Doce Problema
26 E No Fim... Pesadelo
Bella
Rosie entrou no quarto minutos depois, ela usava uma calça jeans capri clara, uma blusa cinza com listras horizontais e por cima dela um casaco preto longo. Seu salto alto agulha infelizmente me lembrou Tânia, seus cabelos estavam presos pela metade e usava longos brincos e colar prateados. Em suas mãos ela trazia a roupa que eu usaria.
Vesti a saia preta de cintura alta com dois grandes botões bronze na frente, a blusa sem mangas bege com colete e sapatilha pretos. Rosie me fez sentar e começou a pentear os meus cabelos, ela os prendeu no alto, deixando apenas a frente solta de lado. Enquanto me maquiava os meninos entraram no quarto para avisar que Edward já havia chegado. Para finalizar a minha produção, ela pôs brincos em mim e um colar dourado.
Descemos a escadas e encontramos Edward sentado no sofá da sala ao lado dos gêmeos e Elizabeth. Quando ele me viu seus olhos arregalaram e sua boca abriu, ele ficou sem dizer nada apenas me olhando e fiquei vermelha. Rosie riu como sempre de nós dois.
Eu também não consegui tirar os olhos dele, Edward levantou de vagar e observei as suas roupas, ele vestia uma calça escura e uma camisa azul clara que iam até os cotovelos, displicentemente haviam alguns botões abertos mostrando uma parte do seu peito. Sorri quando vi que usava em seus pés um All Star preto. Seus cabelos estavam molhados e mais arrumados do que o costume. Quando ele se aproximou de mim, senti o seu perfume invadir minhas narinas, era muito gostoso.
- Preciso tocá-la para ter certeza de que é real. — Sua voz era baixa e emocionada, seus olhos não deixavam os meus e ele pegou a minha mão esquerda e tocou o meu rosto com a outra. — Parece que sim. — Ele riu e eu sentia meu coração falhar a cada segundo. Rosie pigarreou e nos afastamos um pouco.
- Então, vamos? — Ela perguntou.
- Olá Rosie. — Edward beijou a irmã.
- Ah, agora você se deu conta de que estou aqui também. — Ela brincou.
- Você está muito bonita. — Ele elogiou.
- Obrigada.
Seguimos para a casa de Alice, decidimos ir no carro de Edward. Elizabeth foi na frente com ele e eu, Rosie e os gêmeos totalmente agitados atrás. A casa deles ficava em um lado da cidade mais afastada com muito mais espaços verdes. A casa era grande para apenas duas pessoas e do lado leste parecia ser totalmente de vidro.
Tocamos a campainha e uma Alice saltitante nos atendeu em um vestido preto tomara que caia e um sapato de salto baixo também preto. Depois de entrarmos e abraçarmos os dois nos acomodamos na sala para conversarmos um pouco.
- Bella, você está muito bonita.
- Obrigada, Alice. Na verdade você tem que elogiar a Rosie, foi ela quem me produziu.
- Rosie é fantástica em produções. — Alice a elogiou.
- Só realcei a beleza dela, nada de mais.
- A verdade é que estou dando muito trabalho a Rosie, Alice. Daqui a pouco vou usar o guarda-roupa completo dela. Estava pensando em comprar algumas roupas para mim. — Tinha que parar de usar as roupas de Edward e Rosie.
- Isso não é problema e não me incomoda. — Rosie falou.
- Mas é uma ótima ideia. Vamos sair nesse final de semana para fazer compras. — Alice disse animada.
- Já vi tudo, vou passar nosso dia de folga sozinho. — Jasper murmurou.
- Um dia de compras é o que todas nós estamos precisando. — Alice continuou ignorando o marido.
- Um dia? Inteirinho? — Edward perguntou.
- Claro que sim, e espero que dê para fazer tudo. — Edward estava com uma cara engraçada, acho que pensando que mulheres eram loucas. Não sabia se eu fazia parte das mulheres consumistas, mas eu gostava da companhia das garotas e ficaria feliz em passar o dia com elas, além é claro de que estava precisando urgente de mais roupas.
Ficou decidido então que sairíamos no sábado para um dia de compras e diversão, nós três mais os gêmeos. Continuamos conversando enquanto Alice servia suco para os meninos e vinho para todos nós. Alice analisou os meus ferimentos, ela e Jasper pediram para que eu fosse no hospital no dia seguinte para retirar os pontos e para Elizabeth ir junto para fazer alguns exames, ela resmungou, mas Edward disse que ela iria de qualquer jeito.
