Doce Vingança
27 Primrose
Notas iniciais

A porta do quarto se abriu lentamente.
Katniss entrou sem imaginar o que encontraria. Peeta apenas sorriu atrás dela, com as mãos nos bolsos, observando cada reação.
— Fechei esse cômodo durante essa semana... porque queria terminar tudo antes de mostrar a você.
Ela deu mais um passo e perdeu completamente as palavras.
O quarto parecia saído de um sonho.
As paredes, em tons de marfim e bege suave, transmitiam uma paz quase impossível de descrever. Um grande arco iluminado emoldurava o berço branco de linhas clássicas, como se fosse um pequeno santuário dedicado ao maior amor da vida deles.
Sobre a cabeceira, delicadas ilustrações botânicas — flores silvestres, ramos, pássaros e pequenas borboletas — pareciam pintadas à mão, lembrando os campos onde Katniss aprendera, ainda menina quando passava férias com os pais, que até as flores mais delicadas eram capazes de nascer entre pedras.
Um lustre de cristal dourado espalhava uma luz quente por todo o ambiente, refletindo pequenos brilhos sobre o piso de madeira clara.
Próximo à janela, uma confortável poltrona de amamentação aguardava silenciosamente as madrugadas que viriam. Um banquinho estofado repousava diante dela, enquanto um tapete de crochê em formato circular ocupava o centro do quarto, cercado por ursinhos de pelúcia, mantas macias e cestos de fibras naturais.
O armário embutido exibia, organizadas por tonalidade, roupas minúsculas cuidadosamente escolhidas por Peeta, com a ajuda de Presley, cada vestido, casaquinho e macacão dobrados com um perfeccionismo que só ele possuía.
Mas foi então que Katniss ergueu os olhos. E o ar simplesmente lhe faltou. No centro do arco iluminado, flutuando em uma delicada luz dourada, estava o nome da filha.
Primrose.
Não escrito em tinta. Nem gravado em madeira.
Era uma luminária elegante, de luz quente, desenhada em caligrafia delicada, iluminando suavemente todo o quarto. Como se aquele nome fosse, literalmente, a luz daquele lugar.
Katniss levou a mão à boca. Os olhos se encheram de lágrimas imediatamente.
— Peeta...
Ele aproximou-se devagar.
— Eu queria que ela crescesse sabendo que o nome dela sempre seria luz para nós.
Katniss não conseguiu responder. As lágrimas escorreram silenciosas enquanto ela caminhava até o berço. Passou a ponta dos dedos sobre a madeira branca e voltou a olhar para a luminária.
— É o quarto mais lindo que eu já vi...
Peeta sorriu, um pouco envergonhado.
— Cada detalhe foi pensado para vocês duas.
Ela virou-se para ele.
— Você fez tudo isso sozinho?
— Com alguns arquitetos... mas o projeto foi meu. Eu desenhei cada canto. Escolhi cada tecido, cada cor, cada móvel... queria que fosse um lugar onde nossa filha sempre se sentisse segura. Um lugar onde você também encontrasse paz nas noites difíceis.
Katniss atravessou o quarto em poucos passos e o abraçou com força.
— Obrigada...
Peeta beijou sua testa.
— Depois de tudo o que vivemos... eu queria construir um lugar onde só existisse amor.
Katniss voltou a olhar para o nome iluminado sobre o berço.
“Primrose.”
Naquele instante, ela compreendeu que Peeta não havia criado apenas um quarto.
Ele havia transformado a memória da irmã que ela perdera em um símbolo de esperança para a nova vida que agora florescia dentro da família Mellark.
E, Katniss sorriu sem que a saudade doesse, ao olhar aquele nome brilhando suavemente na parede, Ali, ela apenas aquecia o coração.
O tempo seguiu seu curso.
As estações voltaram a mudar sobre Manhattan, e, em uma manhã clara de primavera, o choro mais esperado ecoou pela maternidade.
Peeta estava ao lado de Katniss durante todo o parto, segurando sua mão desde a primeira contração até o instante em que a pequena menina foi colocada sobre o peito da mãe.
Durante alguns segundos, ninguém disse absolutamente nada.
Katniss apenas chorou. Peeta também. Porque, naquele instante, compreenderam que algumas histórias nunca terminam. Apenas florescem outra vez.
— Bem-vinda ao mundo, Primrose Mellark.
O nome fez Burdock abaixar discretamente a cabeça enquanto Asterid enxugava as lágrimas sem qualquer vergonha.
Não era uma substituição. Nunca seria. Era uma homenagem. Um recomeço. Uma promessa de que aquela menina cresceria cercada de tudo aquilo que a primeira Prim nunca teve tempo suficiente para viver.
