Dois Bicudos
1 Prólogo
Notas iniciais
P.O.V. Narrador
Antes
Como em toda manhã, Babi estava na calçada de sua casa, com sua maçã em mãos, esperando o ônibus escolar. A garota estava inquieta e um tanto elétrica. Esse seria um novo dia para ela e uma mudança para tudo o que a incomodava. Babi estava cansada de ser motivo de piada, decidiu que não deixaria Adam perturbá-la o quanto quisesse sem receber uma resposta mal-educada e talvez alguns socos. Não queria mais ser protegida por sua melhor amiga, a partir daquele momento, ela se defenderia sozinha.
Uma onda de medo e excitação a fez estremecer. Naquele dia, Babi não estava mais usando uma trança no cabelo, como sempre usava. Se hoje é dia de mudança, minha aparência será o primeiro item da lista. Rasgou suas calças jeans na altura dos joelhos e passou lápis pretos nos olhos. Ela sabia que essas coisas não a ajudariam a intimidar ninguém por conta de sua estatura baixa e o fato de que aparentava ser mais nova, mas se vestir de tal forma a encorajava.
O ônibus parou à sua frente e abriu as portas. Babi respirou fundo, segurou a alça de sua bolsa e entrou. Imediatamente, todos a encararam e interromperam suas conversas. No fundo do ônibus, estavam Adam Keyni e sua trupe de idiotas, que faziam o mesmo que todas as crianças no ônibus. Elas a avaliavam, guardavam todos os detalhes em sua mente e isso a assustava.
– Perderam algo aqui? — Babi perguntou para ninguém em especial, mas seu olhar estava em Adam. Sua voz saíra firme, exatamente como ela queria. Então andou até um lugar vazio e se sentou, automaticamente levou os dedos a boca e começou a roer as unhas.
Subitamente, o lugar vago ao seu lado fora ocupado por, ninguém mais, ninguém menos, que o garoto que Babi mais odiava na face da Terra.
– Esse lugar está ocupado — Falou sem olhar para ele.
– Não me importo — Respondeu — Desde quando você é satânica, anãzinha? Caramba, eu não sabia que existia um clã invocador de Satanás para duendes, vocês não acreditam em fadas e coisas da natureza?
– Vai embora, idiota.
– Quem é que estava sentado aqui? Algum fantasma com quem você fez amizade no cemitério? Você vai à cemitérios agora que é satânica, não vai?
Babi sentiu o sangue ferver em suas veias e seu rosto quente, provavelmente vermelho, então virou-se para Adam, que abriu um sorriso satisfeito ao ver a expressão irritada da garota.
– O único que vai até um cemitério aqui é você, depois que eu acabar com a porcaria da sua vida!
Adam soltou uma risada em resposta, seguido de seus amigos que prestavam a atenção em tudo. Ele se aproximou de Babi, enrolou uma mecha do cabelo dela em seu dedo indicador e sussurrou ameaçadoramente:
– Não tenho medo de você.
– E nem eu de você — Babi praticamente cuspiu as palavras.
Adam puxou a mecha de leve e continuou:
– Tente ser intimidadora depois de crescer e se tornar uma pessoa normal.
Babi segurou o pulso do garoto e o afastou de seu cabelo.
– Não quero intimidar ninguém e nem ser uma pessoa normal, se isso significa ser igual a um babaca como você. Agora, vê se me esquece e volta para o seu bando de hienas.
– Eu vou, mas por que me cansei da sua cara sem graça.
– Já me cansei da sua cara ridícula há muito tempo.
– A gente se vê por aí, pequinês.
– Eu espero que não, playboy maldito.
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