Doce Sacrifício

9 Capítulo nono - A partida


Notas iniciais
Opaaaa!!! Mais um capítulo subindo (ou seria descendo?). E eu na maior cara de pau falando como se eu postasse semanalmente... u.u' Bem eu queria desejar um feliz Ano Novo aos meus queridos leitores, se ainda tiver sobrado algum... né... E postar esse capítulo de presente para vocês. Eu não resisti e coloquei um levíssimo NejiHina. Então quem não gosta prepare-se psicologicamente.
Bem eu queria pedir desculpas pelo meu atraso, e pedir a compreensão de vocês, por que vocês sabem que é difícil escrever e achar que não está do jeito que devia. Ficar lendo, relendo, apagando e reescrevendo... É complicada essa falta de inspiração. Mas o próximo capítulo será mais breve, pois está quase pronto. O tão esperado encontro entre os nossos pombinhos está perto. Beijocas!!!! Boa leitura! ;)

Capítulo nono – Partida


O casamento se deu naquela mesma manhã. Os procedimentos foram absolutamente sigilosos. Apenas os noivos, a Hokage, e a família da noiva estiveram presentes. Gaara partiu uma hora depois de encerrada a burocracia. Hinata partiria em segredo uma semana após para não levantar suspeitas e suas coisas seriam levadas pouco a pouco pelo mesmo motivo.

Temari estava discutindo ao telefone com políticos de Suna que questionavam a ausência do Kazekage e queriam saber se os rumores de que ele se casaria com uma estrangeira qualquer estavam corretos.

Kankuro tentava evitar que a reunião que se formara ali no escritório de Gaara se transformasse numa baderna. Os anciões estavam muito insatisfeitos com a decisão de Gaara e decidiram visitar o escritório do Kazekage, para não dizer invadir, na intenção de persuadir os irmãos do jovem Kage de que a decisão dele fora tola e inaceitável. Como se eles tivessem tanta influência política sobre o irmão caçula...

Ambos estavam no limite. Se Gaara estivesse ali, estaria tudo aparentemente sob controle. Afinal ninguém ousaria desafiá-lo.

– Já chega! – Exaltou-se Temari batendo com força o telefone no gancho, interrompendo o contato com quem quer que estivesse do outro lado da linha, gerando um estrondo que assustou a todos os presentes, inclusive ao próprio Kankurou. – Quero todos calados imediatamente! Não vou tolerar essa feira no escritório do meu respeitado Kazekage. – Estavam todos tensos como num jogo de “estátua”. Quem mexesse um músculo estaria correndo um sério risco. – Quem tiver dúvidas, sugestões, críticas, elogios, declarações de amor e o caramba, que anote nestes papéis com nome, assinatura e endereço e coloque com ordem e decência sobre essa mesa. – Exclamou ela golpeando um punhado de papéis que estava sobre a mesa, fazendo um novo estrondo que mais uma vez assustou a todos. Aquela não era uma atitude comum para uma mulher. Aliás, nenhum homem ousava falar assim com os conselheiros do Kazekage.

Um a um aqueles homens foram se retirando, deixando o casal de irmãos sozinho, acompanhados apenas de seus próprios suspiros de alívio. Ninguém assinou nada.

– Mandou bem, mana... – Ambos sorriram um para o outro.

Aquela “paz” durou por tempo suficiente até que Gaara voltasse e pusesse a ordem efetiva que só ele era capaz de conseguir. Ele esclareceu as dúvidas de todos e anunciou oficialmente que estava casado e que sua esposa chegaria dentro de uma semana. Pediu cordialmente que ela fosse bem recebida, pois seria tudo muito diferente e novo para ela.

Depois disso, todos ficaram menos confusos e temerosos com a mudança. E o clima de tensão transformou-se numa espécie de ansiedade. Estavam todos curiosos para saber quem era a esposa do Kazekage. Seria ela jovem ou um pouco mais velha? Bonita, simpática ou feia? Gentil, apenas educada ou antipática?

Apenas os anciões ainda resistiam fortemente à ideia e tratavam de convencer suas esposas e familiares que aquilo não passava de antipatriotismo. Como se as jovens de Sunagakure não fossem adequadas o suficiente para o gosto do caprichoso Kazekage. Era um absurdo que ele tivesse que buscar uma mulherzinha em terras longíquas. As jovens moças, filhas de tais conselheiros, uniam-se e conversavam com despeito sobre a situação.

Em seu quarto, após quase três dias viajando pelo deserto na volta para casa, fora os outros três dias que levou para chegar a Konoha, Gaara quis um pouco de descanso... Mas seus irmãos esperavam que ele saísse do banho.

Deitada sobre a nova cama de casal do ruivo, bem grande por sinal, Temari relaxava um pouco, já que aquela semana fora muito estressante. Seus cabelos cor de trigo estavam soltos, esparramados sobre um travesseiro. Kakurou estava apenas sentado comportadamente junto à irmã.

