Notas iniciais
Chegamos ao fim de mais uma fanfic Peetniss e eu só tenho a agradecer a cada um que chegou até aqui. Me perdoem se ñ supri todas as expectativas, meu plano inicial era Katniss executar sua vingança, eles ficarem distantes e depois reconciliar e eu já partiria pro epílogo, mas aí pensei bem e quis ir além... e de coração vcs foram incríveis!!!! E só agradecer a cada leitora (o) que me apoiou, sào tantos nomes, mas vou deixar um especial agradecimento a Viviane Eve, a minha fiel escudeira Vitória Santos (que foi através desse enredo que nasceu nossa amizade 🥹🤧🫶🏼 só gratidão lindona) e tbm obrigada Sany, Vanessa e Bruna por me acompanharem nesse novo enredo. Tenho muitos enredos PEETNIS fabulosos engavetados, mas por hora vou me concentrar em "A Outra Eu " e concluir "O duque que me Amou" preciso concluir antes da chegada do meu bebê rsrs. Então sem mais delongas vamos ao epílogo e vou responder a todos os comentários 😘


CINCO ANOS HAVIAM SE PASSADO desde a primeira vez que Katniss segurara a filha nos braços e descobrira que era possível amar alguém com uma intensidade que assustava.

Dois anos desde que Kyle Mellark chegara para transformar aquela família em uma pequena multidão.

E, de alguma forma, a cobertura que um dia parecera grande demais para duas pessoas agora já não parecia suficiente para quatro.

Peeta resolveu o problema da maneira mais Mellark possível. Não procurou outra casa. Não considerou mudar-se para outro bairro. Comprou simplesmente o apartamento ao lado.

Quando contou a Katniss, ela ficou alguns segundos olhando para ele, incrédula.

— Você comprou o apartamento vizinho?

— Comprei.

— Para quê?

Peeta ergueu uma sobrancelha, como se a resposta fosse óbvia.

— Para nossos filhos terem espaço.

— Peeta, eles têm quatro e dois anos.

— Exatamente. Já estão ocupando espaço demais.

Katniss soltou uma risada.

— Você é impossível.

— E você me ama mesmo assim.

Amava. Mais do que um dia imaginara ser capaz.

Nas semanas seguintes, engenheiros, arquitetos e designers ocuparam os dois apartamentos. A parede que separava as propriedades foi removida, criando uma única residência ampla e iluminada, sem perder a privacidade e a elegância que sempre haviam marcado a cobertura Mellark.

O novo espaço ganhou uma biblioteca, uma sala de brinquedos, quartos maiores para as crianças e uma área especialmente projetada para que Primrose pudesse desenhar, pintar e espalhar seus materiais sem ouvir uma única reclamação.

Mas foi do lado de fora que Peeta realizou sua maior transformação.

A antiga área externa, antes dominada pelo concreto e pelo mobiliário sofisticado, deu lugar a um verdadeiro jardim suspenso no coração de Manhattan. Gramados macios cobriam boa parte do terraço. Pequenas árvores foram plantadas em vasos enormes, roseiras e hortênsias coloriam os canteiros, e uma pérgola coberta por trepadeiras criava um canto sombreado para os dias mais quentes.

Havia um balanço de madeira. Uma pequena casinha infantil. Um espaço de areia.

E, principalmente, espaço.

Muito espaço.

Lugar suficiente para duas crianças correrem sem que ninguém precisasse dizer para terem cuidado a cada três segundos.

Katniss ficou parada na porta na primeira vez que viu tudo pronto. Primrose corria pelo gramado atrás de uma bola colorida, enquanto Kyle, com seus dois anos recém-completados, caminhava aos tropeços atrás dela.

E então Milo apareceu. O Jack Russell Terrier que Otho dera à família disparou pelo jardim com uma pequena bola presa entre os dentes.

— Milo! — Primrose gritou, correndo atrás dele.

— Mimooo! — Kyle tentou acompanhar, batendo as mãozinhas.

Katniss levou uma mão à boca, contendo uma risada. Ao seu lado, Peeta observava a cena com os braços cruzados.

— Você está chorando? — perguntou ele.

— Não.

— Está.

— Cala a boca, Mellark.

Ele sorriu.

— Gostou?

