Dog Days Are Over
4 A Missão
Notas iniciais
POV's Edward
Era simplesmente terrível. Eu já fiz várias missões difíceis, mas esta era a pior. Por que a Sonya tinha que escolher logo ela para ir junto? E o pior: Sonya tem o péssimo hábito de roubar coisas de pequeno valor. Claro que a noção dela de “pequeno valor” é bem diferente de uma normal. Ela roubou o arco de Apolo uma vez. O ARCO DE APOLO! Hermes pediu para ela roubar algo de Apolo para que ele pudesse usar em uma chantagem.
Mas é melhor esquecer disso antes que Apolo resolva amaldiçoar o chalé de Hermes de novo.
Nossa missão era encontrar um semideus que tinha se perdido do rumo durante uma missão. E não basta ele estar perdido, tem que estar perto da caverna da Squila! Argh, ninguém merece ter que ver aquele monstro. E a Sonya poderia ir sozinha, já que ela é a líder atual do nosso chalé.
Nathalia não parecia assustada, mas segurava a sua faca com tanta força que a mão dela já estava começando a sangrar
– Ahn, Nathalia... Sua mão tá sangrando. — falei.
– Não tem problema. Eu... vou comer alguma coisa. — disse ela.
Não sei porque Sonya foi roubar um navio desse tamanho. Tá certo que é navio fantasma, mas até ela que tem uma noção distorcida, não iria roubar um navio grande assim.
– Sonya! Onde fica a droga da cozinha? — perguntou Nathalia.
– É tão difícil achar uma cozinha aqui dentro? Achei até que tinha roubado um navio pequeno! — respondeu ela.
– Sua noção de grande e pequeno é bem diferente da nosso, Sonya. — resmunguei.
– Ok, senhor só-vim-aqui-por-obrigação, assuma o controle no navio enquanto eu ajudo a procurar a cozinha! — mandou ela.
– Tá... — respondi, indiferente.
Nós estávamos adentrando cada vez mais no Mar de Monstros, e isso não me agradava nem um pouco. Antes de qualquer coisa, usei a mesma tática que Ulisses usou para não ser tentado pelo canto das sereias: cera. Depois de tampar completamente os ouvidos, continuei o rumo. De fato, passei pelas sereias e não ouvi nada do que elas cantaram. Depois disso, elas me olharam feio, e saíram de perto.
Como duas pessoas podem demorar tanto para achar uma cozinha? Foi aí que uma ideia horrível passou pela minha cabeça. “O canto das sereias!”, pensei. “Essa droga tem que ter piloto automático!”. Assim que achei o botão, apertei ele e saí correndo pelo navio. Eram muitas portas, eu não me surpreendi por Nathalia não ter achado a cozinha. Abri várias portas e me deparei com quartos, salas cheias de suprimentos, uma sala com remédios, e etc. Tinha de tudo, menos a porcaria da cozinha!
Elas podiam estar em qualquer dessas portas, delirando com o canto. Sonya provavelmente sonharia que estava sendo recompensada com riquezas por ter ajudado na missão. Nathalia estaria sonhando que Calipso havia ido embora e que eu voltei com ela. Espera, acho que isso foi um pouco egoísta. Ela poderia estar sonhando com qualquer coisa que não fosse eu.
Finalmente, abri uma porta e vi objetos de cozinha e tudo mais. Tinha uma mesa enorme no centro com várias cadeiras. Eu não sabia ao certo que navio Sonya havia roubado, mas aquele parecia ser um cruzeiro, já que também tinham bares e piscinas.
Procurei as duas. Olhei dentro de armários e tudo mais. Só aí que eu me lembrei.
[Flashback]
– Mãe, o que acontece se as pessoa ouvir o canto da sereia? — perguntou o garotinho de cabelos castanhos e olhos verdes ouvindo a mãe contar a história da Odisséia.
– Ela vai ao encontro da sereia. As sereias cantam o quê as pessoas querem ouvir, e assim, as vítimas enfeitiçadas pensam que estão indo ao encontro do que querem, sendo que na verdade, estão caminhando para a morte. — respondeu a mulher de cabelos castanhos. — Sereias são más, não são?
