Dois Lados

12 Capítulo 11


Notas iniciais
Muito feliz por vocês estarem lendo e gostando da minha fanfic! Vou lembrar de cada um de vocês para sempre :* Continuem comentando :)

A casa dele era sofisticada demais para uma casa vitoriana. Ela tinha um estilo antigo por dentro, coisas feitas de madeira escura, estantes de livros espalhadas por toda a sala de estar, onde tinha um sofá de três lugares de veludo azul escuro, com detalhes dourados.

Ele me encaminhou até seu quarto, que não era tão diferente do resto da casa. Só a TV parecia mais moderna e seu computador.

– Você pode sentar aqui. – ele puxou uma cadeira para mim e sentamos em uma mesa que estava bem no meio de seu quarto enorme.

Antes que pudéssemos começar a estudar, eu comecei a tossir.

– Está tudo bem? – ele batia de leve nas minhas costas. – Eu vou buscar um copo de água pra você! – quando ele passou pela porta eu corri para as estantes de livros dele.

– Livro vermelho, livro vermelho... – eu corria os dedos pelos livros verdes e marrons dele, mas nenhum vermelho.

Eu olhei de baixo da cama, e andei por todo quarto, até que...

– Ai! – eu tropecei em um pedaço de madeira do piso que estava levantado. Me abaixei e puxei a madeira que estava quase solta.

Ali estava o livro. Capa vermelha escura, de veludo. Com as iniciais douradas na vertical “AZ”. Não sabia, nem tinha ideia do que aquilo queria dizer, mas o peguei e pus na bolsa. Segundos antes de ele entrar pela porta, voltei a sentar.

– Melhorou?

– Sim. Mas, obrigada mesmo assim. – eu sorri e peguei a água.



...



Eu joguei minha bolsa na cama e peguei o livro. Sentei e o abri na primeira página.


“Anis e Zyah. Duas pessoas. Uma decisão.”

E comecei a ler as outras páginas.



...



Já eram 5h da manhã, e eu ainda estava lendo aquele livro. Havia muitas coisas ali, eu precisava falar com a Mary, mas ela não aparecia. Pode parecer estranho, mas eu chamei ela umas duas vezes, mas não ouvi nada, então parei.

Já estava muito cansada, mas tudo o que tinha naquele livro me intrigava demais. Eu não acreditava que eu, Victoria Miller, poderia... Não! Isso só pode ser mentira! Como que... Não. Não posso me deixar levar por isso. Preciso da Mary. Mas, agora vou dormir, porque amanhã será o interrogatório.



...



Eu me levantei devagar e fui até a cômoda e peguei um laço de cabelo que costumava usar quando pequena, não sei o porquê de eu ter feito isso, mas o amarrei delicadamente em um rabo de cavalo.


– Bom dia. – disse minha mãe da cozinha, quando eu descia as escadas.

– Bom dia, mãe e Alice. – eu sorria... De nervosa.

– Você está bem?

– Sim. – Não.

– Victoria, não fique nervosa ou com medo, eles só vão te perguntar o que você estava fazendo naquela hora. – mas, eu não estava nervosa por causa do interrogatório, mas sim pelo que eu li na “noite passada”.



...



Quando eu cheguei lá, Kate estava sentada ereta na cadeira de espera, o que ela nunca fazia. Geralmente, ela costumava andar de um lado para o outro quando estava nervosa. Não que ela parecesse nervosa agora, ela parecia... Assustada.



– Kate. – eu sentei ao lado dela.

– Por que você não me contou antes? – ela olhou frio pra mim. Seus olhos estavam vermelhos e opacos. Parece que eu não tinha sido a única a não dormir na noite passada.

– Contar o que?

– Podem entrar. – um policial nos indicou à sala do Detetive.

– Bom dia... – ele checou os papéis. – Victoria e Kate.

– Então, sentem-se. – nós sentamos em silêncio. – Kate. Você foi a primeira acusada de tudo isso. Tem algo ao dizer?

– Não. – eu olhei assustada para ela. – Não fui eu. Não estava lá. – ela ainda parecia fria e seus olhos pareciam olhar para o nada, apesar de estar mirando nos do Detetive.

– Victoria. – ele se virou para mim. Eu não podia acreditar que ela estava falando isso. Ela passou a semana me atordoando com isto, e agora a única coisa que ela diz é isso. Claro que eu não queria que ela desse um de seus histéricos discursos, porque pensariam que ela estava omitindo algo, mas ela estava sem emoções. Nada. Oca.

– Eu estava com Kate, tínhamos chegado havia uns 10 minutos, e nós nem subimos. Eu esperei ela falar com todos e fomos até a secretaria pegar o horário de aula, quando vimos Walt e um garoto, acho que o Ray, brigando, e então, foi quando o Walt nos mostrou que a Mary estava morta.

– Ah! – gritou Kate. Ela gritou muito alto e seu grito parecia sufocado, mas ao mesmo tempo parecia estourar meu cérebro. Ela não gritou como geralmente fazia, sua voz falhava, porque ela chorava muito.

Eu e o Detetive Williams tentamos segurar Kate. Ela segurava a cabeça apertando seus cabelos mal penteados e se jogava nas paredes tentando fugir.

– Kate! Kate! – eu gritei e a forcei a me abraçar. Foi quando ela parou e se agarrou com força no meu casaco. –Está tudo bem. Está... Tudo bem. – nós ofegávamos muito, tudo parecia um sonho. Quem sabe não era? Eu apertar os olhos para ver se acordava, mas não. Não era um sonho.

Aos poucos Kate se soltou e enxugou suas lágrimas em um lencinho que o Detetive estendera para ela. Pus a mão na testa e tentei falar algo, mas não conseguia me lembrar de nada, nem de como falar.

– Eu quero ir pra casa. – Kate se agarrava nas mangas de seu suéter e suava frio, ao passo que parava de chorar.

Eu olhei para o Detetive como se pedisse permissão para sair e levar Kate para casa. Mas, ao mesmo tempo, eu não queria sair. Porque este era o interrogatório, na qual nós estávamos sendo acusadas de matar uma garota. E eu não queria passar por isso de novo.

O Detetive indicou a porta em silêncio e depois voltou-se para a sua prancheta onde anotou algumas coisas, sem nem mesmo dizer nada. Eu levei Kate pelo braço até meu carro.

– Me desculpe, mas houve um imprevisto e teremos que remarcar o interrogatório, mas ainda não tiramos as acusações de vocês. – o Detetive falava com um garoto na porta da delegacia. Ai meu Deus, era o garoto misterioso que também estava sendo acusado de matar a Mary também.

– Ei! – o garoto que agora estava sozinho na escada da delegacia se virou.

Ele olhou para mim, mas principalmente para Kate. Ele não tinha expressão nenhuma. Nem um mínimo olhar significativo. Seus olhos eram pretos e profundos, seus cabelos estavam escondidos pelo capuz do casaco preto que vestia.

Eu não conseguia de encarar ele. E ele de encarar Kate. Ela estava olhando para o nada, parecia não estar ali. Estava jogada nos meus braços. Então, percebi que, aos poucos, que seu olhar estava se tornando malicioso, então coloquei Kate no carro. E fui até ele.