Segunda-feira, meu despertador tocou pela segunda vez, hora de levantar, era pra ser só mais uma semana comum na Rua Stenford em Columbus, Ohio, um ótimo lugar pra morar, se você tiver os vizinhos certos... Meu nome é Wetther , Benedict Wetther, minha esposa costumava me chamar de Ben. Além de Lizzie, minha esposa, tenho uma filha, a Sofie, de apenas 13 anos, puxou a mãe. Todos os dias Lizzie acorda de manha, uma hora antes do meu horário habitual, acorda Sofie e a leva para o colégio que é caminho do seu serviço, logo eu acordo, me arrumo para o serviço, o que é fácil pois Lizzie deixa minha roupa pronta, tomo meu café e saio. Sou advogado, trabalho em uma companhia com vários outros advogados, e acredite, é tedioso, em geral toda minha vida é tediosa, tenho um casamento perfeito, mas sem sexo, parece que o trabalho deixa Lizzie meio indisposta, o que não a impede de continuar sendo muito boa pra mim e Sofie.

Essa manhã ao sair me deparei com um caminhão de mudanças ao lado de minha casa, para minha surpresa eram vizinhos novos, uma família aparentemente pequena, um homem alto, barba bem feita cabelos negros lisos e bem cortados, vestia terno, eu sabia quem era, dono de uma imobiliária, havia vendido mais da metade das casas do bairro, um cara empenhado em vender, competidor nato, pelo que sei, ele perdeu a esposa em um acidente, seu nome era Nick Benson e tinha uma filha chamada Cloe Benson, a menina aparentava ter seus 14 anos, era loira e usava os cabelos soltos e desarrumados, estava sentada na grama com o cachorro observando o pai com a mudança, ela chupava um pirulito vermelho em formato de coração. Como eu passava de carro, não pude reparar por muito tempo, era uma bela casa, talvez a mais bonita do bairro e eles pareciam uma família bem sucedida, enfim, passei por eles e fui para o serviço, na volta talvez eu fosse dar as boas vindas.

No serviço quase não tinha novidades, mesa cheia de processos, cobranças, prazos, clientes brigando e os clássicos colegas de trabalho chatos, o dia quase não passa quando estou trabalhando, mas quando volto pra casa, já é um alivio. Como minha esposa leva Sofie ao colégio, por sua vez, quem a busca sou eu, todos os dias ao sair do trabalho, passo no colégio e pego Sofie, mas nesse dia, que já estava cheio de surpresas, cheguei para buscar minha filha, parei o carro e me sentei em um banco próximo como de costume, logo fui chamado por Cloe a nova vizinha:

— Olá Sr. Wetther. – Disse a bela loirinha com olhos amendoados.

— Oi, você deve ser a Cloe, minha nova vizinha, certo?

— Sim Senhor.

— Cloe, pode me chamar de Ben, viu minha filha por ai? O nome dela é Sofie, não sei se já se conheceram...

— Vi sim, ela já deve estar vindo, a vi pela ultima vez na sala quando eu estava saindo, ela estava juntando o material. – Respondeu e continuou. – Na verdade Sr. Ben, eu queria saber se poderia me dar uma carona ate em casa, meu pai trabalha muito e às vezes ele chega tarde, eu perdi o ônibus e hoje não tenho como voltar. – Concluiu cabisbaixa.

— Claro Cloe, pode voltar comigo todos os dias se quiser, sempre venho buscar Sofie, e não é incomodo que volte comigo, já que agora moramos lado a lado. – Respondi com um sorriso fraterno, sendo correspondido com um beijo na bochecha.

Foi um ato tão repentino da parte de Cloe que mal consegui pensar, ela realmente era uma criança meiga e educada, pensei em perguntar por que ela me agradeceu com um beijo, se mal me conhecia, mas minha filha já estava próxima ao carro.

— Oi pai. – Disse Sofie apática com um livro entre aberto nas mãos.

— Oi Filha como foi seu dia? – Perguntei tentado interagir, sem sucesso.

— Foi bom, como sempre.

— Filha essa é nossa nova vizinha Cloe, talvez ela volte pra casa conosco todos os dias.

— Legal. – Reagiu sofie dando inteira atenção ao livro.

Como Sofie não era muito entrosada, e não fazia muita questão de ser naquele momento, decidi ir puxando assunto com Cloe durante o percurso.

— Então Cloe, vi que se mudaram hoje, achei que demoraria mais para entrar no colégio.

