Doce Pecado
35 Próximos novamente & A Proposta
Notas iniciais
Assim que Carly abriu a porta, rapidamente virou-se para mim, com uma expressão hesitante.
Ela abriu mais um tanto dá porta, dando passagem para alguém entrar.
— Olá, Ryan! — Cumprimentou-o com um curto abraço.
Não acredito, depois de tantos dias, tantos acontecimentos, finalmente pude vê-lo novamente.
— Carly! Me desculpe aparecer sem avisar, mas eu precisava muito conversar com você e... — Suas últimas palavras sairam escassas. Ele parou seus olhos sobre mim e assim continuou me encarando estático por alguns segundos.
— É... Acho que não é comigo que você precisa conversar! — Disse a morena com um sorriso nervoso, alternando os olhares entre eu e ele.
Nossa tensão era evidente, não sei se mais por parte dele, ou minha. Mas estávamos compelidos com a presença um do outro. Depois do nosso último encontro, não me surpreende.
— Eu... — Ele tentou falar algo, mas parecia ainda nervoso.
— Bom, eu vou sair daqui, vou tomar um café e enquanto isso vocês dois vão conversar! — Disse a Shay autoritária e passou por mim, pegando um casaco, sua bolsa e as chaves do carro. Logo após ela saiu.
— O que faz aqui? — Ryan perguntou, finalmente saindo de seu "transe".
— Estou morando aqui! O que você faz aqui? — Repeti a pergunta.
— Carly é minha amiga, sempre venho aqui. Você está morando com a Carly? Por quê? — Ele perguntou com curiosidade.
— Não ficou sabendo? Meu pai me expulsou de casa. Não quis sujar seu brilhante nome com a filha pecadora aqui! — Sorri debochada, revirando os olhos.
— Não soube, eu sinto muito!
— Não sinta, sempre fui a rejeitada naquela casa. Mesmo que eu esteja certa, sempre vou estar errada. Foi melhor assim! Suspirei consternada e ele deu alguns passos, se aproximando de mim.
— Estava chorando? — Perguntou tocando minha bochecha, de leve.
— Não! — Tentei disfarçar, me afastando.
— Estava sim. O que houve? — Ele me puxou novamente e fui obrigada a encarar seus lindos olhos azuis, que brilhavam como nunca.
Sem conseguir me controlar, agarrei o seu pescoço, abraçando-o e caindo no choro novamente. Que droga! A gravidez tem me deixando um tanto sentimental demais.
— Ei, Sam... O que aconteceu? — Depois de alguns minutos e de sua camisa estar completamente molhada, me afastei enxugando os olhos.
— Desculpa. Deve ser a gravidez, eu estou um pouco sensível! — Continuei secando meus olhos, mesmo que as lágrimas caíssem descontroladamente.
— Me conta. Por que está chorando tanto? — Me confortou, puxando- me para o sofá para sentarmos. — Lembra? Antes de tudo, sou seu melhor amigo. Pode confiar em mim! É algum problema com o bebê?
— Não, o bebê está bem! — Disse mesmo sem ter certeza, não havia ido ao médico ainda. Mas no momento meu problema não era esse...
— E então...?
— Tudo bem, eu te conto. Mas promete que não vai brigar comigo. Já tomei dois sermões, não preciso do terceiro! — Disse me lembrando do Benson e da Carly pegando no meu pé.
— Prometo. Mas me conta! — Pediu.
— Ontem eu estava em uma boate, bebi e fumei, quer dizer, não cheguei a fumar, mas comprei o cigarro. Só que aí encontrei o Freddie, ele me deu a maior bronca e... E... E ameaçou tirar meu filho! — Disse minhas últimas palavras novamente com lágrimas nos olhos.
— Sam! Você podia ter matado o bebê. Não pode sair por aí fazendo loucuras, você é responsável por mais uma vida agora!
— Eu sei! Eu sei! Eu sei! — Disse repetidamente para fazê-lo se calar. — E você prometeu que não ia brigar comigo!
— Okay, mas depois disso precisa ir ao hospital, ver o estado do bebê. Quando foi sua última consulta? — Perguntou preocupado.
— Última consulta? — Levantei a sobrancelha, não entendendo — Não fui ao médico ainda!