Katniss olhou novamente para o jardim.

Para os filhos. Para Milo. Para o céu aberto acima deles e para o skyline de Manhattan ao fundo.

Então virou-se para o marido.

— Eu amei.

Peeta se aproximou e envolveu sua cintura.

— Eu queria que eles tivessem um lugar para serem crianças.

Katniss apoiou a cabeça no ombro dele.

— Você fez isso por eles?

Ele beijou seus cabelos.

— Por eles. Por você. Por nós.

Ela entrelaçou os dedos aos dele.

E, enquanto Primrose gargalhava no gramado e Kyle tentava capturar Milo com seus pequenos braços, Katniss percebeu que aquela casa já não era apenas uma cobertura luxuosa no coração de Manhattan.

Era lar.


✦CEMITÉRIO EVERGARDEN✦


Katniss permaneceu alguns segundos em silêncio, olhando para a lápide.

O vento do fim de tarde movimentou suavemente as folhas das árvores, fazendo algumas pétalas brancas se desprenderem das flores que havia deixado ali.

Ela respirou fundo.

— Eu demorei muito para entender isso, Prim.

A voz saiu baixa.

— Passei tanto tempo achando que, se eu fosse feliz, estaria deixando você para trás. Como se sorrir significasse esquecer. Como se amar outras pessoas diminuísse o amor que eu sempre senti por você.

Ela passou os dedos sobre a pedra fria.

— Mas não diminui.

Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios.

— Eu ainda penso em você quando vejo flores amarelas. Quando sinto cheiro de chuva. Quando vejo uma menina correndo pelo jardim com o cabelo bagunçado...

A risada escapou entre as lágrimas.

— A Primrose faz isso. Ela corre igual a você.

Katniss fechou os olhos por um instante.

— Às vezes eu olho para ela e parece que a vida está me dando uma segunda chance de conhecer você.

O silêncio que veio depois não era mais doloroso.

Era tranquilo.

Katniss respirou fundo e se levantou devagar. Foi quando sentiu braços fortes envolvendo sua cintura por trás. Ela reconheceu o perfume imediatamente. O corpo relaxou.

As mãos de Peeta se entrelaçaram sobre seu abdômen, e ele apoiou o queixo em seu ombro.

Katniss fechou os olhos.

Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.

Então ele murmurou:

— Ela respondeu.

Katniss abriu os olhos.

— O quê?

Peeta virou o rosto ligeiramente, ainda mantendo o abraço.

— A Prim.

Um sorriso emocionado surgiu nos lábios dele.

Katniss soltou uma pequena risada entre as lágrimas.

— Você está inventando isso.

— Talvez.

Ele beijou delicadamente sua têmpora.

— Mas acho que ela diria que está sempre olhando por você.

Katniss ficou imóvel.

Peeta apertou um pouco mais o abraço.

— E que está feliz em ver o quanto você está feliz.

Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.

— Feliz?

— Sim.

Ele virou Katniss lentamente em seus braços. Os olhos azuis encontraram os dela.

— Feliz em ver você assim.

— Assim como?

Peeta segurou seu rosto entre as mãos.

— Plena.

A palavra atingiu Katniss de uma maneira diferente.

Plena.

Ela olhou para ele e sorriu através das lágrimas. Durante tantos anos, acreditara que sua história seria definida por aquilo que havia perdido.

Culpa. Raiva... Pela menina que não conseguiu salvar e pelo garoto que um dia a destruiu.

Entretanto, ali diante daquela lápide, percebeu que nada disso havia desaparecido.

A dor continuava fazendo parte dela. A saudade também. Só que agora existiam outras coisas.

Amor. Família. Perdão.

E uma felicidade que ela não precisava mais pedir desculpas por sentir.

Katniss encostou a testa na de Peeta.

— Obrigada por esperar.

— Eu sempre vou esperar.

— Mesmo quando eu demorar?

— Principalmente quando você demorar.

Ela sorriu.

— Eu te amo.

— Eu também te amo.

Peeta beijou sua testa e, antes de se afastar, olhou para a lápide.

— Obrigado por cuidar dela.

Katniss segurou a mão dele. Os dois permaneceram ali por mais alguns segundos. Então ela olhou uma última vez para o nome gravado na pedra.

