Notas iniciais
Boa noite, como prometido mais um capítulo maratonado de DV e devo avisar, peguem lencinhos pq talvez vão chorar e rir ao mesmo tempo kkkkk... espero que gostem e me digam o que estão achando, amo cada comentário...


O feriado tinha terminado e a segunda-feira pairava no horizonte como uma nuvem pesada — mas não para Katniss, que ainda estava se espreguiçando em sua cama, o lençol escorregando lentamente pelas pernas enquanto ela revia mentalmente os últimos acontecimentos (e o corpo ainda dolorido e satisfeito por causa de Peeta).

O celular vibrou na mesinha de cabeceira.

Delly ligando...

Katniss sorriu, já esperando alguma provocação.

— Bom dia, Delly.

— Cancele agora mesmo qualquer programação do tipo “Hoje eu amo Peeta Mellark” pra passar um tempinho com sua amiga carente — disse Delly, com o tom mais dramático possível. — Não aguento mais a Johanna me ignorando pra manter o maldito código de honra do clube do Bolinha entre ela e seu namorado. Preciso de você, amiga. Urgente!

Katniss riu, rolando de lado na cama, o travesseiro abraçado ao peito.

— Clube do Bolinha?

— Sim! Ela fica defendendo ele com um discurso de “o Peeta já sofreu demais, Katniss é o mundo dele”. Olha, se eu ouvir mais uma vez “o Peeta isso” ou “o Peeta aquilo”, eu juro que troco a Johanna por uma samambaia que me escute de verdade.

— Ok, ok… Eu estou aqui, respira — falou Katniss, entre risos. — Vamos marcar alguma coisa. Podemos almoçar no Aurum, o que acha?

— Sim, por favor! Massagem, esfoliação, banhos aromáticos, qualquer coisa que envolva silêncio e gente passando creme em mim. — Delly soltou um suspiro longo. — E depois você me conta tudo. Detalhes. Eu quero saber de tudo.

— Delly! — Katniss riu, já se levantando da cama. — Você é impossível.

— Sou sua amiga. É quase a mesma coisa.

— Tá marcado. Hoje SPA. Só eu e você.

— Te amo, vaca.

— Também te amo, lunática.

Delly desligou, Katniss ficou ali, sorrindo para a tela por um instante antes de se levantar. Ela podia até ter mergulhado fundo no caos emocional de Peeta Mellark... mas ainda tinha sua rocha firme. E aquele nome era Delly Cartwright.



✦✦✦


O ambiente do Aurum era calmo e acolhedor. Luz baixa, incensos suaves de lavanda e chá de hibisco servido em xícaras transparentes com rodelas de laranja. Katniss e Delly estavam de roupões brancos macios, sentadas lado a lado nas espreguiçadeiras da sala de descanso, com as pernas enroladas em toalhas aquecidas e máscaras faciais recém-aplicadas.

O silêncio só durou até Delly dar o primeiro gole no chá e se virar para Katniss com aquele olhar de “agora você me conta tudo.”

— Ok, agora que minha pele tá hidratada, minha alma tá zen e ninguém tá ouvindo… me fala desde a maldita noite do baile beneficente no C&G. Quero detalhes suculentos.

Katniss ergueu uma sobrancelha e fingiu pesar.

— Ai, Delly… só digo que naquela noite eu descobri que o céu não é só azul. Tem cores que ninguém me contou antes.

Delly arregalou os olhos, animada.

— EITA... Então foi ele quem te mostrou a paleta inteira?

Katniss deu um sorrisinho enviesado, mordendo o lábio.

— Digamos que… Peeta sabe usar bem as ferramentas que têm.

Delly gargalhou, quase engasgando no chá.

— O príncipe da tecnologia sabe mais do que programar código, é isso que você tá me dizendo?

— Bem mais — admitiu Katniss, com um brilho divertido nos olhos.

Delly se abanou teatralmente com a toalha aquecida.

— Ai, que ódio! Você tem noção da sorte que deu? E olha que Johanna nunca me contou nada sobre ele. Tem tipo… um pacto de silêncio bizarro.


Katniss riu e segurou a mão da amiga.

— Relaxa, Delly. O que acontece no meu coração, você vai sempre saber.

— Melhor, amiga. Porque se esconder mais alguma cena dessas, eu juro que te afogo na banheira de sais aromáticos.

As duas caíram na risada, o som leve preenchendo o ambiente. Katniss sentiu uma paz inesperada — como se, ao rir com Delly, tivesse tirado um peso do peito.

Delly ergueu a xícara em um brinde improvisado.

— Minha melhor amiga é praticamente uma deusa erótica. Eu sabia!

Katniss apenas riu, mergulhando de volta os pés na água morna do mini-ofurô. Lá fora, o pôr do sol atravessava as cortinas de linho, pintando tudo de dourado. Pela primeira vez em muito tempo, ela se permitiu apenas… ser feliz.