– Muito! – choramingou o menino, a mãe se divertiu com a expressão que ele fez. – Espero nunca ter que encontrá-las!
[Flashback End]
Eu sou muito burro. Como pude deixar aquelas duas sozinhas sabendo das sereias? Fui para a proa do navio, e lá estavam as duas sendo enfeitiçadas pelo canto das sereias. Estavam quase se jogando no mar. Peguei a cera e fui ao encontro de Sonya, que estava mais perto de cair do navio. Na hora em que segurei seu braço para colocar a cera, ela se debateu, esperneou, fez birra e tudo mais. Mas eu fui mais rápido e coloquei a cera nos ouvidos dela. Ela saiu do transe na hora.
Já que ela não podia ouvir o que eu estava falando, acenei com a cabeça em direção aos seres que estavam sentados em pedras. Ela colocou a mão na boca em espanto. Apontei para Nathalia que estava prestes a cair. Nós dois pegamos a cera e corremos para ela. Foi muito mais fácil do que colocar na Sonya, agora pelo menos eu tinha ajuda. Ela se debateu bastante, mas nós a seguramos com força. Quando conseguimos colocar a cera, ela saiu do transe, e olhou para as sereias.
Voltamos à cabine de comando. Sonya assumiu o controle do navio, até porque era melhor que eu em navegação. Meu pai disse que ela tem a“benção de Poseidon”.
Mostrei a cozinha para Nathalia e saí. Sonya sinalizou para eu tirar os tampões feitos de cera e eu tirei.
– Vai lá falar pra Nathalia tirar também, Ed. — pediu ela.
– Tá. — respondi.
Fui até a cozinha. Nathalia não estava comendo nada. Estava sentada na cadeira, com a cabeça apoiada nos braços que estavam na mesa. Cloquei a mão no ombro dela e ela se assustou. Fiz sinal para ela tirar a cera. Ela tirou e se apoiou de novo com os braços.
– Ahn, desculpa por te assustar. — me desculpei.
– Tudo bem. — respondeu ela, com a voz deprimida.
– O quê aconteceu? — perguntei. — Você parece meio chateada. — Ela suspirou.
– Acontece que eu quero voltar com você, mas não sei como posso fazer isso. Afinal, eu fui chata e irritante com você, né? — perguntou ela. Eu fiz cara de interrogação. — É, eu ouvi a sua conversa com a Amanda no lago. Desculpa se eu fui chata desse jeito.
– O fato é que... eu acho que não gosto de você desse jeito, Nathalia.
– É normal que não, né? Bem, agora, eu realmente tô com fome!
– Tem comida em uma cabine por aqui, vamos lá.
Fizemos sanduíches de queijo e presunto, que era a única coisa de lanche que tinha lá. De repente, o navio chacoalhou. Sonya veio correndo em direção a cozinha.
– Squila! Ela... Ela apareceu! — gritou ela, desesperada.
POV's autora
Dentro da caverna, o monstro havia parado de perturbar o semideus desacordado. Seu corpo e suas longas cabeças de cobra se esgueiravam cada vez mais perto do navio. Chacoalhou o navio, para ter certeza de que tinham pessoas dentro dele. Antes de abandonar totalmente a caverna, bateu com a cauda na barriga do semideus.
O semideus estremeceu os olhos e tossiu um pouco. Seus olhos azuis elétricos se abriram, e ele colocou a mão nos cabelos negros.
– Estão lutando em algum lugar... — disse ele tentando se levantar. — Ugh! O quê esse bicho fez comigo?
POV's Edward
A Squila finalmente deu as caras. Vi sua caverna, estava logo à frente.
– Eu espero que ela não possa entender o que falamos! Nath, pula pra dentro da caverna e faça a busca pelo semideus! Ed, você dá cobertura pra ela enquanto ela estiver entrando na caverna, e depois venha me ajudar! — berrou Sonya, enquanto o navio chacoalhava.
