Doce Pecado

37 Juntos? Ou nem tanto!


Notas iniciais
Olá! Kely aqui... Gente do céu, me empolguei demais e escrevi pra caramba. O capítulo ficou bem grandinho, tomara que gostem... Bem, leiam, e não se enjoem... Espero tirar sorrisos e lágrimas de vocês. Literalmente, misturei tudo... Tem de tudo aí Haha Boa leitura ;)

Acordei cedo hoje. Estava muito animada, minha primeira consulta é hoje. Ryan deve chegar logo. Ele vem se mostrando mais carinhoso a cada dia que se passa, tem feito muito bem pra mim. A cada dia que se passa me sinto mais mimada por ele, ele vem sendo tudo o que eu preciso, nunca vou esquecer isso. Mesmo não tendo certeza se é o pai do meu bebê, está nos tratando tão bem. Ele é incrível.

Tudo estaria ótimo, se não fosse pelo sumiço de Carly, ela não voltou pra casa ainda. Isso seria comum pra qualquer pessoa solteira e na idade dela, sair à noite e voltar de manhã, mas Carly é diferente. Ela não é do tipo que age desse jeito.

Interrompi minhas divagações ao ouvir o barulho da porta sendo aberta. Suspirei, mas tranquila e me levantei com uma xicara em mãos.

— Até que enfim, Carlotinha. Já estava preocupada com você... – Fui até a morena que havia acabado de bater à porta – Ei... O que foi? – Perguntei assim que ela se virou. Percebi seu rosto inchado e seus olhos marejados.

Sem me responder, ela se aproximou, afundando o a cabeça no meu pescoço e desabando de tanto chorar. Abracei-a esperando que ela se acalmasse. Sentia meu ombro já molhado, ela estava soluçando, seja lá qual for o motivo, ela estava muito mal. Mais alguns minutos Carly parou de chorar e tentou se recompor, secando as lágrimas.

— Desculpa! – Sussurrou com a voz fraca, apontando para meu ombro e cabelos que estavam consideravelmente úmidos.

— Tudo bem. Quer me contar o que houve? – Perguntei e ela assentiu. Então a puxei, para nos sentarmos no sofá. – E então...?

— Melanie e eu transamos! – Ela disse subitamente e eu fiquei boquiaberta, sem fala. Okay, não esperava ouvir isso.

— Ah, hum, que bom! – Respondi realmente sem saber o que dizer. – Mas então porque está chorando?

— Porque ela surtou. Depois que...– Ela procurou as palavras certas, ficando vermelha em seguida -... ‘’ Terminamos’’. Ela me expulsou, disse que tinha sido um erro e.... – Ela fungou, seu nariz estava vermelho. Parecia que ela estava a horas chorando.

— Entendi! – Suspirei, tentando achar alguma forma de consolá-la. Nunca fui muito boa nisso. — Talvez ela só esteja com medo. Se vocês transaram quer dizer que ela gosta de você, de alguma forma. Só tenha paciência, a Melanie deve estar com medo! – Escolhi as palavras que achei boas e as disse. Acho que foi a coisa certa.

— Eu sei, mas parecia que finalmente ela havia se dado conta que sentia algo por mim. Foi tão especial, ela gostou, eu sei que gostou... – Disse voltando a chorar. Eu não sou boa nisso, não sei o que fazer.

— Calma Carlynha, sei o que está passando. Eu sei como dói os chutes que recebemos. E olha isso veio de uma pessoa que já levou muitos foras na vida. – Ri tentando descontrair.

— Isso não combina com você. É toda resolvida, decidida. Quisera eu ser assim! – Disse triste, deitando-se no sofá com a cabeça no meu colo. – Eu só não consigo entender, sabe? Ou aceitar, talvez seja a palavra adequada. Eu só não sei!

— Vai ficar tudo bem, você vai ver! – Disse fazendo um carinho em seus cabelos.

— Hey... Tô entrando. Vocês deixaram a porta aberta, sabiam? – Escutei uma voz divertida ecoar pelo corredor. Logo vi Ryan se aproximando. – Tá tudo bem aqui? – Perguntou ao ver o estado de Carly.

