Doce Pesadelo
71 Capítulo 71
Notas iniciais
Duas semanas depois...
Depois de alguns encontros com a Melanie, aparentemente ela não parece ter contado a sua amiga Angeline que a gente andava se encontrando.
Melanie adorava dar investidas para tentar me beijar, mas eu sempre conseguia fugir! Eu só pensava o quanto a Madson iria me odiar mais ainda de me ver com ela, ou talvez não, ela sempre ignora minha existência.
Eu e Melanie não tínhamos mantido muito contato na escola, principalmente, porque eu comecei a reparar que ela e Angeline de vez em quando se aproximavam mas de maneira disfarçada sem que todos pudessem ver, mas eu sempre estava ali na cola de Melanie para observá-las.
Após a aula de química, finalmente pude sair da sala e ir para o intervalo, fui para o refeitório e vi Audrey e Ethan sentados, e duas mesas depois Madson estava sozinha comendo um sanduíche.
Audrey e Ethan ainda não tinham voltado a falar com ela, apesar deles quererem correr para se desculparem, combinamos de manter as coisas dentro da normalidade para o plano não fugir do controle.
– Oi pessoal! – digo me sentando na mesa com eles.
– E aí Luke! – diz Ethan me cumprimentando com um soquinho.
Olho em direção a Madson ela estava com moletom preto e seu capuz cobrindo a cabeça, mas dava para ver algumas mechas verdes atrás da orelha que ficavam em seu pescoço. Ela estava com fones de ouvido e concentrada em seu sanduíche, mas ela resolve levantar a cabeça e nossos olhares se cruzam, mas ela desvia com uma carranca.
– Você devia disfarçar para não dar tão na cara que você ainda é apaixonado por ela – diz Audrey me fazendo virar para olha-la.
– É difícil – suspiro – Mas preciso tentar a Melanie nem pode desconfiar disso para nosso plano dar certo!
– Sim, tente! Pois a ruivinha não irá gostar nada disso sabendo que vocês estão conversando nessas últimas semanas – completa Ethan.
– Você vai precisar começar a ignorar a Madson, a Melanie precisa confiar que você tem interesse nela – Audrey fala mastigando uma maçã.
– É, vocês tem razão! Mas não está tão difícil, pois nos dois últimos “encontros” – faço aspas no ar com as mãos ao falar encontro – ela quase tentou me beijar, para minha sorte conseguir escapar.
– Eca! Nem consigo imaginar isso – Audrey faz cara de vômito.
– O que vocês conversam? – pergunta Ethan curioso.
– Normalmente ela fala sobre a vida dela, que o pai é empresário e a mãe tem uma loja de grife. O quanto ela gosta de moda, de carros caros, e que sempre viaja todo final de ano para a Europa – reviro os olhos – ela gosta bastante de falar dela mesmo.
– Que vida difícil! – ri Ethan – a última vez que viajei foi para casa da minha avó em Downtown.
– Acho irritante quando ela me chama de gatinho, mas finjo que está tudo bem – digo.
Ethan e Audrey começam a gargalhar.
– O que foi? – eu digo sem entender.
– Sua cara foi impagável! – diz Ethan ainda rindo.
– Não está sendo fácil para nosso amigo – Audrey coloca a mão no meu ombro dando tapinhas amigáveis.
– Continuem rindo da minha desgraça! Vou para a aula – mostro a língua.
Saio do refeitório e corro pelo corredor para não perder a aula de inglês, o Sr. Lewis era muito rigoroso, odiava atrasos e também conversas paralelas na aula, assim como nos meus primeiros dias em que troquei bilhetes com a Madson e ele nos chamou a atenção.
Estou tão distraído que não vejo que esbarro em alguém.
– Opa, desculpe! – digo rapidamente.
Olho para frente era a Madson toda encapuzada.
Me abaixo para pegar seu livro que estava caído.
– Não precisa, pode deixar! – ela grunhe.
Me sinto triste mas sigo para sala de aula, em específico essa aula nos teríamos juntos.
Sento na mesma carteira que fica ao lado dela, mas ela simplesmente passa por mim e se senta na outra fileira o mais distante possível.
Sr. Lewis começa a falar algo sobre literatura clássica, mas não presto atenção suficiente.
Madson estava de cabeça baixa e mal dava para ver seu rosto por conta do capuz.
– Srta. Baker, já que seus fones de ouvidos são mais interessantes que minha aula, gostaria que citasse uma obra de Emily Dickinson! – o professor chama sua atenção.
Rapidamente todos os alunos se viraram para olhar para a Madson aguardando alguma resposta para ela virar um escárnio.
– Esperança é a coisa com penas
Que se empoleira na alma,
E canta uma canção – sem as palavras,
E nunca para.
E mais doce é o vendaval que se ouve;
E dolorosa pode ser a tempestade
Que poderia desconcertar o passarinho
Que manteve tantos aquecidos.
Já o ouvi nas terras mais geladas
E no mar mais estranho;
Entretanto, nunca, nem em desespero,
Ele me pediu uma migalha.
Madson recita um poema fazendo todos ficarem boquiabertos, incluindo o Sr. Lewis.
