Doce Pecado

39 Profundos conflitos internos...


Notas iniciais
E aí, gente? Como vão? Ainda odiando o Freddie? Pois é, eu também... Mas não se preocupem, o Ryan vai ajudar a descontar um pouco da nossa raiva nesse capítulo... Me sigam... Até lá em baixo baby’s... Boa leitura.

P.O.V Sam

Finamente, Ryan e eu chegamos no seu apartamento. Fazia algum tempo que eu não vinha aqui, mas esse lugar me traz conforto, de certa forma. Deve ser pelo mesmo motivo que o seu dono me faz tão bem. Ryan com certeza foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida nos últimos tempos. Sem ele eu estaria perdida, sem direção. Em todos os sentidos possíveis. E pensar assim, só me faz aumentar minha própria raiva interna. Como posso não amar um ser humano como ele? Qual o meu problema? Como posso estar apaixonada por aquele mané que está agora provavelmente transando com a minha irmã.

— Vou fazer alguma coisa pra nós comermos, já que no restaurante... Bem, você sabe. – Ryan se enrolou nas palavras e se calou, indo para a cozinha.

Assim que ele saiu, me joguei no sofá, estava completamente exausta. Aquela noite havia sido uma das piores da minha vida. Nunca senti meu peito doer tanto, e eu que achava que tinha sofrido pelo Austin. Agora eu vejo que aquilo não foi nem parecido do que estou sentindo agora. Aquele desgraçado. Porque o Freddie fez aquilo comigo?

Me levou pra aquele piquenique, me deu a entender que queria ficar comigo e no fim... Foi tudo uma ilusão. Como fui tola.

Acho que nem nos meus piores pesadelos imaginaria que estava cavando minha própria cova. Essa vingança tinha o objetivo de atingir a Melanie. Agora vejo que a mais prejudicada fui eu, tudo por causa dessa estupida vingança. Se arrependimento matasse... O plano era a vingança tirar minha dor, minha angústia e o sofrimento de perder o meu filho e consequentemente, o Austin.

Agora, a dor aumentou. Pelo menos dessa vez tenho meu bebê, vou seguir em frente por causa dele. Recebê-lo com todo amor e carinho possíveis. Vai dar tudo certo. Vou conseguir parar de pensar no Benson e me concentrar somente no meu filho.

— Está pronto! – Escutei o grito do Collins vindo da cozinha e me surpreendi. Há quanto tempo havia ficado ali entre divagações e lágrimas?

— Estou indo! – Respondi e fui de encontro a ele, na cozinha.

— Ainda chorando? Não gosto de te ver assim! – Ele se aproximou, limpando com delicadeza uma lágrima minha que havia caído sem que eu ao menos percebesse.

— Eu estou bem. Pode ficar tranquilo! – O calmei dando um leve sorriso e me sentando em um dos três bancos altos que seguiam pelo cumprimento do balcão.

— Ótimo, agora vamos comer. Fiz uma macarronada deliciosa para nós. Pãezinhos caseiros, que eu mesmo fiz. E já que você não pode tomar vinho, fiz um suquinho natural que você vai adorar. Também tem um cheesecake de morango na geladeira que está divino. Receita da minha vó! – Sorriu satisfeito, contando-me tudo o que havia feito.

— Uau! Não sabia que tínhamos um chefe aqui! – Pisquei, brincando com ele. – Estou faminta! – Observei e parecia tudo delicioso.

— É uma honra servi-la, madame! – Brincou pondo um prato na minha frente. O aroma da sua macarronada estava delicioso.

— Obrigada, senhor! – Ri agradecendo-o com a cabeça.

Começamos a comer, estava realmente divino. Com suas piadas e conversas e ideias mirabolantes. Ryan conseguiu me distrair bastante. Sua companhia realmente me faz muito bem. Me sinto feliz em sua companhia. Ele é um cara incrível.

[...]

Já era bem tarde. Ryan e eu estávamos deitados em sua cama, ofegantes. Só que diferente das outras vezes, não era pelo motivo que eu esperava. Mas eu estava completamente sem ar de tanto rir dos filmes que ele me havia feito assistir.