— Sim, está tudo bem. Pelo menos na medida do possível. – Carly o respondeu, dando um sorriso abatido. – Vou tomar um banho e depois descer, beber uma garrafa de vinho e lembrar de como a vida é horrível. E quanto a vocês, divirtam-se e tragam novidades sobre meu afilhadinho, ou afilhadinha linda! – Ela soprou um beijo para nós e subiu as escadas, praticamente se arrastando.

— O que houve com ela? – Ryan perguntou se pondo ao meu lado.

— Nem queira saber! – Respondi ainda atônita.

— Okay, deixa pra lá. Vamos loira, pronta para ver nosso bebê? – Perguntou com um sorriso alegre no rosto e estendeu sua mão pra mim.

— Prontíssima! – Respondi, agarrando sua mão e o puxando para fora. Hoje o dia estava tão lindo, o Sol brilhava, os passarinhos cantavam. Tudo parecia incrível. O dia seria perfeito.

[...]

— Estou tão feliz que nossa menininha esteja bem e crescendo saudável! – Ryan disse radiante, havíamos acabado de chegar na casa de Carly, e agora consequentemente minha atual residência. Nós estávamos em frente a porta, conversando ainda sobre a visita ao obstetra.

— Ei, ainda é cedo pra ver o sexo, pode muito bem ser um menino. E eu tenho certeza que é! – Disse emburrada, mas não segurei um risada com sua cara de bobo. Ele estava tão entusiasmado.

— Eu sei. Mas olha, vê se não parece uma garotinha linda? – Apontou para as ultrassonografias que estavam em suas mãos. Ele não conseguia parar de babar por aquele pontinho.

— Ryan, não exagera. Primeiro, isso aí é um borrão, não dá pra ver nada. Segundo, não sabemos o sexo. E por último, mas não menos importante... É UM MENINO! – Gritei já brava com sua insistência e ele riu, se divertindo com minha reação. Estamos nessa discussãozinha boba desde que saímos do consultório.

— Não é não, você sabe que eu estou certo! – Se gabou, sorrindo debochado. – Mas deixa pra lá. Que ligação foi essa que você recebeu agora a pouco? – Perguntou. Eu havia tido uma breve conversa com o Sr. Watson enquanto vínhamos pra cá.

— Você nem vai acreditar. Lembra daquele trabalho que eu estava interessada? – Perguntei e ele assentiu – Então, me chamaram! – Praticamente gritei de felicidade, e pulei seus braços, abraçando-o apertado.

— Parabéns, pequena. Você merece! – Disse pouco contente e eu me desprendi dele. – Mas você sabe que não precisa trabalhar. Posso te dar tudo o que você precisa e merece! – Disse torcendo a boca. Ryan deixou bem claro que era contra eu começar a trabalhar.

— Eu sei. Mas você precisa entender que é para o meu bem. Tenho que tomar as rédeas da minha vida! – Sorri tentando convencê-lo. – E também dei uma baita sorte de conseguir esse emprego. Vou estar no meio do que gosto. Ser assistente em um Ateliê de Arte... Vai ser um sonho! – Disse animada.

— Tá bom. Me convenceu. Mas prometa que vai se cuidar. Lembre-se do que o médico falou, nada de carregar peso e se estressar! – Me lembrou, parecendo preocupado.

— Não se preocupe, eu vou ficar bem! – Sorri tentando persuadir.

— Tudo bem. Antes que eu me esqueça, pensou naquele assunto? – Perguntou com uma expressão séria no rosto.

— Sim. E sinto muito, vou ter que recusar. Não posso fazer isso! – Disse tentando não magoá-lo.

— Mas Sam, por quê? Vai ser melhor pra você, para o bebê...

— Por enquanto, não. Não vou me mudar pra sua casa. Não está claro que relação nós temos, mas morar juntos é um passo maior do que podemos dar! – Disse firme, tentando convencê-lo.

— Você não entende, eu quero cuidar de você e do nosso bebê! – Disse carinhoso, acariciando meu ventre.

— Eu sei. Mas você pode cuidar de nós. E para isso não significa que eu tenho que morar com você! – Recusei novamente. Não acho uma boa ideia isso.

— Okay, você venceu, não precisa ir morar comigo. Mas não vai se livrar de mim, não vou ficar longe da minha menininha! – Riu debochado, acariciando minha barriga pouco aparente.

