Dois Lados

13 Capítulo 12


Notas iniciais
Respondendo aos pedidos das minhas leitoras mais fiéis e mais ansiosas! KKK' vou postar hoje mesmo o capítulo 12! Espero que gostem!

Próximo, só Domingo!

Ouvi uma batida na porta, ainda eram 3h da tarde, e eu havia acabado de voltar da casa da minha tia na Louisiana. Eu abri a porta.

- Você vem comigo! – era um homem de voz muito grossa e de uma barba mal feita. Ele era alto e pálido, e vestia um capuz preto. Ele me pegou pelo braço me arrastando pela casa, checando para ver se tinha mais alguém na casa.

Minha mãe estava no quarto desfazendo a mala junto a meu pai. E o homem estendeu a mão para o meu pai fazendo ele voar e bater as costas no guarda-roupa. Eu não pude acreditar. Como ele fez aquilo? Mas, ele não parou. Ainda me segurando ele jogou minha mãe no chão e a fez sair do quarto.

Minha mãe e eu chorávamos muito, vendo meu pai desmaiado no guarda-roupa quebrado. O homem impedia que eu e minha mãe nos aproximássemos dele.

Então, ele estendeu a mão em direção ao chão do quarto e começou-se a abrir um buraco. Naquele buraco, ele me jogou e logo em seguida pulou comigo.

Aquela era uma passagem secreta. Eu nunca iria saber que bem debaixo da minha casa, havia um túnel que levava a uma sala. A sala era bem decorada, e não parecia velha ou suja, apesar de ter a decoração um pouco “medieval”.

Mas, antes que eu pudesse prestar atenção em quem estava ali, ele se pôs a minha frente, e de sua mão saiu algo como uma fumaça preta, que me fez dormir.

Quando acordei, estava deitada em uma bancada de mármore, ainda naquela sala, que não me deixava nada confortável. Eu ainda estava um pouco sonolenta, e tentei olhar para os lados, e percebi que meus braços estavam amarrados nas extremidades daquela mesa. E meus pés também. Havia um líquido vermelho pingando no meu braço... Era sangue. Eu olhei para cima e um vidro deixava pingar aquele sangue em mim. Naquele corte. No corte que havia no meu braço.

Foi o que me deixou totalmente lúcida. Eu fui sequestrada por um homem estranho que tinha “poderes” e agora eu estava em uma sala secreta em baixo da minha casa, onde eu tinha um corte enorme no braço e um sangue estranho pingava em mim, enquanto eu estava desmaiada.

Então, comecei a gritar. E o homem surgiu de uma porta dourada que havia ali perto, mandando eu calar a boca. Agora eu podia ver o seu rosto. Ele era assustadoramente... Bonito. Seus olhos eram verdes muito claros. Tinha os cabelos negros iluminados pela luz das velas que estavam acesas, e sua barba agora estava direita. Ele aparentava uns 45 anos, mas ainda sim, era bonito. Mas, me assustava.

- Você vai fazer uma coisinha pra mim. – ele disse limpando uma adaga em um pano branco. Eu não respondi. – Você precisa me ajudar.

- O que você vai fazer comigo?

- Nada. Só quero que você tire sua amiga da “jogada”.

- O que?

- Você já foi um preço, que agora está “pago”. – ele fez aspas com as mãos. – Seu pai era muito destemido, eu me impressionava com ele. Mas, é uma pena que ele tenha ido para o lado errado, não é? – ele deu um sorriso de lado.

- Do que está falando? Você conhece meu pai?

- Ah, se conheço! Nós sempre fomos amigos, até ele mudar de lado. Nossa missão sempre foi matar os descendentes de Anis e Zyah, mas o seu pai deu uma de “bonzinho” e simplesmente, salvou a raça deles. – ele parecia com raiva agora.

- Meu pai? O que...

- É ele era um feiticeiro, assim como eu. Mas, ele perdeu os poderes, para que ele pudesse... Ter você. – ele pegou no meu queixo e olhou nos meus olhos.

- Feiticeiro? Do que está falando?

- Pare de fazer perguntas idiotas, garota! Michael fez um acordo para que nós, feiticeiros, não pudéssemos matar ele. Ele daria sua primeira filha para nós. E ela seria uma Missionária. “O que é missionária?” – ele fez uma voz imitando uma garotinha. – Missionária, quer dizer que você sendo mortal, irá fazer um trabalho para nós. Matar o próximo descendente de Anis e Zyah.

Eu olhei para ele com medo. Mas, tentei ser forte.

- Se mataram o primeiro descendente, não precisaríamos matar os outros, porque... Ele não existiriam!

- Ah, mas é claro! Só que, caso você não conheça a história, Anis, a mulher de Zyah, sabia que iriam querer matar os seus dois filhos, então ela criou um feitiço, onde todos do vilarejo deles teriam o DNA do casal. Criando assim, uma legião de descendentes.

- E o que você quer que eu faça? — perguntei tentando me soltar das cordas.

- Mate a descendente.

- Por que eu? Quem é a descendente? – comecei a me desesperar, coisa que já devia ter feito há muito tempo.

Ele não respondeu. Só se estendeu e desligou a torneira que deixava o sangue pingar em mim. Sem que eu sentisse ele juntou os dois lados da minha pele e costurou com uma linha preta, que não parecia nada cirúrgica.

- Já está na hora. Ela já descobriu sobre a sua linhagem. Mate-a. Mate a Victoria Miller. – ele falou próximo a mim. Não. Eu não podia matar minha melhor amiga...

- Não! Não! – ele me soltou e me fez levantar.

- Não se preocupe, você não vai se lembrar de muita coisa. Você agora é a minha Missionária. – ele sorria. – Logo, logo vai fazer efeito. – ele segurou o vidro de sangue.

...

- Desde este momento eu não me lembro de nada. – foi o que a Kate me contou. Foi o que aconteceu com ela.

Eu não conseguia falar nada. Ela foi “modificada” para me matar! Eu era realmente a descendente de Anis e Zyah. Eu iria salvar os espíritos e fechar todas as portas. As portas entre os mundos, onde os feiticeiros podiam andar entre o mundo dos mortais e imortais. E controlá-los. Era isso que a Mary queria. Sair do controle deles. “vocês mortais...”, me lembrei do que a Mary tinha dito. Então eles eram imortais... Assim como os feiticeiros.

Eu abracei Kate que chorava ao me mostrar a cicatriz no braço.

- Estou com medo. Muito medo. – ela me abraçava forte. – Eu não quero ter que te... Matar. – eu estremeci ao ouvir aquilo.

- Não, você não vai ter que fazer isso.

Ao chegarmos na escola, Kate ainda estava um pouco abalada, mas tinha força suficiente para contar a Walt tudo o que estava acontecendo.

Walt era uma pessoa compreensiva e sempre sabia o que fazer nas horas ruins. Exceto pelo dia da Welcome Party, mas ele estava triste demais para pensar em uma solução.

Agora era a única aula em que fazíamos nós três juntos, e era o que nós precisávamos. Ficar juntos.