Dois Laços

3 3/17 Uma proposta de um passado renovado


Marvin chegou ao restaurante, olhando para os lados e procurando a pessoa com quem tinha marcado encontro. Não demorou até encontrar. Sentou na mesa sem cerimônia, segurando a vontade de rir.

– Você é impossível! — Disse. — Com o que estava na cabeça?

Ciel Vernutti riu.

– Sei lá. Aqueles dois precisavam de uma lição.

Os dois riram.

Marvin era amigo de Falco, mas era ainda mais de Ciel. Ciel havia trabalhado durante dois anos na diagramação do jornal, e era muito bom no que fazia. Ao contrário dos irmãos, ele era dedicado e independente. Marvin sabia da richa eterna entre os irmãos, e achava uma injustiça o que acontecia com Ciel dentro daquela casa, sendo que ele era um rapaz muito responsável.

– Mas enfim, o que deu lá na sua casa, depois dessa? — Marvin perguntou, curioso.

– Victor ficou morrendo de ódio. Cortou a mesada dos dois para sempre. Mas você sabe, logo, logo estão achando uma forma de ganhar dinheiro. Não me surpreendo se Fleur começar a sei lá, se prostituir.

– Eu pagava. — Marvin disse, e os dois riram. — Mas não acho que ela chegaria a tanto…

– Ah, eu não duvido de nada daqueles dois.

De fato, Falco e Fleur estavam desesperados atrás de dinheiro. O que seria de suas festas e fama se não fossem o cartão de crédito do papai?

Para isso, Falco recorreu a Roberto, um amigo de longa data. Roberto já era conhecido como um muambeiro de primeira. Não tinha um centavo na sua conta do banco que vinha de formas legais e justas. Roberto já estava com a proposta na ponta da língua.

– Então, cara…- disse Roberto, jogando os pés em cima da mesa, enquanto falava com Falco ao telefone. — A parada é boa. Não é nada demais, mas é um trabalho de muita confiança. Vocês só vão receber por ter o nome de vocês em uma empresa, fazer depósitos em contas específicas, e etc. Vocês vão receber boa parte do lucro. E aí, topam?

Falco pensou por um segundo. Sabia do que aquilo se tratava.

– Vou conversar com a Fleur, e te ligo de volta, pode ser?

– Claro, mas não demora não, porque se não ocupa a vaga, ok?

– Ok.

Falco desligou o telefone, e voltou-se para Fleur, que estava sentada em uma cadeira. Contou para ela a proposta de Roberto. De início ela pareceu interessada, mas depois ficou apreensiva.

– Mas isso é lavagem de dinheiro, Falco. Tem certeza?

– O Roberto garantiu que é seguro para nós. Vamos depoistar dinheiro em contas de bancos que ficam em paraísos fiscais, nem vão saber nosso nome. E a empresa, é só de fachada.

– Não sei… Acho que não quero…

– Quê isso, Fleur? Tá com medo?

Fleur era uma pessoa orgulhosa. Não admitia ser desafiada daquela maneira. Foi assim que perdera sua virgindade com um amigo de Falco, Bentley. Foi assim que usara drogas pela primeira vez. Foi assim que vizera a tatuagem que tinha na cintura. Falco sempre conseguia dobrar a irmã para que ela fizesse as coisas que ele queria, usando desse argumento.

– Claro que não! — disse ela, ríspida. — Vamos fazer isso! Se é tanta grana igual o Roberto está falando…

– É assim que se fala!

Mal sabiam os dois irmãos no que estavam se metendo.

Enquanto isso, no escritório, Victor também ouvia uma proposta que o interessava muito. Era aliás, o sonho que vinha tendo há anos. Ele conversava com o sub-chefe da maior organização criminosa de Belavista, a Antera. Seu codnome era Vega. Ele era jovem, com um semblante sério e ameaçador. Conhecia a reputação de Victor, e o convidava para ser lider da equipe que cuidava da falsificação de dinheiro. Já havia mexido muito com isso no passado, e tinha experiência no assunto.

Victor já ouvira falar algumas vezes dessa organização, mas imaginava que era loucura de seus antigos colegas. Vega mostrou vários documentos que mostravam que até sua própria empresa havia feito serviços sem saber para a Antera. Até mesmo a polícia que havia desmantelado a máfia da cidade, a Antera controlava. Tudo discretamente, sem ninguém fazer nem idéia que existia.

Vega contou que a organização era liderada por um homem chamado Maccina e um forte aliado, Zero, um assassino frio e cruel. E estava dividida entre várias partes que arrancavam dinheiro ilícito de praticamente todas as atividades da cidade.

A Antera era uma organização perigosa, criminosa e sem escrúpulos. E agora Victor fazia parte dela. Nunca estivera tão feliz em sua vida.

Notas finais
O capítulo 4/17 já está até pronto, mas vou postá-lo depois :)