— É um menino! – Praticamente gritei e ele riu.

— É uma menina. Loirinha como a mamãe! – Riu bagunçando meu cabelo.

— Não, é um menino... Intuição de mãe! – Pisquei o olho, provocando-o.

— É uma menina. Intuição de pai! – Brincou também piscando o olho pra mim.

— E a minha intuição de pai me diz que é um garotão! – Uma voz se fez presente. Senti meu rosto empalidecer no mesmo instante. Era Freddie saindo pela porta de casa.

— O-oi Fredie. O q-que faz aqui? – Indaguei me praguejando por não falar direito.

— O que mais eu viria fazer aqui? Vim ver você! – Senti sua mão em minha cintura, me puxando para perto dele. O que fez Ryan o fuzilar com o olhar.

— Hum... E... E cadê a Carly, hein? – Perguntei tentando quebrar o clima ruim que se instalou entre Ryan e Freddie.

— Eu estou aqui! – Disse Carly aparecendo na porta, sorrindo. Ela parecia melhor, mas provavelmente isso se devia a taça em suas mãos. – Vocês estão estranhos! – Riu apontando para os dois homens que olhavam raivosos.

— Por que está aqui, Freddie? – Ryan indagou, dando um passo à frente. Encarando-o seriamente.

— Vim conversar com a Sam! – Contou aparentemente calmo.

— Sobre? – Perguntou cerrando os punhos.

— Bem, acho que isso não é da sua conta! – O enfrentou com um sorriso irônico no rosto, se aproximando também.

— É da minha conta quando alguém quer falar com a minha garota! – Ryan rebateu. O confronto estava aberto. Os dois poderiam pular um no pescoço do outro a qualquer momento.

— Sua? – O Benson riu debochado. – Se eu bem escutei, ela acabou de te dar um fora! – Debochou.

Não acredito. Ele estava escutando nossa conversa.

— Ei, espera aí... Não foi bem assim! – Me intrometi no meio deles e decidi acabar com a discussão. – Quer saber, chega vocês dois. Ryan, você tem uma reunião agora, não tem? – Perguntei e ele assentiu. – Pois então vá logo. E Freddie, você tem cinco minutos!

— Mas Sam... – Ryan tentou falar.

— Chega, vocês dois juntos não dá! – Disse alterada.

— Você não se importou com isso aquela noite! – Freddie disse com um olhar malicioso pra cima de mim.

— Cala boca, Benson! – Retruquei já corada de vergonha. – E Ryan, vai logo. Quanto antes você for, logo esse chato vai também! – Gesticulei apontando para o Benson e ele revirou os olhos.

— Tá bom. Eu vou, se cuida e cuida do nosso bebê. Eu te amo! – Disse me dando um breve selinho.

Fiquei sem reação, ele nunca havia dito que me amava assim, abertamente. Vai ver foi só para provocar o Freddie, que está bem ao meu lado e ficou tão surpreso quanto eu. Sem saber o que responder apensa sorri e ele saiu, não sem antes fazer uma cara feia para o Benson.

Me virei, com uma expressão de tédio para Freddie e o empurrei, fazendo-o se mover-se. Ele entrou na casa com um carranca, irritado pelo que viu.

— Ixii... Os dois juntos? – Carly disse olhando-nos com uma expressão engraçada. — Quer saber, eu não vou ficar aqui de vela. Por favor, não usem a minha cama. Tchau pra vocês e beijinhos! – Avisou e pegou a bolsa, se encaminhando para a porta.

— Ei, e vê se não bebe mais. Também não dirija! – Gritei, mas ela me ignorou, saindo da casa. Desde quando eu sou a responsável daqui?

— Podemos conversar? – Freddie perguntou me fazendo virar em sua direção.

— O que você quer? – Perguntei de uma vez, sendo grossa.

— Já disse, queria te ver. E conversar, mas não aqui...– Explicou ansioso. – Quer sair comigo? — Perguntou com um sorriso lindo no rosto. Droga, porque eu tenho que ser tão fraca.

— Sair? Pra onde? — Indaguei curiosa.

— Que tal um piquenique? – Sugeriu sorrindo.