Delly, sorvia o último gole de chá enquanto comentava que, se dependesse dela, viveria dentro daquele SPA.

— Sério, Kat, se eu tivesse essa banheira e essa playlist lo-fi, acho que nem brigava mais com a Johanna. No máximo um surto passivo-agressivo por semana.

Katniss riu, prestes a responder, quando o celular vibrou e começou a tocar.

Holding Out for a Hero — invadiu a serenidade do ambiente.

Delly deu um gritinho animado.

— Lá vem ele!

Katniss olhou a tela. A self de Peeta sem camisa — brilhava em HD.

Ela atendeu, sorrindo antes mesmo de dizer alô.

— Gataniss, onde você está? — Veio a voz dele, grave e cheia de saudade. — Te procurei depois do almoço e me disseram que você tinha saído.

— Fui me cuidar um pouco… tarde no SPA com a Delly. Sabe como é, pele, chás, terapia entre amigas.

— Hum… — resmungou ele, como se estivesse fazendo biquinho. — Vem pra cá! Ou espera que vou aí te buscar.

— Não precisa, Peeta. A Delly me deixa aí. Já estamos saindo.

— Ótimo! — Ele se animou. — Então vou preparar o jantar. Quero você faminta.

Delly se abanou com uma toalhinha.

— Ele falou com duplo sentido. Eu senti.

Katniss riu baixo.

— Até daqui a pouco, amor.

Desligou e olhou para Delly, que já estava de pé, pegando a bolsa com ar satisfeito.

— Obrigada por hoje. Eu estava precisando tanto disso. Você foi tipo… um detox emocional com esfoliação inclusa.

— Mas você e a Jô estão bem?

— Sim, estamos... acho que só estava me sentindo carente de uma amiga porque estou enlouquecendo com o diretor da peça, é exigente demais. Já mandei ele ir se foder uma dúzia de vezes...

— Relaxa amiga, a gente devia fazer isso de tempos em tempos — disse Katniss, levantando-se também. — Me salva de mim mesma.

Delly a puxou para um abraço apertado.

— Fechado. Mas da próxima vez, deixe o celular no silencioso, só pra eu não me lembrar que minha amiga está sendo devorada por um CEO gostoso.

As duas saíram rindo, leves, cúmplices — e prontas para a próxima rodada da vida real.


✦✦✦


Katniss entrou na cobertura e logo sentiu o cheiro delicioso de alho dourando no azeite, ervas frescas e molho de tomate apurando lentamente. Ao dobrar o corredor, seus olhos encontraram a visão inesperadamente adorável de Peeta Mellark — short de dormir cinza, regata branca justa e um avental listrado cobrindo o corpo atlético. Ele estava de costas, enrolando porções de massa fresca com concentração quase artística.

Ela encostou no batente da porta da cozinha, braços cruzados, e apenas observou por alguns segundos antes de falar com um sorriso:

— Então é assim que o Sr. Mellark cozinha pra mim?

Peeta virou-se na mesma hora e abriu um sorriso largo ao vê-la.

— Ah, minha musa felina chegou…

Katniss se aproximou e o beijou, pressionando os corpos brevemente, sentindo o calor dele e o perfume do molho em sua pele.

— O cheiro está maravilhoso. Não achei que você sabia cozinhar, amor.

— Eu te disse que me viro, mas esse prato aqui, especificamente… — Ele parou um instante, remexendo a panela com uma expressão suave, quase nostálgica. — Meu pai me ensinou. Ele adorava preparar massas nos fins de semana. Era o único momento que a casa ficava leve, sabe?

Katniss sentiu o peito apertar. A vontade de contar sobre Otho a sufocou por um instante — a verdade pesava na garganta, querendo escapar. Mas não naquela hora. Aquela noite não era sobre verdades ou revelações.

— Tenho certeza de que ele ficaria orgulhoso. Está tudo com um cheiro... divino.

Ela o deixou ali e seguiu para o banheiro na suíte. Mesmo tendo algumas roupas suas no closet de Peeta, Katniss pegou uma camiseta larga, com o perfume dele ainda impregnado no tecido e combinou com uma calcinha rendada, provocante. O visual era propositalmente contraditório — despretensioso e explosivo.

Ao voltar para a cozinha, encontrou a mesa montada com velas, vinho tinto e um toque rústico de louça italiana.

— Uau… você se superou — comentou ela, sentando-se enquanto ele servia cuidadosamente o prato.

Durante o jantar, entre goles de vinho e garfadas generosas de massa e almôndegas, Katniss perguntou:

— E o seu dia? Como foi a filial com a Johanna?

Peeta suspirou, enxugando os lábios com o guardanapo.

— Agitado, burocrático… sem graça. — Ele a olhou com intensidade. — Senti sua falta o tempo todo.

