Doce Verão

2 Babás de Plantão


Percorremos longo caminho na vizinhança para achar pessoas com filhos pequenos. Já tínhamos uma lista em mãos dos pais que nos queriam como babás. A primeira porta que batemos era aquele solteirão chamado Edmundo, ele tinha dois filhos, mas fechou a porta na nossa cara. O próximo vizinho era um casal de gays que não tinham filhos, porém nos deu bombons. Paramos em frente a um sobrado onde morava uma mulher grávida mãe de dois filhos, Seth e Johnny. Ela nos deixou entrar e disse que voltaria na hora do almoço.

Entramos e nos deparamos com a maior baderna, copos sujos melecados jogados no chão, louça espalhada por toda a pia, peças de Lego por todo o tapete e um líquido não identificado lambuzando o chão de porcelanato da cozinha. O garotinho mais novo, Seth, estava sentado no chão, comendo um lápis e brincando com um waffle cheio de calda de caramelo, enquanto o mais velho, Johnny brincava com o lego no tapete. Quando a mãe fechou a porta e saiu, Seth percebeu e começou a chorar. Seu choro era agudo e irritante, fazendo eu me irritar e comecei a gritar.

-Cala a boca! — então Johnny começou a gritar em um ataque de fúria, jogando copos e pratos no chão.

— Gente, calma, vamos limpar tudo e nos divertir à beça hoje! – Jasmine tentou, mas as crianças não pareciam dar ouvidos. Eu corri para ligar a TV e fazer Seth se distrair. Coloquei em um canal de crianças e estava passando Bob Esponja. Logo, ele se acalmou e ficou vidrado na tela, chupando o dedinho.

Jasmine agarrou Johnny, em um impulso louco e embriagado graças aos tantos dias assistindo à luta livre, e lhe prendeu o pescoço, para ele parar de gritar e jogar copos. Ele fez um barulho assustador com a garganta e ficou quieto.

Ela se afastou, quando ele sussurrou, rouco:

— Irado! Como você fez isso?

— Eu te ensino se você me ajudar a limpar a cozinha. – Johnny se levantou, e começou a catar os cacos de vidro. Jasmine sorriu para mim, e fez o mesmo. Dentro de vinte minutos, eu, Johnny e Jas terminamos de arrumar. Não estava um brinco, mas estava razoável. Enquanto Jas ensinava alguns golpes de luta livre para Johnny, eu assistia Bob Esponja com Seth.

Tudo ocorreu bem depois disso, e a mãe deles nos deu 50 dólares.

Felizes, nos dirigimos para a próxima casa.

Um casal nos deixou tomar conta de gêmeas pela tarde, Amber e Cassidy. Elas eram uns amores, não tivemos muito trabalho com elas. Até os pais saírem.

Uma delas tentou arrancar os cabelos de Jasmine, e a outra veio em cima de mim, me batendo com uma Barbie.

Jasmine, em um gesto impulsivo, assim como com Johnny, começou a esganar a que a atacava, Amber ou Cassidy, o que poderia parecer cômico, embora eu também estivesse em ‘perigo’. O rosto da loirinha ficou rosa, depois roxo, e eu gritei para ela parar.

Quando ela se deu por si, a menina estava no chão, chorando como um porco. Ela me ajudou a afastar a outra gêmea de mim, que se juntou ao coro da irmã. Eu tampei os ouvidos, tentando desesperadamente pensar em uma solução. Olhei ao redor, mas não vi nem uma televisão, ou algo do tipo. Havia brinquedos. Resolvi usá-los.

Peguei uma boneca gigante, escovas de cabelo e bijuterias. Eu me sentei do lado delas, e perguntei:

— Vamos arrumar essa linda boneca?

— Não! – elas gritaram em uníssono. Suspirei.

— Só um pouquinho...

— Não! – elas cortaram. Olhei para a Jasmine, que parecia prestes a desmaiar. Ela falou:

— Não aguento mais, vou ao banheiro. – e ela sumiu pelo corredor.

Saí correndo para tentar achar Jasmine, e as ouvi começarem a chorar de novo. Tentei não ouvir, e procurei a porta do banheiro. Bati em todas, gritando desesperadamente pelo nome de Jasmine.

De repente uma porta se abriu, mas não era Jas quem saiu de lá. Era um garoto alto e magro, de cabelos castanhos lisos e sedosos, a franja de lado. Ele tinha um nariz comprido e olhos azuis. Quando me dei conta, estava suspirando audivelmente. Ele sorriu torto. Seus fones pendurados no pescoço, e uma blusa regata branca deixava seus braços musculosos à mostra e eu quase desmaiei.