– Muito bem Srta. Baker! Como estava mencionando, vamos continuar falando mais sobre a vida de Emily Dickinson – Sr. Lewis fala sem graça prosseguindo com a matéria.
Madson dá de ombros e volta a ficar de cabeça baixa.
Ela tinha colocado todos seus sentimentos naquele poema, ela falava muito bem e tinha sido admirável, não consigo deixar de escapar um sorriso.
– Alunos, por hoje é só, estão dispensados! – o professor finaliza a aula.
Madson é uma das primeiras a sair da sala o mais rápido possível da sala, junto meus materiais e coloco na mochila e vou para o corredor.
Vejo Ethan e Audrey se aproximando para irmos juntos até a saída, vejo a Madson no armário nos observando.
Mas antes que eu possa fazer qualquer coisa sou encurralado.
– Hey Luke! – Melanie diz chegando perto de mais de mim.
Tento me desvencilhar, mas me sinto cada vez mais encurralado. Quando percebo ela está poucos centímetros dos meus lábios.
POV Madson
Tentei ouvir os conselhos de Caio e Ariel para não abaixar mais minha cabeça, como todos me tratavam como um lixo qualquer, pelo menos tentei responder a altura quando o Sr. Lewis tentou de alguma forma me constranger. Mas assim que pude sai logo daquela maldita sala e claro meus melhores companheiros: meus fones de ouvido.
Vou para meu armário guardar meus materiais, apesar do diretor ter pedido para limparem, ainda tinha algumas lascas vermelhas do dia mais humilhante da minha vida.
Vejo Ethan e Audrey procurando alguém e logo vejo Luke andando, percebo que ele mais uma vez olha para mim, ele ainda todas vezes tenta algum contato visual comigo, mas sempre o ignoro.
Volto para meu armário, agora meus amigos se tornaram dele, e todos permanecem felizes, como se eu nunca tivesse existido na vida deles.
If you, if you could return
Don't let it burn
Don't let it fade
I'm sure I'm not being rude
But it's just your attitude
It's tearing me apart
It's ruining every day
Fecho o armário e aumento o volume da música, ainda estou com o capuz do moletom e abaixo minha cabeça.
I swore, I swore I would be true
And honey so did you
So why were you holding her hand?
Is that the way we stand?
Were you lying all the time?
Was it just a game to you?
Automaticamente na minha mente lembro do que meus irmãos me falaram para parar de agir como se meu erro fosse tudo, essa não era a Madson. E eu estava cansada de agir como se eu tivesse que fingir que eu não existisse andando como um rato pelos cantos me escondendo para ninguém pisar em mim ou colocar ratoeiras por aí e ser pega.
Tiro meu capuz e meus cabelos verdes ficam a amostra no rabo de cavalo que eu fiz, mas com algumas mechas soltas, pois apesar do meu cabelo ter crescido, ainda não era grande suficiente para ficar todo preso. Decido levantar minha cabeça, já que todos me ignoram, eu é quem devia ignorá-los e seguir em frente.
Fico chocada com a cena a minha frente, Melanie estava beijando o... Luke?
But I'm in so deep
You know I'm such a fool for you
You got me wrapped around your finger
Do you have to let it linger?
Do you have to, do you have to, do you have to let it linger?
Meu estômago embrulha com aquilo que meus olhos não podem acreditar que estava vendo.
Assim como eu, vejo que todos nos corredores ficam chocados, mas alguns gritam e fazem bagunça. Eu simplesmente quero sair desse lugar, então ando mais depressa possível.
Oh, I thought the world of you
I thought nothing could go wrong
But I was wrong, I was wrong
Me sinto tão estranha e distraída que nem percebo que esbarro em alguém.
– MAS QUE PORRA É ESSA? – a voz enjoativa de Angeline era inconfundível.
Tanto ela como eu estava chocadas com o que estávamos vendo. Ela nem se incomodou com o choque da trombada que dei nela, ela estava com seus olhos verdes vidrados na Melanie empoleirada no pescoço de Luke.
Assim como ela ignoro isso e saio dali, não queria ficar vendo aquela cena nojenta. Sentia meu sangue pulsando por todo meu corpo e meu rosto ficar quente, provavelmente também estava vermelho.
Eu sentia uma raiva descomunal, além de ficar enojada vendo Melanie e Luke juntos.
If you, if you could get by
Trying not to lie
Things wouldn't be so confused
And I wouldn't feel so used
But you always really knew
I just want to be with you
Eu sei que não queria ver e falar com o Luke, mas ele precisava ser tão baixo e ficar com a Melanie? Aquela vagabunda ruiva que fazia de tudo para ficar com todos garotos possíveis da escola para ter tudo o que ela queria.
Mas por que eu deveria ficar me importando também? Que se foda esses dois babacas.
Quando percebo já estou há uma quadra de casa, fiquei tão presa aos meus pensamentos que nem notei que basicamente estava correndo.
You know I'm such a fool for you
You got me wrapped around your finger
Do you have to let it linger?
Do you have to, do you have to, do you have to let it linger?
Chego em casa e fecho a porta com toda minha força.
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