— Admito, a muito tempo não rio tanto assim! – Comentei ainda sem conter uma risada. Era realmente muito engraçado, e Ryan com seus comentários deixavam o filme mais hilário ainda. – Não me lembrava que desenho animado podia ser tão bom.

— Sim. Ás vezes eu assisto, pra poder esquecer um pouco da vida real! — Comentou Ryan parando a animação.

— Bom seria se a vida real fosse assim. Que as coisas se resolvem naturalmente...

— Mas se resolvem, Sam. Talvez nem sempre temos a paciência para esperar isso acontecer, mas se resolvem!

— Você pode ter razão! – Concordei tentando acreditar nas suas palavras. Que tudo vai acontecer de forma espontânea. E eu não precise me preocupar. Pelo menos assim eu espero.

— Ou talvez não. Pode ser que se você esperar mais tempo possa ser tarde demais! – Ele não me olhava. Encarava fixamente o teto o quarto.

— O que isso quer dizer? – Perguntei, sem entender.

Ele não me respondeu. Parecia pensativo, deitado observando o teto branco.

— Tá tudo bem? Vamos assistir outro filme? – Perguntei e ele continuou em silêncio. Parecendo concentrado. — Ryan? – Toquei seu ombro e ele se levantou de repente., sentando-se.

— Sam... Você quer se casar comigo?

— Quê? – Arregalei os olhos, surpresa com sua pergunta repentina.

— Foi o que eu disse. Nós podemos nos mudar se você quiser. Criar esse bebê num lugar mais tranquilo. O que você quiser... – Seus olhos cristalinos estavam brilhando. Eu simplesmente não sabia o que fazer.

— Está falando sério? Quer mesmo se casar comigo e abandonar sua vida em Seattle? – Perguntei descrente.

— Sim, acho que vai ser bom para o bebê. E pra você também, sair dessa cidade. Deixar o seu passado para trás. Esquecer que a Melanie e o Freddie fizeram parte da nossa vida... Então, o que me diz?

— Ryan... Não acho que esse seja um bom momento! – Suspirei angustiada. Sem saber o que dizer.

— Eu sei. Não quero que pense que eu estou me aproveitando de você por ser um momento difícil, que você está frágil, mas é algo que eu já tinha na cabeça a muito tempo. Sabe, quando eu te conheci naquela festa tudo o que eu achava é que você seria mais uma... Uma das tantas outras que eu conhecia por aí e dormia uma noite, sem nenhum compromisso. Mas não... Foi tudo tão incomum, tão diferente do que eu esperava. E hoje, por mais incrível que pareça, vou te dizer algo que eu nunca imaginei dizer pra ninguém, mas... Eu te amo! – Seus olhos estavam marejados, eu sentia a sinceridade nas suas palavras. – Até parece um clichê, mas o que você fez comigo em tão pouco tempo, ninguém ao menos chegou perto de fazer parecido. Não sei como, nem quando, ou o porquê, mas você virou a dona dos meus desejos, pensamentos e vontades, mesmo que sem se dar conta.

— Ryan... Eu

— Não precisa dizer nada. Por mais que não seja recíproco, eu só quero dizer obrigado. Por você ter entrado na minha vida e me feito um homem melhor, mesmo com seu jeito louco de ser! – Ele deu uma risada baixa, mas sincera. – Você despertou em mim sentimentos que nem eu mesmo sabia que existiam, arrancou meu sorrisos e desejos mais sinceros. E mesmo que você não queria ficar comigo... Mas uma vez, obrigado por me fazer ser quem eu sou hoje.

Sem esperar mais um segundo, selei nossos lábios com precisão. Uma vontade insuportável, me fez tomar essa decisão. Mesmo não sabendo o que pensar sobre o pedido de casamento, me senti necessitada de beijar esses lábios que me trazem tanto conforto e confiança.

— Isso foi um sim? – Perguntou esperançoso, com um sorriso nascendo nos lábios, assim que quebramos o beijo.