De repente nos vimos em grupos diferentes. Os gêmeos brincavam em um canto da sala, os homens foram colocar escolher uma música para ouvirmos e permaneceram em pé conversando enquanto nós ficamos no sofá. Conversamos sobre vários assuntos até que se chegou a festa de ontem e o meu sumiço.
- Bella, eu detestei a atitude daquela bruaca da prima do Jazz. Ela sempre apronta, mas Jazz gosta de todo mundo, ainda mais os parentes então tenho que aceitá-la aqui em casa, mas eu falei poucas e boas para ela.
- Ai Alice, não precisava. Foi uma besteira, eu que me excedi. — Admiti.
- Mas eu sou totalmente mais você, Bella. Ela é uma perua mal amada.
- Concordo com você. — Rosie falou.
- Ok, eu também acho que ela é uma perua mal amada, uma bruaca, uma idiota tingida, uma Barbie Lambisgoia. — Alice e Rosie se entreolharam.
- Barbie Lambisgoia? — Perguntaram e riram.
- Quem é Barbie Lambisgoia? — Elizabeth totalmente aérea perguntou.
- Ninguém, vovó. — Rosie respondeu.
- Bom, acho que já está na hora. Vamos jantar. Espero que gostem de comida japonesa. — Alice levantou animada.
- Você preparou comida japonesa? — Rosie pareceu surpresa.
- Não, eu pedi por telefone. — Rimos da maneira que ela respondeu quase quicando parecendo ter feito algo extraordinário.
Depois do jantar continuamos conversando, agora todos juntos novamente. Eram quase onze da noite quando nos despedimos dos dois, os gêmeos estavam cambaleando de sono e ainda teriam aula pela manhã. A primeira parada foi na casa de Rosie, a deixamos com seus filhos e Elizabeth e seguimos para casa.
Entramos calados, nos olhávamos de vez enquando enquanto nos aproximávamos do seu quarto. Talvez ele me beije e me acaricie ardentemente como já fez antes. Esse pensamento me fez sentir um pouco depravada. Mas eu não podia negar o quanto o queria.
Entrei no banheiro e vesti a blusa que usei na noite passada. Lavei o meu rosto para me senti maias calma e tirar a maquiagem. Quando sai do quarto Edward estava apenas de moletom cinza sentado na borda da cama. Ele sorriu torto quando me viu e eu caminhei até ele e parei em sua frente.
Seus cabelos estavam revoltos novamente, deixei que os meus dedos entrassem por dentro deles, senti a macies dos seus fios. Abaixei e busquei seus lábios com os meus. Edward segurou-me pelas pernas e aos poucos foi subindo. Ele tocou a minha bunda e deitou-se levando-me junto. Edward acariciava-me e eu o beijava, meus lábios tocavam o seu queixo proeminente o seu pescoço, os seus ombros.
Suas mãos subiram por minhas costas me arrepiando, coloquei uma perna de cada lado do seu corpo e pressionei o meu corpo no dele sentindo a sua excitação. Ele segurou-me firme pela cintura me fazendo encaixar ainda mais nele. Beijei-lhe o pescoço descendo até o seu peito.
- Bella isso é bom...
Com as pontas dos dedos comecei a descer o seu moletom, queria saber o que ele escondia ali, mas ele me pegou pelos ombros e girou nossos corpos ficando por cima de mim.
- Não. Faça. Isso. — Eu fiquei confusa com o que ele disse.
- O quê?
- Não quero que faça isso. — Edward estava ofegante e seu maxilar estava rígido.
Então me senti novamente imoral, muito atirada. Edward geralmente me deixava assim. Oh Deus! O que ele estaria pensando de mim?
Edward levantou-se e foi para um lado do quarto, bem longe de mim e ficou parado olhando para a parede. Dava parar perceber a sua respiração incontrolada. Estava morta de vergonha. Ele virou-se e seus olhos foram direto para as minhas pernas completamente expostas e subiram até a minha calcinha que aparecia por causa da blusa que estava em minha cintura, rapidamente a abaixei. Edward estava com uma fisionomia indecifrável. Ele cerrou os olhos com força e respirou fundo.
- Desculpe-me.
- Sou mais forte do que pensei. — Estava tão envergonhada por agir daquela maneira que deixei passar. — Cubra-se, Bella. — Ele pediu e cobri meu corpo com o lençol.
- Eu...desculpe-me...Não estava pensando, quer dizer, estava, mas não claramente. — Fiquei confusa e Edward olhou-me com carinho. — Não sei como ainda pode ter tanta consideração com uma garota como eu. — Seu olhar ficou confuso.
