Doce Sacrifício
5 Capítulo quinto - Encantamento
Notas iniciais
Capítulo quinto – Encantamento
Depois de chegar a casa, Hanabi beliscara-se várias vezes no intento de comprovar para si mesma que tudo o que passara consigo fora real. E fora. Ela estava vibrante. Precisava contar a alguém, mas não tinha amigos. Não podia contar a irmã, pois tinha medo que ela brigasse com Neji, ou algo do gênero. Decidiu, portanto guardar para si mesma e dirigiu-se rumo ao quarto de Hinata.
Deitadas sobre a cama macia, as duas irmãs conversavam sobre os sucessos do dia:
– Então. – Balbuciou Hanabi. – Como ele é?
– Bem, nós não pudemos nos conhecer, afinal. – Comentou com certo desânimo. – Conversamos o tempo todo sobre o casamento e ambos concordamos em não fazer nenhuma cerimônia. Nos casaremos apenas no papel.
– Nossa, e você concordou? – Perguntou espantada.
– Claro. A ideia foi minha... Ele concordou aliviado. Parece-me que também não gosta de muita atenção. – Hanabi olhava para a menina com uma expressão indescritível. Não sabia que Hinata era tímida a este ponto.
– Com o Oto-san do lado, não deu para vocês se aproximarem nem um pouco, não é?
– Não. – Respondeu Hinata distraída. – Foi uma conversação muito chata, na verdade. Estava mais interessante antes de vocês saírem. – Hanabi sorriu com ironia. Não havia imaginado que o diálogo poderia piorar.
– Quando vocês assinam os papéis? – Perguntou com receio, sentindo a barriga esfriar. Não queria que a irmã mais velha fosse embora. Não agora que eram amigas.
– O mais rápido possível, já que ele não pode ficar muito tempo longe de Sunagakure. Mas ainda não é certo. Ele vai me levar para jantar primeiro.
– Sério?! Puxa, pelo menos assim vocês vão se conhecer um pouco melhor. – Animou-se.
– É... – Ela sorriu. Estava um pouco ansiosa para poder conversar com o Kazekage e conhecê-lo um pouquinho, ao menos.
– Então amanhã vocês vão poder ficar a sós... – Balbuciou Hanabi com sua costumeira seriedade, tanto na voz, quanto no rosto, mas na realidade estava bastante preocupada. O Kazekage não parecia em nada com o príncipe encantado dos sonhos da irmã. – Acha que vai acabar gostando dele?
– Hum... Talvez. Bem, espero que sim. Por quê?
– Ah, sabe... Ele não é bem o seu tipo. – Afirmou a menina com toda a certeza do mundo.
– Como pode saber meu tipo? – Perguntou intrigada, virando-se de lado para poder encarar Hanabi. Quando foi que a irmã parou para estudar seu gosto para homens? Hinata nunca tivera um namorado... Bem, não oficialmente. Algum tempo depois que Naruto foi embora, ela ficou com Shino por quase um ano, mesmo sem se gostarem muito. Depois namorou Kiba às escondidas e, um bom tempo após terminarem, ficava com Neji frequentemente, depois que souberam que iam noivar. Mas não era para ninguém saber de nada disso. Exceto os próprios rapazes.
– O oniisan me contou que você gostava daquele tal de Naruto. – Revelou indiferente.
– O quê?! – Espantou-se. – Quando foi que ele te contou isso? Que absurdo! Não se pode mais confiar nas pessoas!
– Foi quando você estava gostando do Inuzuka-san. – Hinata corou violentamente. Ia gaguejar um: “Como você sabe disso?”, mas Hanabi adivinhara seus pensamentos. – Isso até eu percebi, Onechan... Neji-niisan estava apaixonado por você e desabafou comigo. Só isso. Parece que o Inuzuka correspondia aos seus sentimentos, não é?
– Sim, é verdade. – Rendeu-se ao fato de ser transparente como vidro. Seu rosto estava sereno e seu olhar distante. Lembrava-se da aflição que sentiram por se amarem e não poderem construir uma vida comum aos dois, baseada nesse amor. Eles eram de clãs diferentes, o que era inaceitável. – Mas decidimos não levar nossos sentimentos adiante.