— Não, não foi um sim! – Disse com um leve sorriso no rosto e vi seu sorriso se desmanchar. – Mas também não foi um não. Isso foi uma maneira de dizer que eu não sei se eu te amo, sempre tive muita dificuldade para entender meus sentimentos. Mas você é muito importante pra mim, muito... E eu não quero te perder nunca!

Ryan sorriu e me beijou mais uma vez. Mostrando ser tão compreensível. Ele é realmente um homem completo e perfeitamente perfeito. Talvez eu seja uma idiota por não aceitar seu pedido de casamento de cara, mas sinto que ainda não é a hora. Ainda não. Ainda...

Três meses depois...

P.O.V Freddie

Alguns meses haviam se passado desde a fatídica noite no Lowell’s. Nem nos meus piores pesadelos imaginei encontrar a Sam lá. Nunca foi minha intenção magoá-la, fazer mal algum a ela. Naquela manhã, quando eu a chamei para aquele passeio eu tinha total certeza do que queria. Mas ao ver a Melanie lá, toda apaixonada falando que me perdoava... Eu não soube o que fazer. Não tive coragem de dizer que eu havia praticamente me declarado para sua irmã, com quem eu a traí descaradamente, naquele mesmo dia. Admito, fui um covarde.

Melanie não me merece. E Sam muito menos.

Seus olhos marejados e raivosos lançados a mim assim que me viram foram frutos de vários sonhos/pesadelos. Achei que com o perdão da Melanie eu ficaria bem, estava redondamente enganado, a culpa me consumiu. Porém, essa culpa também pode ser chamada de arrependimento. Bom, talvez.

Não posso negar que desde que Melanie e eu voltamos as coisas vem sido boas. Somente normal demais. É como se Samantha Puckett nunca tivesse entrado na nossa vida. E por alguma razão, eu não sei se isso é bom. Deveria ser, ela com certeza está muito bem com Ryan, talvez esse seja o nosso destino. Melanie e eu. Sam e Ryan.

Por algum motivo, pensar nisso me dá náuseas.

Fui interrompido pelos meus devaneios quando me dei conta que ainda estava encostado na porta da sala de Ryan. Minha secretária não pode comparecer hoje, por isso tive que vir aqui para pegar a assinatura de Ryan para um novo projeto em sua área. Parecia que ele estava resolvendo algum problema com o programador, e já voltaria, mas eu já estava aqui há um certo período.

Há tempos não via Ryan. Ele trabalhava mais em casa ultimamente, só vinha a empresa alguns dias por semana, somente quando necessário e quando estava nós não nos víamos. Provavelmente estava cuidando de Sam. Pelas minhas contas, a loira já deveria estar com quatro meses de gestação. Não a vi mais também. Não tive coragem de procurá-la. Pensei em explicações para dar a ela por vários dias. Mas percebi que não havia desculpa. Então, me sumiu o vontade para procurá-la. Eu não tinha o que falar.

Decidi entrar na sala novamente e me sentar, pelo visto demoraria mais e eu precisava da sua assinatura para minha próxima reunião. Assim que entrei, bati meus olhos em algo que não havia reparado antes: Um porta-retrato na sua mesa. Me aproximei para vê-lo mais de perto. Confirmei minhas suspeitas assim que dei alguns passos.

Era Sam.

Na foto ela estava com a cabeça deitada no colo de Ryan. Pareciam estar em um jardim, sentados na grama. Sua blusa estava um pouco levantada, evidenciando sua barriga. Já estava bem acentuada. Sua barriguinha de grávida estava linda. Seu sorriso também estava radiante, ela parecia feliz.

Senti meus olhos marejando ao observar a fotografia. Eu estou perdendo tudo isso. Meu filho está crescendo. E eu estou perdendo. Isso não é justo. Nem comigo, nem com ele.

Preciso ver meu filho. Preciso vê-la...