Na hora em que Nathalia se atirou para dentro da caverna, eu fui impedir o monstro de encostar nela e não deu outra: levei uma rabada nas costelas. Acho que acebei quebrando uma ou duas, mas o importante foi que ela conseguiu entrar na caverna.
Sonya brandiu o escudo para o monstro, que recuou um pouco. Assim que eu cheguei perto dela, falei:
– Acho que quebrei as costelas!
– Depois a gente vê isso! Eu vou distrair ele aqui, e você ataca por trás! Mas só quando ele estiver totalmente ocupado comigo! — ordenou ela.
– Não é muito arriscado? — perguntei, receoso.
– VAI LOGO! — gritou ela.
Fiquei atrás dele. Uma das cabeças de serpente olhou pra mim e tentou me atacar, mas Sonya foi mais rápida e golpeou a cabeça com a espada. Eu segurei a espada com força, e quando vi que as cabeças de serpente estavam quase a engolindo, golpeei as costas dela, que se dissolveu em pó.
– A... Nathalia – disse ela, suando. Um pouco acima do tornozelo, uma mordida do monstro. — Vai ver se tá tudo bem com... Argh! — parecia doer muito.
– A Nathalia vai ter que esperar um pouco. — falei carregando a minha irmã para a sala onde tinham remédios e afins.
A mordida foi um pouco profunda. Consegui tirar um pouco do veneno, mas a outra parte já tinha penetrado no sangue dela. A julgar pelas cabeças da Squila, deveriam ser cascavéis. Procurei soros feitos com o veneno dessa cobra e usei uma siringa para injetar nela. Limpei o corte feito pelos dentes e coloquei ataduras no local ferido. Ela estava inconsciente. Minha mãe era enfermeira, então eu sei um pouco sobre primeiros socorros. Claro, isso não era primeiros socorros, e sim uma emergência, mas dane-se! Já vi minha mãe fazer isso algumas vezes.
Fui em direção a caverna. Provavelmente, Nathalia já teria encontrado o semideus perdido.
Ao chegar na caverna, vi Nathalia com um menino nos braços. A pele dele estava pálida, os cabelos negros caíam sobre a face, era como se ela estivesse segurando um defunto. Nathalia estava com os olhos arregalados de horror.
– O quê... aconteceu com... ele? — perguntei.
– E-Edward, a-acho que chegamos tarde de mais. — gaguejou ela.
– Não, ele não pode ter morrido! Vamos logo para dentro do navio. — falei, apoiando o garoto nas minhas costas. Nathalia já devia ter segurado ele muito tempo, não sei se ela aguentaria mais um pouco. Ele não era tão pesado, provavelmente perdeu peso por ter ficado dias sem comer.
Ao chegar no navio, falei para Nathalia ficar vigiando Sonya no quarto onde eu a deixei. Nunca se sabe se de repente ela resolve roubar algo da sala, cai no chão e desmaia. Me dirigi para a sala de primeiros socorros com ele. Fiz o mesmo processo que fiz com Sonya, mas ele tinha mordidas em quase todas as partes do corpo! Pelo sangue seco que estava na coxa, deveria ter sido a primeira mordida. Ok, eu não ia ter que tirar a calça dele pra estancar o ferimento, né? Errado, eu tive que fazer isso. Não fim das contas, acabei estancando a mordida e colocando a calça dele de volta. Não que eu quisesse ser médico, mas se quisesse, teria que fazer isso uma ou duas vezes.
Depois de terminar, coloquei ele no quarto em que Sonya também estava descansando, tinham três camas lá.
– Desculpa, Nathalia, mas será que você pode cuidar dele também? — perguntei
– Sem problemas! — disse ela.
Voltei à cabine de comando, e iniciei nossa volta para o Acampamento. De ida, deram quatro dias. Já havíamos passado das sereias, e, só por prevenção, colocamos cera nos ouvidos deles. Depois de passar pelas cantoras infernais, Sonya acordou. O menino acordou quatro horas depois. Estávamos todos reunidos na cabine de comando e Sonya ajudou ele a se sentar num banco.
