Dois Lados
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Tem um capitulo especial agora pra vocês! Espero que gostem, e mandem reviews! :)
Depois daquele dia, passei minhas manhãs sozinha, e a noite, Walt e Kate, dormiam comigo. Josh vinha todas as tarde e sempre me trazia um sanduíche ou o meu Milk Shake favorito da lanchonete da cidade.
Não posso dizer que meus dias foram ruins, mas também não foram bons. Tive a sensação de estar em outro mundo, um lugar a onde eu não pertencia. Como tudo poderia ter mudado em apenas um mês e meio?
E tudo caiu sobre mim.
E então, ouvi uma explosão.
- Victoria! Victoria! – gritava Emma da janela. Peguei meu casaco e saí para o deck onde ela estava freneticamente andando de um lado a outro.
- O que houve? Você ouviu isto?
- Sim! Foi exatamente por isso que eu vim! Precisamos sair de Garwood agora! – ela gritava à medida que o som do ar ficava mais alto.
- Espera! Do que você está falando?! O que está acontecendo?! – tentei gritar do mesmo tom, mas o vento era tão forte que quase comprimiu minha voz.
- Não tenho tempo pra explicar! Eles estão aqui! Estão atrás de você!
Rapidamente, eu peguei o telefone e liguei para Walt, Josh e Kate e entrei no carro de Emma que estava ligado.
E então, uma explosão ainda maior. E nós caímos.
- Victoria? Alô? Victoria você está ai? – gritava Kate do telefone. Walt já estava na casa dela.
Não conseguia ver muita coisa, apenas uma fumaça escura que envolvia toda a cidade. Peguei meu celular e tentei me levantar devagar, quando vi uma silhueta. Vindo do beco entre minha casa e a casa de Kate. Era um homem, estava correndo, se aproximando cada vez mais.
Assustada eu fiz mais força para levantar, não podia ser pega ali. E então, ele me segurou. E me ajudou a levantar.
- Josh? – a imagem era meio embaçada.
- Sim. – ele ofegava e me segurava forte. – Temos que sair daqui! – Não sei se sua voz era baixa, ou se a explosão havia me deixado um pouco surda.
- Não... – fazia força pra falar. – Emma... Temos que...
Ele me segurou e me colocou de pé. Eu sentia algo que não era nada relacionado à explosão, afinal só sentimos o impacto, nada de mais. Além do corte na minha testa, estava tudo bem.
- Victoria! – ela passou a mão na minha testa. – Vamos! Onde estão os outros?! – sem esperar resposta ela correu para a casa de Kate.
- Ai... – coloquei a mão na testa e o corte havia sumido.
De repente, me vi dentro do carro com Kate, Emma, Walt e Josh. Já estávamos na estrada para Atlanta.
Acordei lentamente, e só vi algumas plantas refletindo a luz do farol, naquela madrugada fria. Eu estava encostada no braço de Josh, que me cobrira com um edredom grosso e pesado, e acariciava meu cabelo, enquanto abria os olhos.
- Oi. – ele sorriu pra mim e me deu uma garrafa de água que estava pela metade. Eu a bebi.
Emma dirigia o mais rápido que podia, Kate do seu lado tremia de frio e de medo. Walt estava do meu lado, incomodado pelo pouco espaço que lhe sobrara. Então, me ajeitei e fiquei ereta, esperando alguém dizer alguma coisa.
Olhei para o rosto de cada um. E percebi que Kate estava pálida, e com uma mancha roxa ao redor de seus olhos.
- Kate... Você está bem? – disse com dificuldade. Ela olhou pra mim rapidamente. E então me arrepiei.
A imagem era horrível. Seu cabelo estava desgrenhado e sem brilho, seus olhos pareciam cansados, sua pele era mais pálida do que o comum. Não parecia nada com a Kate que eu conhecia.
Neste momento, Josh me puxou pra trás e me fez encostar no banco. Ele também olhava assustado pra ela, nunca tínhamos visto nada assim.
A viagem foi longa. Não sabia onde estava. Mas, quando o Sol começara a nascer, Emma parou em uma lanchonete no meio do nada, que havia acabado de abrir.
A lanchonete, não era uma das melhores, ela parecia ter um estilo retro, mas muita coisa ainda faltava na decoração. Muitos reparos nas paredes e nos pisos, e algumas de suas cadeiras, manchadas no assento. Não era nada confortável. Mas, estava morrendo de fome, e com certeza os outros também estavam, então nos sentamos em uma mesa longe da porta e esperamos a garçonete vir.
Era uma mulher corpulenta de cabelos alaranjados, com sardas no rosto, de olhos verdes opacos e cansados, usava um avental listrado vermelho com branco, manchado de molho. Ela segurava uma prancheta de madeira um pouco velha e uma caneta mordida na ponta.
- Bom dia. – ela disse, nem um pouco animada. – O que vão querer?
