Doce Vingança

2 O Despertar de Um Novo Sentimento


O Despertar de Um Novo Sentimento



Heloiza estava dentro de casa reunida com sua família e noivo, todos jantavam mesmo receosos, pois a guerra havia estourado podia se ouvir o barulho de bombas e tiros longínquos, alguns gritos agudos, tentavam se fazer de surdos, impossível o barulho começou a se aproximar, todos saíram para fora menos ela, fecharam a porta. O tempo começou a passar e ninguém retornava ela já estava ficando nervosa, seu coração batia cada vez mais rápido de acordo com o tom dos barulhos. Invadiram o vilarejo,queria sair para ver onde estava sua família. Ficou imóvel, enquanto começaram a forçar a porta. O soldado entrou em sua casa, arrombando a entrada que não teve como resistir. Ela sabia muito antes de qualquer coisa bater em sua porta que aquilo acontecia. Igual àquela guerra, era algo inevitável.


Ele parou em meio aos batentes e ficou encarando-a. Ela não sabia o que fazer enquanto o medo tomava forma dentro dela, mas ela não iria se render. Ele soltou uma pequena risada sarcástica e sem olhar pra trás; movendo apenas o braço; bateu a porta, Heloiza deu um passo a trás e esbarrou na cadeira quase caindo no chão.


-Calma — disse ele — eu só quero me divertir um pouco, você e tão bonitinha!


-Saia daqui, seu asqueroso! Ditador nojento!


Um passo para frente dele, fez ela dar dois passos para trás. Os gritos lá fora aumentaram, enquanto ele avançava com um olhar pernicioso de cobiça. Ela; com um olhar rápido; tentou esgueirar-se pela direita, mas ele foi mais rápido, enlaçando-a pela cintura e trazendo-a para si. Ela tentou gritar, mas de nada adiantariam seus grito em meio ao caos que se formavam.


Ela socou o peito do soldado, mas isso só o fez rir descaradamente, enquanto a empurrava para a parede mais próxima.


-Isso não vai doer! – A voz escorregou para dentro do seu ouvido enquanto o nojo começava a tomar forma. Ela precisava sair dali. Seus instintos diziam isso a ela.


Ela tentou se debater, mas com uma mão ele pegou seus pulsos o elevando acima de sua cabeça. A língua roçou a pele morena de seu pescoço enquanto ela sentia a outra mão dele deslizar por cima do tecido que formava seu vestido, chegando ao caos e adentrando, levando a um toque mais intimo.


Alguém a chamou e ela mais uma vez gritou, mas o soldado a impediu de continuar seu berro por socorro quando selou os lábios dela com os seus próprios. O gosto de álcool timbrou sua saliva, enquanto ele forçava seu corpo ao encontro do seu próprio.


A porta voltou a ser aberta mas ele não ligou. Estava em uma missão mais interessante naquele momento.


Um sentimento de alivio transpassou pelo seu corpo, quando num gesto rápido uma cadeira se chocou contra as costas do soldado que cambaleou librtando-a.


-León! – Ela gritou enquanto corria para seu noivo, mas ele não lhe deu mais atenção, e se atracou contra o soldado que começava a ter entendimento do que ocorria.


-Corra! – seu noivo gritou, mas ela não teve; por instante; como se mover, até a realidade chegar a si, mas já era tarde. Braços já a rodeavam enquanto a levavam para fora.


Braços esses de soldados a procura de mais reféns para a ditadura.Apesar de estar fazendo uma enorme força, jogando seu corpo para frente na tentativa de escapar ,se debatendo, não conseguia se libertar .A arrastaram para fora, as lágrimas caiam do seu suado rosto, os lábios tremendo e voz rouca que não mais conseguia fazer som algum.Podia ouvir o som da luta dos dois dentro de sua casasocos , chutes , moveis caindo e sendo destruídos.Não conseguia enxergar mais o interior de seu lar , os soldados a arrastavam em direção a um caminhão velho e enferrujado que estava parado no fim da rua de terra a poucos metros dali.Mas ainda conseguia ouvir a voz de León que jogava ao vento insultos contra aquele com que estava se atracando.


-Nãooo!- foi ouvido de dentro de sua casa.


Um tiro silenciou a briga.


O desespero tomou conta de seu coração quem haveria tomado aquele tiro.Sua respiração ofegante , mil pensamentos pousaram sobre sua mente precisava voltar lá.Já havia parado de resistir ,por isso os soldados não estavam empenhando tanto cuidado com ela ,que percebeu e num ato rápido sacudiu seu braço que estava sendo segurado por um deles e correu em direção ao local da silenciada briga , avistou alguém saindo ,seu coração disparou .