✦✦✦
Os meses passaram depressa.
Primrose herdou os olhos cinzentos da mãe. Os cabelos loiros e o sorriso luminoso do pai.
E um talento impressionante para conquistar qualquer pessoa em menos de cinco minutos.
Finnick foi o primeiro a decretar:
— Essa aqui não é Primrose nenhuma... É uma Mellarkita.
O apelido pegou imediatamente.
Até Peeta, que tentou resistir por exatamente três dias, acabou cedendo.
— Cadê minha Mellarkita?
E bastava ouvir sua voz para a pequena abrir um sorriso enorme.
Joy transformou-se na meia irmã mais orgulhosa do planeta. Anthony e Kate disputavam quem poderia segurá-la primeiro. Skye fazia desenhos para colocar na parede do quarto.
Otho dizia, emocionado, que aquela menina tinha o mesmo olhar bondoso que o filho quando era bebê.
Mas havia uma surpresa que nem mesmo Katniss conhecia.
Durante toda a gravidez, Peeta desaparecia algumas horas da Atlas dizendo que estava acompanhando reformas em um novo laboratório.
Era verdade. Só não era toda a verdade.
Quando Primrose completou seis meses, ele levou Katniss até um dos andares da empresa.
Ela estranhou.
— Achei que aqui fosse a antiga creche...
Peeta apenas sorriu. As portas se abriram. Katniss ficou sem palavras. O espaço havia sido completamente reconstruído. Não parecia mais uma creche corporativa. Parecia um pequeno mundo.
Havia árvores cenográficas. Livros. Brinquedos educativos. Salas de música. Espaços sensoriais. Um jardim interno iluminado pela luz natural.
E, na entrada, uma placa discreta.
Centro Infantil Primrose Everdeen Mellark
Katniss levou a mão à boca. As lágrimas vieram antes mesmo das palavras.
— Você...
Peeta segurou sua mão.
— Nenhuma mãe ou pai deveria escolher entre cuidar dos filhos e construir seus sonhos.
Ela o abraçou em silêncio. Não havia discurso capaz de traduzir aquele gesto. Aquele lugar receberia gratuitamente os filhos de todos os funcionários da Atlas. Porque Peeta acreditava que empresas também podiam cuidar de famílias.
Na inauguração, Primrose engatinhava pelo tapete colorido enquanto dezenas de crianças brincavam ao redor.
Finnick fotografava tudo. Joy corria atrás da prima.
Johanna fingia que não estava emocionada. Delly chorava discretamente.
Otho observava em silêncio. E Katniss percebeu algo que jamais imaginou sentir.
Paz. A verdadeira. Aquela que não nasce da ausência de dor, mas da presença constante do amor.
Naquela noite, já em casa, depois de colocar Primrose para dormir em seu quarto, Katniss permaneceu alguns minutos observando a filha respirar. Peeta aproximou-se por trás e entrelaçou seus dedos aos dela.
— Em que está pensando?
Ela sorriu sem desviar os olhos do berço.
— Que a Prim nunca foi embora. Ela apenas encontrou outro jeito de florescer.
Peeta beijou sua testa.
E, juntos, apagaram a luz.
Porque algumas histórias não terminam com um ponto final. Elas continuam vivendo nas pessoas que aprendem a amar.
✦✦✦
O salão principal da Atlas Technology brilhava sob a luz dos enormes lustres de cristal.
Executivos, investidores e parceiros internacionais circulavam entre taças de espumante e conversas sofisticadas. Sweet Mem’ries Linger On, interpretado por John Proulx ecoava, enquanto as janelas panorâmicas revelavam Manhattan iluminada.
Katniss caminhava ao lado do marido cumprimentando convidados. Usava um vestido longo em um elegante tom de vermelho grená, profundo e sofisticado. O decote valorizava sua silhueta com delicadeza, enquanto a fenda lateral revelava a perna a cada passo. Os cabelos caíam em ondas suaves sobre um dos ombros, e um discreto batom no mesmo tom do vestido completava o visual.
Peeta já havia perdido a conta de quantas vezes precisou desviar os olhos dela para conseguir manter uma conversa coerente.
Johanna percebeu imediatamente e não perdeu tempo em cutucá-lo.
— Senhor CEO... está difícil manter o profissionalismo?
Peeta soltou uma risada.
— Estou tentando.
— Tentando muito mal.
Katniss apenas ergueu a taça para a amiga e sorriu.
Pouco depois, Burdock aproximou-se.
—Sua mãe acabou de mandar uma foto da Prim.