Primrose March Everdeen.

— Até a próxima, Prim.

Dessa vez, Katniss não chorou.

Apenas sorriu e caminhou de mãos dadas com Peeta em direção ao carro.

Do outro lado do estacionamento, o sol desaparecia lentamente atrás dos prédios de Manhattan.

E, pela primeira vez, Katniss não sentiu que estava deixando a irmã para trás. Sentiu que estava levando seu amor consigo.


✦✦✦


MAIS TARDE quando as portas do elevador privativo se abriram, o som de risadas infantis invadiu o corredor.

— Mamãe!

Primrose surgiu correndo pelo hall, os cabelos loiros claros balançando pelos ombros.

Katniss se abaixou imediatamente.

— Meu amor!

A menina se jogou em seus braços.

— O Milo pegou minha bola!

— Ele pegou?

— Pegou e não quer devolver!

Atrás dela, o pequeno Jack Russell apareceu trotando pelo corredor com a bola vermelha presa entre os dentes.

Kyle veio logo depois, cambaleando em suas perninhas.

— Milo!

Peeta soltou uma gargalhada.

— Acho que temos um problema sério aqui.

Katniss olhou para o marido.

E então para os filhos. Primrose ria. Kyle batia palminhas.

Milo disparava novamente em direção ao jardim.

Ela sentiu o peito se encher.

Peeta estendeu a mão.

— Vem.

Katniss entrelaçou os dedos nos dele.

E os quatro — cinco, se contassem Milo — seguiram para o jardim.

Manhattan brilhava ao redor deles.

Mas, naquele instante, Katniss não precisava de nenhuma outra paisagem. Aquela era a sua. Sua casa. Sua família. Sua vida.

E, finalmente, seu coração estava em paz.


✦✦✦


O domingo, 8 de maio, amanheceu ensolarado sobre Manhattan.

Era aniversário de Katniss.

A cobertura Mellark estava diferente naquela manhã. A área externa, ampliada depois da compra do apartamento vizinho, havia se transformado no cenário perfeito para uma reunião de família.

A churrasqueira de pedra já estava acesa, soltando o aroma irresistível de carne grelhada, enquanto uma mesa comprida, protegida por um pergolado, estava coberta com toalhas claras, travessas de saladas, pães artesanais, frutas e sobremesas.

Ao lado, a piscina infantil estava tomada por brinquedos coloridos. A piscina maior refletia o azul impecável do céu.

E o jardim...

O jardim era um caos maravilhoso.

Milo corria de um lado para o outro, completamente alheio ao fato de ser perseguido por duas crianças.

— Milo! Volta aqui! — gritou Primrose, correndo pelo gramado com os cabelos loiros claros voando pelos ombros.

— Mimooo! — Kyle gritava atrás dela, com seus dois anos e uma risada que parecia não ter fim.

— Esses dois vão acabar com meu jardim — comentou Peeta, segurando uma pinça enquanto cuidava da churrasqueira.

Katniss, sentada em uma das espreguiçadeiras, ergueu os óculos de sol até o topo da cabeça.

— Você construiu um jardim inteiro para eles correrem.

— Eu sei.

— Então pare de reclamar.

Peeta apontou a pinça para ela.

— Não estou reclamando. Estou observando a destruição do meu investimento.

Ela riu.

— Feliz aniversário para mim.

Ele se aproximou e beijou demoradamente sua testa.

— Feliz aniversário, minha garota em chamas.

A voz de Primrose interrompeu o momento.

— Papai!

Peeta se virou.

— O quê, princesa?

— Agora o Milo roubou minha boneca!

O Jack Russell passou correndo entre eles com um pequeno brinquedo cor-de-rosa na boca.

Peeta suspirou.

— Milo, devolve isso.

O cachorro simplesmente continuou correndo.

Katniss começou a rir.

— Acho que ele não respeita sua autoridade.

— É porque foi criado pelo meu pai.

— Então a culpa é do seu pai?

— Tecnicamente, sim.

Ela gargalhou.

Do outro lado do jardim, uma nova onda de risadas anunciou a chegada dos convidados.

Finnick e Annie apareceram primeiro com os gêmeos, Anthony e Kate.

Katniss abriu um sorriso ao vê-los.

