Doce Pesadelo

62 Capítulo 62


Notas iniciais
E aqui serão feitasssssss grandesss revelações! PREPAREM-SE!

Dois meses depois

POV Madson

Flashback on

Desperto sonolenta e com várias luzes no meu rosto, observo e estou em uma sala branca. De novo não!

– Madson?? – escuto a mesma voz grave, mas dessa vez reconheço.

Meu pai estava ali e corre para chamar a enfermeira dizendo que acordei. Ela volta para aferir minha pressão e me perguntar coisas óbvias para saber se de fato estou consciente, constatando isso, ela informa que estou melhor e que iria chamar o médico para averiguar mais. Ela sai para procurar o médico e meu pai fica sentado numa poltrona me observando.

– Pai, o que aconteceu? – pergunto não me lembrando somente da minha queda após beber quase toda a vodca.

– Te encontrei desacordada no quarto com uma garrafa de vodca quase vazia, inconsciente tive que ligar para emergência! Você está desacordada há 3 dias!! – ele responde em um tom preocupado.

Fico sem responder nada, para mim em um ponto era bom ter ficado sem consciência por tanto tempo, mas sei que isso podia trazer sofrimento para outras pessoas, como meu pai nesse momento, eu nunca o vi assim, só quando Johnny morreu.

– Madson eu fiquei preocupado! Na verdade ainda estou, a gente vira as costas e você se entope de álcool! Você não devia ter parado seu tratamento – ele suspira angustiado.

– Tá tudo bem, pai, já estou melhor! – tento amenizar.

– Não Madson! Não está tudo bem! – vejo seus olhos marejados, mas ele se segura – Já sei sobre o que aconteceu na escola, sua mãe acabou ligando para a escola para entender o que aconteceu! Você não está conseguindo lidar com tanta coisa sozinha e nem nós estamos conseguindo lidar com você dessa forma, não estamos conseguindo te ajudar! Sua mãe ficou desesperada, e eu sinceramente também fiquei.

Respiro fundo, eu sabia que tinha exagerado, mas não queria fazer ainda mais mal para os meus pais, me sentindo culpada de novo.

– Desculpa pai – começo a chorar.

Abaixo a cabeça e sinto as lágrimas escorrerem, e tudo que eu menos imagino acontece: meu pai me abraça.

– Vai ficar tudo bem filha, nós vamos procurar ajuda e você vai melhorar! – ele afaga minhas costas.

– Eu sou um peso para todo mundo! – choramingo

– Madson, não fala isso! – ele me repreende – Sua família te ama, talvez a gente não demonstre da melhor forma, e talvez eu não tenha te dado atenção suficiente esses últimos anos, eu também sinto falta do seu irmão! Mas eu não quero te perder também.

Volto a chorar e meu pai continua afagando minhas costa enquanto coloca minha cabeça em seu peito, segurando-me com toda força, e pela primeira vez eu sinto um pouco de segurança.

Flashback off.

Depois do fatídico dia, voltei a ser obrigada a fazer acompanhamento psicológico e tomar antidepressivos, a principio quando iniciei a terapia eu odiava a Amber – a psicóloga – por me fazer falar sobre mim, mas aos poucos ela foi fazendo alguns jogos e fomos conversando, ao longo das sessões, eu comecei a me sentir mais confortável e assim comecei a me abrir e falar mais como me sentia. E assim, acabou se tornando uma coisa boa poder falar mais sobre meus sentimentos!

E a cada quinze dias eu passava com o Dr. Emiliano – um senhor mexicano de uns 60 anos, altura média, pele bronzeada, olhos puxados e cabelo extremamente pretos e lisos. Ele sempre me recebia com um sorriso muito simpático, ele apesar de dizer que morava há mais de cinco anos aqui em Jordan Valley, ele ainda tinha um sotaque espanhol. Ele sempre estava acompanhando e controlando os efeitos da medicação para saber se eu estava me adaptando, mas ele não era simplesmente um médico que te dava a receita, ele sempre conversava sobre como eu estava me sentindo e me orientando a falar com a Amber, e ele falava que sempre estava em contato com ela para saber meu progresso e juntos fazerem um bom trabalho, como um time – ele gostava bastante de beisebol – o que me fazia rir com os exemplos que ele dava em nossas conversas.