– Deve ter sido horrível. – Comentou Hanabi com tristeza.
– E foi. Mas... Como você pode saber o tipo de garotos que me atraem? – Ela ainda estava curiosa.
– Hinata-neechan, esses dois se comportam como crianças retardadas, gostam de falar alto e de aparecer etc. Não pode ser coincidência.
Hinata a encarou com cara de nojo.
– Você não sabe o que está dizendo. Não os conhece. – Apesar de aborrecida devido ao julgamento equivocado que a irmã fizera, achou melhor deixar o assunto quieto. Não gostava de falar sobre esse tipo de coisas. Além do mais, Hanabi jamais entenderia o real motivo pelo qual se apaixonara por Naruto e Kiba.
– Tá legal, – Disse Hanabi levantando-se. – estou indo dormir. Boa noite.
– Boa noite, Hanabi-chan. Apague a luz, por favor.
– Hai. – Respondeu e logo saiu.
Aconchegada em sua cama, no escuro de seu quarto, Hinata ouviu alguém entrando muito rápido e fechando a porta logo em seguida. Ela acendeu a luz do abajur no mesmo segundo apenas para dar de cara com a figura imponente de seu pai.
– Há um assunto sobre o qual precisamos tratar. – Disse Hiashi sério. Uma expressão nada reveladora aos olhos de Hinata. Ela o fitava sem muito entender.
– Oto-sama...? – Respondeu lerdamente.
Já na noite seguinte, Hinata estava em seu quarto toda arrumada, só esperando dar seis horas, o horário que Gaara dissera que iria buscá-la. Neji e Hanabi buscavam tranquilizá-la.
– Terminou de se arrumar meia hora antes do previsto. – Comentou Neji com um pouco de humor esparramado muito à vontade na cama da prima. – Como era de se esperar de você...
– Neji, pare de incomodá-la, a oneechan já está nervosa. – Respondeu Hanabi com os braços cruzados e uma expressão aborrecida. Hinata olhava temerosa para o espelho.
– Este vestido está muito chamativo... – Lamentou a noiva do Kazekage encarando seu próprio reflexo no grande espelho que ocupava quase toda a parede. – Meus seios estão enormes... Vou me trocar.
– Oneechan, – Alterou-se um pouco Hanabi. – Você está dizendo isso desde que entrou nesse vestido. Não adianta, seus seios SÃO enormes. Trocar de roupa não irá mudar este fato.
Neji riu divertido do comentário da prima mais nova, não que ele achasse que os seios ”enormes” de Hinata fossem um problema.
– Que cruel, imoto-chan... – Lamentava Hinata. – O que devo fazer? – Murmurou enquanto o justo cheongsam2 continuava a atormentá-la. O elegante vestido preto de seda, ajustava-se perfeitamente em cada curva do belo corpo, pois fora feito sob medida para ela, já que era encomendado. Nem mesmo a gola Mao de abotoamento diagonal tinha o poder de disfarçar os seios avantajados – Vai parecer que estou me oferecendo... – Hanabi revirou os olhos. Sua paciência estava no limite: como era enjoada aquela sua irmã!
– Uhm, não concordo, mas e daí? – Disse Hanabi com uma expressão indiferente depois de ter se assumido o próprio controle. – Você é a noiva dele, pode se oferecer o quanto quiser. Eu acharia uma coisa ruim se você NÃO fosse sua noiva.
– Que horror, Hanabi! – Hinata estava mesmo horrorizada. Não sabia que a irmã podia ser tão liberal. De acordo com seu gosto, claro. – Você não deve dizer este tipo de coisas! O que as pessoas vão pensar de você?
– Uhm, vão pensar que não ligo para o que elas pensam? – Sugeriu ainda indiferente.
– Mas você é a futura líder do clã Hyuuga. Não pode dar brecha para rumores. – Exclamava ainda exasperada. – Espero que não tenha esse tipo de comportamento quando eu estiver fora.
– Por que acha que não tive esse tipo de comportamento com você aqui? – Perguntou para provocá-la. Neji deu uma risada.
