Doces lábios.
2 Amor.
Notas iniciais
— Eu estava voltando para casa do trabalho, a cafeteria tinha fechado mais tarde naquela tarde porque muitas pessoas foram para lá se esconder da chuva. Uma garota entrou, se sentou no balcão e pediu um café pequeno, quando entreguei o café, ela agradeceu e foi até uma das últimas mesas do fundo, pegou sua bolsa e tirou um livro para ler enquanto esperava. Isso já tinha sido suficiente para chamar minha atenção. Sou a Louca dos Livros, sabe disso. – Disse Bella enquanto pela primeira vez em desde que acordara, esboçava um sorriso sincero.
— Quando a chuva começou a diminuir as pessoas foram indo embora, mas ela continuou lá. Quando só estávamos eu e o Luke conversando no balcão, ele pediu para que eu avisasse ela de que tínhamos que ir fechar a cafeteira. Fui, morrendo de vergonha de interromper ela. Cheguei perto e ela olhou para mim, sem mover o rosto, só os olhos. Me perdi no verde claro daqueles olhos e ela começou a rir de mim, perguntando por que eu estava a encarando. Fiquei vermelha na hora e disse que precisávamos fechar. Na mesma hora ela se levantou e me pediu desculpas, dizendo que tinha perdido a noção do tempo por causa do livro e que não queria ter nos atrasado. Eu disse que estava tudo bem, ela se levantou, foi até a porta, mas se encostou numa parede do lado de fora da cafeteria, enquanto isso, eu a o Luke só pegamos nossas coisas e fomos saindo, porque já tínhamos arrumado tudo e só estávamos esperando por ela.
— Me despedi do Luke e como sempre ele atravessou a rua em direção ao estacionamento para pegar sua moto e ir para casa, mas dessa ver chegou todo ensopado nela porque ainda chovia um pouco.
— Abri minha bolsa e peguei meu guarda-chuva, o abri e quando comecei a andar, senti a mão da Menina no meu ombro. Ela me perguntou para onde eu ia, e se podia me acompanhar porque estava sem nada para se proteger da chuva. Ela sorriu e disse que era na mesma rua em que ela morava quando disse o endereço de casa. Fomos andando enquanto conversávamos... até tocarmos no assunto de namorado, porque no dia eu e você íamos sair, algo assim. – Luther complementou dizendo que tinham saído para comemorar 1 ano de namoro, pois se lembrava de ter ouvido parte da história no dia.
— Sim, foi nesse dia mesmo. – Disse sorrindo.
—Como ia dizendo... disse que eu e você íamos sair e tal e ela me perguntou como era namorar com um garoto. Seus braços estavam ao redor da minha cintura e eu senti um calafrio percorrer meu corpo quando ela disse isso. Quis me afastar dela, mas só estávamos abraçadas porque só assim as duas se protegiam da chuva, então tentei continuar normal.
— Só disse para ela que era bom ter alguém com quem se pode contar sempre. Ela respondeu dizendo que também pensava exatamente assim, mas que tinha terminado com a namorada fazia umas 3 semanas. Mais um calafrio. Não consigo entender como ela consegue falar de um jeito tão normal, sendo que faz algo tão... argh.
—Belle, não fala assim. É uma menina que se sente exatamente como eu me sinto por ti por exemplo. -Disse Luther tentando acalmá-la.
—Mas, é errado, não é possível que ela não saiba disso. – Disse Belle numa expressão que dava a entender que, ela não falava mais da Menina, mas de si mesma.
— Não, ela não sabe que é errado, porque não é, Amor. Sei que consegue entender isso, é uma paixão como a que sinto por ti e você por mim. Nada de diferente ou errado. Só amor.
Ainda se sentindo contrariada e um pouco confusa, Belle continuou a história.
—Quando chegamos na casa dela e ela foi se despedir de mim, eu estava me sentindo muito mal. Ela namorava uma garota e estava andando comigo, tinha passado quase 20 minutos caminhando abraçada comigo. Não conseguia tirar da cabeça a ideia de que ela só tinha feito isso para me tocar, se sentir perto de mim, passando a mão na minha cintura enquanto andávamos...
—Isabella, calma. – Disse Luther percebendo que Bella estava ficando aflita. -O que houve entre você e ela naquela tarde não foi nada mais do que você sendo gentil e caminhando com ela até em casa. Ela foi junto contigo porque estava com vergonha de pedir carona para o Luke, também porque ele foi na direção oposta. Não precisa se sentir usada, Amor. – Luther falava com ela tentando acalmá-la porque sabia do quanto sua irmã tinha influenciado Belle a quase temer outras formas de amor que não o tradicional.
—Amor, quer continuar? – Perguntou Luther num tom ainda mais calmo do que antes.
— Sim, quero que isso termine logo, quero tomar meu café da manhã e ir logo trabalhar.
—Belle, hoje é sábado, a cafeteria só abre 16 horas hoje, se lembra?
— Ah, sim... lembro. – Enfim, como ia dizendo, quando ela me abraçou antes de entrar em casa, eu me senti como tinha dito antes, sendo usada, como se só isso que ela quisesse, me ter como teve a última garota... e isso que me deixa mal, quero dizer, mais do que tudo. Ao mesmo tempo que sinto isso, que era só um brinquedinho, quero acreditar em ti, quero muito porque, desde aquele dia ela vem falar comigo quando nos encontramos, e ... sinto um frio na barriga sempre que ela me dá oi, sempre que ela sorri para mim.
— Essa sensação, não quero mais ela... não aguento mais me sentir tão errada, tão abominável por falar com ela. – Bella voltou a chorar e Luther a abraçou. – Quero xingar ela, mandar ela nunca mais falar comigo, gritar para ela dizendo ela que ela é uma aberração, que nunca vai conseguir nada de bom sendo pervertida do jeito que é, estragando a vida de meninas como ela estragou a da ex- namora... da menina com quem ela fazia sexo ou sei lá o que.
Bella começou a choras e soluçar no ombro de Luther, que tentava acalmá-la fazendo carinho nos cabelos de Bella.
Algum tempo depois, quando Belle já não estava mais chorando, ela se virou para ele e disse o olhando nos olhos. – Da próxima vez que encontrar com ela, quero ter a coragem de gritar com ela, dizendo que ela só está estragando a vida de meninas inocentes... que ela só está estragando a minha vida. – Dizendo isso, Luther soltou um suspiro e a abraçou.
Ele sabia o que estava acontecendo. E amava Belle demais para não estar ao lado dela conforme tudo fosse se desenrolando.
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