— Por que quer sair comigo? — Perguntei desconfiada.

— Porque sim. Topa? – Perguntei e eu pensei nas possibilidades de aceitar... Ou não seu convite. Muito provavelmente se eu não for, vou morrer de curiosidade. Mas se eu for, mais provavelmente ainda vou me jogar nos braços dele. E essa não é uma boa opção.

Por isso decido que não vou.

[...]

Minutos mais tarde...

— Mais um sanduiche de presunto, loira? Não acha que está comendo demais? – O Benson me zoou pegando mais uma daquelas delicias de dentro da cesta.

Estávamos em uma espécie de parque, completamente deserto. O que admito, me deixou com um pouco de medo, eu admito. Não dele, mas sim de mim. Havia uma cachoeira linda bem na nossa frente. O ambiente era adorável. Não consegui resisti a esses lindos olhos amarronzados me implorando pra vir pela décima sexta vez. Ou talvez seja terceira, mas deixa pra lá.

Por incrível que pareça não falamos de nenhum assunto pesado. Também não brigamos. O que era estranho depois de nossos últimos encontros. Pra falar a verdade, estou me preparando psicologicamente pelo que vem pela frente.

— Ei, eu estou comendo por dois! – Respondi fingindo-me ofendida.

— Ou seria por quatro? – Brincou com um lindo sorriso de lado.

Admito, ele havia me quebrado depois de soltar vários desses lindos sorrisos. Eu já havia até me esquecido que devia odiá-lo. Estava sendo divertido o passeio. Tentei ignorá-lo algumas vezes, ou me manter fria, mas não deu certo.

— Não, é só por dois mesmo! – Revirei os olhos, enquanto abocanhava mais uma pedaço de sanduiche.

— Como está o bebê? – Perguntou de repente, com um sorriso no rosto. Ele ainda não havia me perguntado nada sobre a gravidez.

— Está bem. Fizemos o primeiro ultrassom hoje! – Contei com um sorriso, mas ele fechou o seu.

— Com o Ryan... – Resmungou para si mesmo, parecendo aborrecido. E desviou o olhar para a cachoeira em nossa frente.

— Sim. Com o Ryan. Ele está feliz com a gravidez... – Continuei e ele não voltou seu olhar pra mim! – E ele ao menos se importa comigo. Com certeza mais do que você! – Pronunciei instintivamente, dizendo o que estava entalado na minha garganta. – Até agora você não moveu um dedo para demostrar preocupação com o bebê, isso não é ser pai... – ‘’Ou um pretendente a pai’’ – Competei.

— Eu vou assumir e...

— Eu não estou falando disso! – Me exaltei, fazendo-o tomar um pequeno susto. Pronto a paz foi embora! — Você não vê que ser um pai não é isso, não é somente colocar seu sobrenome no documento dele. Um pai tem que estar presente... E isso, desde a barriga! – Coloquei a mão sobre o leve volume em meu vente. – Assim como Ryan está fazendo! – Provoquei-o mais um pouco.

— RYAN! RYAN! CHEGA DE FALAR DELE, PORRA! – Se alterou, pegando um pedra que estava ao seu lado e jogando com força na água. – Eu sei que não estou presente na sua vida, nem na vida do bebê! – Disse exaltado, segurando meu rosto entre suas mãos. – Mas você também precisa entender que meu mundo desmoronou de um dia para o outro. Todos me odeiam... Você me ouviu bem? TODOS! Todo mundo me julgando o tempo todo por eu ter engravidado minha cunhada. EU ESTOU FICANDO LOUCO! – Ele colocou as mãos na cabeça, respirando pesadamente.

— E você realmente acha que eu não estou com o mesmo problema? EU FUI EXPULSA DE CASA, FREDDIE. Todos te odeiam? Isso é fichinha, eu sim estou com problemas. Minha família me odeia e todos que me conhecem me consideram uma vadia. Inclusive você, não era disso que você me chamou? Uma vadia vingativa? – Esbravejei com raiva lembrando das suas palavras no dia do jantar – E como se não bastasse, ao invés de amar um homem maravilhoso que está ao meu lado todos os dias, amo um cretino que não me dá valor nenhum. Então adivinha só... TENHO MAIS PROBLEMAS QUE VOCÊ! – Gritei já vermelha de raiva.

