Notas iniciais
Yo! Senpai andou passando a noite acordada e isso resultou em capitulo sendo adiantado! :3 Não tem enrolação hoje, bora pro capitulo! ~boa leitura.

Girou a maçaneta e empurrou a porta depois da identificação das digitais, algo normal para o prédio de luxo que morava, por isso o avançado aparelhado de identificação não chamava atenção de nenhum de seus vizinhos, que já eram escassos, pois apenas ela morava no último andar já que fez questão de comprar a cobertura duplex, tendo além de um bom espaço para suas atividades, ali também encontrava seu precioso sossego.

E também as paredes a prova de som não permitiam que nada escapasse ali de dentro.

A sala estava com as luzes baixas, um balcão de granito a sua direita dividia a sala e a cozinha toda trabalhada em móveis negros e prata, o apartamento todo seguindo na mesma linha de decoração.

A dose de álcool já estava servida sobre a bancada e tirou a jaqueta de couro a jogando junto com a chave do carro em cima do sofá e pegando a dose de whisky despejando o liquido ardente pela garganta enquanto fitava a televisão desligada e apertava o copo de vidro entre os dedos.

Ouviu os passos e Ino descendo as escadas com os braços cruzados e o rosto indecifrável.

—Mais uma dose?- A loira perguntou enquanto servia-se.

—Não... Agora o trabalho tem que ser duplicado, não posso pisar em falso com ele aqui- Sakura deixou o copo na mesinha ao lado do sofá.

—Bom- Ino sentou-se no banquinho do bar encarando a cidade pela janela –Já fazem dois anos não? Você sabia que ele ia voltar uma hora ou outra, não pode perder o controle como hoje-

—Qual foi o prejuízo?- Sakura perguntou tirando os sapatos e Ino rolou os olhos vendo ela ignorar o assunto.

—Duzentos e quarenta milhões de ienes- Ino pegou o tablete conferindo as informações e bufou –E se contarmos a cotação do dólar... Perdemos um milhão e novecentos- a loira suspirou irritada –O imbecil escolheu bem a volta dele-

—Ele sabe montar uma boa cena- Sakura cruzou os braços –Não podemos dar nenhuma brecha, eu não vou aceitar o Uchiha se metendo nos meus negócios de novo-

—O que pretende fazer de diferente?- Ino levantou uma sobrancelha –Depois de praticamente oito anos dessa rivalidade de vocês dois... Acho que ambos devem estar sem ideias de como tentar matar um o outro e não é como se quisessem... – a loira se calou ao ver o olhar irritado para ela.

—Vou tomar um banho- Sakura disse com voz cansada e se dirigiu para o segundo andar –Você já-

—Sim, Shikamaru já está sabendo- Ino fez sinal positivo –Ele já contatou o cliente e informou do imprevisto, não sei o que ele falou, mas o cara não quis implicar-

—Não é como se um ministro do governo tivesse pouco dinheiro- Sakura deu de ombros –Vai dormir aqui?- a olhou por cima do ombro.

—Dado aos fatos, vou sim- Ino deu um pulinho do banco e sorriu –Seu quarto de hóspedes tem uma cama melhor que a minha-

Sakura sorriu e subiu as escadas, não precisava dizer para Ino se sentir em casa, a loira já fazia parte da vida de Sakura desde a adolescência.

Tirou a camisa antes de chegar ao quarto e a jogou no canto do banheiro enquanto esperava a banheira se encher.

Encostou-se na parede gelada e viu se reflexo no espelho, satisfeita por não ter marcas depois de tudo e tirou a calça ouvindo o barulho de metal contra o piso que a fez olhar para baixo vendo a medalha vermelha.

Imergiu na agua quente sentindo os músculos doloridos corresponderem à sensação de conforto, encostou o pescoço na borda da banheira virando o objeto nas mãos.

Era a marca dele e ele apenas deixava aquilo quando queria que ela encontrasse, não era um ato novo dele, era mais uma parte da rivalidade que eles alimentavam durante anos, um jogo particular dos dois já que Sakura jamais soube de algum objeto deixado em algum dos outros roubos dele.