— Olá – eu disse quase sem fôlego.

— Eu te conheço? – ele perguntou. Sua voz era fina e suave. Ele encostou o quadril no batente da porta e cruzou os braços. Ai meu Deus, Jasmine, eu preciso de você, eu pensei.

— Não?

— Não?

— É. Não. Eu sou – sou a babá – babá das – das suas irmãs?

— Hum, você quer dizer Amber e Cassidy? Não sei por que meus pais te contrataram, eles acham que eu nãou maduro o bastante para cuidar delas. – ele deu uma risada que tirou todo o meu fôlego.

— Pois é, né.

— Você está com mais alguém? Porque eu ouvi você gritando o nome de uma.. Jasmine?

— Eu? – perguntou Jasmine, abrindo a porta da frente. Ao se deparar com o rapaz, tropeçou e caiu em cima de mim. Eu me desequilibrei e cai em cima dele, como um efeito dominó. Senti um choque.

Ai meu Deus, eu toquei nele.

Jesus.

Ele segurou meus punhos, antes de cair em cima de sua cama. Comecei a corar furiosamente. Estávamos um em cima do outro, em cima de uma cama. Só a Jas para estragar clima. Por um segundo eu fitei aquelas orbes castanhas, sentindo meu estomago se retorcer. Jas se levantou, e me ajudou a levantar também.

O rapaz se levantou sorrindo, e disse:

— Ah, me esqueci de me apresentar; eu sou o Ezra, e vocês?

— Eu sou Blair, e essa é minha amiga Jasmine. – eu me apressei em dizer. Ela suspirou. Dei uma cotovelada em sua barriga. – Precisamos cuidar das suas irmãs agora, com licença.

— Não, espera. – ele protestou. – eu posso ajudá-las. Elas só obedecem a mim. – ele caminhou lentamente até o quarto das gêmeas, e botou-as para dormir.

— Como você fez isso? – perguntou Jasmine.

— Uns dizem que é carisma. – e ele piscou. Meu coração bateu mais rápido. Cara, eu nem conheço o garoto, e já estou com o coração acelerado. Não. Eu não iria me apaixonar. Não agora. Pela Jasmine. E pela viagem. Eu não aguentaria viver a distância daqui até a Nova Zelândia. Olhei no relógio do meu celular e vi que tinham se passado apenas quinze minutos. Tínhamos a tarde inteira.

Quando Ezra viu meu celular, resolveu passar o dele para mim. Jas passou o dela e enquanto as gêmeas dormiam, ele nos convidou a entrar no quarto dele e passar o dia com ele.

— Sim! – eu e Jas exclamamos em êxtase. Ele nos guiou para o seu quarto. As paredes eram cobertas por pôsteres de bandas de indie rock e pop. Ele tinha um computador no canto esquerdo, ao lado do guarda roupa. Sua cama era gigante.

Sentei-me ao lado de Jas, enquanto Ezra tirava algo da gaveta. Duas garrafas de vodca.

— Olha, — começou Jas com ressentimento. – nós não temos idade para beber... – Ezra ergueu a sobrancelha.

— Eu também não. Tenho só dezessete, mas e daí? Nossos pais não estão aqui, estão? – ele tomou um gole de uma das garrafas, pelo gargalo, e jogou uma pra mim. Eu comecei a tremer.

Não queria beber, mas tinha medo que ele fizesse algo conosco senão o fizesse. Eu abri dramaticamente a garrafa, e dei um gole. Jas me encarou incrédula.

— O que você está fazendo, Blair? – ela sussurrou. Ezra trancara a porta. Agora ele bebera um quarto da garrafa. Bebi mais alguns goles.

— O que vai fazer de mal pra gente só uma vez? – eu perguntei. Jas revirou os olhos.

— Se alguém nos ver bebendo vodca na casa de um... desconhecido, — Ezra a interrompeu com um beijo. Jas deu uma cotovelada na barriga dele, e com um golpe de caratê, ela o jogou no chão, e ele bateu a cabeça na quina da mesa. Eu catei umas revistas que estavam no chão e comecei a bater nele, enquanto Jas pegava uma corda do quarto das gêmeas.

Nós prendemos suas mãos e pés, e o trancamos em seu quarto, até a mãe dele chegar. Ela ficou admirada por não termos acreditado em seu filho problemático. Portanto, ela nos deu cem dólares para cada uma e fomos satisfeitas para casa, esperando com os dedos cruzados, pela nossa viagem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.