— NÃO TEM NÃO. Você tem pessoas ao seu lado. E não sabe o quanto me sinto culpado por não ser uma dessas pessoas... Me odiei por ver como estava te tratando. Falando milhões de vezes pra mim mesmo que você era só uma vadia vingativa que atrapalhou meu casamento. – Sua respiração era pesada e ofegante. Seus olhos estavam vermelhos, marejados. – Mas eu não consegui, a cada dia que passava descobria que o culpado era eu. Hoje eu cheguei na Carly com esperança de poder te falar tudo o que estava entalado na minha garganta. Mas você não estava... — Ele parou, respirando profundamente e prosseguiu. — Logo você chegou com aquela sua conversinha mole com o Ryan. Doeu. Doeu saber que EU não pude ter aquela conversa com você. Sinceramente, odiei que você tenha ido a primeira consulta sem mim. Odeio saber que eu não estive num momento tão importante. Que você estava com outro planejando o futuro do nosso bebê. Porque sim, eu acho que é meu. Dói saber que não fui o primeiro a ouvir o coraçãozinho do meu filho batendo. E que Ryan está fazendo tudo o que eu deveria fazer... – Quando o olhei novamente vi seus olhos tranbordando lágrimas.

Nunca tinha o visto chorando.

Sem saber o que falar apenas me aproximei puxando-o para um abraço. Eu não queria mais brigar. Queria só ficar naquele abraço, pra sempre.

— Me desculpa por isso!

Ele se manifestou depois de uns trinta minutos terem passado. Não havíamos falado mais nada. Eu estava deitada sobre seu peito, somente escutando nossos corações batendo. Estava tão bom...

— Tudo bem. Não vamos mais brigar. Não aguento mais isso! – Confessei e ele sentou-se, encostando as costas na árvore, bem atrás de nós.

— Eu sei que você não quer mais brigar. E espero mesmo que nós não briguemos por isto mas... O principal motivo deu te procurar é saber a verdade! – Ele suspirou passando as mãos nervosamente pelo cabelo. — Eu decidi que tenho que saber de tudo. Não mais pela metade, ou de bocas alheias. Tenho que ouvir de você, o porquê dessa vingança, do ódio pela Melanie. Enfim, tudo! – Explicou com uma expressão confusa. Olhando profundamente em meus olhos.

— Não gosto de falar disso! – Desviei o olhar, saindo de seu colo e me ajeitei na toalha vermelha que estávamos sentados, senti minhas mãos tremerem. Odeio lembrar desse assunto.

— Por favor... Confia em mim, eu preciso saber... – Senti uma de suas mãos em meu queixo, me obrigando a encará-lo.

— Tudo bem. Acho que você merece saber! – Concordei e respirei fundo, trazendo aqueles momentos novamente à tona em minha mente.

— Obrigado. Eu realmente preciso saber! – Agradeceu beijando minha mão com carinho.

— Okay, mas não reclame se a história for longa demais... – Avisei e ele assentiu — Bom, tudo começou no dia em que eu nasci... – Fui interrompida por sua gargalhada sem graça.

— Sério? – Perguntou debochado.

— Sim, é sério seu idiota! – Resmunguei socando seu braço.

— Podia resumir...

— Não. Você disse que queria escutar! – Falei brava e ele se calou revirando os olhos – Continuando, minha relação com a Melanie nunca foi muito fácil, nós crescemos afastadas uma da outro. Para minha infelicidade, hoje assumo que a culpa nunca foi dela, ou minha. Nossos pais sempre fizeram questão de nos diferenciar, e consequentemente, nos afastar. Pra falar a verdade, amava minha irmã! – Falei mais pra mim do que pra ele, já sentindo meus olhos marejados. Freddie me olhava com uma expressão surpresa.

— Eu sempre tive esse meu jeitinho meio doido, desde pequena. Era até irritante às vezes, preciso concordar. Mas meus pais nunca acharam que eu tivesse o comportamento adequado! – Fiz aspas com os dedos, revirando os olhos. – E isso já colocava Melanie num pedestal. Não vou dizer que eles a amavam mais, porque acho que isso seria um exagero, mas as comparações todos os dias me enchiam, até hoje me estressam e muito. Como eles sempre jogaram na minha cara que ela é melhor que eu! – Desabafei, enxugando uma lágrima teimosa que havia caído.