— Freddie? – Tomei um pequeno susto com a voz em minhas costas e soltei o porta-retrato na mesa, virando-me para encará-lo. — O que faz aqui? – Perguntou ríspido, assim que me viu.

— Ah, eu... Preciso da sua assinatura. É sobre o novo projeto! – Falei desconcertado por ter sido pego nesse momento, ainda mais por ele.

— Okay! – Respondeu somente e puxou os papéis que eu havia estendido, apoiando- os na mesa e os assinando folha por folha.

— Ryan?

— Sim? – Ergueu os olhos pra mim enquanto ainda assinava as últimas folhas.

— Como está o bebê? – Perguntei de repente e pude perceber a surpresa nos seus olhos.

— Como está o bebê? – Ele repetiu com sarcasmo na voz. – Tem certeza que se importa mesmo? – Debochou rindo.

— Sim. É meu filho!

— Correção: Pode ser seu filho. E está muito bem, obrigado. – Respondeu ainda irônico. – Eu estou cuidando bem dele. Aliás, deles, a Sam está muito bem também. Nós estamos! – Deu ênfase, provocando.

— Por quê faz questão de deixar explicitamente claro que está com ela? Te faz feliz jogar na minha cara que ganhou de mim pelo menos uma vez na vida? – Entrei na sua provocação. Sentia minhas veias tremerem de raiva.

— Não. Diferente do que você pensa, eu nunca me importei com as suas vitórias. Na verdade, ficava feliz por elas! – Ryan se levantou de onde estava e se aproximou. — Essa foi a primeira vez que eu quis ganhar. E eu só quis isso porque a amava, amo. E eu luto pelo que amo, diferente de você, que desiste como um covarde. Eu te conheço, Freddie. Talvez até mais que você mesmo. Somos amigos desde os quatro anos de idade. Eu sei que mesmo que esteja relutando com a ideia, está sofrendo por ter perdido a Sam.

— Eu não...

—Está sim. Sabe que tinha a garota mais incrível do mundo nas mãos e a perdeu. Está tentando camuflar para todos que sua vida está perfeita, e eu sei que não está. E mesmo que a Melanie e a Sam sejam completamente idênticas, você não está feliz, consigo ver nos seus olhos. Agora, se você quer continuar no seu mundinho de fantasia, perfeito. Melhor pra mim. Porque eu vou ser feliz, com a minha mulher e o meu filho, ou filha. Decidimos que será surpresa, Sam está tão animada, você nem imagina. Bom, agora vou indo, tenho que ir encontrar a Sam. Estamos procurando uma casa maior pra morar depois que o bebê nascer! – Ele dizia o final sorrindo, e pegando suas coisas na mesa, despreocupadamente. Esfregando sua felicidade na minha cara.

— Isso não acabou! – Minha voz saiu entrecortada. Quase sem som.

— Sim. Acabou, Benson... Vamos nos casar depois que o nosso filho nascer. Ah, e antes que eu me esqueça...

Em uma questão de segundos senti uma dor lancinante atingir meu maxilar. Só me dei conta da força que foi o soco ao perceber que havia caído no chão com o impacto.

— Eu estava te devendo. Ainda daquele dia do restaurante... Isso foi por todas as vezes que você fez a mulher da minha vida chorar. Não acho que um mísero soco resolva isso. Mas é um bom começo, o resto a vida vai te dar! – Falando isso ele virou as costas e saiu da sala. Mexendo no celular tranquilamente.

— Isso não acabou mesmo! – Sussurrei pra mim mesmo. Esse não seria o fim.

Notas finais
E aí, pessoinhas? Gostaram? Ryan estava poeta nesse capítulo. Pedido de casamento lindo, né gente... Haha E o sermão no Benson. Era algo que estava entalado na minha garganta... E acho que na de todos vocês também, não é? #PalmasRyan Bom, meses se passaram... Nossa Sammy já está de 4 meses!!! Uhuuuuull! E agora? O que acontece? Ryan e Sam vão se casar mesmo? Freddie vai parar de ser mané? Lancem suas apostas. Beijos... Comentem. E até o próximo!!!