Fiquei afastada da escola por um mês devido ao meu colapso, Amber junto com o Dr. Emiliano forneceram para mim um afastamento para iniciar meu tratamento junto com a adaptação das medicações e claro, eu não ter mais estresse com toda a exposição que eu tinha sofrido.

Ainda durante esses dois meses, a Ariel ainda não tinha voltado a falar comigo normalmente, mas também não me ignorava 100%. O Caio era o único que continuava conversando comigo, e a Larissa que sempre que estava lá em casa, apesar de não adentrar sobre o motivo do meu colapso – sempre fazia questão de estar lá perguntando se eu estava bem e me fazendo companhia, quando o Caio às vezes saia com Derek para andar de skate.

Quando voltei à escola, o diretor fez questão de informar aos meus pais que iria descobrir quem foi o responsável pela exposição e que ficaria de olhos abertos para ver se alguém estaria fazendo bullying comigo, pois o tempo que fiquei sem ir a escola, ainda não tinha conseguido nenhum resultado com suas investigações. Mas que havia feito treinamento dos professores e funcionários anti-bullying e que havia feito alguns grupos de conscientização.

As pessoas ainda me olhavam torto, mas com menos intensidade, talvez ficaram com alguma culpa por eu ter “sumido” por um mês e sobre as conscientizações feitas. Ethan e Audrey nem se quer olham na minha cara, me fazendo me sentir ainda muito mal por não ter nunca contado a eles sobre toda a verdade da morte do Johnny, enquanto eu me deixava levar por uma paixão idiota. Mas Luke ainda continuava sentando com eles, a mim eles não queriam ver nem pintada de ouro, mas ele tinha a sorte de ter os meus amigos ao seu lado, enquanto eu estava aqui sozinha graças a ele.

Eu conversava bastante isso com a Amber, ela sempre tenta me fazer enxergar o outro lado da história, mas eu nunca dei meu braço a torcer! Ele era o único que sabia sobre minha história! Eu não o odiava como eu estava sentindo no dia que descobri, mas ainda eu estava com bastante mágoa e rancor.

Desde o dia daquele maldito cartaz, ele me mandava mensagem me pedindo para acreditar nele, dizendo que me amava e até pedindo desculpa, mas eu só ignorava. Ele ainda chegou a mandar mensagens quando notou que eu faltei duas semanas seguidas, mas não respondi! O Caio dizia que eu estava sendo injusta, pois Luke era muito bacana e se importava comigo, mas eu só mandava ele cuidar da vida dele. Até que na terceira semana em que não apareci na escola, ele desistiu de tentar me fazer acreditar nele e parou de mandar mensagens.

De vez em quando no intervalo eu sempre o pegava me olhando buscando meu olhar, mas eu simplesmente desviava o olhar e eu notava ele abaixar a cabeça triste. Nas aulas, ele mudou de lugar e começou a se sentar mais na frente. Eu notava o quanto Angeline e Melanie ficavam felizes com a minha desgraça, mas eu não me importo! Se Luke quisesse voltar a ficar com a Angeline, não me surpreenderia, eles dois se mereciam.

Voltei a andar com capuz e fones de ouvido, queria que ninguém notasse que eu existia naquela escola.

Depois da última aula de química, finalmente o sinal tocou e eu fui para casa o mais rápido possível, pois hoje eu tinha sessão de terapia, e hoje ela tinha marcado de conversa comigo e com meus pais juntos.

– Pronta filha? – meu pai pergunta em quanto estou jogada no sofá.

– Sim! – afirmo.

– Então vamos! – minha mãe responde pegando na minha mão e me puxando para levantar.

***

– Olá Madson! – minha psicóloga da um sorriso assim que me vê.

– Oi Amber! – respondo educamente.