Sim, ela sabia quando era ele, conhecia o jeito dele e como ele atuava, assim como o tipo de mercadoria que ele costumava negociar, mas já fazia dois anos que ela tinha informações escassas dele.

Fechou os olhos e afundou a cabeça na água deixando os braços de fora e ficou imersa o máximo de tempo que seus pulmões permitiam.

As companhias, como eram chamadas os grupos de roubos, existiam pelo mundo todo, cada companhia tinha seu agente, ou ladrão, que continha uma equipe para seu apoio nas ações e também mediavam as negociações, o cliente dificilmente tinha contato direto com o ladrão e isso acontecia somente quando extremamente necessário.

Normalmente quando um ladrão atingia certa idade ele preparava seu sucessor, e somente um, o qual era treinado desde cedo até estar pronto para entrar nos negócios, claro que com negócios de menos valor e provando sua habilidade conforme o passar do tempo, assim era evitado a proliferação e a possível ruína de um negócio milionário, global e que já fazia parte civilização a boas décadas.

Sakura foi escolhida por Tsunade aos doze anos, quando a menina treinava em escola militar para futuramente entrar na central de agentes do Japão, como era o sonho dela, mas tudo mudou quando a mulher que aparentava seus trinta anos na época a apresentou a uma nova realidade a qual ela aceitou.

Para os pais, ela havia sido aceita em uma escola para crianças com alto potencial, pois Tsunade Senju havia visto na jovem Sakura um futuro brilhante e assim convencendo os Haruno do potencial da filha.

Em partes não era tudo mentira, Sakura de fato teve uma educação invejável, realmente frequentou boas escolas o que anos depois lhe rendeu uma vaga na principal faculdade de Tokyo.

Nunca frequentou, mas para a família e o governo Sakura Haruno era uma mulher de 25 anos formada em engenharia e atuava na área fazendo um bom dinheiro com grandes projetos por todo o Japão assim não trazendo problema nenhum para sua quantia bancaria e suas poses.

Tsunade era uma lenda naquele mundo e Sakura não demorou a ser reconhecida como uma boa escolha da Senju para substitui-la, assim como Ino que era sobrinha de Tsunade que por mais que tivesse habilidades para atuar sempre gostou da parte do apoio, testando suas habilidades a cada roubo.

“A sensação de passar o pé no próprio governo por trás de uma tela é o suficiente pra mima loira respondeu quando Sakura questionou o porquê dela não substituir Tsunade.

Aos dezessete anos chegara o dia da sua primeira ação grande e sem Tsunade ao seu lado, a prova final, sabia que se fosse pega seria o fim, pois se não fosse morta e conseguisse escapar Tsunade não a aceitaria novamente e a sensação de adrenalina que sentiu por seu corpo e a satisfação que sentiu aquela noite foi o que fez Sakura decidir que seguiria por esse caminho daquele momento em diante.

Não demorou para o ciclo saber que havia uma novata no ramo e isso trazia cada vez mais desafios para ela e foi quando soube por Tsunade que seu ex-parceiro de negócios havia voltado a ativa com um pupilo que até então atuava fora do Japão, mas a loira não demorou para obter informações que Orochimaru havia desembarcado no país natal pouco tempo depois.

E foi naquela mesma noite que o conheceu, a primeira vez que o viu. Na época um garoto de dezenove anos que com uma atitude esnobe apareceu no mesmo terraço do prédio ao qual Sakura passava algumas noites estudando o próximo alvo.

Lembrava-se dele escorado ao lado da porta que dava para as escadas, as mãos no bolso e os cabelos negros tinham um corte arrepiado com o rosto emoldurado pela franja que ficava dos dois lados da face, enquanto a observava atentamente e ela não teve medo de responder ao mesmo nível, sabiam exatamente quem era o outro e ali a questão era mostrar quem poderia intimidar mais.

—Sei quem você é e esse trabalho é meu, suma daqui, Uchiha- Sakura cruzou os braços encostando-se no muro baixo do terraço que ficava no décimo segundo andar.