- Uma garota como você?
- Imoral. — Abaixei os olhos. Comportei-me como uma garota vulgar e era claro que ele não gostava de garotas assim. Encolhi-me na cama enorme desolada pela situação que provoquei. Eu era mesmo uma tonta! Sentia tanta vergonha que a minha vontade era de ir embora. Mas fui forçada a erguer novamente a vista para ver o porquê dele estar gargalhando. — Porque está rindo?
- Você não é imoral. É absurda, mas isso não chega a ser um problema, faz parte do seu charme. — Pisquei algumas vezes, não sabia o que pensar. Por um lado ele não me achava imoral, mas me achava absurda. Não sabia se ficava feliz ou chateada.
- Edward.
- Por mais que eu explique como me sinto com relação á você, parece que não entra nessa sua cabecinha linda oca. — Edward sentou ao meu lado. — Você é linda, inteligente, divertida e super sexy. Sabe me deixar louco fácil. — Não sabia o que pensar, parecia que tinha sofrido mais uma amnésia.
- Então...não...me repugna...por me atirar assim....?
- Não. Eu sinto o mesmo por você, Bella.
- Não acredito. Você parece tão controlado.
- Como eu faço você entender? Bella, eu estou apaixonado, e é claro que sinto vontade de fazer amor com você. — Seus olhos brilhavam intensamente enquanto ele pronunciava as palavras. Sua mão acariciou a minha nuca e depois a segurou firme. — Imoral sou eu. A sua boca é tão gostosa... — Senti a lufada de ar que ele deixou sair pela boca. Seus olhos estavam vidrados na minha boca. — eu nunca senti tanta vontade que uma mulher fizesse... — Edward sacudiu a cabeça como se assim a livrasse dos pensamentos. Eu me senti completamente quente. — Bella... — Eu avancei para beijá-lo, mas ele me impediu. — Não.
- Não?
- Estou de guarda baixa. Preciso me controlar.
- Não precisa, não. — Falei teimosa.
-Facilita as coisas pra mim, Bella. Eu sou homem, droga!
- E isso é maravilhoso. Por que não podemos continuar de onde estávamos? — Parecia uma criança teimosa.
- Porque eu não vou permitir que façamos amor ainda. Bella eu só farei amor com você quando recobrar a memória. — Como? Isso é brincadeira, não? O motivo dele me pareceu um pouco de mais.
- Só quando eu recobrar a memória? E se eu nunca lembrar do meu passado?
- Então, faremos quando eu tiver certeza de que não vai acordar no outro dia histérica querendo me matar.
- Eu não faria isso. — Estava indignada.
-Também só farei quando tiver certeza de que no dia seguinte ao acordar não descubra que você se foi.
- Acha que vou embora assim?
- Não sei, sempre me parece disposta a isso. — Ele foi sincero. Fiquei calada, porque eu também achava isso.
- Vamos, arrume-se. Tenho que te levar ao hospital e antes disso pegar Elizabeth.
Estava frustrada com o que aconteceu, mas não tinha muita escolha a não ser fazer o que ele disse. Alice atendeu Elizabeth enquanto Jasper retirava os meus pontos.
- Senti dor em algum lugar? – Jasper perguntou quando terminou o trabalho.
- Não. Sinto-me melhor a cada dia.
- E as dores de cabeça?
- Edward te falou disso? — Analisei, já que eu não havia falado nada e não teria como ele saber.
- Sim.
- Passaram. – Tentei ser confiável.
- Tem lembrado de algo?
- Tenho lampejos, mas nada concreto. – Jasper me observou por um segundo.
- Não é nada físico, Bella. Acredito que o seu trauma não foi apenas causado pelo acidente.
- Não? – Perguntei um pouco tonta pela revelação, Jasper suspirou.
- Bella, você não gostaria de ter uma consulta com um psicólogo? Talvez conversando com um profissional...
- Não, Jasper. Eu já decidi que lembrarei por mim mesma.
- Tudo bem. Lembre-se que pode contar comigo. – Jasper assegurou-me carinhosamente.
- Eu sei. — Sorri para ele.
Quando terminamos Edward deixamos Elizabeth na casa da sua amiga de Emily e depois fui com ele até a loja de Rosie. Passei o dia com ela, entre conversa e risadas. À tarde pedi que ela me levasse para casa de Edward, queria recompensá-lo por tudo que ele já fez por mim, daria uma de dona de casa.
Fui para a área de serviço, começaria com as roupas. Levei todas as roupas sujas que encontrei e as coloquei na máquina. Coloquei as roupas na máquina, seguindo as instruções que vinham nela, primeiro lavaria as coloridas. Deixei que a máquina fizesse o seu trabalho enquanto varria e espanava a poeira dos móveis.