Katniss mordeu o lábio, desviando o olhar com um fingido desdém. Levantou-se, recolheu os pratos e começou a colocar tudo na máquina de lavar, como se aquela confissão não tivesse deixado seu coração em chamas.

Só depois que terminou e se virou, debruçando-se sensualmente sobre a bancada, foi que disse com um sorriso malicioso:

— Vem, gostosão… sua sobremesa te espera.

Ela se sentou sobre a mesa, abriu lentamente as pernas, revelando a calcinha rendada branca sob a camiseta dele e o chamou com o dedo.

Peeta, já desesperado, largou o guardanapo no chão e caminhou até ela como quem obedece a um feitiço antigo. Colocou as mãos nas coxas dela, deslizando para dentro, até se posicionar entre suas pernas com desejo.

Katniss o puxou pela nuca, ofegante.

Ali, naquela mesa ainda aquecida pela vela aromática, ele a possuiu com urgência, reverência e fome — como se ela fosse a única coisa capaz de saciar o vazio que o mundo deixava nos outros lugares da vida.

E, para ambos, ela era.

O ar ainda estava carregado de calor e desejo quando Katniss se recostou contra o peito de Peeta, sentada sobre a mesa da cozinha, seus corpos ainda colados, suados, conectados por cada centímetro de pele e cumplicidade. Ela desenhava círculos preguiçosos com o dedo sobre o ombro dele, sentindo a respiração ainda acelerada e o cheiro levemente adocicado do vinho que permanecia no hálito de ambos.

— Tenho uma pergunta — disse ela, com um sorriso torto e olhar curioso.

— Manda — respondeu ele, beijando sua clavícula com preguiça e devoção.

— Qual é o “Gataniss”? — Ela ergueu uma sobrancelha. — De onde tirou esse apelido, hein?

Peeta sorriu de lado, aquele sorriso perigoso que ela já sabia onde levava.

— Porque você se move como uma gata; silenciosa, elegante… sedutora sem nem tentar. Sempre parece que vai fugir, mas quando vem até mim, me arranha do melhor jeito.

Katniss soltou uma risada baixa e arrastada, puxando os cabelos dele pela nuca.

— Então quer dizer que eu te arranho?

— Não só isso. — Ele rosnou perto da boca dela. — Você me hipnotiza. Me deixa alerta. Fico sempre à espreita, esperando seu próximo movimento. Você é a minha gata selvagem, imprevisível, indomável... Gataniss.

Ela mordeu o lábio inferior, tentando conter o sorriso.

— Admito, é um bom apelido.

— É o melhor. E eu sou completamente viciado nele... — disse ele, voltando a beijá-la com uma intensidade renovada, como se já estivesse pronto para uma nova rodada.


✦✦✦


Os lençóis estavam bagunçados, o quarto mergulhado na penumbra suave das luzes âmbar da cabeceira. O silêncio era confortável, preenchido apenas pelo som distante da cidade lá fora e a respiração tranquila de dois corpos entrelaçados.

Katniss estava com a cabeça repousada sobre o peito de Peeta, desenhando distraidamente linhas invisíveis com a ponta do dedo. Ele a abraçava com um dos braços, o outro descansava atrás da cabeça, o olhar voltado para o teto como se procurasse na memória exata de um tempo distante.

— Sabe… — Ele começou, a voz baixa e embargada por lembranças. — Meu pai era o tipo de homem que parecia feito de sol. Não importava o caos ao redor, ele criava uma bolha segura em volta da gente. Finnick, Cato, Eu e Presley… a gente era tudo pra ele.

Katniss ficou em silêncio, ouvindo com o coração apertado.

— Ele adorava acampar com a gente. Todo verão ele nos levava pras montanhas, armava as barracas, ensinava a pescar, a fazer fogueira… Cato tentava agir como se fosse mais maduro que todo mundo, mas no fundo era o que mais dormia agarrado no saco de dormir com medo dos sons da floresta. — Peeta sorriu ao lembrar, os olhos brilhando. — Presley odiava quando ele a deixava pra trás. Ele dizia que acampamento era coisa de meninos e ela ficava bufando, trancada em casa com a nossa mãe. Mas um dia, ela chorou tanto, dizendo que não tinha medo de bicho nenhum e que sabia montar barraca sozinha… e ele cedeu. Levou ela junto. Nunca vi minha irmã tão feliz.

Katniss sorriu contra o peito dele.

— Presley parece determinada desde pequena.

— Sempre foi. Meu pai… ele fazia tudo por nós. Tudo. — A voz dele tremeu por um segundo. — Aí, veio a adolescência. E tudo o que eu fiz foi… besteira. Muita besteira.

Katniss ergueu o rosto, os olhos atentos.

— Que tipo de besteira, Peeta?

Ele desviou o olhar. Apertou os lábios e fez um gesto vago com a mão.