– Ah! Como você pode dizer isso? – Perguntou incrédula. – Se você já beijou pelo menos um garoto foi muito. – Neji continuava rindo de se acabar. Dessa vez Hinata havia conseguido afetar a irmã.
– Oneechan! Você fica fazendo esse discurso moralista, mas não fui eu que peguei o Aburame, o Inuzuka e o Neji. – Retrucou ela. Hinata ficou bege ao ouvir isso. – E ainda por cima queria pegar o Uzumaki...
– Ei!!! – Reclamou Neji. – Me pegar? Não fale de mim como se eu fosse um objeto de satisfação sexual. – Fingiu-se de ofendido. Mas estava achando a reação de Hinata tudo de bom.
– Como você pode saber de tudo isso? – Respondeu Hinata, muito descontrolada, ignorando o comentário idiota de Neji que rolava de rir de sua prima. Ele não sabia que ela já tinha ficado com Shino.
– Eu não sabia... Estava apenas blefando.
Elas ficaram discutindo por um tempo. Neji, já entediado, levantou-se, sentou-se na penteadeira e começou a escovar o próprio cabelo tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo, até que alguém bateu na porta do quarto, interrompendo a discussão. Hinata foi atender e Hanabi se deu conta de que o primo estivera aquele tempo todo penteando o cabelo.
– Retardado... – Disse ela, sempre tentando parecer indiferente.
– Quer fazer o favor? – Perguntou olhando para ela através do espelho. Então ela pegou a escova da mão dele e deslizou-a com suavidade pelos longos cabelos castanhos de Neji.
– Ele chegou... – Disse Hinata. Eles se despediram e lhe desejaram boa sorte.
Descendo as escadas, Hinata percebeu que, enfim, Neji estava dando uma chance à Hanabi. E isso era tão positivo, apesar de sentir-se um pouco incomodada. Pensando nisso, ela esquecera quase completamente do que a levara a descer para a sala. Talvez fosse esse o motivo de seu sobressalto ao deparar-se com o Kazekage sentado no espaçoso sofá, conversando distraidamente com seu pai.
A morena quase soltou um suspiro ao reparar no contraste entre os cabelos vermelhos de Gaara e a roupa 100% negra que ele usava. Hinata não pôde sequer identificar o que ele vestia, só conseguia pensar que aquele rubro parecia ainda mais intenso só por que o rapaz estava usando uma roupa preta. Ela estava hipnotizada. Qual foi a cor que ele usou no dia anterior? Por que ele parecia tão atraente agora?
A herdeira Hyuuga ficou ali durante alguns segundos até que finalmente soltou o temido suspiro... Baixo e abafado. Só então os dois notaram sua presença e levantaram-se do sofá.
Gaara a analisava detalhadamente. Como ele tinha sorte! Hinata era perfeita. Parecia que cada vez que a via, ela se tornava mais bela.
– Kazekage-sama, Oto-sama. – Cumprimentou-os com formalidade depois de se recompor. – Estou pronta.
Depois de dizer isto, Hinata tomou Gaara pelo braço que ele lhe oferecera. Hiashi lhes desejou uma boa noite e eles foram até o portão, acompanhados de uma empregada, que o abriu.
Uma vez fora de casa, a moça deparou-se com um carro preto muito bonito estacionado diante do portão principal. Provavelmente alugado no hotel em que o Kazekage estava hospedado. O motorista vestia um uniforme elegante. Gaara abriu a porta para que Hinata entrasse. Ela lhe sorriu tímida e agradecida.
– Oh... – Exclamou a menina ao sentir frio por causa do ar-condicionado e notar que trazer um casaco nem passara pela sua cabeça.
– O que foi? – Preocupou-se. Ela tinha uma expressão angustiada. Talvez estivesse nervosa e não quisesse jantar com ele.
– E-eu... – Sentiu-se estúpida. Fizera alarde por bobeira. – é que eu me esqueci de trazer um casaco e estou com frio.
O coração de Gaara pertou-se. A voz suave entrara em seus ouvidos fazendo carinho. Ela fazia uma cara chorosa como a de uma criança arrependida e os grandes olhos claros brilhavam como os de um filhotinho que acabara de separar-se da mãe.