Retirei as roupas da máquina e as estendi, depois fui para a cozinha. Fiquei ali parada olhando todo o ambiente. Eu queria muito preparar alguma coisa pra ele, mas eu não sabia como. Na verdade eu nem sabia se era boa cozinheira. Optei por não me arriscar, faria como Alice. Procurei um catálogo e quando o achei busquei por um restaurante que fizesse entrega.
Edward
Bella me enlouquecia mais a cada dia com uma facilidade que mulher nenhuma teve. Pensei nela o dia todo e é claro que sempre que lembrava dos seus beijos, ficava imediatamente excitado. As coisas pioravam. Estava prestes a explodir, mas eu tinha que aguentar, não queria fazer as coisas de maneira errada, tudo teria que ser feito da maneira correta.
Ela estava com amnésia e eu não gostaria que ela pensasse que me aproveitei dela enquanto estava nessas condições. Bella era especial para mim, queria que ficasse bem claro. Se fosse em outra situação, eu já teria avançado em nossa relação a muito tempo. Já a teria seduzido e feito ela nunca mais esquecer de mim, nunca mais querer outro ao seu lado.
Bella...Ela estava tão mais tranquila e acessível, doce e disposta. Ainda via aquele lampejo em seus olhos, petulância, irreverencia, independência. Perfeita…Bella Swan é maravilhosa. Queria muito conhecer um pouco mais dela, mas ao mesmo tempo tenho medo de não suportar as revelações. Estou colocando as minhas emoções a cima de todo o resto, da minha responsabilidade, sou xerife afinal. Mesmo sentindo-me aliviado e até feliz por ela não querer procurar pelo advogado Emmet Gilbert eu tinha que fazer algo, por garantia.
Tomei uma decisão, mesmo sem o consentimento dela procuraria informação sobre ela. Acessei o Departamento de Trânsito e depois de alguns minutos falando com algumas pessoas descobri que a Harley estava registrada no nome de Isabella Marie Swan, com endereço e carteira de habilitação da Califórnia. Soltei a respiração que estava prendendo sem perceber enquanto recebia as informações. Uma parte de mim temia que a moto estivesse registrada no nome de um homem. Um namorado...ou marido.
Estava prestes a pedir a polícia de Los Angeles que colhesse informações sobre algum parente dela, mas desisti. Nem eu mesmo estava preparado para deixá-la ir embora, uma fraqueza, eu sei, mas como eu disse a ela: “Eu sou homem, droga!”
Tentei me concentrar em outras coisas até as cindo, quando finalmente sai da delegacia e me dirigi até a minha casa. Rosie tinha ligado para mim e me avisou que Bella estaria lá. Queria beijá-la a noite toda, disso eu não me privaria.
Bella
Olhei para o relógio, já eram cinco da tarde, ele deveria estar saindo da delegacia neste momento. Preparei a mesa para o nosso jantar. Subi e tomei um banho, vesti uma bermuda que eu tinha na bolsa e uma blusa vermelha ¾. Quando sai do banheiro Edward estava sentado na cama, seu chapéu estava em suas mãos.
- Contratou alguém para arrumar a casa? – Ele perguntou divertido.
- Usei as minhas próprias mãos. Fui capaz, não?
- Muito. – Riu lindamente. — Vem cá. — Ele me chamou com o dedo indicador e é claro que eu fui.
Edward me fez deitar na cama e me beijou por incontáveis minutos. Quando nos separamos ele pareceu querer falar algo, mas não saber como.
- Tem alguma coisa para me dizer? — Perguntei de senho franzido.
- Não é nada de mais.
- Então me diga. — Exigi.
- É que não sei se você queria, mas...querida, falei com algumas pessoas do Departamento de Trânsito da Califórnia e bem...não há nada de errado com a sua moto. Isso é bom, agora temos certeza de que não infringiu nenhuma lei de trânsito. — Ele sorriu torto envergonhado. — Queria saber algo sobre você, Isabella. — Foi como um baque em meu cérebro ouvir esse nome. Era o meu nome, eu sabia, mas ouvi-lo assim pronunciado completamente...Seus olhos encontraram os meus buscando analisar as minhas reações. — Sabe que seu nome é Isabella?
- Agora sei. — Murmurei. Estava me sentindo estranha ao ouvir o meu nome completo saindo dos lábios dele, era angustia. Ah! Não era o momento de me sentir assim. Espantei rapidamente esse sentimento do meu peito.