— Como não? Já está mais do que na hora de começar o pré-natal. Vou marcar uma consulta e te levo nem que seja arrastada. — Disse bravo, e ao mesmo tempo cuidadoso. Mesmo sem querer achei bonitinho sua preocupação e não pude deixar de sorrir.
— Tudo bem, eu vou! — Concordei.
— Agora, sobre seu outro problema, Freddie não tem chances de tirar seu filho, mesmo que ele seja o pai. Claro, você precisa se tornar mais responsável. Tem que parar de agir desse jeito inconsequente!
— Tem certeza? Ele não pode tirar meu bebê de mim? — Perguntei esperançosa e ele sorriu concordando com a cabeça.
— Sim, Sam. Agora, tenho que ir. Preciso voltar ao trabalho! — Ele disse e se levantou, indo até a porta.
— Obrigada, Ryan... Sabe, por se preocupar comigo! — Agradeço enquanto já estávamos lá fora.
— De nada. Você sabe que pode contar comigo! — Ele deu uma piscadinha e se virou, pronto para sair.
— Ryan, espera... Você vai ir assim? — Perguntei. É tão estranho, ele me tratar desse modo, distante.
— Assim...
— Sei lá, estranho. Você está frio!
— Eu também preciso de um tempo, Sammy. Assim como você! — Vê-lo me chamando pelo apelido me deu segurança. Não quero perder Ryan, ele é muito importante pra mim.
— Entendo. Mas por favor, não me trate assim! — Pedi suplicante. Mordi meu lábio inferior com força. Me culpando por essa situação. Nada disso era pra ter acontecido. A única pessoa que eu me arrependo de ter envolvido nisso é o Ryan, ele não merecia.
— Por que você faz isso? — Ergui novamente a cabeça, percebendo Ryan próximo a mim. — Sabe que me deixa completamente louco. Porque me chamou, porque está mordendo o lábio desta maneira? Sabe que eu não resisto... Eu estava indo tão bem...
Mal terminando sua última frase, só senti seus lábios serem cravados nos meus. Ele me beijava rapidamente, com desespero. Mesmo surpresa, retribuí seu beijo a altura. Mesmo que eu negue precisava tanto disso. Ryan me traz uma força inexplicável.
Após alguns segundos nos separamos lentamente. Ele me puxou para um abraço forte, aliviante. Fechei meus olhos, aspirando seu perfume amadeirado, tão bom.
Assim que abri meus olhos, eles se fixaram em um ponto em especial na rua. Um carro preto, bonito, estava estacionado exatam na minha frente. Ao lado do carro, um par de olhos me observava. Ou melhor, me fuzilava, pelo menos era o que parecia.
Eu podia sentir o ódio emanando de seus olhos. Seus punhos cerrados. Como se quisesse atravessar a rua e nos matar. Antes que eu pudesse me manifestar. O carro saiu em alta disparada.
Freddie Benson havia ficado nervoso. Sorri com o pensamento. Provavelmente ele viu o beijo, e não gostou nem um pouco. Não posso deixar de me vangloriar por isso, o Benson merecia. E como merecia!
Ryan desfez o abraço, sorrindo.
— Eu só preciso saber, Sam... Eu tenho uma chance?
— Eu... Eu... É... É tão difícil. Eu nem ao menos sei quem é o pai do meu filho, não sei se consigo tomar decisões assim
— Tudo bem, eu não quero te pressionar. Mas tenho que perguntar é uma decisão difícil porque não sabe quem é o pai... Ou porque está apaixonada pelo Freddie? — Sua voz saiu com insegurança.
— Não se trata do Freddie, ou de você. Mas sim de mim, não quero apressar as coisas. Preciso saber quem é o pai do bebê. E não estou dizendo que vou correr para os braços do Freddie se ele for o pai. Mas também... Você iria querer ficar com uma mulher que está grávida de outro cara? Eu sei que é pesado, nenhum homem iria gostar disso!
— Mas eu...
— Não me dê uma resposta precipitada, Ryan. Pense. E se der positivo o DNA para o Benson? Você saberia viver comigo e com um filho dele. Você pode me dizer que sim, mas eu não sei se é verdade. E não me diga que isso é simples porque não é. Você estaria disposto a aguentar isso?