Os dois já tinham treze anos e agora começavam a deixar para trás a infância mais pequena, embora ainda fossem crianças o suficiente para transformar qualquer encontro familiar em uma competição.

— Feliz aniversário! — Annie abriu os braços.

Katniss a abraçou.

— Obrigada.

Finnick entregou-lhe uma caixa elegantemente embrulhada.

— Presente oficial do seu cunhado favorito.

Peeta, que passava atrás deles, soltou uma risada.

— Você não é o único cunhado.

— Sou o favorito por ser mais simpático.

Anthony e Kate correram direto para a piscina.

— Ei! — Annie chamou. — Sem empurrar!

— Eu não empurrei! — protestou Anthony.

— Ainda — completou Kate.

Katniss riu.

Pouco depois, Cato chegou acompanhado de Skye.

A menina, agora com dez anos, carregava uma pequena mochila e parecia muito mais alta do que Katniss se lembrava. Skye correu até o tio e o abraçou antes de cumprimentar os outros.

Ao lado deles vinha a nova família de Cato: sua esposa, Madeline, e o pequeno Joe, um menino loiro que imediatamente ficou fascinado por Milo.

Kyle, sentado na grama, abraçado às próprias pernas, apontou para Milo.

— Meu.

Peeta ergueu uma sobrancelha.

— Está vendo? O cachorro já tem dono.

Joe fez uma expressão indignada.

— Mas eu também quero!

Primrose apareceu imediatamente.

— Ele é de todo mundo.

Kyle olhou para a irmã.

Pensou e então assentiu.

— Todo mundo.

Katniss levou a mão ao peito.

— Problema resolvido.

— Democracia Mellark — comentou Peeta.

Mais risadas.

Presley chegou pouco depois com Jason e o pequeno Jayce.

A irmã de Peeta estava grávida novamente, e a mão repousava de maneira quase automática sobre a barriga já evidente.

— Não me olhem assim — disse ela, assim que percebeu os olhares. — Eu ainda consigo andar.

— Ninguém disse nada — respondeu Katniss, rindo.

— Mas pensaram.

Jason apenas balançou a cabeça, acostumado.

Jayce, ainda pequeno, foi imediatamente atraído pela piscina infantil.

— Água!

— Depois do almoço — disse Presley.

— Agora!

— Jayce.

— Agora!

Peeta se abaixou diante dele.

— Se você comer tudo, eu libero a piscina.

O menino pensou por dois segundos.

— Tudo?

— Tudo.

— Fechado.

Presley olhou para Peeta.

— Você acabou de negociar com uma criança de dois anos?

— Sou CEO. Negociação é literalmente meu trabalho.

Katniss riu.

— Você é ridículo.

— E eficiente.

Do outro lado da área externa, Delly e Johanna chegaram juntas com Joy.

Aos nove anos, Joy ainda conservava o mesmo entusiasmo que fazia Peeta se derreter desde pequena. O pônei Astor continuava sendo um dos assuntos favoritos dela, e ela não demorou nem cinco minutos para começar a contar a Primrose uma história interminável sobre ele.

— E ele sabe quando eu estou triste — dizia Joy.

Primrose arregalou os olhos.

— Cavalos entendem sentimentos?

— Astor entende.

— O Milo também.

Kyle ergueu o rosto.

— Milo não entende.

— Entende sim — protestou Primrose.

— Não entende.

— Entende!

Peeta olhou para Katniss.

— E começou.

Ela sorriu.

— Crianças.

Mais tarde, quando a família já estava reunida, Otho chegou acompanhado de Francesca.

A presença dele mudou algo no ambiente. Já não era o homem debilitado e perdido que Katniss conhecera anos antes. Continuava caminhando com alguma dificuldade e apoiava-se em sua bengala, mas havia uma serenidade nova em seus olhos.

Francesca, uma italiana simpática e afetuosa, caminhava ao lado dele segurando sua mão.

— Buon compleanno, cara — disse ela a Katniss, entregando-lhe um pequeno embrulho.

Katniss sorriu.

— Obrigada, Francesca.

Otho abriu os braços.

— Venha cá, minha menina.

Katniss o abraçou.

— É tão bom ter você aqui.

— Eu não perderia o aniversário da minha nora favorita.