Katniss pegou o celular para ver a imagem da pequena dormindo abraçada ao ursinho favorito.
Sorriu.
— Ela apagou.
— Aproveitem a noite. Nós cuidamos da nossa neta.
Katniss respondeu com um coração e guardou o aparelho.
Alguns minutos depois, enquanto conversava com investidores europeus, sentiu o celular vibrar novamente.
Seu sorriso surgiu automaticamente.
— Deve ser minha mãe...
Abriu a notificação.
Mas congelou.
Peeta ❤️
Ela franziu a testa.
Abriu a conversa.
[20:18] P ❤️ "Venha até minha sala."
Ela olhou ao redor. Peeta havia desaparecido. Respirou fundo.
Outra mensagem surgiu imediatamente.
[20:19] P ❤️ "Lembra da primeira vez que você entrou aqui?"
O coração dela disparou. Era impossível não lembrar.
Naquela mesma empresa, anos antes, ela atravessara aqueles corredores movida pela vingança, decidida a seduzir o homem que acreditava odiar. O que começara como um plano calculado transformou-se, pouco a pouco, na maior história de amor de sua vida.
Mais uma mensagem apareceu.
[20:20] P ❤️ "Naquela noite você entrou querendo destruir meu coração."
Katniss sorriu.
Então veio a última.
[20:20] P ❤️ "Hoje quero você aqui... para lembrar que foi exatamente você quem o salvou."
Um arrepio percorreu seu corpo inteiro.
Sem conseguir esconder o sorriso, ela entregou a taça a um garçom e caminhou em direção aos elevadores.
Os corredores do andar executivo permaneciam silenciosos, muito diferentes do burburinho do coquetel alguns andares abaixo. Ela conhecia aquele caminho de olhos fechados. Parou diante da porta de madeira escura.
Bateu duas vezes.
— Entre.
A voz grave fez seu coração acelerar.
Peeta estava de pé diante da enorme janela panorâmica, sem o paletó, apenas com a gravata levemente afrouxada.
Quando a viu, sorriu daquele jeito que continuava fazendo suas pernas perderem a firmeza.
— Achei que fosse me deixar esperando.
Katniss fechou a porta atrás de si.
— Você continua mandando ordens como CEO?
Ele caminhou até ela lentamente.
— Só para uma pessoa.
— E quem seria?
Peeta aproximou-se até restar apenas um sopro entre os dois.
— Minha esposa.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Muito convencido.
— Culpa sua.
Os olhos dele percorreram discretamente o vestido.
— Esse vermelho deveria ser proibido nessas dependências.
Ela riu baixo.
— Está atrapalhando sua concentração?
— Desde que saímos de casa e entramos neste prédio.
Katniss passou as mãos pelo colarinho da camisa dele.
— Engraçado... realmente eu queria que você perdesse completamente o controle.
Peeta segurou delicadamente sua cintura.
— E conseguiu.
Ela encostou a testa na dele.
— Ainda consigo, é?
Ele respondeu apenas envolvendo seu rosto entre as mãos e beijando-a com carinho, um beijo demorado, cheio da intimidade construída ao longo dos anos.
O reflexo do horizonte iluminado de Manhattan brilhava na imensa vidraça, mas os olhos de Peeta estavam fixos unicamente na mulher à sua frente.
A respiração de Katniss acelerou quando sentiu as mãos dele abandonarem sua cintura para deslizar lentamente por suas costas, os dedos quentes encontrando o zíper invisível do vestido vermelho. O som suave do tecido sendo aberto rompeu o silêncio do escritório.
— Você não tem ideia do quanto eu esperei por este momento desde que colocou esse vestido — sussurrou Peeta contra a curva do pescoço dela, mordendo o lóbulo de sua orelha com uma pressão provocante que fez Katniss soltar um suspiro entrecortado.
— Peeta... — murmurou ela, a voz falhando enquanto sentia as tiras do vestido caírem pelos seus ombros, deixando a parte superior do seu corpo exposta ao ar climatizado da sala. — E se alguém subir?
— Esta porta só abre por dentro, não se lembra? E esta noite... a cidade inteira lá fora é a única testemunha do que eu vou fazer com você.
Com uma facilidade impressionante, Peeta segurou Katniss pelas coxas e a ergueu, sentando-a na borda da pesada mesa de madeira nobre do CEO. Documentos e canetas foram empurrados para o lado sem o menor cuidado.
Katniss envolveu a cintura dele com as pernas, puxando-o pela gravata frouxa até colar seus lábios em um beijo feroz, faminto, onde não havia mais espaço para a ternura comportada de segundos atrás. Suas unhas cravaram-se nos ombros dele, descendo pelos botões da camisa social de Peeta, abrindo-os um a um até expor o peitoral definido.