- Sente-se bem? — Ele acariciou meu rosto e despertei do transe.
- Sim. Beijei-me. — Pedi e ele o fez parecendo satisfeito com a minha atitude. Mas a campainha tocou, me afastei dele e fui atender. Recebi a comida e Edward estava atrás de mim me olhando surpreso.
- É muito divertido cozinhar. – Mostrei a comida para ele e rimos juntos esquecendo completamente o mal estar de antes.
Passamos uma noite tranquila cheia de carinhos. Não conseguíamos nos separar e quando a temperatura se elevava um pouco ele logo se afastava, mas voltávamos a nos beijar em seguida.
De manhã bem cedo Rosie, os gêmeos e Alice vieram me separar dos braços quentes e fortes de Edward e odiei-me por ter tido a ideia de sairmos em compras. Peguei a minha carteira e fiquei impressionada com a quantidade de cartões que tinha.
- Será que terá algum problema se eu utilizar um desses?
- Acho que não. Utilize esse. – Edward pegou o cartão em minhas mãos deu uma rápida olhada e me devolveu. — Como vai quitar as dívidas depois, já que não se lembra nem da senha da sua conta?
- Não sei, acho que até lá já estarei boa e se não estiver, aí sim teremos que ligar para o advogado Gilbert para me ajudar. – Falei descontraída, mas Edward parecia muito sério ao aproximar-se de mim, enlacei o seu pescoço e ele beijou o meu rosto.
- Pode usar o um dos meus, eu posso ir com vocês. – Edward estava triste ao falar isso.
- Não. – Recusei.
- Não para que eu pague ou não para que eu vá?
- Para os dois. – Ele fez uma careta de desagrado, parecia uma criança de birra, sabia o que ele sentia e eu também sentia a mesma coisa. Não queríamos nos separar. Nos beijamos em despedida.
- Sentirei saudades. – Edward falou em meus lábios.
- Vamos, Bella. – Rosie havia subido ao quarto e tentava me tirar dos braços do irmão.
- Eu também. – Na verdade, já estava.
Seguimos viagem até Shorewood, a cidade da Barbie Lambisgoia. Resmunguei um pouco quando soube, mas elas me garantiram de que não iríamos encontrar Tânia por lá.
Paramos em um shopping enorme e Rosie deixou os meninos em uma brinquedoteca. Depois me arrastaram até um salão e lá nós fizemos as unhas, nos depilamos e demos um trato nos cabelos. Depois damos uma boa rodada pelo shopping e compramos algumas peças. As garotas me obrigaram a deixar a trocar as roupas que eu vestia por um vestido verde com um cinto preto enorme. Tive que trocar os meus sapatos também, por uma sandália bege de salto baixo, isso porque o meu tornozelo ainda não estava totalmente curado se não teria que usar uma sandália de salto alto como elas.
Perto da hora do almoço pegamos os meninos e fomos almoçar. Eles pediram para voltar para a brinquedoteca e nós continuamos as compras. De tardezinha compramos sorvetes e rimos dos meninos lambuzados e depois já escurecendo voltamos para Hope Falls.
Estava ansiosa por ver Edward, afinal tinha passado o dia todo sem vê-lo. Já eram sete da noite quando Rosie e Alice me deixaram em frente a casa dele. As luzes da sala estavam acessas, meu coração disparou por saber que a poucos instantes o veria e mataria toda a minha saudade em seus braços.
Quando me aproximei da porta, notei que ela estava entreaberta, achei estranho. Edward nunca deixava aporta aberta. Na sala o grau de estranheza estava maior e eu já achava que coisa boa não viria disso tudo. Havia duas taças no chão perto do sofá, as duas quase intocadas contendo vinho, alguém tinha vindo aqui e bebeu com Edward.
- Edward? – O chamei, mas não tive resposta.
Caminhei até a escada e no primeiro degrau estavam um par de sapatos rosas largados no chão. Meu coração deu um solavanco e eu prendi a respiração. Não. Ele não fez isso. Fiquei repetindo isso na minha cabeça. Uma mulher veio aqui e eles beberam. Estariam dormindo lá em cima?
Apoiando-me na parede subi as escadas lentamente. Minhas pernas estavam fracas, poderia cair a qualquer momento. Quando alcancei o último degrau encostei-me na parede e tentei respirar fundo. Dei passos lentos até aporta do quarto de Edward que estava entreaberta também, eu a abri e tudo pareceu desmoronar. Aquilo não era verdade, eu estava tendo um terrível pesadelo, um pesadelo cruel.
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