Notas iniciais
Oiiiiiiiii :3
Pessoal, desculpem qualquer demora.
Eu gostaria de dedicar esse capítulo à todos os leitores que o acompanharam :3
Eu sei que o final é triste, mas entendam que tem uma lição nisso tudo... É.
Obrigada por tudo~~
Boa leitura :)

E passados mais vinte e nove dias, lá estava eu, sobre as telhas da morada da jovem senhorita, escutando a ressonância do Big Ben, que mais me soava como uma sentença maldita. A lua me iluminava a face, como quem me lembrava de que eu já deveria ter entrado em ação.

A verdade, é que eu estava adiando esse momento o máximo possível;

Veja bem... Era a terceira noite, o momento de desfecho. A ampulheta do tempo havia contado todas as cores de sua vida, agora, era o meu dever torná-la monocromática.

Não se engane, não sei o que pensa de mim, mas eu nunca senti qualquer tipo de prazer em executar o que faço na terceira noite, geralmente é uma pontada de arrependimento, ou até, nada, sinto nada. Mas isso eu garanto... Nunca senti prazer em fazer isso. Em fato, acho que o que sentia era o oposto, talvez, dor? Poderia ser. Nunca fui muito adepto às emoções humanas.

Novamente, debrucei-me sob o parapeito de sua janela, dessa vez, não estava lá. Adentrei o recinto, como se tivesse sido convidado para dentro.

E lá estava ela, a jovem garota dormia em um sonho profundo sobre a sua cama, seu rosto corado e seus lábios estavam curvados em um sorriso angelical, aliás, sua face inteira era angelical. Aproximei-me, como um perfeito intruso, e toquei sua face, passando meus dedos por sua pele macia e tocando as pálpebras fechadas de seus lindos olhos, ainda achando que deveria existir um jeito de adormecer com olhos abertos, para que eu pudesse admirá-los como a perfeição de que eram feitos. Ao meu toque, os mesmos se abriram, as cores dos sonhos irromperam e explodiram uma única vez, fazendo uma dança colorida ao redor da íris azul da menina. Os humanos não poderiam ver ou compreender com as palavras que eu descrevo, mas tenha certeza, de que não há coisa mais bela nesse mundo mortal. Pelo menos, é no que acredito.

–Você voltou!-Ela exclamou, laçando os braços ao redor do meu pescoço e abraçando-me, sorria de maneira doce.

Naquele momento, em que senti a suave textura de seda de sua camisola entre meus dedos, foi que percebi o quanto era repugnante. Acho que nada poderia me definir melhor.

Eu era mais pútrido que um abutre, pois esse cercava a sua presa, de modo que esperasse a vida ir embora, e só então, alimentava-se de sua carne, obtendo vantagem do outro.

Eu?

Não espero morrer... Eu mato.

Não mato verdadeiramente... Faço pior.

–Algo está errado?-Me perguntou, preocupada, os olhos vivos e belos me fitaram, causando um sentimento ruim que estava crescendo em meu coração.

Eu não podia continuar dessa forma, o sentimento chamado tristeza estava infectando todo o meu corpo. Era apenas um demônio cobrando por seus serviços, nada mais, nada menos.

Pensado isso, abri um sorriso sarcástico, afinal, aquela situação toda só poderia ser uma piada. Um monstro como eu... Apaixonado?! Que disparate!

Olhei para o seu rosto mais uma vez, admirando os lindos olhos, que me fitavam em expectativa, esperando uma resposta. Uma resposta positiva. Eu podia ler sua expressão...Amor?! E agora! Mais esse desatino! É certo que seduzir as clientes fazia parte do meu trabalho — Daí, você percebe o quanto sou sujo- mas amor?! Aquilo só poderia ser uma brincadeira do destino. Uma cruel brincadeira do destino.

Toquei o seu rosto e brinquei com seus cabelos uma única vez, admirando-a com certo pesar, enquanto a mesma me olhava confusa, mas quieta. Queria que o tempo parasse ali, e eu pudesse ter ficado o resto da eternidade naquela posição. Mas não foi assim. Me sentei ao pé da sua cama, olhando para o chão, não suportaria ver sua expressão durante os momentos à seguir.

– Eu vim...Cobrar o preço do acordo!-Disse, tentando soar indiferente e não transparecer a dor. Acabei passando um sentimento de frieza.

–Ah! Eu acho que você comentou isso da primeira vez que veio me visitar mas...-Estava confusa, mas não teve êxito em terminar a frase.