-León — gritou com tom de dúvida na voz.


Dois dos soldados estavam atrás dela. Foi chegando mais perto, infelizmente não era seu amado noivo, ela parou na hora, não podia e não queria acreditar, seus sonhos ,seu amor havia acabado,ele morreu para protege-la de um ato covarde e asqueroso . Aquele que estava saindo era o nojento que tentou estuprá-la a pouco e que agora vinha em sua direção com um sorriso de satisfação estampado no rosto.


Naquele momento estava se sentindo como um animal encurralado o assassino de seu noivo de um lado e dois soldados de outro, apesar da angústia, ódio e revolta que a assolavam naquele momento precisava se salvar.


O medo espalhava em suas veias, enquanto ela sentia o céu escurecer com os aviões zunindo no céu, trazendo a destruição. Ela deveria correr. Seu extinto de autopreservação dizia isso para ela, precisava se salvar, mas ela não sabia de onde tirar forças. Uma casa explodiu em suas costas enquanto um grito angustiado brotou de algum ponto.


Isso fez com que algo despertasse nela, começou a correr sem olhar para trás , se embrenhou no meio da mata , a qual conhecia bem assim como todos os outros moradores do vilarejo.A escuridão era diminuída com os clarões das bombas ,os galhos rasgavam sua roupa e causavam-lhe pequenos cortes porém doloridos , corria sem destino e automaticamente,querendo deixar para trás tudo aquilo. A muito que já não estavam mais a perseguindo, mas ela nem percebeu, os sentimentos diversos assolavam seu coração enquanto na sua mente imagens da recente destruição e atos se repetiam. Seu pé enroscou em algo e logo sentiu seu rosto e corpo se juntarem a fresca lama , só assim parou , podia ouvir tudo e sentir o cheiro de sangue no ar , se ajeitou ali mesmo, estava exausta ,se encolheu toda e abraçou suas pernas ,sua respiração acelerada aos poucos foi tomando outro rítimo.


Estava ali agora tomada pelo medo,e atenta a tudo , ouvia os passos de outro que adentravam aquele lugar ,as folhas sendo pisoteadas.Os aviões foram se retirando , os bombardeios diminuindo , seus olhos se fechando .Devido ao cansaço adormeceu em meio ao caos.


Quando seus olhos abriram, viu os raios alaranjados do sol por de trás das árvores.


Estava imunda e dolorida, já não ouvia mais tiros, choros e gritos agonizantes. O ar gelado da manhã lhe rendeu sucessivos tremores. Levantou-se e foi a caminho do vilarejo. A cada passo encontrava outros que também conseguiram escapar se escondendo na floresta,todos assustados alguns bem machucados ,crianças,adultos e idosos , não eram muitos se comparado a antiga população.O sangue pisado por cima das folhas secas, cápsulas de balas espalhadas no chão, corpos e suas partes em todos os lugares.


A cada nova parte desse cenário a indignação tomava conta de seu ser.Levava a mão a boca e cabeça em sinais de desespero.Os pais tampavam os olhos de suas crianças.As lágrimas jorravam dos olhos de todos que viam aquilo e refletiam sobre o que acontecera.Isso era doloroso demais.


Ela correu para onde deveria estar sua casa. Mesmo as pessoas impedindo-a, ela tinha que ver. Sonhos destruídos de muitas vidas, mas a sua parecia ser algo mais. Ela não queria acreditar. Empurrou alguém que entrara a sua frente e nem ao menos se virou para pedir desculpas, seus olhos se encheram de lágrimas quando a sua frente nada mais se via se não paredes queimadas e os destroços no chão, em meio a corpos irreconhecíveis. Aquilo que um dia fora sua casa.


Começou a caminhar em meio aos destroços, escutou um choro distante, começou a correr em meio daquela destruição procurando a provável criança dona daqueles soluços dignos de comoção. Avistou então entre alguns pedaços daquilo que parecia ter sido um berço, próximos a uma parede que ainda estava em pé, uma criança de aproximadamente três, quatro anos a chorar, com um olhar perdido olhando para todos os lados chamando sua mãe, o qual o corpo estava uns metros distante estendido no chão. O pequeno ser estava com alguns cortes e sujo de terra e de cinzas.


Heloiza o pegou no cólo colocando sua mão na pequenina cabecinha e trazendo-a junto a seu peito na tentativa de acalma-lo.Percebeu que o menininho estava sozinho no mundo, pior do que ela que já era adulta e não dependente como ele.Isso dilacerou seu coração,como podiam ter feito aquilo.Agora um novo sentimento despertava em seu coração , o qual a fazia pensar em causar dor em todos aqueles que com seus estúpidos atos moldaram o dado momento de destruição.