— Bem, eu e meu pai decidimos pedir minha transferência antes de nos mudarmos, ele não teria muito tempo para fazer isso morando aqui, então já nos mudamos com tudo planejado.

— Ah! Entendi. – Respondi surpreso com a facilidade que ela tinha em se comunicar e continuei. – Então vocês duas estão na mesma turma?

— Não pai. – Respondeu minha filha atraído o olhar de Cloe que logo completou

— Não Sr. Ben, sou um ano e seis meses mais velha que Sofie, não somos da mesma classe, mas nossas salas são vizinhas, coincidência não é mesmo?! – Respondeu ela, me encarando pelo retrovisor interno, que era o único modo que eu tinha para observa-la enquanto conversávamos.

— Pois é, coincidência mesmo. – Respondi e fiquei um pouco mais calado quanto a perguntas, aquele olhar que eu recebia pelo espelho era intimidador demais para uma criança.

Cloe pegou sua mochila, e de um dos compartimentos retirou uma embalagem pequena, era um pirulito, outro pirulito vermelho em formato de coração, ela o desembrulhou e colocou na boca e com uma voz abafada em razão do pirulito disse:

— E o Senhor ...?! O que faz em Columbus? – Me questionou a loirinha, e nesse momento eu pensei:

“- que tipo de criança pergunta sobre a vida de um adulto, a vida profissional ainda por cima.”

— Sou advogado Cloe, trabalho em uma companhia, respondo vários processos por dia, atendo muitos clientes, é cansativo. – Eu respondi curioso para ver a reação dela.

— Ah sim... Você é casado? – Questionou ela sem dar muita atenção a minha resposta anterior, e agora sim eu estava intrigado em porque ela tinha tanto interesse em saber essas coisas.

Minha filha que estava lendo e ignorando a conversa, parou e observou Cloe por um tempo, e voltou a ler, percebi que não era só eu o incomodado com as perguntas, mas não pude deixar de responder.

— Sou sim Cloe, em breve você conhecerá minha esposa, o nome dela é Lizzie, sofie herdou muito dela, nas atitudes e no semblante quieto e serio, não é mesmo filha?!

— Sim pai. – Respondeu minha filha voltando seu olhar para Cloe e dizendo:

— Minha mãe é editora chefa de uma revista, ela trabalha muito e quase não esta em casa, adora leituras, é seria e reservada, você precisa conhecê-la, ela é linda e esta sempre bem vestida.

Neste momento tentei interromper minha filha, afinal, Cloe havia perdido sua mãe em um acidente de carro há quatro anos, mas Cloe pareceu reagir bem, pois percebeu que sofie não falou por maldade.

Nos poucos minutos que restavam no trajeto do colégio para casa, minha filha foi conversando com a nova vizinha, para meu espanto, sofie estava interagindo, elas estavam se conhecendo, mas não pude deixar de notar uma grande diferença entre elas, minha filha como disse, é muito parecida com a mãe, anda bem vestida de acordo com sua idade, sempre cheia de livros, faz aula de piano e é uma aluna exemplar, mas Cloe, já havia passado por mais de 3 colégios diferentes em um ano, pela quantidade de vezes que o pai teve que se mudar por trabalho, a garota foi se modelando, ela mesma escolhia suas roupas, adorava salto, assistia muitas novelas e filmes, e adora comer besteiras, já que era a coisa mais fácil que conseguia por perto enquanto o pai trabalhava, mal estudava e gostava muito de sair a noite com amigos.

Estávamos quase chegando em casa quando Cloe concluiu a conversa com um convite:

— Obrigada pela carona Ben, queria muito que vocês viessem a minha casa mês que vem, vou dar uma festa em comemoração aos meus quinze anos.

— Claro Cloe, seria um prazer, e ate lá quem sabe eu conheça melhor seu pai. – Respondi, parando o carro em frente a casa dela e destravando as portas.

Ela assentiu com a cabeça sorrindo para mim e sofie, desceu do carro e foi de encontro a sua cachorra. Continuei dirigindo poucos metros ate minha garagem, parei o carro, eu e sofie descemos e fomos direto para cozinha, sou eu quem faz o café para ela, ate minha esposa voltar, o que deveria acontecer em uma hora.

Geralmente minha esposa chega, guarda toda papelada que traz do serviço e vai fazer o jantar, ela cozinha muito bem, além de ser sempre muito seria e dedicada. Ela costumava ser mais divertida antes do atual emprego, acredito que um pouco dessa seriedade vem da imagem que ela precisa passar no trabalho, esposa perfeita, família perfeita, uma filha linda e parecida com ela.