–Mas você não se importou? É, eu sei, fiz com que não se importasse!-Falei, ainda friamente.

–Co-como?-Indagou, parecia assustada.

–Vou retirar todos....Dos que te pertenciam antes até os que lhe entreguei!- De novo, a voz saiu mais fria do que gostaria.

–Não!-Gritou, desesperada.

–Não há como fugir!-Falei, pegando a minha bengala que estava encostada à parede.

–Não!-Gritou mais uma vez, dessa vez mais desesperada.

–Não foste tu que escolhestes isso?-Me exaltei, virando em fúria para fitá-la. Já estava com as costas na parede fria me olhando com a face branca e os olhos arregalados, cheios de lágrimas.

–Vá embora!-Novamente, o desespero tomava toda a sua voz, ela se encolheu protetoramente.

Eu queria ir embora;

Não podia.

O pacto estava selado. Ambos tínhamos culpa nisso, talvez eu fosse o maior culpado.

Talvez eu fosse o único culpado.

Encaminhei-me até ela, os passos eram vagarosos e faziam um barulho alto, indicando o momento final. Abaixei-me até ela e segurei seu queixo, invadindo sua boca em um beijo violento e doloroso.

Seus olhos começaram a se encher de lágrimas, seus lábios emitiam gemidos de dor, sua língua estava adormecida, suas mãos tentavam me afastar, mas eu a segurei firmemente. Não podia voltar atrás, nunca pude.

Estava morta. Afinal, o que era da vida sem suas cores? O que era da vida sem sonhos? Era apenas um vazio preto-e-branco.

Quando terminei, pude sentir-me encher dos mais belos sonhos, eles sempre estariam guardados em meu bolso. Como uma lembrança especial daquela jovem dama, que se fora tão rápido.

Olhei o que tinha feito. Ela era a personificação da própria desgraça humana. Seus olhos azuis, agora apagados, tristes e sem vida, estavam olhando o seu novo mundo pela primeira vez. Era o seu mundo real. Monocromático e sem vida. Nunca conseguiria escapar dali.

Não tinha dúvida, a pessoa que eu amei se fora, junto com seus sonhos e ambições, agora era apenas uma garota melancólica e deprimida. Presa em um mundo sem cor.

Não tive coragem de tocá-la novamente, depois do que havia feito.

–Bem vida a esse mundo monocromático!-Me despedi, de certa forma, sarcástico. Aquele foi o último momento em que ela me viu, olhando a figura que saia por sua janela, a garota se pôs a chorar, com as mãos por sobre os olhos.

Eu havia visitado ela outras vezes;

Mesmo que pra mim ela já estivesse sem vida...Ainda ficava horas olhando aquela pessoa pela janela, como esperasse um brilho de seu olhar, algo que pudesse me mostrar que aquela jovem ainda estava lá dentro. Tolice minha, lógico. Ela nunca voltaria. A única coisa que fazia era chorar e lamentar-se.

Ela não sabia, mas;

Não deixei de visitá-la, mesmo quando mudou seu endereço;

Agora morava num quarto branco, que não tinha janela, e custava-me espiar dentro dele.

Agora ficava amarrada em uma grande camisa branca que prendia seus braços e suas marias-chiquinhas eram mal-penteadas e infantis, em contraste com a sua idade, agora um pouco avançada. Já poderia ver as olheiras escuras se formando em seus olhos e os fios de cabelos branco se misturando aos verdes. Murmurava coisas sem sentindo e tinha marcas de arranhões na pele, batia com a sua cabeça inutilmente contra a parede acolchoada tentando acabar de vez com a sua vida. Mas as pessoas não deixavam que o seu desejo fosse realizado. Pobre e miserável criatura.

Na minha última visita, para a minha dor final, encontrei outra pessoa amarrada em uma camisa branca.

Ela havia ido embora de vez.

Um Shinigami sussurrou-me pelo vento que ela havia conseguido, finalmente, um meio de causar sua morte, conseguiu retirar a chamada camisa-de-força e apertar contra o seu pescoço até que soltasse o último suspiro de vida. Sorrindo ao obter êxito em seu plano. Seu sofrimento havia, finalmente, acabado.

Boa noite, Miku, pra toda a eternidade.


Notas finais
Saa...
Eu sei, é trágico, tenso...Não assassinem a autora. Ela estará escondida debaixo da cama.
Me digam o que acharam e...
Reviews?
Beijos, Lirium-chan ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!