— Eu, com meus sentimentos confusos e extremos de adolescente problema, acabei piorando ainda mais meu comportamento. Mas isso era pra eles prestarem atenção em mim. E depois eu percebi o quão idiota isso era. Minhas passagens pela polícia não me ajudaram em nada. Eles, por conta das minhas diversas travessuras, sempre apoiaram Melanie mais que eu. Dando apoio e amor para a filha brilhante e não para a delinquente. Isso me machucava e minha raiva pela Melanie só aumentava! – Mais algumas lágrimas caíram ao me lembrar desse tempo que eu só queria esquecer.

— Se não quiser, não precisa... – O Benson disse percebendo o quanto aquilo mexia comigo.

— Tudo bem, eu quero falar! – Sequei minhas lágrimas rapidamente e prossegui. – Logo o colegial acabou. Entramos na faculdade, e lá eu descobri o amor, ou mais ou menos isso! – Ri com ironia ao pensar na palavra ‘’amor’’ relacionada aquele cretino. – Lá conheci Austin, o galã dos meus sonhos, bonito, boa-pinta, gentil... Tudo o que uma mulher precisava. Pelo menos era o que eu achava. Começamos a namorar, tudo corria bem. Um dia, desconfiei que estava grávida, estava atrasada e com enjôos. No fundo eu já sabia, eu iria ter um filho. Apesar de jovem eu fiquei muito feliz e fui correndo contar a novidade... Aí o peguei na cama com minha gêmea, transando, os dois rindo da minha cara! – Ri com uma pontada de tristeza ao lembrar da desculpa de Austin, que ele havia se ‘’confundido’’. Patético! – Até aí tudo bem, ou não. Dei uma surra na Melanie, um soco bem dado no Austin. E depois cometi o pior erro da minha vida. Saí correndo desgovernada, lembro até hoje das lágrimas embaçando meus olhos. A partir daí só senti um forte impacto e então acordei no hospital. Eu havia perdido meu bebê.

Não consegui mais segurar e me agarrei no seu peito, soluçando. Era com certeza uma das lembranças mais dolorosas da minha vida, me recordar o quão grande foi o baque.

— Me desculpa, eu não devia ter tocado nesse assunto! – Sussurrou acariciando meus cabelos, com carinho. Fiquei alguns minutos no seu colo, com a cabeça enterrada no seu pescoço

— Tudo bem, você merecia saber! – Disse após alguns segundos, secando minhas insistentes lágrimas.

— Agora, chega de lágrimas, sim? – Sussurrou carinhoso, acariciando minha bochecha. Provavelmente minha face estava bem inchada.

— Sim. São os hormônios. Nunca chorei tanto na minha vida! – Ri sem graça, terminando se enxugar minhas lágrimas na manga da blusa.

— Você já quer ir embora? – Ele perguntou assim que consegui me recompôr completamente.

— Não... – Disse olhando em volta e ele me olhou curioso. – Não sem antes fazer uma coisa... Cansei da Sam chorona, prefiro a pervertida. Você, não? – Disse sapeca, olhando para a cachoeira.

— Não, você não ... – Se cortou incrédulo percebendo o que eu queria.

Provocante, levei minha mão a barra de sua blusa. Aproveitando para usar e abusar do seu corpo. Estava com saudade de sentir sua pele. Não perderia essa chance. Subi sua camisa aproveitando para tocá-lo.

— Revival do dia da Serra, loira? – Disse com um sorriso lascivo no rosto. E eu me lembrei do dia maravilhoso que tivemos no seu aniversário. Quando armei o seu ‘’sequestro’’ e então passamos o final de semana todo juntos.

Não respondi, apenas toquei o cinto da sua calça, abrindo-o no mesmo instante em que puxei o zíper para baixo. Tirei sua calça, levando junto sua cueca. Toquei no seu membro, massageando-o de cima a baixo.

— Isso é injusto, sabia? – Comentou me olhando e eu percebi que devia ser por causa da minha roupa. Ainda estava vestida.