Amber tinha sido uma das únicas coisas boas que me proporcionou todo esse caos. Ela era baixa e rechonchuda, sua pele era negra e seus cabelos crespos eram volumosos e muito bonitos! Ela devia ter uns quarenta anos, mas ela não falava tanto sobre sua vida, sempre dizia que o foco principal da terapia era eu. O que às vezes me deixava intrigada para saber se ela era casada, tinha filhos, se ela se estressava e surtava também, ela parecia sempre tão calma...

– Olá Dra. Hampton! – meus pais dizem em uníssono.

– Olá Sr. e Sra. Baker, por favor sentem-se! – ela diz gentilmente.

– Como anda a cabecinha dela? – pergunta minha mãe apontando com o queixo para mim.

– Estamos trabalhando para que ela comece a ver novas perspectivas, mas é um processo e eu tento respeitar bastante a Madson, pois pressioná-la não ajudaria! – responde Amber.

– É verdade, faz sentido! – minha mãe concorda.

– E então, qual a bomba de hoje? – pergunto impaciente por ter que dividir minha sessão com meus pais.

Amber tinha avisado semana passada que iria convida-los, mas eu gostava de ter esse tempo sozinho para falar abertamente com a Amber sobre como estava me sentindo.

– Madson, olha os modos! – meu pai me corrige.

– Tudo bem! Temos um grau de intimidade, não é Madson? – ela pisca para mim – Bom, sem mais delongas... Venho notado que grande parte do trauma da Madson foi à exposição na escola, e que agora seus laços com amigos estão bem fragilizados, o que torna ainda mais difícil a Madson estar nessa escola, então queria fazer uma proposta, caso a Madson concorde e os senhores também...

– E qual seria? – pergunto desconfiada.

– Madson, sei que ainda estamos trabalhando para você lidar com esses traumas, mas te sinto um pouco resistente ainda. Sei que a escola está sendo um local difícil nesse momento, sendo assim, se você quiser e achar que vale a pena... Posso te fazer um encaminhamento para transferência de escola, o que acha?

Fico estagnada, não estava esperando uma proposta dessas.


POV Ariel

Depois do surto da Mad, as coisas aqui em casa ficaram com um clima estranho. Não estamos nos falando muito, mas também não queria ser cruel de ignorá-la como se não existisse, ela já estava sofrendo demais.

Porém, eu ainda me sentia chateada, porque novamente a Madson estava sendo o centro das atenções, e novamente, a gente tinha que colocar nossos sentimentos de lado para não causar um grande sofrimento a ela.

Para evitar qualquer conflito, eu sempre estava indo na casa do Nate para jogar Call of Duty, e agora nesses dois meses, eu estava muito boa e ele sempre gostava de ressaltar isso. A Melanie acabou se afastando um pouco, pois vivia indo na casa da sua amiga Angeline, e quando estava em casa estava sempre enfiada no quarto com a Angeline murmurando coisas para que eu e Nate não ouvíssemos, porém sempre que a via, ela me cumprimentava e elogiava minhas roupas, quer dizer, suas antigas roupas que ela tinha me dado.

Hoje eu iria encontrar Nate no parque para jogarmos vôlei, falei que iria acabar com ele, assim como estava ficando boa no vídeo-game, ele deu muitas risadas e disse que duvidava.

– Arieeel – Caio cantarolou quando me viu na cozinha.

– O que foi? – digo olhando desconfiada.

– Maninha, quando você vai falar com a Madson direito? – ele me olha triste.

– Aff... Vai começar! – eu reviro os olhos e dou as costas.

– Ariel, sério! – ele segura meu braço.

– Caio, me solta! – fuzilo com olhar.

– Nossa, você tá ficando igual a Mad, credo! – ele solta e ri.

– Olha, eu sei que a Madson não tá bem, mas eu tô cansada de sempre ter que colocar de lado as minhas emoções, para que só ela seja privilegiada! Todo mundo aqui sofre com a perda do Johnny! – resmungo.

– Poxa Ari, você sabe que é mais do que a morte do Johnny! Caraca ela quase estragou a vida dela! – ele fala incrédulo.

