eu ainda iria sentir a falta dela. – Vic! Não chore. – ela me abraçou.
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