– Não precisava vir até aqui! — falei, olhando para algumas ataduras dele. — A gente podia ter ido lá! Como tá a sua perna, Sonya? — perguntei.
– Tá melhor... Não sabia que você era aspirante à enfermeiro! — exclamou ela.
– Minha mãe é enfermeira, ás vezes eu tinha que ficar no hospital com ela, e acabei aprendendo um pouco sobre primeiros socorros e emergências... — falei.
– Ok, vamos lá. Qual é o seu nome? — perguntou Nathalia.
– Marcos. Sou filho de Zeus. — respondeu ele.
– Qual era a sua missão? — perguntou Sonya.
– Achar a espada de Excalibur. Mas a Squila a guardava e acabei levando várias mordidas dela. Mas consegui ficar com a Excalibur, pelo menos. — respondeu ele.
– E... durante quanto tempo você ficou na caverna de Squila? — perguntei.
– Hoje, completam duas semanas. — respondeu ele, um pouco frio. Todos ficaram meio chocados e em silêncio, mas eu resolvi falar:
– Acho melhor vocês dois irem descansar um pouco.
– Obrigado por cuidarem de mim. — falou ele. Sonya o ajudou a voltar para o quarto.
Nossa viagem estava quase no fim, e, ás vezes, Marcos nos contava detalhes da missão. Realmente, a minha suspeita da primeira mordida ser na coxa estava certa. Era incrível ver como ele aguentou tanto tempo sozinho em uma caverna com um monstro terrível, considerando que ele ficou desacordado durante oito dias.
Ao chegarmos no Acampamento, Quíron nos recebeu feliz. Vendo Marcos ele ficou mais feliz ainda. Eu contei sobre as mordidas de cobra e disse que eles precisavam de repouso. Com certeza eles receberiam néctar e ambrósia.
– Ahn, Quíron, eu roubei um bracelete de ouro. — falou Sonya. — Estava largado no quarto em que eu estava descansado no navio, sem ninguém por perto e aí... PÁ! Antes que eu pudesse perceber, já havia agarrado o bracelete. — disse ela, mostrando a joia e fazendo cara de choro.
– Ah, Zeus, você nunca toma jeito, né? — perguntou Quíron sorrindo. Ele pegou o bracelete e levou os dois para dentro da Casa Grande.
Eu fui ver Calipso. Fazia um bom tempo que não nos vemos. Quando fui falar com ela, ela estava conversando com alguns filhos de Afrodite. Parei na hora. Assim que ela me viu, andou até mim.
– Você ficou oito dias em missão! — falou ela.
– Eu sei... Conversando muito com os filhos de Afrodite? — perguntei irônico. Droga! Por que eu falei isso?
– Ah, sim. São meus “irmãos”. — falou ela. Fiquei com cara de “WTF?”, e ela sorriu. — Afrodite me reclamou. Ela sabe quem sou eu, ela disse que tem grandes planos para mim. — explicou ela.
– Ah, entendi. Bem, eu estou indo... Preciso... falar com a Sonya um minuto, tchau! — me despedi. Planos? Afrodite queria Calipso com alguém em especial? E por que eu me importo tanto com isso? Ah, esquece, vou falar com a Sonya que é melhor.
Cheguei no quarto em que Sonya estava acomodada e ele estava vazio. Fui para o quarto do Marcos a porta estava entreaberta, e pude ver os dois conversando e rindo. É, aceite, Edward. Você perdeu sua psicóloga. Quer dizer, eu sei lá se os dois vão começar a namorar, mas quem liga? Quem precisa de psicóloga? Tá, eu preciso. Principalmente agora que eu descobri isso sobre a Calipso. O fato de eu me importar tanto com ela significa que eu estou... Apaixonado? Ah, que droga!
Notas finais
E sabemos que a Squila não mostrou todo o corpo, a cauda foi invenção minha, ok?
Espero que tenham gostado! o/
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