– Ela fez isso porque não suportou a morte do Johnny, mas em momento nenhum ela pensou na gente ou nos nossos pais! Eu só tinha 10 anos quando ele morreu, logo em seguida, aconteceu todo aquele estardalhaço e nós ficamos na casa da tia Skyler, depois ficou proibido tocar nesses assuntos! E como a gente se sente? Você nunca parou pra pensar nisso? – respondo irritada.

– Ariel... – seus olhos estavam marejados – Foi difícil para mim também, mas a gente precisava seguir em frente, nossos pais também estavam sofrendo com a perda do John e com medo da Madson ser presa ou sei lá... Eu só queria que a gente pudesse ser unidos de novo.

Ele suspira cansado.

– Bom, te vejo mais tarde! Vou encontrar o Nate para jogar vôlei! – respondo mudando de assunto.

– Nossa, você vive com esse menino! – ele fala com os olhos semicerrados.

– E você com a Larissa – mostro a língua.

– Mas ela é minha namorada! – ele bufa.

– E o Nate é meu ... amigo! – digo corada.

– Uhum, sei... – ele diz desconfiado – Você só tem 13 anos, estou de olho em você... Qualquer hora eu vou lá conhece-lo e bater um papinho com esse pirralho.

– Bom, se você for, eu aproveito e mostro para Larissa aquela foto sua pousando nu com 3 anos, o que acha? – dou risada.

– ARIEEEEL! – ele tenta correr atrás de mim, mas corro para sala.

Escuto a porta bater e eu corro para abrir. E adivinhem só?

– Oi Ari – diz Larissa que me cumprimenta com beijo no rosto.

– Oiii Lari! – cumprimento de volta – Você nem sabe, adoraria te mostrar uma foto muito fofa do Caio quando era pequeno!

– Jura? Que amor! Quero ver!! – ela sorri.

– ARIEL VOU TE MATAR! – Caio entra na sala bufando.

– Quando eu voltar, se eu encontrar, eu te mostro! Conta para ela Caio, você era um grande modelo – sorrio maliciosamente.

– AH, VOCÊ TÁ ME PROVOCANDO? ARIEL, VOCÊ TÁ FERRADA! – ele pega uma almofada para acertar.

– Tchau pombinhossss! – jogo um beijo no ar e bato a porta antes que a almofada me acertasse.

Escuto por de trás da porta

– Que foto é essa amor? Quero ver! – ela implora.

– Não mesmo!! É constrangedor, esquece isso gata! – ele responde – A Ariel está querendo me irritar, mas ela vai ver só...

– Deixa a menina! Você é muito irritante também – ela ri.

– Ahhh, você tá do lado dela?? Então vem cá – ele responde e posso ouvir eles se beijando.

E bom, saio correndo, porque não sou obrigada.

Vou até o parque e avisto Nate que estava acompanhado de Melanie, mas eles não me viram. Me aproximo e escuto por alto a Melanie irritada e brigando com o Nate, vou andando devagarinho e me abaixo no muro da quadra e fico espiando.

– Você é tão bichinha Nate! – ela xingava-o

– E você é uma vaca cruel! Juro, não sei como nossos pais não percebem a cobra que criaram! – ele revira os olhos.

– Argh! Moleque, deixa de ser idiota! – ela dá um tapa em seu ombro o empurrando.

– Não foi justo o que você fez com ela! Como você pode ser tão horrível? – ele reclama.

– Eu não sei do que você tá falando! – ela diz olhando para cima.

– Não se faça de sonsa! Você sabe bem de quem eu tô falando! – ele diz irritado.

– Garoto, entenda! Não sei do que você está falando – ela fala pegando na gola da sua camiseta como se estivesse o ameaçando.

– Ah, você sabe sim! E como né? Você destruiu a vida da Madson, parabéns! – ele responde alto.

Sinto meu estômago embrulhar, não acreditava no que estava ouvindo.

Notas finais
E aí gente o que acharam??? Gostaram da nova reabilitação da Madson?? E a Ariel o que acharam dela nessa nova versão??? E a incrível revelação de Nate e Melanie, o que será que a Ariel vai fazer??? E vamos para próximo cap.