Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês.

Voltei para casa naquela noite mesmo, o Sr. Clifford havia me dito que eu poderia dormir no quarto de hóspedes devido ao horário, mas eu não estava me sentindo confortável para isso ainda, apesar de sentir firmeza nas palavras dele, não estava tão íntima dele e nem do filho dele.

Para a minha sorte, Aiden é um menino comportado, ele não dá trabalho como alguns adolescentes, era até um rapaz esperto. Então, assim que botei ele para dormir, esperei o Sr. Clifford chegar e dormir também para sair sorrateiramente da casa pelos motivos que citei.

Ao chegar na minha casa, tomei um banho e fui me deitar na cama, já eram quinze para meia noite e eu estava com sono. Por isso, mesmo com aquela história do Aiden na minha cabeça, não demorei para pegar no sono.

No dia seguinte, acordei e fui fazer meu café da manhã. Não tinha recebido pedido de nenhum cliente, mas não me preocupava. Assim que acabei meu café, ouvi meu celular tocando. Peguei para atender acreditando ser um cliente, mas acabou que era minha mãe. Atendi no segundo toque.

— Oi mãe.

Oi filha, já terminou seu café?

— Já sim, por quê?

Preciso que me faça um favor...

— Qual favor?

Hoje eu não poderei levar sua irmã para a escola. Vou precisar chegar mais cedo no trabalho. Você pode levá-la para mim?

— Tudo bem, eu levo, só vou me arrumar e já saio.

Ok, obrigada filha, te amo.

— Também te amo, beijo.

Desligamos a ligação e logo fui me arrumar, coloquei uma calça jeans e uma blusa estampada de botão. Por último, meus saltos e eu já estava pronta. Quando terminei, peguei meu carro na garagem e saí rumo à casa da minha mãe.

Eu moro sozinha desde os meus vinte anos. Nessa época, eu queria me afastar um pouco do clima tenso que estava lá em casa devido aos constantes desentendimentos dos meus pais. Uma hora ficou insustentável e eu decidi que era hora de sair de casa. Faculdade? Bem, já é um pouco mais complicado. Eu entrei no curso de Jornalismo por pressão do meu pai, que queria que eu seguisse a mesma carreira que ele, mas eu não sentia que encaixava naquele curso. Então, quando ele foi embora, acabei saindo daquele para tentar outra que eu realmente me interessasse, mas tive que começar a trabalhar para conseguir continuar morando lá e ajudar minha mãe quando ela precisasse, por isso, acabei deixando tudo de lado até minha mãe ver que eu cuidava bem da minha irmã e decidi trabalhar no que sou hoje.

Minutos depois, cheguei na casa da minha mãe. Era uma casa tão simples quanto a minha, só a fachada que era de cor bege, diferente da minha, que possuía um tom cinza-claro. Quando saí do carro, buzinei para avisar que estava lá e logo depois de alguns segundos, as duas saíram e eu sorri.

— Oi Sally — sorriu Leah, minha irmã.

— Oi Leah — sorri abraçando ela.

— Que saudade.

— Eu também.

Ela logo entrou no carro e abracei minha mãe.

— Muito obrigada mesmo pela ajuda, filha — sorriu ela.

— Imagina, qualquer coisa é só pedir.

— Como foi com seu novo cliente ontem? Tudo bem?

— Sim, tudo bem. Tanto o pai quanto o filho são ótimas pessoas — dei de ombros, não achava necessário falar com a minha mãe sobre a situação do Aiden.

— Ah que bom. Eu já vou indo, não posso me atrasar, qualquer coisa liga tá?

— Pode deixar.

Nos despedimos e então entrei no carro dirigindo para a escola da Leah. Ela ainda tem quinze anos e, ao contrário de mim, já sabe qual faculdade vai fazer e sofreu muito quando nosso pai foi embora. Mas, felizmente, ela parece estar superando isso aos poucos.

Depois de minutos, chegamos na escola dela e eu estacionei o carro. Saímos e fui até ela pra me despedir.

— Tchau, pode deixar que a mamãe vem me buscar, tá? — disse ela, sorrindo.

— Tá bom, mas me avisa se precisar de algo — pedi e ela concordou.

Ela me abraçou para se despedir e de repente, vi Aiden passando perto de nós.

— Aiden? — chamei.

Ele rapidamente olhou na minha direção.

— Oi Sally, tudo bem? — ele disse, surpreso.

— Tudo bem. Essa é a Leah, minha irmã mais nova — apresentei.

— Muito prazer Aiden — ela disse, sorrindo.

— O prazer é meu. Que coincidência encontrar você aqui.

— Eu nem sabia que você estudava aqui.

— Sim, estudo. Já pedi pro meu pai me tirar mas, ele não me escuta — bufou.

— Tirar por quê? É uma ótima escola — disse Leah.

— Sim, mas... desde que aconteceu aquela festa e meu pai disse na frente de todo mundo que chamaria uma babá pra cuidar de mim lá em casa, a escola toda me zoa.

— Sério? E você já falou isso pra ele? — perguntei, surpresa.

— Já, mas ele falou que "é só ignorar que eles param"!

— Bem, nisso ele tem razão. Muitas vezes, isso para quando você ignora.

— É, eu tô tentando, mas tá difícil.

Nisso, o sinal tocou indicando que o portão fecharia em cinco minutos.

— É melhor vocês irem, tchau irmã — alertei.

— Tchau Sally — ela disse, andando rápido.

— Tchau Aiden.

— Tchau, até qualquer hora — disse ele, entrando junto com a minha irmã.

Depois que os dois entraram pelo portão da frente e sumiram da minha vista, entrei no carro e dirigi de volta pra casa enquanto pensava naquela situação. Eu até poderia falar com o Sr. Clifford sobre o que Aiden me contou, mas ele poderia ficar contra mim. Vai saber né? Na próxima vez que o Sr. Clifford precisar que eu cuide dele, vou aproveitar para dar uns conselhos à ele. Eu não sou psicóloga, mas depois de toda a experiência que tive com meu pai, minha irmã conseguiu melhorar depois que dei uns conselhos e palavras de apoio à ela. Talvez eu possa fazer o mesmo com o Aiden. Só espero que ele não leve a situação na escola para o lado pessoal a ponto de fazer alguma besteira como vários adolescentes fizeram e fazem até hoje.

Notas finais
É isso, até semana que vem!