Quando Gaara saiu do banheiro, Temari levantou-se ansiosa para que ele se sentasse e lhes contasse logo tudo que ocorrera em Konoha.

– E aí, como foi? – Perguntou Kankurou enquanto Gaara se juntava a eles um tanto incômodo por ter que conversar sobre aquele assunto naquele momento com seus irmãos. – Você já se casou mesmo ou falou aquilo só para sossegar o facho do pessoal?

– Quem é ela? – Interrompeu-lhe Temari.

– Sim, é verdade. Ela partirá de Konoha em alguns dias... – Respondeu torcendo para que eles se dessem por satisfeitos com a resposta e o deixassem sozinho, mas eles continuavam a encará-lo esperando por mais informações. Gaara realmente não queria falar à respeito. Era muito constrangedor. – Ela aceitou o compromisso sem ter sido obrigada pela família. Eu a levei para jantar e conversamos bastante. Ela é muito inteligente.

– Mas quem?! – Rogaram os irmãos juntos, interrompendo-o. – Para que esse suspense? Diga logo. Nós merecemos um pouco mais de consideração depois do que aguentamos na sua ausência. – Acrescentou Temari já aborrecida.

– Umph... – Gaara suspirou emburrado, com o cenho franzido e sussurrou alguma coisa incompreensível com o rosto um pouco vermelho. – É a Hinata...

Kankurou e Temari o encararam um pouco perplexos. Não esperavam por aquela resposta.

– Peraí... A Hyuuga Hinata?

– Sim, Kakurou. Essa mesma. – Respondeu ele enfadado revirando os olhos.

– Como pode ser possível? Você tem certeza, Gaara? Não teve algum tipo de delírio enquanto esteve por lá? Afinal você queria tanto que fosse a Hinata, mesmo sendo impossível... – Questionou Temari atraindo um olhar quase assassino para si.

– A que ponto eu poderia ter chegado, Temari, para você achar que estive delirando? – Disse ele num tom de voz baixo, mas ameaçador e com um timbre um tanto quanto psicótico. O comentário dela fora-lhe ultrajante.

Temari encolheu os ombros. Ele estava falando sério? Mas era impossível! Seria um casamento fracassado, sem dúvidas. Imagine uma esposa ausente durante dias por ter que liderar um clã poderoso como o Hyuuga. Fora que, mesmo em casa, ela jamais teria tempo para o marido, pois ela com certeza ainda teria que lidar com problemas relativos ao trabalho e estaria sempre cercada de documentos.

A loira não esperou uma ordem para sair do quarto e arrastou Kankurou consigo para deixar o “perigoso” irmão sozinho antes que ele realmente perdesse a cabeça, o que não acontecia havia muito tempo, mas ela não queria arriscar.

Durante aquela semana, Gaara percebera que Temari andava inquieta e estressada. A irmã estava muito desconfiada, já Kankurou parecia alegre por que a nova cunhada seria alguém que o ruivo desejava. Isso era tranquilizador.

Na mansão Hyuuga o clima estava tenso. As empregadas não estavam permitidas de entrar nos quartos. A desconfiança era grande. Hiashi inventou uma história de que alguns objetos estavam sumindo e como ele confiava muito em seus serviçais queria que eles se mantivessem afastados para que não fossem incriminados injustamente.

Tudo isso por que as roupas e alguns objetos de Hinata estavam sendo separados para levar para Suna e ninguém além da família dela poderia saber. Ela se encontraria com alguns ninjas da vila da areia no caminho para que a escoltassem com segurança até seu novo país.

Durante a noite, Hinata aproveitava seu último gole de chá como a herdeira Hyuuga, sentada no chão de madeira da varanda, olhando para o pátio onde costumava treinar.

Estava nervosa, ansiosa, com medo. Depois que Gaara partiu, a Hyuuga sentiu-se arrependida de ter aceitado casar-se com ele. Ele era lindo e pareceu muito gentil. Mas será que ele era aquilo mesmo? Não seria mais seguro ficar com Neji? Ela já o conhecia. Sabia que ele a respeitava. Ele a adorava e trocaria tudo por ela.

Logicamente, Hinata não podia negar que também gostava muito dele. No entanto o rumo de suas vidas mudou. Doía a consciência de ter que aceitar isso. Ela tinha o direito de ser egoísta de vez em quando, mas nunca aproveitava a oportunidade de agarrar-se ao egoísmo. Não sabia se era uma pessoa muito boa ou masoquista.

Piscou lentamente para livrar-se de uma pequena lágrima. Quando abriu os olhos viu um vulto surgindo da penumbra e ela reconheceu instantaneamente aquela formosa silhueta.

– Neji-niisan... – Disse ela baixinho enquanto o rapaz ajoelhava-se diante dela e delicadamente recolhia a lágrima em sua bochecha com o dedo polegar. – Eu queria que fosse você... – Soluçou – Em vez dele... – Sussurrou chorosa.