— Nada que valha a pena ser revivido agora.

O silêncio que se instalou foi frio por um instante, mas Katniss não insistiu. Apenas assentiu com um leve “hum”, voltando a apoiar a cabeça no peito dele. Mas por dentro, seu coração pulava com frustração.

Será que ele realmente não se arrepende do que me fez? Será que aquilo só foi uma “besteira” pra ele?

Como se para desviar o foco, Peeta perguntou:

— E você? Sua infância… sempre foi só você e seus pais? Algum irmão, irmã?

Katniss engoliu seco. Um nó se formou em sua garganta, mas ela estava pronta.

— Eles… tiveram uma segunda filha. Mas… — Sua voz vacilou sutilmente. — Ela morreu ainda bebê. Uma doença rara. Meus pais não gostam de falar sobre isso. É um assunto... que os parte ao meio.

Peeta virou o rosto na direção dela, tocando sua bochecha com a ponta dos dedos.

— Me desculpa. Eu jamais vou tocar nesse assunto com eles. Prometo.

Katniss apenas assentiu, mordendo o lábio inferior.

Obrigada, pensou. Obrigada por me poupar de dividir com você o pedaço mais frágil da minha alma. Prim é só minha. Não posso dividir isso com você novamente e correr o risco de descobrir quem realmente sou, colocando tudo a perder.

Peeta puxou o cobertor até os ombros dela, beijou o alto de sua cabeça e a abraçou com mais força, como se pudesse protegê-la das dores que não conhecia.

E naquela madrugada morna de segredos, promessas e mentiras bem-intencionadas, Katniss adormeceu nos braços do único homem que ela sabia que seria capaz de destruí-la — e ainda assim, seria o único capaz de salvá-la.

O sol filtrava-se pelas cortinas, criando listras douradas sobre os lençóis bagunçados. Katniss estava acordada havia alguns minutos, deitada de lado, observando o corpo nu e adormecido de Peeta deitado de bruços ao seu lado.

Seus olhos foram direto para as costas dele — largas, firmes, marcadas pela cicatriz quase imperceptível de uma infância aventureira e pela tatuagem que sempre a intrigou, uma âncora mediana, preta, bem no centro das escápulas.

Katniss estendeu a mão e deslizou os dedos lentamente sobre a pele dele, contornando os traços da âncora, como se pudesse decifrar o que aquilo realmente significava. Pelo menos a dela tinha um único significado... vingança.

Foi impossível não lembrar da primeira vez que viu aquela tatuagem nele.

Na piscina da academia. Aquele dia pareceu tão distante.

Ela havia esbarrado “sem querer, querendo” enquanto ele saía da ala de pesos, com o corpo suado. Quando tantas incertezas o cercavam e foi quando Jason Kim passou provocando-a para uma disputa boba na piscina e foi ali que Peeta havia mordido a isca, caindo em sua armadilha minuciosamente montada. O loiro não resistiu e pulou na piscina sem pensar nas consequências vindouras.

E após tantas braçadas intensas da natação ela viu aquela tatuagem de âncora.

Então seu olhar desceu até o pulso do braço direito de Peeta, que repousava sobre o travesseiro. Ali, uma tatuagem menor, mais discreta, estava marcada com delicadeza a palavra “forza” em itálico simples.

Força, em italiano.

Katniss sorriu levemente, imaginando se ele tatuou aquilo durante os anos difíceis, quando tudo em sua vida havia sido desmoronado — a família, seu castelo, a verdade. Talvez fosse um lembrete para ele mesmo de que ainda estava de pé. Que precisava continuar.

Peeta se mexeu levemente, o rosto ainda calmo no sono profundo. Katniss se aproximou e depositou um beijo suave entre suas escápulas, bem no centro da âncora.

Peeta murmurou algo indecifrável e virou-se de lado, trazendo-a para mais perto, ainda meio adormecido.

Ela se aconchegou, seu coração agora inquieto por outros motivos. Porque não era apenas mais um jogo. Não era uma armadilha. Era real.

E ela sabia que, por mais que o tempo passasse, nunca se esqueceria dos momentos vividos com aquele homem que um dia havia roubado seu coração e sua alma.

Foi ali com ele em seus braços que teve certeza de sua queda. Katniss estava convicta de que alcançaria seu objetivo, mas não fazia ideia do quão destruída iria ficar por causa dele. Uma destruição pior do que a primeira vez na adolescência.


✦Cemitério Evergarden✦


O sol já se escondia atrás das colinas, tingindo o céu de um azul escuro mesclado a tons de violeta. Katniss caminhava devagar, os saltos afundando levemente na terra fofa entre as lápides bem cuidadas. Nas mãos, um pequeno buquê de prímula noturna e cravos brancos — as flores favoritas de Prim.