Olhamos uns pros outros. Não tínhamos falado nada, desde que vi a aparência de Kate. Parecia estranho agora, começarmos a falar. Mas, respirei fundo e quebrei o silêncio:
- Hmm... Vou querer duas panquecas e um copo de suco de laranja. – tentei sorri, mas a mulher não parecia nem um pouco feliz.
- Com calda?
- Sim.
- E vocês? – ela apontou a caneta para eles.
- O mesmo. – disseram todos de uma vez.
A garçonete franziu a testa, anotou o pedido, se esforçando para enxergar, e saiu.
- Vocês vão mesmo continuar nessa? Eu sou a “procurada” aqui! Eu sou quem eles querem! Eu deveria estar mais preocupada do que vocês! – eles olhavam para baixo. Emma tentou olhar para mim, mas percebi que parecia difícil. – Qual é gente? – me apoiei na mesa na esperança de ouvir algo, mas logo desisti, e me joguei no encosto da cadeira.
E então, ouvimos um som. Mas, não era alguém falando. Era Kate. Sussurrando ou gemendo...
Ela, então, começou a olhar para a janela que ficava bem ao seu lado, e passou a unha repetidas vezes no vidro.
- Kate... – eu disse. Todos a olhavam. Mas, ela continuava fazendo isso, e cada vez mais forte. – Kate. – e ela conseguiu arranhar o vidro. Suas unhas não estavam grandes, então exigia mais força ainda para que ela pudesse arranhar a janela. – Kate!
Suas unhas sangravam. Ela parecia uma louca, compulsiva, ofegava e gemia, e cada vez mais arranhava o vidro. Todos ficamos assustados.
- Kate para com isso agora! – gritou Emma. E ela parou. Eu ainda não consegui entender o objetivo dela nisso tudo, mas de certa forma estava ajudando. Ela parecia assustada também. Colocou a mão na testa, respirou fundo e pegou no braço de Emma. – Vamos... Ao banheiro. – ela colocou Kate do seu lado e seguiu para o banheiro.
Eu olhava para todos eles, que ainda estavam assustados. Josh, um pouco mais calmo, juntou alguns guardanapos e limpou a janela, quando viu a garçonete chegar.
- Está aqui. – ela jogou os cinco pratos na mesa fazendo-os deslizar para os seus lugares. E saiu.
- O que houve com ela, Victoria? – Emma perguntou, vindo do banheiro. Ela era fria e me olhava com calma.
Eu fiz um sinal para que ela pudesse sentar. Queria que todos ouvissem. Não queria ninguém de fora.
- Ela me contou que uma noite, alguém invadiu a casa dela e... – eu parei. E percebi que havia realmente sido um feiticeiro. – a levou para um lugar em baixo de sua casa. E este homem, fez tipo um feitiço para que ela virasse uma Missionária. E agora, a “missão” dela é me matar. Ela contou que o feiticeiro disse que aos poucos, ela iria mudar, até virar uma Missionária...
- Completa, e te matar. – Emma continuou. – É... – ela se encostou e respirou fundo.
- Você tem me ajudado esses dias... E... Você é uma feiticeira, não é? – ela assentiu. – Será que você... Não poderia fazer alguma coisa?
- Eu não sei. Assim como existe Missionários Completos, existem Feiticeiros Completos. Só temos total poder de tudo, quando completamos 19 anos. E aí, qualquer tipo de feitiço está ao nosso alcance. Mas, até lá, não posso dar conta de tudo sozinha.
- E por que você veio sozinha? – Josh perguntou.
- Porque eu não concordo em matar pessoas inocentes. Elas não tem culpa de ter nascido Descendentes.
- Mas, você sabe que os feiticeiros tem risco de perder seus poderes, e por isso eles os matam. – eu falei.
- Vic... Victoria. – era Kate.
- Kate. Você está bem? – ela parecia melhor. Sua pele voltava à cor normal, seus olhos brilhavam e ela havia ajeitado o cabelo.
- Eu preciso voltar pra Garwood. – ela não esperou eu responder. – Eu não estou pedindo, só estou avisando. É o melhor para todos nós.
- Kate, nós vamos dar um jeito...
- Dar um jeito em que? Em mim? Só aquele idiota pode tirar isso de mim! Eu não posso continuar tendo esses surtos! Eu posso te matar a qualquer momento! – ela olhava pra todos nós desesperadamente. – Quer saber? Eu nem sei por que estou discutindo isso. – ela chorava. – Quando chegamos, eu vi que tem um lugar onde se aluga carros, há uns 20 metros daqui. Eu vou andando, alugo um carro e volto pra cidade.
- Kate, você não vai pra canto nenhum! Você vai com a gente pra Atlanta! É a Victoria que meus pais estão procurando, e não a gente, mas estamos aqui pra proteger ela! E se você não sabe, eles não acham os Descendentes e matam de uma vez, eles vão atingir ela de todas as formas possíveis, até não sobrar nada, nem ninguém que ela goste! Então, você também está na lista! Agora senta e come essa porcaria de café da manhã! – Emma parou. Sentou. E não olhou mais para ninguém, até entrarmos no carro de novo, e seguirmos viagem.
Fale com o autor