Eu já estava no banho quando ouvi minha esposa chegar, estive pensando no melhor horário para visitar Nick o novo vizinho, e claro, apresenta-lo a Lizzie, pensei que no mínimo poderíamos nos conhecer já que traria sua filha para casa todos os dias. Sai do banho, vesti uma cueca e desci, pelo horário, minha filha já estava na cama, encontrei minha esposa na cozinha guardando algumas coisas na geladeira.

— Vai jantar querido? – Ela me questionou apática.

— Não querida, obrigado. – Respondi e continuei. – Estava pensando em irmos conhecer o vizinho novo, o que acha?

— Estive lá hoje de manha, ele estava chegando de mudanças quando eu estava indo para o escritório, parece boa pessoa, rico e com uma filha sem modos, pirralha que se sente adulta.

Nunca vi minha esposa tão insatisfeita com alguém assim, mas não escondi que conheci a garota.

— Dei carona para ela hoje na volta do colégio, ela é quase dois anos mais velha que Sofie, não a achei sem modos, parece uma menina esperta e entrosada.

— Hum! Reconheço ate as pequenas encrencas querido, de longe. –Fitou-me Lizzie sarcasticamente.

Eu puxei seu rosto para o lado levemente, dei um pequeno beijo em seus lábios a soltei e disse:

— Boa noite querida, já vou para a cama. – Decidi subir para ela não entrar em debate comigo sobre a vizinha ou ate mesmo a criação da vizinha.

— Boa noite. – Ela me respondeu retirando o avental e indo para o banho.

Eu peguei no sono antes que minha mulher estivesse na cama, e acordei no dia seguinte com o despertador, e ela já não estava mais la, na verdade, já não estava em casa a quase uma hora, havia saído para o trabalho e levado Sofie para o colégio.

Arrumei-me rapidamente, e ao abrir a porta da frente para sair, lá estava ela, Cloe, com uma saia curta de pregas azul e uma camisete branca que juntava as pontas e dava-se um nó no meio da barriga, deixando um pouco visível seu umbigo, de pé no meu jardim enrolando o lado direito da franja com os dedos e me olhando.

— Bom dia Cloe. – Confesso que fiquei um pouco sem jeito com a presença dela bem a minha frente logo de manha, fui pego de surpresa, e fiquei me perguntando o que ela queria desta vez.

— Bom dia Ben, Sofie esta?

— Não Cloe, quem a leva para o colégio é minha esposa.

— Ah! Vi sua esposa hoje de manha ali em casa de novo, ela foi levar um bolo de boas vindas pra gente, na verdade, acho que o bolo é mais pro meu pai. – Concluiu e questionou. – Porque sua esposa não gosta de mim?

— Ah Cloe, é claro que ela gosta de você, mas, pra ser sincero nem sabia que já se conheciam.

— Também não sabia que ela tinha ido lá a minha casa hoje de manha não é mesmo?! – Perguntou retoricamente com um sorriso maldoso no rosto. E quando eu fui debater, ela completou. – Ainda não conheço sua casa Senhor Benedict Wetther. – Disse irônica estendendo a mão para que eu a convidasse para entrar.

— Hum! Sim! Mas agora talvez não seja o melhor horário Cloe, estou um pouco atrasado. – Eu a respondi, mas não deixei de pegar em suas suaves mãos a levando para dentro.

Ela entrou, olhou aos arredores de toda a sala e cozinha, que eram os únicos cômodos visíveis de onde ela estava.

— Bela casa Ben. – Disse se virando para mim.

Ficamos de frente um para o outro, ela me olhava de um jeito que eu não conseguia escapar de me sentir intimidado. Ela impetuosamente levantou as mãos ate meu pescoço e ajeitou minha gravata dizendo:

— Não pretendo tomar mais seu tempo agora, sei que está atrasado e eu já estou indo para o colégio, ate mais tarde Ben. – Ela se despediu piscando um olho e abrindo mais um dos seus famosos pirulitos vermelhos em formato de coração.

Por um momento esqueci completamente que estava atrasado, fiquei a observando sair saltitante pelo meu jardim, e a cada pulinho que dava sua pequena saia subia, e subia o suficiente para que eu pudesse ver suas pequenas curvas do bumbum mascadas pela calcinha branca de algodão.

Notas finais
Espero que gostem, não deixem de comentar e favoritar!