Parou diante da lápide de mármore clara, onde lia-se:


Primrose March Everdeen

Amada filha e irmã

“A luz mais pura se apaga cedo, mas nunca deixa de brilhar em quem a amou.”

☆ 12 de junho de 2004 – + 20 de agosto de 2012


Katniss se ajoelhou. Com cuidado, afastou as folhas secas que haviam caído com a brisa e depositou as flores no vaso ao lado da lápide. Ficou ali em silêncio por um tempo. Sentia-se sempre assim quando vinha. Menor. Mais humana.

— Oi, minha pequena. — Sua voz saiu baixa, rouca. — Me desculpa por não ter vindo. Os dias têm sido... confusos.

Ela respirou fundo, olhando para o céu por um instante.

— Conheci alguém. Não agora, na verdade... já o conhecia. Desde a adolescência. — Fez uma pausa, engolindo a emoção. — O nome dele é Peeta... Peeta Mellark.

Katniss passou os dedos pela borda da lápide com delicadeza.

— Lembra quando eu voltava do colégio e você corria até a porta pra me abraçar? Você me perguntava todos os dias se eu tinha feito amigos novos... E eu mentia. Dizia que sim. Mas eu só não queria te preocupar. A verdade, Prim... é que... aquele que fez da minha vida um inferno no ensino médio... o encontrei e vou fazê-lo pagar, não só ele, mas aqueles elitistas classistas que ele chamava de amigos.

Os olhos de Katniss começaram a marejar. Ela forçou um sorriso fraco, quase como se Prim estivesse de fato ali, escutando-a com aqueles olhinhos curiosos e o coração puro.

— Ele fingiu gostava de mim... e... eu nunca mais fui a mesma. — Katniss fungou, secando o rosto com a manga do blazer. — Mas agora... agora ele está aqui de novo. Ele me ama... e o pior cenário é que... eu também o amo... o amo demais que chega doer o peito.

Ela riu brevemente, mas o riso logo virou um soluço.

— Vou fazer ele e aquele grupinho idiota pagarem caro. — Ela pigarreou brevemente, tentando aplacar a dor que sentia. — Fiz ele se apaixonar por mim. Me entreguei a isso como se fosse a única coisa que me restava. Como se machucá-lo fosse me curar. Mas... — ela hesitou, a voz embargada. — Ironicamente às vezes eu não sei mais onde termina a vingança e começa o que eu sinto de verdade.

O vento soprou leve entre as árvores do cemitério, fazendo os galhos assoviarem uma canção triste e delicada. Katniss fechou os olhos, respirando o ar úmido e quieto.

— Me diz... eu sou uma má pessoa? Por querer isso? Por manipular alguém que agora me ama de verdade? — suspirou ela. — Eu só... eu só queria que você estivesse aqui. Porque, com você, tudo parecia mais simples.

Ela se inclinou, beijando os dedos e tocando a lápide com ternura.

— Te amo. Sempre vou amar — sussurrou.

Levantou-se com cuidado, enxugando o rosto com as costas da mão. Deu alguns passos para trás, como se esperasse uma resposta do silêncio. Mas havia apenas o crepúsculo.

E uma dor antiga, ainda sangrando.

Katniss sabia, enquanto sua vingança estivesse viva, ela nunca encontraria paz. Mas naquele instante, sentiu que Prim — de algum jeito — ainda a escutava.

E talvez... um dia... a perdoasse.


✦✦✦


A casa estava silenciosa quando Katniss entrou. As luzes quentes da sala suavizavam o ambiente, mas a escuridão que ela carregava do cemitério ainda parecia grudada em seus ombros.

Asterid se encontrava no escritório da casa atendendo a uma ligação. Burdock estava em sua habitual poltrona de couro, lendo um jornal impresso — um hábito que se recusava a abandonar, mesmo com todos os dispositivos digitais à disposição. Ao ver a filha, baixou o jornal e arqueou as sobrancelhas.

— Onde você estava, passarinha?

Katniss engoliu em seco. A lembrança de cada palavra trocada com uma Prim imaginária ainda estava fresca demais.

— Fui visitar a Prim. — disse, com a voz baixa, mas firme.

O pai a observou por alguns segundos, como se tentasse decifrar além das palavras. Então, levantou-se lentamente e abriu os braços.

Katniss não resistiu — correu até ele, mergulhando no abraço largo e seguro. Burdock a envolveu forte, afagando os cabelos dela como fazia quando ela era criança.

— Olha, sinto saudade dela todos os dias e está tudo bem... —desabafou ele, a voz um tanto embargada. Então, afastando-se o suficiente para encará-la. — Sei que hoje não é domingo e não jantamos ainda, mas… se você não contar pra sua mãe que tomamos sorvete antes do jantar, eu também não conto.

Um riso pequeno, mas verdadeiro, escapou dos lábios de Katniss.

— Combinado.