Peeta, que ouviu de longe, apontou para si mesmo.

— Pai, você diz isso pra Annie e pra Madeline.

Otho deu de ombros.

— Então todas ganham.

Todos riram.

Burdock e Asterid chegaram pouco depois.

Asterid trouxe flores. Burdock, uma garrafa de vinho que imediatamente foi confiscada por Peeta sob a justificativa de que ele era o anfitrião.

— Desde quando você virou sommelier? — perguntou Katniss.

— Desde que seu pai começou a escolher vinhos caros demais para serem desperdiçados.

Burdock ergueu a sobrancelha.

— Eu ouvi isso.

— Era para ouvir.

Asterid abraçou a filha demoradamente.

— Feliz aniversário, querida.

Katniss fechou os olhos durante o abraço.

— Obrigada, mãe.

Quando finalmente se afastou, olhou ao redor.

Todos estavam ali.

Finnick e Annie. Anthony e Kate. Cato, Madeline Skye e Joe. Presley, Jason e Jayce. A pequena vida crescendo dentro de Presley. Johanna, Delly e Joy. Otho e Francesca. Burdock e Asterid.

Peeta, Primrose, Kyle e Milo.

Sua família.

De formas que um dia Katniss jamais imaginara.

A tarde avançou entre comida, música, brincadeiras e gargalhadas.

As crianças ocuparam completamente o jardim.

Anthony e Kate organizaram uma guerra de pistolas d’água. Skye tentou convencer Primrose a participar. Joy virou árbitra.

Joe ficou encarregado de perseguir Milo. Kyle simplesmente corria atrás de todos.

E Peeta desistiu completamente de fingir que controlava alguma coisa.

No meio da tarde, ele finalmente conseguiu pegar Primrose no colo.

— Vem cá, minha flor.

— Papai!

Ela passou os braços ao redor do pescoço dele. Kyle apareceu logo depois, agarrando a perna do pai.

— Eu também!

— Você também.

Peeta abriu o outro braço.

Kyle se encaixou nele.

Milo passou correndo entre os três.

E Katniss ficou alguns segundos parada, apenas olhando.

A cena era tão simples. Tão comum. Tão perfeita.

Peeta percebeu o olhar dela.

— O que foi?

Ela sorriu.

— Nada.

Ele estendeu a mão.

— Vem.

Katniss caminhou até eles.

Peeta segurou sua mão e a puxou para perto, envolvendo sua cintura.

Primrose ria no colo dele. Kyle brincava com a barra da camisa do pai.

Milo desaparecia novamente pelo gramado.

Ao fundo, a família conversava, ria e discutia sobre quem deveria ser responsável pela sobremesa.

Manhattan brilhava além das árvores.

Katniss olhou para tudo aquilo. E pensou na menina que havia sido. Na irmã que perdera. Na culpa que carregara. Na promessa que fizera a si mesma de nunca ter filhos. Na vingança que um dia acreditara ser a única coisa capaz de preencher o vazio dentro dela.

E então olhou para Primrose, Kyle e Peeta.

Para aquela casa cheia de vida.

Durante anos, achou que sua vida seria definida pelo que havia perdido.

Agora, finalmente, era definida pelo que havia escolhido amar.

Peeta beijou sua testa. Primrose ria no gramado. Kyle tentava acompanhar Milo.

E, Katniss não teve medo de olhar para o futuro. Porque o futuro já estava ali. Em sua casa. Em seus filhos. Nos braços do homem que um dia jurara odiar.

E, finalmente, em seu próprio coração.

Pleno.

E talvez essa fosse a verdadeira vingança.

Não destruir Peeta Mellark. Não fazê-lo sofrer. Não fazê-lo implorar, mas sobreviver ao passado.

Perdoar a garota que ela havia sido e construir uma vida tão cheia de amor que, finalmente, não sobrasse espaço para o ódio.

Katniss apertou a mão de Peeta. Ele entrelaçou os dedos nos dela.

E os dois permaneceram ali, cercados pelas pessoas que haviam escolhido chamar de família, enquanto o sol dourado descia lentamente sobre Manhattan.



✦✦✦ FIM ✦✦✦





Notas finais
É isso amores, continuem me seguindo, pois isso ñ é um adeus, é um até logo 😘
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!