XXVI-Doença.

A alma quente e adormecida

Percebe que o tempo cedeu,

De tão calma à aborrecida,

Seu coração entendeu.

A hora chegou pairando,

Vejo na cama chorando,

Uma mãe que seu filho é meu.

Nem por dor nem por doença,

O pequeno acalmou-se e morreu.

Os remédios sobre a cômoda,

Ninguém mais se incomoda,

Com os gemidos que do quarto vem.

O silencio fugiu em desespero,

Sem ali suportar,

A tortura que hei de contar.

Preparo firme sepultura,

Para assim a morte chegar.

De brancura seus lábios se quebram

Na esperança de recomeçar.

Os doutores já nada fazem,

A não ser temer e esperar.

Põe-se a febre abaixar,

Ou a criança morrer.

Agora é tarde de mais,

Não há nada para fazer.

A doença aninhou-o nos braços

E a alma quente resfriou.

A mãe grita sobre o filho,

Este de nada falou.

Com os olhos longínquos,

Uma singela e doce lágrima,

Por seu rosto escorregou.

Vendo acalmar os gemidos,

Entre os baixos e altos corações feridos,

O silencio por lá se instalou.

Os lábios antes brancos,

Quão roxo hão de ficar.

Seus olhos pequenos e humildes,

Hão de se fechar.

Seu peito não inflará novamente,

Que injustiça veemente!

Nenhum sangue a derramar.

A doença que parou seus pulmões,

Arrancou de dentro do peito

O coração da pobre mãe.

Ajoelha-se diante de teu filho,

Choras perante o seu túmulo.

Agora voltar-me-ei ao presente,

Aqui jazia inconsciente,

Aquele que amei cegamente,

Desde o dia em que nasceu.

Que os anjos cantem glória,

À mãe cujo filho morreu.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!