Burdock a puxou pela mão até a cozinha. O chão de mármore refletia a luz fria quando ele abriu o freezer e tirou um pote grande de sorvete de creme. Pegou duas colheres e entregou uma a ela, abrindo o pote como se fosse um tesouro.

Eles se sentaram lado a lado nos banquinhos altos da ilha de mármore. Não havia toalhas finas nem pratos elegantes, apenas o pote de sorvete entre os dois e o som das colheres raspando o creme gelado.

Katniss deu a primeira colherada e, por um instante, foi transportada de volta à infância — todos os domingos, Burdock a levava à sua sorveteria favorita. Eles se desafiavam a experimentar os sabores mais inusitados, misturavam caldas improváveis e escolhiam confeitos coloridos só para rir do resultado. Aqueles eram os momentos em que ela se sentia a menina mais sortuda do mundo, porque sabia que o pai era totalmente dela.

Ela piscou de volta ao presente e encontrou Burdock sorrindo de leve, os olhos claros mais suaves do que de costume.

— Melhor do que qualquer reunião de conselho, não acha? — disse ele.

Ela assentiu, sentindo o coração aquecer.

Por alguns minutos, não havia vingança, nem dor, nem planos escondidos. Apenas pai e filha, compartilhando um segredo doce, como se o mundo lá fora não existisse.

Katniss já estava deitada, a camisola solta escorrendo sobre o corpo, o abajur aceso projetando uma luz suave no quarto. Ela rolava no colchão, tentando desligar os pensamentos, quando o celular vibrou sobre a mesinha de cabeceira.


[21:15] P — Boa noite, minha Gataniss. Ou deveria dizer… insônia disfarçada de descanso? 👀


Katniss mordeu o lábio, sorrindo sozinha.


[21:17] K — E quem disse que estou acordada? Pode ser sonâmbula digitando 😴


A resposta veio rápida.


[21:19] P — Ah, então até sonhando você pensa em mim. Já posso morrer em paz ❤️⚰️


Ela riu baixinho, abafando com a mão.

[21:21] K — Dramático. Aposto que tá deitado encarando o teto e pensando bobagem.

[21:23] P — Errado. Estou deitado, encarando o teto e sentindo falta de você. 😔

O coração dela bateu mais forte. Katniss respirou fundo antes de digitar.

[21:25] K — Tá, se é pra sentir minha falta, vamos fazer isso render… que tal um jogo?

[21:27] P — Que tipo de jogo?

[21:29] K — Verdade ou consequência. Pelo celular. Topa?

[21:31] P — Perigoso. Mas tô dentro. Só porque confio em você. 🙄🔥

Katniss riu novamente, ajeitando-se melhor na cama.

[21:33] K — Confia demais… EU COMEÇO... verdade ou consequência?

[21:34] P — Verdade.

[21:36] K — Ok… Quando foi a última vez que pensou em mim antes de dormir?

Demorou alguns segundos até a notificação surgir.

[21:37] P — Ontem. Anteontem. E na noite anterior também. 😏


As bochechas dela coraram instantaneamente.

[21:39] P — Agora é minha vez de perguntar... verdade ou consequência?

[21:40] K — Consequência.

[21:42] P — Manda uma selfie AGORA. Quero ver que cara faz quando tá prestes a dormir.

Katniss riu sozinha, balançando a cabeça. Esticou o braço, fez uma careta divertida e mandou a foto.

A resposta dele veio com uma chuva de emojis.

[21:43] P — 😍🔥💘

Katniss sorriu maliciosa, já sentindo o jogo tomar outro rumo.

[21:45] K — Verdade ou Consequência?

[21:47] P — Consequência. Quero ver até onde você ousa.

Katniss pensou por um instante, o sorriso crescendo.

[21:49] K — Fecha os olhos e descreve o que faria comigo se eu estivesse aí agora.


Demorou alguns segundos. Quando a resposta chegou, veio acompanhada de um emoji de fogo.


[21:52] P — Eu encostaria devagar na sua cintura… puxaria você pra mais perto… e beijaria sua boca até você esquecer o próprio nome. 😈🔥

As bochechas dela coraram até as orelhas.

[21:54] P — Sua vez, Gataniss… verdade ou consequência?


Katniss mordeu o lábio, os dedos pairando sobre a tela.

[21:55] K — Verdade.

[21:57] P — Você já sonhou comigo? (E não tô falando de sonhos fofos 🤨🔥 )


O coração dela disparou. Katniss revirou os olhos sozinha e digitou:

[21:59] K — Talvez 😶… quem sabe… talvez mais de uma vez.


A resposta dele surgiu quase de imediato.

[22:02] P — Agora quem não vai conseguir dormir sou eu. 👀🔥

Ela riu baixinho, escondendo o rosto no travesseiro.

[22:04] P — Sua vez, Mellark. Verdade ou consequência?

[22:05] P — Verdade.