— Aquele plano de vingança... — Peeta arfou contra a boca dela, deslizando as mãos pelas coxas ágeis de Katniss, subindo o tecido do vestido até a cintura dela. — Foi a melhor coisa que já me aconteceu.
— Você fala demais, Mellark — provocou ela, encarando-o com os olhos em chamas, a respiração descompassada.
Peeta deu um sorriso sombrio e charmoso antes de se ajoelhar entre as pernas dela na mesa — cumprindo ao pé da letra a promessa de anos atrás. Ele deslizou a pequena calcinha de renda vermelha pelas pernas dela e a descartou no chão de carpete.
— Peeta! — O clímax da antecipação fez Katniss arquear as costas quando a boca dele encontrou sua pele mais sensível.
A língua dele era quente, precisa e implacável. Peeta a devorava com uma mistura de devoção e posse, usando os dedos nos quadris dela para mantê-la firme enquanto ditava o ritmo. Katniss enterrou as mãos nos cabelos loiros dele, abafando os gemidos altos contra o próprio braço, sentindo uma onda de calor violenta se espalhar por todo o seu corpo. Cada toque dele era uma lembrança de como ele a conhecia perfeitamente, dominando cada reação do seu corpo.
Quando ela estava no limite, prestes a desmoronar, Peeta se levantou. Seus olhos azuis estavam escuros, tomados pelo desejo puro. Ele libertou-se da calça social com pressa contida, posicionando-se entre as coxas dela. Peeta segurou o rosto de Katniss com uma das mãos, polegar acariciando sua bochecha corada.
— Guardami. (Olhe para mim) — pediu ele, em italiano, a voz rouca deixando-a mais enlouquecida. — Voglio che tu capisca che mi appartieni. (Quero que veja que você pertence a mim).
Peeta a preencheu de uma vez só, fundo e devagar.
Katniss soltou um gemido agudo, cravando as unhas nas costas nuas dele enquanto a sensação avassaladora de plenitude a atingia. O contraste entre a seriedade do mundo corporativo lá fora e o calor escaldante do corpo dele sobre o seu era embriagador.
Ele começou a se mover, estabelecendo um ritmo firme, profundo e ritmado. A mesa rangia levemente sob o peso do casal. A cada investida, Katniss encontrava o movimento dele, envolvendo-o com mais força, totalmente entregue. O controle que ela tanto orgulhava-se de ter havia se dissipado completamente, substituído por uma paixão avassaladora que só ele conseguia despertar.
— Você me destruiu para me reconstruir, Katniss... — Peeta sussurrou perto da boca dela, acelerando os impulsos, os corpos se chocando em um ritmo frenético e delicioso. — E eu me deitaria nesta mesa mil vezes só para ser seu.
— Peeta... mais rápido... por favor — pediu ela, a voz embargada pelo prazer insuportável que crescia no seu ventre.
Ele atendeu ao pedido, puxando-a mais para a borda da mesa, aumentando a intensidade de cada toque. As mãos dele apertavam suas nádegas e cintura com força, deixando marcas que seriam o vestígio daquela noite. Katniss fechou os olhos ao sentir as ondas do orgasmo tomarem conta de seu corpo, espirando em espasmos deliciosos e contínuos que apertaram Peeta com força extraordinária. O aperto dela foi o gatilho final para ele. Com um rugido baixo abafado no pescoço de Katniss, Peeta deu as últimas investidas profundas e se entregou completamente, derramando-se dentro dela enquanto seu corpo tremia em sintonia com o dela.
Por longos minutos, o único som na sala do topo da Atlas era o ruído de suas respirações pesadas e os batimentos cardíacos acelerados de dois corpos colados. Peeta afundou o rosto no pescoço dela, depositando beijos carinhosos e lentos na pele suada. Katniss mantinha os braços ao redor do pescoço dele, acariciando seus cabelos, um sorriso satisfeito e exausto nos lábios.
— Sabe de uma coisa? — murmurou ela suavemente, sentindo o coração dele desacelerar contra o seu peito.
Peeta ergueu a cabeça, olhando para ela com um brilho apaixonado nos olhos.
— O quê?
— Se a vingança tem um preço... — Ela passou o polegar pelos lábios dele. — Eu pagaria cada centavo de novo só para terminar aqui com você.
Porém, no fundo Katniss aprendera a lição de que a vingança não redime — apenas consome. O verdadeiro renascimento vem do amor, do perdão e da coragem de seguir em frente.

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