Capitulo 3

Ellen POV

Passei em frente à sala onde teve a confusão da janela, minha mão tocou a porta de madeira, o pensamento de que talvez fosse passar a vida toda sozinha começou a me perturbar. Quando estava me afastando da porta escutei uma voz.

- Ei... Não sei como eu sei que você ta ai... Mas... Você não ta sozinha...

Na hora parei de andar, queria escutar o que ela tinha a falar, tinha certeza de que ela havia escutado os meus pensamentos.

- Não sou a melhor companhia.. Mas pelo menos.. Sou alguma...

- Achei que estava com raiva de mim... Depois do que eu fiz com você...

- Realmente estou... Mas eu já to morto... Não posso fazer mais nada.. Do que adianta ter raiva? Preciso me conformar...

Abri a porta em seguida, tomei cuidado com a luz do sol, estava encostada na parede tentando observá-la.

- Me desculpe Kaoru...

- Eu só quero algumas respostas.

- Sobre o que?

Ela se aproximou de mim, olhou bem nos meus olhos e botou uma das mãos na parede na altura do meu rosto.

- Por que você me escolheu... ?

- Bem, eu passei três meses observando você, achei que depois desse tempo você estaria pronta para ter uma vida nova... Para poder... Ficar comigo...

- Pra começar, o que fez você pensar isso?E porque ficou me espionando?

- Pelo modo de vida que você levava... E...

Antes de eu terminar a frase desviei o olhar meio envergonhada e então continuei.

- Achei você interessante... Diferente das outras pessoas e dos outros vampiros...

- Vida q eu levava...?

- Sim, vida monótona... Ouvi você falando que não agüentava mais... Achei que podia dar um jeito.

- Se você não tivesse me transformado nisso, só tivesse me matado, eu teria ficado até feliz.

- Mas eu não teria... Eu não iria gostar de ver você morta... Eu... *balança a cabeça*Esquece... Acabei fazendo coisas da minha cabeça...

- Agora está feito...

Ela olhou para baixo durante um tempo e então perguntou:

- Tem mais alguém aqui por acaso..?

- Não... Eu moro sozinha aqui...

- Deve ser um saco mora num lugar tão grande sozinho...

- É meio monótono...Mas como é um lugar abandonado e desconhecido, da um bom esconderijo...

- Pra que você se esconde?

- Humanos não podem saber de nossa existência... Eles podem muito bem nos atacar... Eu sei disso porque existem uns poucos que viraram caçadores dos nossos...Eles têm seus motivos... A maioria dos nossos vive com a morte de um humano, e muitos vampiros odeiam eles...

- Não pode ir para o sol... Não pode sair... Tem que se esconder... Mais alguma coisa q eu ainda não sei?

- Não pode ficar sem tomar sangue... Isso faz com que fiquemos fracos... Mas não se preocupe... Tenho um modo de arranjar sangue sem precisar matar uma pessoa...

O modo como ela olhou foi de estranheza, o que a maioria das pessoas se acostumou com vampiros atacando pessoas.

- Atacando um banco de sangue?

- Eu tenho um amigo humano que me ajuda com isso...Ele é mais confiável do que um vampiro qualquer.

- Se você diz... Olha, me desculpe pela janela...

- Tudo bem... Eu dou um jeito depois... Fique a vontade...

Segurei a sua mão e beijei em seguida, quando ia me afastar ela segurou o meu pulso de leve, olhei para seus olhos e então ela me puxou um pouco.

- Vêm comigo.. Preciso d mais uma resposta.

- Está cheia de perguntas hoje.

- O que você queria? Você quem me matou, agora atura.

Ela me cobriu com a cortina cuidadosamente, eu segurei aquele tecido em seguida para ter certeza de que não iria cair.

- O que quer saber ?

Então ela segurou a minha mão, senti meu rosto esquentar um pouco, aquele toque me causou certo abalo.

- Vêm...

Fui acompanhando ela, antes de entrar na sala se certificou de que eu estava totalmente coberta, andamos até perto da janela , estava sentindo um pouco de medo por causa do sol.

- Não sente falta disso?

- Eu sinto... Mas meu medo ficou tão grande que nem tive coragem de tentar olhar de novo...

- Por que você tem medo..?Aconteceu alguma coisa..?

Apenas desviei o olhar, não fiquei a vontade de responder a pergunta dela , tenho péssimas memórias em relação ao Sol, coisas que realmente não quero lembrar.

Kaoru POV

Percebi pela reação dela que não queria tocar no assunto, deve ter motivos para temer o sol.

- Se não quiser falar tudo bem...

- Não fico a vontade pra falar sobre isso.

- Tudo bem, mas não quer tentar um pouco...?

- Tudo bem, eu tento...

Apertei a mão dela de leve , ela segurou a minha mão com força e respirou fundo até tomar coragem.

-Vamos...

- Calma, não vai acontecer nada.