Sem dizer nada, despiu-se do sobretudo preto que vestia e com ele a envolveu, aproveitando a proximidade para constatar se a moça era mesmo tão perfumada quanto havia imaginado, roçando levemente o nariz na orelha feminina. Hinata arrepiou-se com o gesto e sorriu timidamente. Gaara não se surpreendeu ao constatar que o cheiro que ela emanava era mesmo incrível.
– De-demo..., – Maldita gagueira que a acompanhava nas horas mais inconvenientes. – o Kazekage-sama vai sentir frio por minha causa...
– Não se preocupe com isso. – Sorriu. Sua voz grave soava sempre autoritária, mas nem sempre era intenção sua. Apesar disso, havia alguma coisa extremamente agradável na maneira como ele falava. Alguma coisa cândida. E Hinata não sabia que era possível haver candura na voz de um homem com tanto poder. Talvez fosse apenas imaginação sua. – Se iremos mesmo nos casar, protegê-la será meu dever, não é? – Ela não respondeu nada. Estava boba. Apenas corou, desviou o olhar e começou a bater os dedos indicadores. Típico dela, mas isso era mais uma coisa que o Kazekage não sabia. – Além do mais, as noites no deserto são muito mais frias.
– Sim. – Concordou suavemente. – É por causa da areia. – Explicou, deixando Gaara um pouco curioso. Ele não sabia que havia um motivo para que o deserto fosse tão frio à noite. Sempre achara que fosse algum tipo de ironia da natureza. – É que, diferentemente da água, ela não consegue armazenar o calor recebido durante o dia, o qual seria liberado durante a noite. Assim, ao longo do dia, o calor do sol é recebido e liberado pela areia praticamente ao mesmo tempo, gerando uma alta temperatura ambiente durante o dia. E como a areia não armazena esse calor, durante a noite fica muito frio. Devido a essa reflexão do calor, enquanto a temperatura na superfície desértica está entre 30º e 60º C, a 1 metro de profundidade a temperatura está em agradáveis 20º C. – Concluiu. Ela era realmente inteligente. Cada palavra saia de sua voz suave com muita calma. Gaara apenas sorriu.
– Fico feliz por você se interessar por isso. – Disse ele com um sorriso quase imperceptível, alisando suavemente uma mecha solta do coque frouxo no cabelo preto, apenas como uma desculpa para tocar o rosto de Hinata. Ele estava se comportando de um jeito muito diferente perto dela.
Hinata encolheu-se um pouco com o toque e arrepiou-se. Ela devia confessar que o Kazekage era atraente e muito charmoso e ele provavelmente era ciente disso. Com certeza Gaara era muito experiente nesses assuntos. Ele até a fazia lembrar-se de Neji que, mesmo quando ela definitivamente não gostava dele, conseguia fazê-la derreter-se em seus braços. Com Kiba não fora assim. Era pura paixão e inocência.
Ela ficou imaginando quantos corações o Kazekage partiria quando se casassem, até que ela percebeu que o carro permanecera parado desde que entraram.
– Etto... Aonde iremos?
– Ahm, bem... – Respondeu desconcertado, mas por fora parecia extremamente seguro. – Eu não queria decidir isso sem saber a sua opinião. Já que é você quem mora aqui e provavelmente conhece bons restaurantes. Você deve ter algum de sua preferência, não é?
Hinata ficou muito surpresa com o cavalheirismo do rapaz.
– Nossa, que gentil... – Sorriu admirada. – Mas por que não disse antes?
– Bem... Eu esqueci. – Na verdade Gaara não queria que seu futuro sogro achasse que ele era incapaz de escolher um restaurante sozinho. Hinata notara que ele havia mentido, mas decidiu ignorar.
– Bem, há um restaurante que costumo frequentar com minha família em ocasiões importantes... O clima é muito agradável e lá teremos privacidade. – Concluiu.
Hinata passava ao motorista as instruções para chegar ao restaurante, por isso ela e Gaara não conversaram muito durante o percurso. Ao chegar, depois de estacionar o carro, o motorista abriu a porta para Gaara e Hinata.
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