– Shhh... – Silenciou-a encostando a testa na dela. – Agora é tarde para arrependimentos. Você será muito feliz com seu marido. – Respondeu gentil.

– Como podemos saber? – Perguntou com olhos desesperados e desatou a chorar.

Neji não apenas esperou que ela terminasse de chorar, como também chorou silenciosamente por alguns instantes até que ambos se acalmaram.

– Você sabe que Naruto gosta muito dele, não sabe? – Disse Neji lembrando-se da admiração que a prima tinha pelo loiro, esquecendo-se de arder em ciúmes. – Veja o que ele fez comigo. Eu não era muito melhor que Gaara.

– Você sempre foi doce e gentil. – Contestou a morena. – Só estava machucado.

– Tenho certeza que Naruto pode livrar qualquer alma de qualquer escuridão. – Respondeu ele defendendo o amigo. Neji também o admirava muito apesar de tudo. Afinal, fora o loiro que o trouxera de volta a si. – Gaara não parece mais tão assustador. Ele é um garoto gentil com seus desejos e inseguranças. Só que ele é muito reservado e sério. – O comentário do primo a acalmou. Neji era o melhor quando se tratava de analizar o comportamento e a personalidade das pessoas. – Você não teve um encontro agradável com o Kazekage? Você só está nervosa. Não se preocupe, pois vai dar tudo certo e vocês serão felizes.

– Neji-niisan... – Hinata sussurrou com uma voz cálida do jeito que Neji gostava e ele pode sentir a pele dela esquentando enquanto as bochechas coravam.

– Diga... – Ela olhou para os lábios do primo com o olhar mais desejoso que o rapaz já vira. O coração de Neji se apertou intensamente.

– Eu quero um último beijo seu... – O rapaz entrou em shock. Era tudo o que ele mais queria. E tudo o que ele não podia fazer. Ele estaria traindo Hanabi, e Hinata estava casada, mas era uma oferta irresistível. O que fazer?

– É impossível nas circunstâncias em que estamos Hinata-sama. Você está muito sonolenta e está fora de si. Se estivesse bem acordada jamais me pediria algo assim. – Respondeu ele. E estava certo. A pobrezinha estava desmaiando de sono. A correria dos últimos dias estava acabando com ela.

– Então sonhe comigo... e eu sonho com você. – Respondeu Hinata já fechando os olhos entregando-se ao sono, enquanto o rapaz a erguia em seus braços para levá-la para o próprio quarto.

– Tudo bem... – Disse sorrindo com tristeza. Ele sonhava com a menina todas as noites havia um bom tempo.

– Você promete?

– Prometo. – Em seguida Neji a colocou com delicadeza sobre a cama dela e ficou ali por alguns segundos observando-a dormir. Depois ele foi para o próprio quarto, dormiu e cumpriu sua promessa.

Na manhã seguinte, Hinata acordou sentindo que a realidade a esmagava como um mundo inteiro sobre sua cabeça. Para desfazer-se daquela sensação, mentiu para si mesma, fazendo-se acreditar que estava indo cumprir mais uma missão.

Fez tudo naturalmente: café da manhã e higiene matinal. Logo após o banho vestiu-se como sempre se vestia quando partia. Desceu as escadas e permitiu que a verdade voltasse à sua consciência. Agora estava tudo pronto. Ao chegar à sala, deparou-se com o pai, a irmã e Neji sentados no sofá com expressões tristes, cada um à sua maneira.

Era engraçado perceber essa tristeza, pois ela sempre se sentira deslocada do clã Hyuuga, justamente por que todos tinham uma personalidade fria e dificilmente mostravam seus verdadeiros sentimentos. Ou assim parecia aos olhos de Hinata.

– One-chan... – Disse Hanabi levantando-se correndo na direção da irmã mais velha. – Gomenasai... – Pediu aos prantos a abraçando.

– Não se preocupe, imoto-chan... – Respondeu acariciando os cabelos da menina. – Ficaremos bem.

– Eu sei... – Disse secando as lágrimas e olhando nos olhos de Hinata. – Mas eu vou sentir sua falta.

– Eu também...

Em seguida foi a vez de Hiashi de abraçá-la demoradamente enquanto lhe dava sábios conselhos, depois Neji, que não demorou muito com a despedida. Ele seria capaz de impedi-la de partir se tivesse o corpo dela em seus braços e ele não queria fazer isso, ou melhor: queria, mas não podia.

– Então é isso... – Sussurrou ela e assim se foi da vila da Folha.


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Notas finais
Muito obrigada por lerem e espero que tenham gostado. Eu queria ressaltar uma coisa que descobri. Na realidade o Kazekage tem apenas dois conselheiros, mas eu já tinha colocado como se fossem vários e também assim fica mais legal... rsrrsrs Beijos! ;)