P.O.V Freddie
Depois daquela cena patética na frente da casa de Carly, voltei para meu apartamento praticamente irradiando raiva. Eu não acredito, depois de tudo. Ela voltou correndo pros braços dele. E o Ryan, trouxa, não demorou pra voltar com o rabinho entre as pernas no primeiro chamado dela. Idiota!
E em pensar que eu a procurei para pedir desculpas por ter sido tão rude na boate. Eu estava me sentido culpado por tê-la tratado mal, imaginei que estivesse sozinha e com medo.
Mas pelo visto eu estava completamente errado. Ela estava muito bem acompanhada. Ainda tive que ver aquela cena ridícula, pareciam um casalzinho apaixonado. Eles não combinam, em nenhum sentido. E além do mais, a Sam é minha.
Que merda estou falando, ela não é minha, mas muito menos dele. É uma vadia, que como não conseguiu me enganar está tentando enrolar o idiota do Ryan.
De repente, escutei a campainha tocando. Poucas pessoas saiam do meu novo endereço. Era estranho ter alguém na minha porta.
— Ryan! — Constatei surpreso ao vê-lo aqui. Era a última pessoa que eu esperava ver nesse momento.
— Freddie! Posso entrar? — Perguntou com seriedade na voz.
— O que veio fazer aqui? — Indaguei grosseiramente. — Veio se vangloriar por ter conseguido o que sempre quis? — Completei.
— O que?
— Sim, eu vi. Pelo visto foi só ela estalar os dedos e você voltou correndo como um cachorrinho. Não cansa de agir como um panaca e fazer tudo o que ela quer? Por acaso não percebe que a Sam só correu atrás de você porque eu não caí naquele papinho dela? — Despejei encima dele, como um desabafo. Eu precisava falar isso.
— Em primeiro lugar: A Sam não me procurou, eu não sabia que ela estava na casa da Carly, foi mera casualidade. Em segundo lugar: O que eu e ela fazemos ou deixamos de fazer não tem absolutamente nada a ver com você. E em terceiro lugar: Você não manda em mim. Se eu quisesse ir atrás dela, eu iria. Porque eu a amo, e falo com todas as letras. Não me escondo como um covarde, a farei feliz mesmo que tenha que passar por cima de tudo!
— Ótimo, continue agindo como um otário. Não percebe que ela só está te usando? — Disse já bem alterado.
— Sinceramente, não me importo se estivesse. Você não a vê como eu vejo! — A defendeu. Como pode estar tão apaixonado por ela?
— Eu a vejo como uma vadia vingativa e cruel que não se importou em quantos teve que pisar para conseguir o que queria. Inclusive em você! — Disse completamente enraivecido.
— O que eu vim fazer aqui parece ter ficado extremamente fácil... Chega, desse assunto, não vim aqui arrumar briga. Quero conversar com você! — Ryan disse calmo, mas ao mesmo tempo sentia sua voz parecia tensa.
— Sobre?
— Sobre o bebê!
— Prossiga! — Mandei ele continuar, estava curioso. Prevejo que esta conversa não será fácil.
— Okay, sem mais rodeios. Eu vim aqui te avisar que vou assumir o bebê da Sam!- Ele falou decidido, com a voz firme.
— Quê? Mas o filho é meu! — O olhei indignado.
— Pode não ser, você sabe disso. E mesmo que seja, estou disposto a assumir a criança sendo ela sua, minha ou de qualquer outro! — Continuei olhando-o estático.
— Você não pode fazer isso! — Me irritei.
— Posso e devo. Admita Freddie, você não quer nada com a Sam, nem com ela, e nem com o bebê! — Ryan disse. Parecia estar se controlando.
— Você não tem como saber! — Disse convicto. Mesmo que neste momento não sei se tenho a devida coragem para ficar com Sam. Principalmente por respeito a Melanie. Mas não pude deixar de me irritar com seu comentário.
— Não, você não vai. Te conheço, você está odiando este desprezo de todos os lados, Freddie. Todo mundo te olhando de canto olho. Você não está mais suportando. Se a Sam e o bebê não existirem na sua vida tudo voltará ao normal. Talvez até com Melanie. Poderá ter sua vida novamente.
— Me deixe assumir o bebê, ficar com a Sam. Me deixe fazê-la feliz. Por favor.... Será o melhor para todos! — Ele pediu com lágrimas nos olhos. O pedido era realmente sincero.
Não sei o que dizer.
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