[22:07] K — Qual parte do meu corpo você mais pensa quando lembra de mim?

A resposta veio com um emoji de seta apontando para baixo.

[22:09] P — Posso escolher só uma? Porque honestamente… suas mãos. Sempre achei que escondem mais do que mostram. E eu fico imaginando o que fariam comigo.

Katniss apertou o travesseiro contra o rosto, abafando um riso nervoso.

[22:11] K — Tá jogando sujo. Agora é sua vez de escolher.

[22:13] P — Consequência. Quero te deixar sem ar.

[22:15] K — Então grava um áudio agora, sussurrando meu nome. Quero ouvir.

O coração dela acelerou. Alguns segundos depois, chegou a notificação

[22:17] P — Mensagem de voz (00:06).

Katniss colocou os fones e, ao ouvir a voz grave de Peeta sussurrando “Katniss…”, sua pele inteira se arrepiou.

[22:19] P — Sua vez, Gataniss… Verdade ou consequência?

Ela respirou fundo, o corpo quente.

[22:21] K — Consequência.

[22:23] P — Fecha os olhos e toca seus lábios com os dedos… finge que são os meus. E me diz como é.

Katniss obedeceu, quase sem perceber. Um arrepio percorreu sua espinha.

[22:25] K — É… quente. Suave. Mas assim não vale... você tá provocando demais, Mellark.

[22:27] P — Então me para. Ou deixa eu continuar. 😉🔥


Katniss fechou os olhos, mordendo o sorriso que insistia em nascer. Ela sabia que aquele joguinho estava prestes a sair do controle — e era exatamente isso que a deixava presa a cada notificação que surgia na tela.

Katniss ainda digitava com as mãos trêmulas quando a próxima mensagem chegou.

[22:30] P —Tá ferrada comigo quando eu te ver amanhã na Atlas, Gataniss 😋🔥


Ela soltou uma risada curta, mordendo o canto do lábio antes de responder:


[22:32] K — É mesmo? Pois eu não tenho medo de você, Mellark. Pode vir com tudo. 😉



A notificação seguinte não trouxe palavras, apenas um emoji. 😈🔥

Katniss bloqueou a tela, o coração acelerado, sentindo como se Peeta estivesse ali no quarto, provocando-a com aquele sorriso insolente.

Dormir? Ela sabia, seria impossível.


✦✦✦


Katniss entrou na sala de reuniões tentando manter a compostura. A equipe já se ajeitava em volta da longa mesa de vidro, telas ligadas, pastas abertas. Peeta, no lugar de sempre, parecia focado em revisar alguns relatórios no tablet. Mas ela sabia. Ele estava esperando o momento certo.

Quando todos se acomodaram, ele ergueu os olhos e encontrou os dela por cima da tela do tablet. Um simples levantar de sobrancelha — como quem diz: “está pronta?”. Katniss cruzou as pernas e ergueu o queixo, aceitando silenciosamente o desafio.

No meio da apresentação de marketing, enquanto um executivo falava, o celular de Katniss vibrou em cima da mesa. Discretamente, ela olhou. Uma mensagem dele.

[08:30] P — Consequência nº1: tira o grampo que prendeu seu cabelo. Agora. 😈


Ela mordeu o lábio. O coração disparou, mas manteve o rosto neutro, como se nada estivesse acontecendo. Fingindo anotar no caderno, deslizou a mão até a nuca e soltou o coque baixo. Os fios caíram em ondas castanhas sobre os ombros.

Do outro lado da mesa, ela viu Peeta ajeitar a postura, quase imperceptível e o brilho satisfeito atravessou os olhos azuis dele.

Minutos depois, outro vibrar.

[08:33] P — Tá lindo assim… mas não terminou. Nova consequência: daqui a pouco, quando eu falar sobre a expansão internacional, você vai beber um gole inteiro de água sem quebrar contato visual comigo. Entendido, Gataniss?

Katniss respirou fundo, o estômago apertando de nervosismo e adrenalina. Digitou de volta.

[08:35] K — Você não sabe brincar leve, né?

[08:37] P — Com você? Nunca.

Quando chegou a vez de Peeta apresentar, sua voz firme e envolvente tomou a sala. Katniss fingia acompanhar os gráficos, mas a cada dado projetado, a expectativa só crescia. Até que ele fez uma pausa estratégica, tomou um gole do próprio copo d’água e ergueu o olhar para ela.

Era a deixa.

Katniss pegou o copo ao lado da pasta, o vidro gelado entre os dedos. Ergueu devagar, sem desviar os olhos dele. O primeiro gole foi difícil, quase se engasgou de nervosa, mas manteve a compostura. O segundo... já era provocação. Ela bebeu lentamente, deixando o contato visual queimá-la viva.

Peeta continuou a apresentação como se nada estivesse acontecendo. Mas o leve sorriso no canto da boca era só dela.