—Seria uma pena se não fosse só você interessada na mercadoria- O moreno a respondeu —Tem mais de um cliente interessado naquele diamante... Não ache que a cidade é sua garota, agora tem alguém na brincadeira-

—Não se meta no meu caminho- Sakura disse seria —E eu realmente não vou avisar de novo-

—Talvez você entenda melhor amanhã à noite- Ele desencostou-se da parede e abriu a porta que dava acesso as escadas.

No dia seguinte, Sakura quase teve sua primeira falha em um ano como ladra, foi a primeira vez que sentiu a necessidade para usar arma de fogo, pois quando estava saindo da mansão invadida ele estava nas suas costas e a arma apontada para ela.

Demorou anos para admitir para si mesma que ele a havia deixado escapar, como se aquilo fosse o troféu dele, ela havia levado porque ele tinha deixado.

Era o primeiro encontro de muitos já que as habilidades de Uchiha Sasuke, um garoto que morou em Osaka até os dez anos e logo após mudou-se para França para os “estudos” voltando recentemente, e Haruno Sakura, a sucessora de Tsunade, eram cada vez mais reconhecidas e requisitadas.

Abriu os olhos lembrando-se da ligação que não passou de uma frase antes dela desligar a chamada.

Odiava quando ele falava com ela com aquele sotaque ridículo e a chamava daquele jeito.

Sem dúvidas, as coisas não eram mais as mesmas de oito anos atrás, eles cresceram e já não eram mais os novatos e sim profissionais no que faziam e agora eram dois adultos.

Foi essa desculpa que usou para si mesma na primeira vez que sentiu os lábios dele contra os seus.

E em todas as vezes que se beijaram depois da primeira vez assim como quando ela acabou em uma cama com ele.

Várias vezes.

Balançou a cabeça irritada e se levantou enrolando a toalha vermelha no corpo e passou para o quarto deitando-se na cama molhando o cobertor.

—Não pense que eu vou deixar barato- disse para si mesma fitando o teto de gesso –... Porque voltou?-

Pegou o telefone, o numero que havia ligado para ela não era possível de se rastrear e era o mínimo que ela esperava dele, jamais admitiria que ele abaixasse a guarda com ela.

Já marcava oito da manhã quando ela decidiu render-se ao sono, sabia que logo sua pequena equipe estaria ali e provavelmente Tsunade já deveria saber da sua falha na noite anterior e bufou pensando na dor de cabeça que seria toda aquela situação.

oOo

Levantou-se sonolenta e passou as mãos pelos cabelos sentindo o ninho cor-de-rosa que tinha na cabeça e foi até o closed pegando uma bermuda e uma regata, podia ouvir as vozes na sala e era questão de tempo até alguém esmurrar a porta abaixo.

Quando desceu as escadas reconheceu as duas cabeleiras loiras e o rabo de cavalo do moreno que estava junto na sala e logo a encararam.

Fez uma careta ao ver Tsunade a fitar como se tentasse ler sua mente e isso a incomodava porque a mulher às vezes realmente parecia que conseguia e isso deixava Sakura tensa.

—Ora bom dia Sakura- A mais velha disse quando ela chegou na sala e sentou-se no sofá.

Esticou o braço em silêncio e prontamente recebeu nas mãos uma pasta preta que o homem a entregou.

—O cliente é um empresário da índia, estava em negociação com o Uchiha há alguns meses- Shikamaru disse enquanto ela abria a pasta com informações do homem desconhecido.

—Ele não demora tanto tempo pra agir, ainda mais em um lugar que ele conhece tão bem- Sakura comentou pensativa.

—Sasuke desembarcou em um aeroporto particular a duas semanas- Ino cruzou os braços –Encontrei um arquivo no sistema do lugar que ocultou qualquer informação de passageiros e sem duvidas foi criado pelo Uzumaki-

Sakura e Tsunade se entreolharam sérias.

—Você sabe que não pode- Tsunade disse mostrando o quão bem conhecia a pupila.

