Doce Pesadelo

69 Capítulo 69


Notas iniciais
O que será que o Caio tá aprontando dessa vez?? Aposto coisa boa no nosso menino ;P

Caio sai me arrastando até próximo ao antigo quarto do Johnny.

– O que você tá fazendo? – digo parando no meio do caminho.

– Você e a Mad precisam se acertar! – ele dá de ombros.

– Mas… Mas não agora! – olho assustada para ele.

Ele me puxa para mais perto do quarto e a porta estava entreaberta vejo a Madson sentada na cama de costas e falando consigo mesma.

– Você faz tanta falta Johnny! – ela suspira – A vida era bem mais fácil quando você estava aqui. Eu sei que nunca devia ter feito aquilo, eu só pensei em mim. Não pensei o quanto machucaria ainda mais nossos pais, não pensei também nos nossos irmãos...

Caio olha para mim arqueando as sobrancelhas, me mostrando que estava certo, mas ainda estou imóvel atrás da porta apenas a observando

– E agora eu estou aqui sem ninguém, quer dizer, eu tenho Caio, eu sei que ele se importa e está ao meu lado, mas não gosto de incomodá-lo pois ele tem sua namorada agora. Eu não tenho mais namorado, nem amigos e até a Ari eu perdi! A Amber me disse para ter paciência e respeitar o espaço dela, mas acho que o que mais me dói ela ainda estar brava comigo. Só queria que você tivesse aqui, você com certeza me ajudaria a consertar essa bagunça, ou você simplesmente me abraçaria e diria que tudo ia ficar bem – ela se inclina para frente.

– E vai ficar tudo bem! – Caio entra no quarto e a abraça por trás.

Madson toma um susto e limpa os olhos que estão avermelhados assim como a ponta do seu nariz.

– Obrigada Caio – ela o abraça.

Caio balança a cabeça apontando para que eu fosse em direção a eles.

Tomo coragem e vou.

– Hey, Mad! – digo em tom baixo e envergonhado.

Ela vira o rosto para me ver e fica muda com os olhos fixo em mim.

Meu Deus o que eu ia falar?

“Oi, foi eu que estraguei toda sua vida, desculpa aí maninha!”

Minhas mãos suam e eu respiro fundo.

– Ah pelo amor de Deus, eu vou ter que resolver isso? – Caio se solta do abraço e se vira olhando para nós duas.

– Sério mesmo? – ele diz quando observa que ficamos paradas.

Caio me pega pelo braço e me puxa fazendo sentar na cama do Johnny e ficar ao lado da Madson enquanto ele continua de pé.

– Vamos! Comecem logo! – ele coloca os braços na cintura.

Observo o quarto de Johnny eu nunca mais entrei depois da sua morte, mas continuava a mesma coisa.

Olho ao redor, tinha uma bola de basquete na cômoda, guarda-roupa continuava com a última gaveta meio-aberta. Seu par de tênis da Nike continuavam lá próximo a parede com a janela para vista do outro lado da rua, e, na parede faltava o quadro que estava na mão da Madson, uma foto de nós quatro juntos no parque: Johnny no fundo sorrindo e fazendo “chifrinhos” na Madson enquanto ela estava ao seu lado emburrada, sua outra mão no ombro do Caio que estava à sua frente sentado no banco e fazendo careta e eu deitada no colo de Caio apoiando minha mão na bochecha e com o restante do corpo no banco fazendo biquinho.

Me lembro desse dia como se fosse ontem! Tinha sido há quatro anos, quando nossos pais tinha nos levado ao parque para um piquenique em família. Nesse dia Johnny estava me ensinando como se jogava vôlei, foi com ele que eu aprendi! Tinha sido um dia divertido, Caio e Johnny em toda oportunidade irritavam a Madson e eu sempre ria das peças que eles a pregavam.

Na hora da foto, ela estava emburrada exatamente por isso. Minha mãe insistiu para ela sorrir, mas ela já era teimosa nessa época, sempre foi. Meu pai deu risada quando viu a foto, e minha mãe ficou brigando com a Madson, mas no fim das contas ficou uma foto espontânea. Também sentia falta do John, ele era um irmão incrível!

Sinto meus olhos marejarem.

– Ele era incrível, sinto falta dele – digo fungando.

– Todos sentimos! – responde Caio – Ele com certeza seria o primeiro que eu contaria sobre a Larissa.

– Ah então você não confia na gente? – Madson dá uma cotovelada.

– Não me leve a mal Mad! É que ia ser de homem para homem – ele ri.

– Ele devia ter escutado nossos pais, não devia ter ido nessa maldita festa – Madson suspira.

– Acho que não mudaria o fato da morte dele! Talvez tivesse que ser assim – Caio responde triste – E ele era tão teimoso quanto você.

Madson faz uma careta.

– Mad... – digo com a voz trêmula com um nó na garganta

– Sim? – ela diz calma.

– Me desculpa! – sinto as lágrimas rolando novamente.

Madson solta um pequeno sorriso e passa os braços em volta de mim e pousa seu queixo sob a minha cabeça.

– Tá tudo bem, minha pequena! – ela diz fazendo cafuné na minha cabeça.

– Eu... Eu não queria ter dito aquelas coisas! – continuo chorando – E eu não devia ter me afastado de você no momento que você mais precisou... Eu sou uma péssima irmã!

– Ari, tá tudo bem! Me desculpa também eu não devia ter falado com você da forma que eu fiz, você sabe que eu sou péssima com palavras e muito menos ainda quando estou nervosa – ela responde tranquila.

– Mesmo assim, eu sou péssima! Eu me senti tão reprimida com essa questão de não falar sobre o Johnny e com ciúmes por nossos pais sempre se preocuparem mais com você, não foi justo, ainda mais... – digo, mas automaticamente interrompo lembrando que eu ainda não posso falar que eu contei o segredo e estragar o plano de Luke.

– Ainda mais, o quê? – ela diz segurando meu rosto para me olhar.

– Ainda mais que você sempre ficou ao meu lado – respondo.

– AEEEEEEEEE O NOSSO TRIO VOLTOU DE NOVO! – Caio pula em cima da gente nos fazendo cair na cama.

– Caio você vai nos matar, sai de cima! – Mad resmunga.

– Vocês me amam e apenas isso importa! – ele diz convencido.

Mad acaba não aguentando e caindo na gargalhada.

– É bom ter vocês de volta! – ela diz.

– E vocês duas não briguem mais! Não aguento mais resolver b.o. de vocês – ele diz se esparramando mais ainda em nós.

– Sai logo seu folgado! – Mad empurra seu braço.

Enquanto ela tenta se desvencilhar, Caio pisca para mim e eu digo obrigado em silêncio.

– Vamos atacar ele Mad! – pisco para ela.

– Duas contra um, ele não terá força! – ela concorda.

Empurramos Caio até ele cair no chão.

– Assim não vale! Vocês estão ferradas! – ele diz com olhar malvado.

Mad coloca o quadro na escrivaninha e olha para mim apontando a cabeça para o lado dizendo que cada uma poderia ir para um lado.

– Já! – ela grita.

– Salve-se quem puder! – grito enquanto dou risada.

Saimos correndo corredor a fora.

Notas finais
E finalmente interação do trio de irmãos que mais amamos <3 E veio aí finalmente as pazes das gatas!!!