Quando terminou, ela pousou o copo de volta na mesa e digitou rápido sob a mesa.

[08:40] K — Sobrevivi. Agora é minha vez de escolher, Mellark.

Katniss ajeitou a postura na cadeira, disfarçando um sorriso malicioso enquanto digitava sob a mesa:

[08:42] K — Consequência nº1 pro senhor CEO: durante sua próxima fala, você vai pegar sua caneta devagar… e colocar a ponta na boca. Como se estivesse distraído. Quero ver você bancar o profissional com todo mundo olhando.

Do outro lado da mesa, ela viu Peeta erguer os olhos rapidamente para o celular e depois para ela, quase se engasgando numa risada. Ele balançou a cabeça em negação discreta, digitando de volta.

[08:45] P — Você é cruel, Everdeen…

[08:47] K — Só tô jogando no mesmo nível, Mellark 😉


Na sequência, Burdock pediu que Peeta retomasse a parte da análise de mercado. Ele respirou fundo, endireitou a gravata e começou a falar com segurança, como se nada tivesse mudado.

Mas então, com a naturalidade de um ator em pleno palco, levou a mão ao bolso frontal de seu impecável terno. Retirou a caneta devagar, como quem precisa pensar melhor nos números projetados. O detalhe metálico da caneta refletia na tela onde estava os gráficos, os olhares de alguns conselheiros acompanharam o gesto… e Katniss quase perdeu a compostura quando ele levou a ponta até os lábios.

Um toque sutil. Um segundo a mais do que o necessário.

O suficiente para que a mente dela fosse direto à noite anterior.

— … e, como podem ver, a estimativa de crescimento internacional é consistente com as métricas de estabilidade — disse ele, modulando a voz com perfeição, como se nada estivesse acontecendo.

Katniss teve que apertar sua caneta entre os dedos para não rir. O homem realmente tinha sangue frio. E, pior, conseguia transformar uma consequência que deveria envergonhá-lo em uma cena de pura sedução velada.

Disfarçando, ela digitou rápido.

[08:51] K — Parabéns, Mellark. Te dou nota 9.

[08:53] P — Só 9? Depois te mostro o 10. 😏

Ela respirou fundo, tentando se concentrar no que vinha a seguir, mas já sabia... o “round” só estava começando.

Katniss recostou-se na cadeira, cruzando as pernas lentamente sob a mesa, o rosto impecavelmente sereno enquanto digitava escondido.

[08:57] K — Próxima consequência: quando alguém te fizer uma pergunta, você vai me encarar nos olhos e responder como se estivesse falando só comigo. Quero ver você segurar a onda.

Do outro lado da mesa, Peeta leu a mensagem e quase engasgou com a própria saliva. Ele ergueu o olhar na direção dela, que se fingia ocupada rabiscando algo no tablet.

Plutarch pigarreou, chamando-o de volta ao foco:

— Peeta, e quanto ao cronograma de rollout nos países da Ásia?

Peeta ajustou os ombros, abriu um gráfico no telão e respondeu, mas exatamente como Katniss havia desafiado: os olhos fixos nela, cada palavra modulada como se fosse um recado íntimo.

— A expansão precisa de cautela... ritmo certo... e confiança absoluta na parceria.

Katniss quase deixou escapar um riso incrédulo. O conselho inteiro anotava sério, sem notar nada — mas para ela, era como se só existissem os dois naquela sala.

Foi então que Johanna, recostada na cadeira ao lado de Pollux, arqueou uma sobrancelha e soltou em voz baixa, mas suficiente para ecoar:

— Tá… eu sou a única vendo essa tensão erótica corporativa ou todo mundo aqui tá fingindo cegueira seletiva?

Houve uma tosse constrangida de Plutarch, Messala quase deixou o tablet a caneta e Katniss escondeu o sorriso bebendo água. Peeta, por sua vez, apenas ajeitou a gravata com um ar blasé, mas seus olhos riam.

Quando a reunião terminou, Johanna levantou-se, batendo as mãos como se aplaudisse uma peça de teatro.

— Palmas, casal. Sério, se vocês decidirem continuar esse joguinho em todas as reuniões, juro que vou começar a gostar mais de trabalhar aqui.

Katniss arqueou uma sobrancelha.

— Casal?

— Ah, não se façam de santos. — Johanna piscou, girou nos saltos altos com a confiança de quem sempre sabe mais do que deveria e acrescentou: — Agora, tratem de se preparar. Hoje depois do expediente eu arrasto vocês dois pro happy hour.

E saiu deixando para trás um rastro de perfume, sarcasmo e pura diversão.

Peeta e Katniss se entreolharam. Ele mordeu discretamente o canto do lábio, e ela revirou os olhos, mas o calor na pele não deixava dúvidas... o jogo estava só começando.



Notas finais
É isso, uma ótima semana a todos, beijos e até!!!!