Naruto Uzumaki era o braço direito de Sasuke, assim como Ino era para Sakura. Sabiam que os dois se conheciam desde crianças e uma das poucas, talvez o único no ramo, o qual tinha a confiança do Uchiha.

Havia uma regra naquele mundo, a mão jamais poderia ser um alvo, um ladrão jamais poderia atacar o apoio de outro ladrão como vingança e isso era algo respeitado e Sakura jamais conheceu ou soube de alguém que ignorou isso.

Mas além de toda essa proteção, Naruto ainda tinha mais um fator que o protegia de todas as vezes que Sakura quis socar o loiro.

Era já fora pupilo de Jiraya, o terceiro membro do grupo que Tsunade participou na juventude junto com Orochimaru e a mulher tinha um grande carinho pelo homem já que Tsunade também era madrinha do Uzumaki e Sakura sabia que a shishou mantinha um contato com ele principalmente depois da morte de Jiraya há nove anos, o qual fez Naruto tomar a decisão de não agir mais como ladrão e sim ser o apoio de Sasuke quando ele retornou para o Japão.

A irritava o fato de como indiretamente ela e Sasuke jamais conseguiriam perder o contato.

—Não pegue nenhum trabalho pelas próximas semanas- Tsunade disse sentando no outro sofá –Deixe a poeira abaixar e você trate de esfriar a cabeça, vocês vão se matar um dia Sakura-

Sakura desviou o olhar da loira e fitou a televisão que estava muda, mas as noticiais sobre um grande roubo no museu nacional passavam a todo momento e questionamentos sobre segurança eram levantados por especialistas que não entendiam como o lugar havia sido invadido.

—Oh oh- Ino murmurou ao ver o rosto da amiga –Acho que não vai ser bem assim-

—Eu já tenho um trabalho- Sakura disse se levantando e indo até a mesa de jantar onde correspondências estavam jogadas.

—Para quem?- Tsunade chiou

—Pra mim mesma- a rosada deu de ombros e pegou um envelope negro selado com um adesivo prateado –Se ele acha que pode me fazer de idiota, eu vou fazer ele se lembrar com quem ele ta querendo dançar-

—Você vai à festa- Shikamaru virou-se para ela e Sakura piscou para o homem que rolou os olhos já entendendo o que ela pretendia fazer.

—Sakura- Tsunade disse como a advertisse.

Tirou o telefone da base e discou o numero e aguardou até ser atendida.

—Itachi?- Sakura sorriu para Ino –Então recebi seu convite! Mas é claro que eu vou, estou dando um tempinho nos projetos vou deixar por conta do pessoal do escritório... – a voz dela tinha o tom de animado e um falso sorriso estava nos lábios dela –Vou levar uma amiga, você se importa? Ótimo! Até sábado querido, beijos!- o sorriso sumiu assim que a ligação foi encerrada.

—Sua vagabunda- Ino abriu a boca em um “o” –Eu preciso comprar uma roupa!-

Sakura cruzou os braços e encarou Tsunade.

—Sabe o quanto vale as principais joias de Uchiha Mikoto?- a rosada disse tranquilamente.

—Já é adulta pra saber o que faz- A mais velha levantou-se –Tome cuidado-

—Hai- Sakura acenou vendo a mulher ir até a saída e digitar a senha para destrancar a porta e sair –Hora de mexer essa bunda e trabalhar Nara, preciso da planta da mansão dos Uchihas!-

—Você quem manda- Ele levantou-se e entrou na porta ao lado da sala que dava para o escritório.

—Preciso empatar nosso placar não é mesmo?- a mulher comentou sozinha –Como nos velhos tempos-

Notas finais
É forte, é intenso... Talvez mais do que alguns imaginaram? Eles tem um passado bem longo e uma rivalidade que os fez ir além... Dois anos sem noticias dele e muita coisa ainda para ser revelada. Sei que vocês esperavam um Uchiha nesse capitulo mas as coisas serão bem interessantes no próximo. Alguem ta bem irritada e Uchiha Itachi entrou na treta. O que as mentes de vocês acham disso? OIUSAASIOAS Até o proximo. Sayo!