- Vamos logo antes que eu mude de idéia...

Ela fechou os olhos com força, estava relutante com a idéia de olhar para o céu.

- Pode abrir...

Quando ela abriu os olhos, a expressão do rosto tinha mudado, estava maravilhada com o que via.

- Nossa

- Faz muito tempo que você tem medo de olhar...?

Segurei o seu ombro e passei a mão de leve, ela continuou olhando o céu, e então respondeu.

- Uns 100 anos mais ou menos...

Eu fiquei assustada com a resposta, tanto tempo sem olhar para o céu azul, de tão pasma q eu tava apenas poucas palavras saíram da minha boca como pergunta.

- 100 anos... ?

- Sim, eu tenho 122 anos... Sou jovem para um vampiro. *ri*

- Nossa...

- Imaginava que você fosse se assustar com isso. *rindo*

- Mas então... Quem te mordeu deve ter uns 200 anos...

- Na verdade tem 400 anos, sinceramente não foi uma boa idéia ter conhecido ele...

Ela olhou para baixo com rancor, tentei animá-la um pouco bagunçando o seu cabelo, estava um pouco curiosa por saber o que tinha se passado por ela, mas decidi não perguntar no momento.

- Seja lá o que for, se foi ruim, você deveria esquecer .

- Não é tão fácil... Não depois do que faz comigo durante muito tempo...

- Se um dia quiser desabafar...

- Quando eu estiver preparada vou fazer isso...

Senti a mão dela segurar a minha, os olhos verdes se dirigiram diretamente para os meus, tive uma sensação estranha com aquilo.

- Acho que vou demorar a me acostumar a ser tão gelado..

- Isso não impede de ter certo calor...

O polegar dela começou a acariciar minha mão de forma carinhosa, seu rosto se aproximou um pouco do meu, fiquei meio nervosa, mas tentei não demonstrar nada no momento, apenas continuei olhando para ela.

- O que... Você ta querendo dizer..?

- Vampiros não são tão gelados como a maioria pensa...Eles também sentem...

- Imagino q sim, já q perdem o sangue e não o tato

Sua mão começou a acariciar meu rosto, em seguida ficou segurando de leve, não consegui parar de olhar para aqueles olhos. Logo depois seus lábios se aproximaram dos meus, lentamente começou a me beijar, no embalo acabei acompanhando aquele beijo, a sensação era tão boa, mas ao mesmo tempo desconhecida. Aos poucos ela foi parando, sua testa ficou encostada na minha e então continuou o carinho no meu rosto.

- Sente alguma coisa quando faço isso... ?

- Sinto... Não sei o que é mas sinto...

- Isso prova que não somos mortos... Apesar de termos morrido para virar o que somos...

Ela voltou a me beijar, não tinha como resistir, na verdade nem queria resistir. Na empolgação dos beijos acabei abraçando ela, e ficamos por lá, durante um bom tempo.Em seguida parei o beijo aos poucos, apoiei a minha cabeça em seu ombro e continuei o abraço.

- Você conseguiu fazer o que ninguém fez depois de tanto tempo...

Suas mãos acariciaram a minha cabeça, não tinha entendido o que ela quis dizer .

- O que eu fiz... ?

- Fez isso...

Ela segurou a minha mão, botou em seu peito. Pude sentir seu coração bater forte, não sabia se era uma coisa boa ou não.

- Isso é bom... ?

- Sim...

- Er... Como eu devo te chamar... ?

- Me chame de Ellen...

- Certo...

- O seu é Kaoru... Você tem um belo nome...

- O seu nome é bem diferente...

- Pois é... Eu vim de longe... Faz um bom tempo que eu moro aqui, vim de navio junto com o meu mestre, até peguei parte da guerra...

- Deve ter sido horrível...

- E foi, mas meu mestre achou uma maravilha ver os humanos morrerem.

- Esse seu mestre... É americano... ?

- Na verdade é Inglês... Eu sou irlandesa

- Que doideira...

- Pois é...

A conversa estava boa, mas a cortina estava esquentando muito, então voltamos para dentro do castelo. Ela estava meio cansada, quando saímos da sala e fechamos a porta, ela segurou a minha mão, perguntou se eu queria dormir com ela, na hora fiquei até meio sem graça, mas acabei aceitando.

Após andar pelos corredores voltamos para o quarto, ela deitou na cama, em seguida deitei do seu lado, apenas fiquei observando.

- Se não estiver com sono tudo bem, não precisa dormir...

- Eu vou tirar um cochilo, você me deixou muito tempo acordada. *ri*

-tudo bem... er... Será que posso segurar a sua mão...

-Pode sim...

Ela segurou a minha mão, me aproximei um pouco e comecei a fazer carinho, não demorou muito para cair no sono, parecia até um anjo dormindo. Fiquei olhando para ela, e logo em seguida acabei adormecendo.