Em poucos minutos ele se livrou da minha roupa, e ficou me analisando de cima a baixo, me deixando corada de vergonha.

— O que foi, hein? Eu sei que não estou com o mesmo corpo e que... – Comecei a reclamar, mas fui interrompida.

Um beijo me calou... Um beijo lento e.... É eu poderia dizer apaixonado. Me entreguei enroscando meu lábios nos seus. Prendi minhas pernas em sua cintura, tentando me equilibrar, enquanto ele me apertava contra o tronco de árvore. O beijo aos poucos foi se tornado mais rápido e provocante. Sentia seu membro já duro, me pressionando.

— Escute bem, você está linda. Eu só estava admirando. Adorei essa barriguinha! – Disse assim que quebrou o beijo, uma de suas mão estava em meu ventre, acariciando-o.

— É feio mentir! – Ri e o puxei para a cachoeira rapidamente.

Não posso mentir. Estou precisando de sexo, precisando muito.

Entramos na água. Estava uma delícia, geladinha. Acompanhando esse Dol maravilhoso. Logo senti sua mão apertar minha bunda. Era a deixa para eu enroscar minhas pernas em sua cintura.

— Espera, o bebê... Ele não... – Freddie gesticulou envergonhado, apontando para nós.

— Para de ser bobo. Ele está bem. Nosso filho está bem! – Disse o ‘’nosso’’ alto e bem claro, fazendo-o sorrir e me beijar novamente.

Logo senti ele me penetrando, com cuidado. Ele estava com medo. Ri baixinho, era uma bobagem. A médica me disse que eu estava liberadíssima para sexo. E eu estava muito necessitada.

Senti seus movimentos acelerarem gradativamente. A água se agitava ao nosso redor. Nossos gemidos ecoavam. Espero mesmo que aqui seja tão vazio como ele disse. Sem que eu pudesse sequer notar, senti meu orgasmo. Explodimos juntos, ambos ofegantes e saciados (ou talvez nem tanto).

[..]

— Pra quem só queria me ver por cinco minutos... Seis horas é bastante tempo! – Debochou virando-se pra mim ainda ofegante.

Voltamos para casa, estávamos naquela a cama a com certeza muito tempo. Várias e várias rodadas de sexo aconteceram. Nunca me senti tão bem.

— Idiota! – Ri e dei um tapinha em seu ombro.

E ficamos em silêncio novamente, ambos olhando para o teto. Nós conversamos, fomos para cama. Mas não ficou nada realmente claro. Ele deu a entender que gostava de mim, mas não sei, vai ver foi só uma doce ilusão. E eu não vou aguentar viver com mais essa incerteza.

— E agora? – Me virei olhando-o com confusão.

— O quê?

— E agora? Como estamos? Qual é nossa situação? – Disse de uma vez. Soltando a angústia que estava entalada em minha garganta. Nós transamos mas e daí? Isso já havia acontecido antes. Poderia ter sido apenas mais uma vez.

— Eu... – Ele foi interrompido pelo volume do celular. Que tocou insistente e alto, ecoando pelo quarto.

Freddie se levantou soltando um resmungo. E foi até a sua calça jogada no chão, ainda estava nu. Pegou o celular e pareceu surpreso ao olhar para o aparelho. Em seguida ele o atendeu, falou alguns segundos com a pessoa, respondendo somente. Respostas curtas, não consegui entender muito bem.

— O que foi? Quem era? — Me sentei na cama, ajeitando o lençol no meu corpo. Assim que vi ele se aproximando de mim novamente.

— Melanie. Ela marcou um encontro comigo, quer falar sobre nosso casamento! – Me avisou com um semblante sério no rosto.

Notas finais
Quanto drama, não? Ah, eu amo um drama... O que acharam? A Sam estava certa em se vingar da Melanie? Fariam a mesma coisa? Uhuuullll.... Seddie juntos... Ou mais ou menos, mas vou comemorar antes que a Julie venha e encrave uma estaca no nosso coraçãozinho Seddie, depois desse final, não duvido Haha Mas sério, eu simplesmente AMEIIIIIII escrever esse capítulo #AmoSeddie E a Melanie louca? O que ela quer? O que o Benson fará??? Bem, comentem, é muito importante! Bjos...